Fiction.
2 O gordo é só o gordo.
Notas iniciais
Então, Leo deu partida e uns quarenta minutos depois chegamos no local da comemoração, festa, ou seja lá o que for. Era grande, bem grande. Lugar típico de gente festeira. Saí à procura dos meus colegas do clube de teatro, e Leo foi estacionar. Johnny estava em frente à mesa de comida. Era de se esperar. Ele era gordinho, com cabelos loiros raspados e sobrancelhas retas. Os olhos, cinzas. Vestia uma camiseta branca, como a maioria das pessoas naquele salão, e uma bermuda que batia nos joelhos. Eu estava meio agoniada naquele ambiente. Lotado de pessoas, todas juntas e se espremendo. Fui cumprimentá-lo.
— Oi, Johnny. — Eu disse, sorrindo de lado. — Aproveitando a festa?
— Hm? — Ele virou-se para mim, com a boca cheia de doces. Eu ri pelo nariz. — Ah, oi, Clare! — Johnny disse depois de mastigar. Quando ele sorria, as maçãs de seu rosto cor-de-rosa subiam, fazendo com que os olhos claros fossem "encolhidos". Ele parecia ter vindo de uma família de origem Alemã. — Ah, sim. Estou, sim. — Assentiu levemente. — Acabou de chegar, uh? Tome cuidado. Ouvi falar que uma menina tomou uma bebida envenenada no começo da festa, ou algo do tipo. Mas tenho certeza que não foi um gordo que a envenenou. Você já viu um serial killer gordo? Um terrorista gordo, ou algo do tipo? Tenho certeza que não. O gordo só quer comer e ficar na dele, o gordo é só gordo. — Ele riu. — Desculpe. Essa história pode ser mentira, mas nunca se sabe, não é? — Ele deu de ombros.
— Sim, nunca se sabe. — Concordei com a cabeça. — Hm, você viu o resto do pessoal? Só achei você até agora, e estou meio perdida.
— Ah — Ele passou os olhos pelo salão, procurando nossos colegas. — Luce está dançando com a Heather lá no fundo, onde tem aquele globo, vê? — Assenti com a cabeça. — Luke sentado na poltrona ali, e o Hugo pegando uma bebida ali em frente. Suzanne dançando com o Zeke, a Jô está ali escrevendo e... — ele estreitou os olhos, parecia estar procurando mais alguém. — e o Chris está bem ali. — Ele apontou para a mesa de ping-pong, quase que do nosso lado. Arregalei os olhos e senti meu rosto corar. Ainda bem que as luzes do salão eram coloridas e não dava para perceber o meu estado de vermelhidão.
Puta merda, pensei. PUTA MERDA.
— Hã, Clare? Claaaaaare...— Ele disse estalando os dedos gorduchos na minha frente, me tirando do momento de "transe". — Clare, você tá bem?
— Hm? — Desviei o olhar de Chris e balancei a cabeça — Desculpe, desculpe. Sobre o que estávamos falando?
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Ah, sim, o pessoal que... — Leo apareceu.
— Oi, Johnny. — Ele cumprimentou-o, sorrindo. — Clare, precisamos ir, este lugar não é...
— Relaxa, Leo. — Eu o interrompi, rolando os olhos. — É, hm, normal. Eu acho.
Ele bufou.
— Eu vou pra área de jogos ali, se precisar de mim. — E fez uma careta, brincando.
— Tudo bem. — Ri pelo nariz.
Um tempo depois eu fui comer e falar com o Chris, que estava encostado em uma parede. Ele era meu amigo, afinal, não tinha mal em falar com ele. Seu cabelo era claro e curto. Os olhos, castanhos. Ele usava um suéter branco listrado de azul-marinho e calças jeans surradas. Estava comendo algum salgado, não consegui identificar qual era.
— Oi, Chris. — Falei, sorrindo levemente. Minhas bochechas queimavam, e isso era um saco porque acontecia sempre. Ele virou-se imediatamente para mim e me abraçou.
— Oi, Clare. — Ele disse, sorrindo. Nossa, aquele sorriso. Capaz de derreter qualquer coração de pedra. Os lábios rosados e finos. Era uma cabeça mais alto que eu. — Como você tá?
Ele não tirava o sorriso do rosto. Isso era péssimo de um lado e ótimo de outro. Péssimo por me fazer corar e ótimo por estar feliz. Bom, era o que parecia.
— Estou ótima. — Respondi, sorrindo. — E você?
— Hm, também. — Disse e enfiou o resto do salgado na boca. Ele sorriu com as bochechas cheias e eu ri.
De repente, Johnny me puxou pelo braço para a mesa de comidas de novo.
— Clare, prove isso. É magnífico. — Ele enfiou um bolinho na minha boca. Segundos depois, tudo ficou escuro.
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