Ficarei Ao Seu Lado

16 "Kate Beckett Will Burn"


Notas iniciais
Buuuu ;P Eu sei que faz muuuuito tempo que não atualizo. Estou no interior de Minas e meu pc parou de funcionar, então ficou complicado para eu escrever. Massss, já eu volto pra Brasília (infelizmente), então eu atualizarei com mais frequência :) — De novo, muuuuuito obrigada pelo feedback que vocês têm me dado. Obrigada pelos comentários e pelos favoritos, é muito importante pra mim saber que vocês estão aqui lendo e dedicando um tempinho pra dizer o que acharam do cap —Jana, obrigada pela ajuda quando travei e por me incentivar a não parar. Love ya, girl — Gabs e Sandra, esse capítulo é pra vocês ❤ Enjoy ;)

Após a celebração natalina, os Castles tiveram um ano novo tão mágico quanto o Natal. Com direito a muitos fogos de artifício e uma ceia deliciosa, entretanto, apenas Jim Beckett e Hermione estavam presentes. Alexis decidiu passar a data com seu novo namorado e alguns amigos, e Martha viajou para Paris com o namorado. Bem como Lanie e os rapazes, que passaram com suas famílias.

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*duas semanas depois*

O médico andava de um lado para o outro, impaciente. Desde o dia em que Igor recebera aquela ligação misteriosa, ele não teve notícias do amigo, e isso o preocupava. Lembrava-se muito bem das últimas palavras do advogado: "espere e verá".

Beckett corria perigo. Igor era muito pior do que ela imaginava, e Josh temia por sua segurança.

— Primo, trouxe comida. – Vítor adentrou à casa com algumas sacolas em mãos – Aconteceu algo?

— Sim. Não ainda, mas sim. – ele respondeu, se embolando nas próprias palavras.

Vítor deixou as sacolas em um canto da sala e se aproximou do primo, preocupando-se.

Será que haviam encontrado seu esconderijo?

— Dav, o que te preocupa?

— Igor.

— Igor? – Pettigrew questionou, agora ainda mais confuso – O que tem ele?

— Esse é o problema, Vítor. Eu não sei onde ele anda, o que ele tem feito. Desde a última visita dele, eu não tive mais qualquer notícia sobre Igor.

O médico dizia rápido, a expressão de impotência presente em sua face.

Enfim, o rapaz entendeu o que estava acontecendo. Josh estava preocupado com o que o advogado pudesse fazer e, ele devia admitir, também não estava muito tranquilo com a situação.

Não que se preocupasse com Sofia ou Kate, sequer as conhecia. Mas sabia do que Igor era capaz de fazer, e temia pelo que a atitude do advogado pudesse refletir em si mesmo. Afinal, ainda tinha consigo todas as provas coletadas por Hermione.

— Você ainda tem aquela papelada, certo? – o médico quebrou o silêncio, parecendo ler a mente do primo.

Vítor apenas agitou a cabeça em confirmação.

— Precisamos encontrar um novo esconderijo para isso. – Josh falou pensativo.

— Um novo esconderijo?! Joshua, eu já te falei isso várias vezes, o que precisamos fazer é dar um fim naquelas pastas.

— Não, Vítor. Elas podem nos ser úteis. – ele argumentava, tentando convencer o primo – Você acha mesmo que se algo ameaçar Igor, ele hesitará em nos prejudicar? Não! Nós precisamos daquelas provas.

— Você é quem sabe. – Vítor falou resignado, após um tempo em silêncio – Só não quero mais problemas para mim.

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As duas primeiras semanas do ano no 12th foram dedicadas à coleta de provas contra Igor Gaunt.

Kate encarregara Ryan e Esposito da tarefa, e trabalhava diariamente com os dois, contando também com a ajuda de Hermione e o namorado hacker que a moça havia mencionado, Ronald Grint, bem como de Castle.

A capitã havia marcado uma reunião com Moody e queria ter todas as provas possíveis contra Gaunt, já que sua queda significava também a queda de Josh, e sua consequente derrota no processo de Sofia. Recuperaria sua filha e de quebra ainda conseguiria justiça para as crianças vítimas da perversidade do advogado.

— Capitã? – Ryan chamou, entrando na sala de Kate – Grint está aqui, disse que encontrou algo novo.

— Diga para ele entrar.

O detetive meneou em afirmação e se retirou, abrindo passagem para o rapaz.

— Desculpe aparecer assim sem avisar, capitã Beckett, mas eu descobri algo importante sobre o caso.

— Sem problemas, Ronald. O que você descobriu?

— Estava revisando as provas que já encontramos e dando uma avaliada melhor no site, e constatei algo. – o rapaz disse, aproximando-se de Kate com seu notebook em mãos – Eu dei uma pesquisada mais a fundo na vida de Igor Gaunt e encontrei um antigo cliente dele.
A informação chamou a atenção da capitã, que rapidamente pegou o computador para ler a respeito do tal cliente: Horácio Scamander.

— Dono de empresas. – Beckett disse, passando os olhos pela biografia do homem – Ele não parece ser um criminoso.

— E não é. Horácio Scamander é um indiano milionário, casado com 10 mulheres, porém ele é estéril. Para dar continuidade ao seu império, ele precisa de herdeiros, então, como não os pode ter por si mesmo, ele os adota.

— E Igor Gaunt facilita para ele esse processo de "adoção". – Kate concluiu, entendendo a situação.

— Exato. Capitã, só com o senhor Scamander estão 23 crianças.

Vinte e três. Se com apenas um cliente ele tinha vendido essa quantidade, imagina quantas crianças ele já não sequestrou e vendeu?! Centenas, milhares? Era um número que ela não poderia definir, mas daria tudo de si para conseguir a informação mais precisa possível.

— Vamos acabar com isso, Grint. – ela disse decidida, com seu típico e marcante brilho no olhar de quando incorporava a capitã Kate Beckett.

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— Tia Lanie, eu posso usar um vestido de princesa? – Sofia perguntou entusiasmada.

Lanie havia se oferecido para ficar de babá da menina naquele dia. Os preparativos do casamento estavam a todo vapor e a porta-aliança já havia sido escolhida: Sofia.

Já que Kate estaria ocupada praticamente o dia todo coletando provas contra Gaunt, e Castle a estava ajudando, a menina ficou sob os cuidados da madrinha, que resolveu escolher logo o vestido que ela usaria no casamento. O que Sofia amou.

— Você pode usar o vestido que quiser, bonequinha. – a legista respondeu, entrando em uma loja de noivas.

Assim que as duas adentraram o local, Sofia soltou um "uau", surpresa com a beleza das vitrines e dos cabides. Correu para junto de um pequeno manequim, o boneco usava um vestido rosa rodado cheio de brilhantes.

— Tia, eu já sei qual eu vou querer usar. – Lanie sorriu e se aproximou da garotinha.

— Tudo bem, mas o que acha de olhar outros vestidos também? – a morena sugeriu e Sofia concordou, balançando a cabeça.

Uma das atendentes aproximou-se e indicou uma sala, onde elas poderiam ficar mais à vