Ficarei Ao Seu Lado

17 Você Imagina Um Amor Assim?


Notas iniciais
Olarrrrrrrrr, para acalmar a tensão de vocês haha aqui vai mais um cheeeeio de fofurices ;) me perdoem pelo susto do capítulo anterior, gente haha Obrigada pelos comentários, eu vou responder todo mundo agora mesmo. Tatá, obrigada pela ajuda com uma cena que você reconhecerá. Suas palavras foram liiiindas e me ajudaram muito :3 — Para Carol, eu sei que você ama os flashbacks e cenas da Sofia. E obrigada por ter favoritado com seu novo perfil *-* Esse aqui é para você. Love ya, obrigada pelo apoio na escrita e em tudo o mais ♥ Enjoy ;)

* POV Castle *

Nós dois nos separamos para procurar Sofia, contra a minha vontade. Havia um incêndio se formando e Kate queria ir justamente para a direção de onde ele vinha. Ainda era pequeno, eu sei, mas até a mera iminência de Kate se ferir já era insuportável para mim. "Ache Sofia, por favor, encontre minha menina", essa fora a última coisa que ela me disse antes de sair correndo para a sala de arquivos.

Os bombeiros já estão chegando, os bombeiros já estão chegando, os bombeiros já estão chegando. Eu repetia essa frase como um mantra, tentando bloquear qualquer pensamento negativo que pudesse habitar em minha mente. Nós encontraríamos Sofia e sairíamos sãos e salvos dali, preciso acreditar nisso.

Eu corria pelos corredores da delegacia gritando por nossa filha, mas não obtia nenhuma resposta. O prédio já estava quase todo vazio e, por sorte – ou talvez nem tanta –, o incêndio permanecia focado naquela sala.

Deus, não permita que nossa menina esteja naquela sala. Eu preciso encontrá-la.

Dizem que até o mais cético dos homens se torna crente em um momento de desespero. Agora eu entendo essa frase. Nunca fui um dos mais religiosos e, agora, só o que consigo fazer é orar para que minha filha e minha esposa estejam bem.

Sinto meu celular vibrar em meu bolso e me apresso em pegá-lo. Era Kate. Ela deve ter encontrado nossa garotinha. Atendo já correndo em direção à sala de arquivos.

— Kate, você a encontrou? – pergunto com a voz ofegante devido àquela correria toda.

Sim, estamos na sala de arquivos. Não consigo sair daqui, Rick.— sua voz era de desespero e eu sinto meu mundo quase desabafar ao ouvi-la naquele estado.

Kate estava assustava, e eu a compreendia muito bem. De novo nossa filha estava em perigo, mas, dessa vez, eu iria salvá-la. Salvaria as duas.

— Estou indo, Kat... – interrompo minha frase ao ouvir um estrondo do outro lado da linha.

A sala estava desabando em cima delas. Não! Apresso o passo e viro o corredor, ainda com o telefone ao ouvido, mas já não ouço a voz de Kate. Deus, que elas estejam bem.

Avisto a sala e corro para adentrá-la. Kate e Sofia correm em minha direção e eu sinto o maior alívio do mundo ao vê-las. Elas estavam vivas.

— Kate, cuidado! – Sofia solta um grito estridente e meu olhar acompanha o dela. O teto ia desabar.

Antes que eu pudesse ter qualquer reação, tudo acontece. Kate praticamente arremessa nossa menina em meus braços e eu, num impulso, agarro-a. Quando volto meus olhos para Kate, apenas alguns milésimos de segundos após ter Sofia agarrada a mim, ela está caída ao chão.

Um pedaço do teto desabara em cima dela.

Sinto minhas pernas fraquejarem e aligeiro-me em tirá-la dali. Ouço Sofia choramingar próxima a mim. Sinto lágrimas escorrerem por meu rosto enquanto tento tirar Kate dali, usando todas as minhas forças para isso. De repente, vejo um par de braços me ajudando e, juntos, tiramos aquele pedregulho de cima dela.

Seguro-a em meus braços e passo a mão por seu rosto, todo coberto de cinzas. Ela estava inconsciente. "Kate, meu amor, acorde. Abra seus olhos", peço em voz alta, desesperado, mas ela não reage.

Ouço alguém chamar-me de maneira formal e pedir para sairmos dali. Não conhecia aquela voz. Olho para o alto e vejo um homem com farda de bombeiro me olhando, só então percebo o que acontece à minha volta. O incêndio havia sido cessado, só restando uma grande massa de fumaça e uma sala de arquivos totalmente destruída. Corro meus olhos pelo local, agora de pé e mantendo Kate em meus braços. Sofia não estava mais ali.

— Minha filha. – digo, olhando para o homem que permanecia parado diante de mim.

— Ela está lá fora sendo cuidada. Vamos, senhor Castle, sua esposa precisa ir para o hospital.

Assinto e o sigo a passos apressados para fora do 12th. Kate é colocada em uma maca e eu entro na ambulância com ela. Procuro por Sofia e a vejo na companhia de Lanie. Ela ficaria bem.

— Vá, eu cuido dela. – Lanie grita para mim e eu a agradeço. Preciso estar com Kate agora.

Minha mente tornou a desligar-se do mundo e tudo o que eu conseguia ver era o rosto de Kate em minha frente, sua expressão era de dor. Eu daria qualquer coisa para trocar de lugar com ela. Vê-la naquele estado era uma tortura para mim.

Chegamos ao hospital e ela foi levada para uma sala onde não permitiram a minha entrada. Eu ouvia vozes me chamando, mas não conseguia reagir, eu só queria a Kate bem.

Ouço a doce voz de minha menina me chamando e só então eu desperto daquele estado em que me encontrava. Ela tinha os olhos ensopados de lágrimas e rostinho vermelho. O medo estava presente em seus olhos também. Eu sabia que deveria estar no mesmo estado que ela. Seguro minha baixinha em meus braços e a sinto se aconchegar no meu colo, agarrando-me com força. Seu corpo tinha leves espasmos devido ao seu pranto incessante.

* POV off *

— Eu quero ver a minha mãe, papai. – Sofia diz com a voz trêmula de choro. Ter visto a mãe sendo atingida fora demasiado traumatizante para a garotinha.

Durante todo o tempo em que esteve sob os cuidados de Lanie, do momento em que saiu do 12th até chegarem ao hospital, a menina não parou de chamar por Beckett e dizer que queria vê-la. Nem mesmo a presença do pai fora suficiente para acalmá-la.

— Logo você a verá, Sof. Ela vai ficar bem, acalme-se, baixinha. – Castle disse, buscando tranquilizar a filha e a si mesmo.

Todos estavam ali, impacientes por notícias da capitã. Os rapazes e Lanie, e, até mesmo, Martha e Hermione. Jim estava viajando a negócios e eles optaram por não informá-lo de nada até saberem exatamente o estado de Beckett.

Um tempo depois, o médico responsável, doutor Seamus Finnigan, foi ao encontro da família. Assim que o viu, Castle o encheu de perguntas acerca do estado de Kate.

— Pode ficar tranquilo, senhor Castle. Sua esposa está fora de perigo. – o doutor Finnigan informou, trazendo alívio para todos ali.

E continuou.

"Nós demos bastante soro a ela em razão da desidratação causada pelo excessivo tempo em contato com a fumaça. A pancada que senhora Castle sofreu não acarretou em graves sequelas, porém ela precisará ficar aqui essa noite em observação para termos certeza de seu quadro. Aparentemente, o acidente apenas resultou em uma fratura no úmero e no rádio. Duas semanas com o braço imobilizado serão suficientes".

— Graças a Deus. – Martha disse, enfim respirando aliviada.

— Papai – Sofia disse baixo no ouvido de Castle –, eu quero ver a minha mãe.

Rick sorriu para a menina e voltou sua atenção para o médico.

— Já podemos vê-la, doutor? – ele perguntou, indicando que a menina também iria com ele.

— Claro, senhor Castle, acompanhem-me.

Ao ouvir a confirmação, Sofia animou-se e remexeu-se nos braços do pai, indicando que queria descer de seu colo.

Os poucos minutos em que eles seguiram andando até o quarto onde a capitã estava pareceram uma eternidade para a menina. Apesar de ter ouvido que a mãe estava bem, só iria acreditar quando a visse. A imagem de Beckett desacordada e ferida não saía de sua mente por nada, e aquilo já estava a atormentando.

— É aqui, quarto 1347. – o doutor Finnigan disse, abrindo a porta para que os dois pudessem entrar, e se retirou em seguida.

Kate estava levemente deitada, as costas apoiadas na cabeceira da cama e o braço direito engessado. Assim que viu Rick e Sofia entrando no quarto, um enorme sorriso nasceu em sua face. Eles estavam bem, já não se aguentava de tanta ansiedade para vê-los. Seus dois maiores amores.

Sofia entrou na frente do pai, um tanto afobada, porém, quando seu olhar fixou-se em Kate, ela paralisou. Um misto de emoções crescendo dentro de si. Ela realmente estava fora de perigo. Com os olhos cheios de lágrimas e um lindo sorriso em sua face, a garotinha correu de encontro a Kate, que, em contrapartida, esticou o braço bom para recebê-la.

— Mamãe! – foi tudo o que ela disse antes de pular na cama e afundar seu rosto no vão do pescoço de Kate.

Mamãe? Ela ouvira direito?!

Sim.

Sofia havia dito um alto e claro "mamãe".

* POV Beckett *

Senti meu coração bater em desespero e a máquina que controlava meus batimentos apitou desgovernada. Mas eu não ligava. Minha filha acabou de me chamar de "mamãe" pela primeira vez na vida e eu não irei controlar meus sentimentos, mesmo que essa máquina exploda.

Na verdade, acho que quem vai explodir sou eu. Explodirei de tanto amor.

Abraço minha menina ainda mais forte e a sinto retribuir meu gesto. Meu rosto já está ensopado pelas lágrimas. Levanto meu olhar e vejo Castle nos observando, maravilhado com a cena. "Ela disse mamãe", ele falou para mim apenas com o movimento de seus lábios e meu sorriso cresceu ainda mais, como se aquilo fosse possível.

Fora a confirmação. Castle também ouviu, então não era fruto de minha imaginação.

— Eu tive tanto medo, mamãe. – ela diz e se aconchega ainda mais em meu colo.

E, de novo, a máquina dispara desvairadamente.

— Agora já está tudo bem, meu amor. Nós estamos bem. – digo e acaricio seus cabelos – Eu te amo tanto, Sofia.

Ela levanta o rosto e me olha nos olhos, um sorriso lindo brincando em seus lábios. O meu sorriso, aquele que eu notei que ela dava somente para mim.

— Eu te amo ainda mais, mamãe. – ela diz com sua voz rouca e doce, e torna a me abraçar.

Ai meu Deus, eu não posso acreditar. Isso está mesmo acontecendo?

Castle agita a cabeça em afirmação, como se tivesse lido minha mente, e eu sorrio para ele outra vez. Era só o que eu conseguia fazer: sorrir o maior sorriso que pudesse.

Eu poderia passar dias e noites ouvindo esse "mamãe" que jamais iria me cansar.

De repente, nenhum problema mais parecia importar. Incêndio. Igor Gaunt. Josh Davidson. Nada. Nada mais parecia ter o peso de antes.

Meu coração se amansou, e todos os problemas pareceram se dissipar. Eu a tinha de volta, agora sim era certo.

Minha filha voltou para mim.

* POV off *

Um tempo depois, os demais foram ao quarto da capitã vê-la, mas logo cada um seguiu para casa.

Sofia, a contragosto, foi para o loft com Martha e Hermione. Apenas Castle ficou de acompanhante para aquela noite, e única, ele esperava.

— Agora que todos já se foram, senhora Castle, você precisa descansar. – Rick disse, fechando a porta para o último visitante que saíra.

— Eu sei, Rick. E irei. Mas, antes, preciso que me diga o que aconteceu depois que eu fui atingida. O que nós perdemos? A delegacia...

— A delegacia está inteira, exceto pela sala de arquivos, como você deve imaginar. Os bombeiros contiveram o incêndio antes que pudesse de espalhar por todo o 12th. – ele informou tudo o que sabiam até aquele momento.

— Ainda não verificaram detalhadamente tudo o que foi perdido?

— Kate – ele falou com pesar –, todos os documentos que estavam ali foram perdidos. Não sobrou nada naquela sala.

Ela sabia do estado daquele cômodo, ela estivera lá dentro, mas ainda tinha esperanças de que não tivessem perdido todos os documentos. Pelo menos, não os referentes ao caso de Igor Gaunt.

— Cas. – Kate o chamou e esperou que sua atenção estivesse toda voltada para ela – Você também acha que Gaunt está metido nisso?

— No incêndio? Sim. – ele confirmou, já vinha pensando nisso também.

Só o que não conseguiam entender era como ele soube. Como ele pode ter conhecimento de que estava a um triz de ser pego?! Devia ter um informante ali, um parceiro infiltrado no meio deles.

— Você também acha que alguém o contou, não é? – ela disse depois de um tempo em silêncio.

— Acho, mas... Kate, agora não é hora para isso. Você precisa descansar. – Castle se aproximou, sentando ao lado dela na cama e segurando sua mão – Nós vamos resolver tudo, mas, antes disso, você precisa se recuperar, Kate.

— Tudo bem.

— Você quer dormir? Quer que eu ajeite os travesseiros para você?

— Não agora. – ela falou com um sorriso nascendo em seus lábios – Você viu a reação de Sofia mais cedo, Cas? Ela... ela me chamou de mãe.

Seus olhos brilharam com a lembrança daquele momento. Nunca sentira algo tão mágico em toda a sua vida. Bem, talvez uma vez, quando Sofia a surpreendeu com seu primeiro sinal de vida.

* flashback: 04 meses e meio de gestação *

Era mais um dia "comum" no 12th. Kate e Rick, como de costume, estavam juntos na sala de interrogatório. A detetive já tinha a barriga ligeiramente avantajada, porém não queria deixar ainda de fazer seu trabalho. Insistia que estava bem e que podia controlar suas emoções, o que não era mentira.

Sua relação com Castle melhorava a cada dia, mas, mesmo já estando estampado em sua cara, ela não assumia seus sentimentos por ele.

Beckett conduzia o interrogatório com maestria. Como Rick costumava dizer: ela parecia uma tigresa naquela sala. Era o seu território e ela sabia dominá-lo como ninguém. O suspeito já estava no papo.

— Nós já sabemos de tudo, senhor Dursley. Não tem mais para onde fugir. – ela disse, encurralando-o.

Percebendo que não teria mais escapatória, Durley confessou todo o crime, chorou e disse não ter feito aquilo por mal. Que perdeu o controle da situação e, quando viu, já havia matado a esposa. Crime passional. Os ciúmes realmente cegam as pessoas.

Os guardas levaram o senhor Dursley algemado da sala, e a detetive e o escritor recolheram os papeis de cima da mesa para saírem dali. Foi então que Kate sentiu. Foi quase imperceptível, mas ela sentiu. Fora como se um monte de bolhinhas estivessem estourado dentro de seu estômago, trazendo uma sensação estranha, mas, ao mesmo tempo, a melhor que já sentira.

Ela parou, estática, os olhos fixos em ponto qualquer.

Castle ia saindo da sala tagarelando sobre o que eles poderiam almoçar, até que se deu conta de que ela não se movera. Olhou para trás e preocupou-se quando a viu.

— Kate? – ele chamou, aproximando-se e já indo com a mão direto na barriga dela – Aconteceu algo? Sente alguma dor? É o bebê?

Ele despejou várias perguntas na detetive, porém ela não as respondeu. Continuava no mesmo lugar, apenas moveu seus olhos para a barriga e depois para Castle. Um sorriso brincando em seus lábios quando seus os olhos fixaram-se naquelas íris azuis que ela já amava.

Ela colocou as mãos por cima das dele, em sua barriga, sem desgrudar seus olhares.

— Kate... – ele interrompeu a frase ao sentir uma pequena movimentação na barriga dela, enfim a entendendo – O grãozinho... e-ele se mexeu. Kate.

— Eu sei. – ela disse já com lágrimas nos olhos. Ficara extremamente sensível após a gravidez – Cas, isso é incrível. E-eu nem consigo descrever o que estou sentindo agora.

O casal ficou um tempo se encarando, apenas partilhando daquele mágico momento. Naquele instante, ela soube que nunca sentiria um amor tão grande quanto o que tinha por seu bebê.

* flashback off *

No dia seguinte, pela manhã, Victoria Gates foi à delegacia. Fora avisada sobre o incidente do dia anterior e apressou-se em checar pessoalmente como tudo estava.

Ao chegar lá, encontrou Ryan e Esposito verificando o material que lhes restara após o incêndio. Castle havia feito um backup de todos os documentos que existiam na sala de arquivos no mês anterior. A má notícia? O material coletado contra Igor Gaunt fora incluído apenas naquela semana na sala de arquivos, e Castle não os tinha salvado ainda. Beckett ficaria uma fera.

— Bom dia, rapazes. – Gates os saudou, se fazendo presente.

— Senhora. – os dois disseram em uníssono, fazendo um aceno com a cabeça como um cumprimento.

— Fui informada do que aconteceu ontem. Uma tragédia.

Ela disse em um tom levemente informal, indicando que sua ida até o local não era como sua superior, mas sim como uma antiga amiga de todos ali.

— E Beckett onde está?

— Ainda está no hospital, senhora. – Ryan informou, deixando Gates espantada.

Na ligação que recebera, fora informada acerca do incêndio, mas não que Beckett havia se ferido. Ao notarem a expressão de surpresa no rosto dela, os rapazes deram início a uma narrativa de tudo o que ocorreu, frisando, inclusive, que já tinham um possível suspeito.

— Então, vocês acham que Igor Gaunt foi o causador do incêndio?

— Ninguém mais do que ele tinha interesse em ver a sala de arquivos, com tudo lá dentro, ser destruída, senhora. – Esposito disse, recebendo uma confirmação de Ryan com um menear de cabeça – A única coisa que ainda não temos ideia é de como ele conseguiu a informação de que a capitã já havia aberto uma investigação contra ele.

Os três ainda conversaram um pouco mais sobre o incidente até Gates partir, mas não sem antes deixar ordens de encontrarem o mais rápido possível o responsável daquela pequena tragédia e fazê-lo pagar por aquilo.

#

— Vovó! – Sofia gritou antes de pular na cama da mulher – Vamos nos atrasar para buscar a mamãe.

A garotinha disse enérgica e puxou o edredom que cobria Martha até a cabeça. A ruiva abriu os olhos com certa dificuldade por causa do sono, a noite anterior havia sido muito agitada e ela demorou a dormir. Olhou para a garotinha sentada à sua frente e sorriu, como ela podia ser tão enérgica logo cedo?

Não que Martha Rogers também não fosse, mas, naquele dia em particular, ela queria mesmo era passar a manhã toda dos lençóis. Coisa que sabia que não poderia fazer. Não com a neta ali lhe encarando com seus enormes e esperançosos olhos esverdeados.

— Tudo bem, criança, você venceu. – ela disse e se levantou, deixando um beijo na testa da menina – Vamos nos aprontar que esse belo dia nos aguarda. – falou, por fim, com seu típico ar teatral e seguiu para o banheiro.

— Vovó, você acha que a mamãe vai gostar dessa roupa que eu separei para ela?

A menina questionou, mostrando para a avó o look que havia escolhido para Kate. Castle havia pedido – quando telefonou avisando que a esposa recebera alta – que elas levassem alguma roupa para Beckett se trocar, e Sofia mais que depressa correu para o guarda-roupa da mãe.

— Ela irá amar, kiddo. – respondeu, saindo do banheiro já vestida – E eu, como estou? – a pergunta se seguiu de um rodopio.

— Está linda, vovó.

— Ótimo. Agora vamos correr antes que Richard ligue novamente e reclame do atraso. – disse, movendo os braços e saiu em busca de sua bolsa.

Sofia riu do jeito dela pulou da cama, correndo em direção à cozinha e gritando por cima do ombro que havia preparado torradas para as duas.

Um pouco distante da cidade, Igor estacionava seu carro nas propriedades de Pettigrew. Havia resolvido, enfim, fazer uma visita a Josh e contar de seu último feito.

— Olha só quem resolveu aparecer. – o médico disse ao ver Gaunt saindo do carro.

— Sentiu minha falta, querida? – Igor comentou com seu habitual tom de deboche – Vim aqui te deixar a par dos últimos acontecimentos. Vamos entrar?

Os dois se cumprimentaram e seguiram para dentro da velha cabana. Depois de tantos dias habitando aquele lugar, Josh já começava a considerá-lo sua casa e vinha pensando em permanecer ali por mais um tempo com o primo. Caso não conseguisse resolver os problemas que havia criado.

Esperava que a visita repentina do advogado fosse para trazer boas notícias acerca disso.

— Vítor está aqui?

— Não. Saiu para comprar alguns mantimentos que estavam faltando. – sentou-se no sofá e indicou que o amigo fizesse o mesmo – Então, a que devo a honra de sua ilustre visita?

— Achei que gostaria de saber que já dei um fim nas investigações que a sua capitã havia aberto contra mim.

A resposta foi direta e Josh precisou de alguns segundos para assimilá-la. O que aquele maluco poderia ter feito? Esperou que Igor continuasse e, quando ele não o fez, voltou a indagá-lo.

— Como?

— Simples, meu caro doutor Davidson, eu queimei tudo. – respondeu como se aquilo fosse algo óbvio – Que melhor forma de destruir papéis indesejados do que os transformando em cinzas?!

— Você incendiou a delegacia? – Josh perguntou incrédulo.

— Ora, Joshua, você não assiste mais ao noticiário? Não foi um grande incêndio, mas estava no Jornal esta manhã. Tive ajuda com isso, é claro.

— Quem?

— Não vem ao caso agora. – limitou-se a dizer.

Quanto menos gente soubesse do envolvimento de JR nessa história, melhor para ele. Levantou-se e correu os olhos pelo local, procurando a cópia de O Grito, de Edvard Munch, que escondia o cofre da casa.

Achava engraçado o pequeno paradoxo daquela pintura com aquilo que ela escondia. Sua interpretação artística era a representação de um momento de profunda angústia e desespero existencial, tal qual ele próprio quando correu para aquela cabana – na companhia de Josh – e pediu a Pettigrew que escondesse os documentos que tirara de Hermione.

Profunda angústia e desespero ao ser descoberto.

— Devíamos nos livrar daqueles documentos. – falou ao fixar seu olhar na pintura.

— Já fizemos isso.

Igor virou seu rosto, olhando diretamente para o amigo, e levantou uma sobrancelha, transparecendo sua descrença.

— Falo sério. Quando você veio aqui da última vez e disse que Beckett estava a ponto de desvendar tudo, eu mesmo peguei aqueles documentos e me livrei deles. – vendo que o homem ainda não acreditava, completou, em tom de descaso – Nem sei o porquê de você ter guardado aquelas coisas. Devíamos ter nos livrado desses documentos assim que você os pegou.

Gaunt o encarou por mais um par de segundos e, depois, deu seu típico meio sorriso. Engolira a mentira de Josh.

— Nem eu sei. – disse, por fim, e seguiu para a porta de saída – Já vou. Agora que não preciso mais me preocupar com aquela capitã, posso tentar encontrar uma saída para você.

— Isso seria bom, já estou me cansando de ficar escondido.

Josh respondeu e o acompanhou até o pequeno gramado na parte da frente da cabana, pensativo.

— Talvez você consiga um acordo com Beckett. Não tenho mais interesse naquela criança. – falou para o advogado após alguns segundos de silêncio.

— E você já teve algum dia? – Igor disse em tom de deboche antes de entrar em seu carro.

— Touché.

A única "utilidade" da menina, para ele, era conseguir vantagem sobre Kate Beckett. Porém, devido a tudo o que acontecera, acreditava que isso já não seria mais possível e, sinceramente, já havia se cansado daquela brincadeira de gato e rato.

Sentia falta de sua antiga vida. Sentia falta de sua liberdade.

Maldita a hora em que eu decidi levar aquela bastardinha, pensou e ficou parado um tempo, observando o carro de Igor seguir viagem de volta para Nova Iorque.

Precisava recuperar sua vida antiga.

#

Nas duas primeiras semanas que se seguiram após o incêndio, Beckett ficou em casa recebendo os cuidados da filha e do marido.

A capitã bem que tentou argumentar sua volta para a delegacia já no dia seguinte à sua alta, alegando estar apenas com um braço quebrado, porém foi vencida nessa. Não conseguia competir com os argumentos de Sofia sendo reforçados por Castle e, até mesmo, por Lanie, que a proibira de voltar ao 12th até que tirasse o gesso.

Por estar com seu braço direito praticamente todo imobilizado, boa parte de seus movimentos ficaram prejudicados, então, Sofia se ofereceu para ajudá-la nas pequenas "atividades" diárias. O que Kate achou adorável.

A menina levantava cedo todas as manhãs para pentear os cabelos dela e amarrá-los. E ajudava a lavá-los também. Nas refeições, fazia questão de cortar os alimentos para a mãe e até fazia "aviãozinho". Não que Kate precisasse de tanto cuidado assim, mas ver o rostinho de satisfação da filha e ouvi-la dizer "a mamãe é como se fosse uma de minhas bonecas agora, não é, papai?" era algo realmente encantador. Então, ela acabou por ceder e se deixou cuidar.

Não custava nada e logo ela se veria livre daquele maldito gesso.

#

— Passaram bem esses dias sem mim, ein? – Beckett disse para Ryan e Esposito ao sair do elevador da delegacia. Os dois conversavam animadamente.

Nas duas semanas que passou fora, a reforma da sala de arquivos foi feita, e ela acompanhava tudo de casa. Os detetives a deixavam a par de tudo o que acontecia ali, assim ela não teria motivos para aparecer no 12th antes que acabasse seu período de repouso.

— Yo, Becks. – Esposito a cumprimentou, sendo acompanhado por Ryan.

Finalmente retirara aquele gesso do braço e pode voltar ao trabalho, já não aguentava mais tanto descanso. Como sempre, Castle a acompanhou e até Sofia foi levada junto. Desde o acidente, a garotinha não desgrudava da mãe por nada e, como não teria aula naquele dia, Beckett resolveu levá-la consigo para o trabalho.

Não demorariam ali.

— Oi, baixinha, veio trabalhar com a gente hoje? – Espo se direcionou a Sofia, que estava parada ao lado de Beckett, enquanto Ryan atualizava a capitã dos últimos acontecimentos.

— Hoje eu não tive aula, então a mamãe deixou eu vim com ela, tio Javi.

— Isso é ótimo. Quer ir comigo ver a tia Lanie?

Os olhos da garotinha brilharam em animação. Amava ficar na companhia da madrinha.

— Mamãe – chamou a atenção de Beckett –, eu posso ver a tia Lanie?

— Claro, meu amor, mas comporte-se. Javi, não demore com ela, ok? Já iremos embora.

— Certo. Vamos? – ele perguntou, oferecendo a mão para a menina.

Sofia saiu tagarelando as últimas novidades da escola para o tio e já pediu para marcarem outra "noite do pijama" na casa dele. Kate ficou observando os dois seguirem para o elevador encantada com o jeito da filha.

— Ele deve ter algum parceiro lá dentro. Um parceiro... é isso! – Castle comentou com Ryan, tirando a esposa de seus pensamentos e atraindo a atenção dela.

— Kate, como nós não pensamos nisso antes? Ficamos procurando por pistas ligadas exclusivamente a Gaunt no caso das crianças, e não pensamos que ele pode não estar agindo sozinho.

— Você tem razão. – ela falou, entendo onde Castle queria chegar – Se acharmos o parceiro, podemos ligar Gaunt diretamente às investigações sem chamar-lhe a atenção.

Ela comentou pensativa. A conexão de seus pensamentos funcionando como sempre. Era como Castle costumava dizer: eles poderiam ser gêmeos.

— Ryan, contate Ronald Grint e avise que precisaremos de seus serviços novamente.

Antes que o detetive pudesse responder, o diálogo dos três foi interrompido pela chegada de JR Crouch. A mando da juíza Moody, seu assistente fora ao 12th informar sua decisão ante os acontecimentos recentes.

Beckett o chamou para sua sala e deixou Castle e Ryan resolvendo-se com o namorado da antiga babá de sua filha.

A conversa não se estendeu por mais que meia hora. A capitã informou que todas as provas coletadas no incêndio foram perdidas e que isso atrasaria bastante o processo que ela e Moody haviam planejado iniciar. O assistente passou todas as informações ordenadas pela magistrada, após anotar tudo o que Kate havia dito, e se retirou.

Ao sair da sala em companhia da capitã, Sofia – que voltava com Javier do necrotério – fixou seu olhar em JR, o observando despedir-se de sua mãe. E, assim que pode ver seu rosto, ela se assustou. Esperou que ele entrasse no elevador para ir embora e correu ao encontro de Beckett, precisava avisá-la.

— Mamãe.

— Oi, pequena, se divertiu com a tia Lanie?

— Sim. – respondeu apressada – Mamãe, quem era aquele moço que estava conversando com você?

— Ele trabalha com a juíza Rita Moody. Aquela que conversou com você no dia da audiência. Por quê? – a mulher perguntou, estranhando a repentina curiosidade da filha.

Sofia mordeu os lábios, típico sinal de nervosismo. Não sabia como dizer aquilo. Kate, notando seu receio ao falar, abaixou-se para ficar na altura da menina com a intenção de passar-lhe segurança.

— Eu o vi aqui no dia do incêndio. – falou de forma direta, atraindo a atenção da capitã – Ele estava aqui, mamãe. Eu o vi observando a sala e, quando percebi que tinha fogo, eu tentei sair de lá. Acho que ele me escutou e saiu correndo.

Kate a encarou, absorvendo as palavras de sua menina. O assistente da juíza? Seria ele o informante de Gaunt?!

Notas finais
E então? O TÃO DESEJADO MAMÃE ENFIM CHEGOUUUU, AAAAAA TODOS VIBRA Foi como vocês queriam? Me digam o que acharam, por favor :3 Comentemmmmmm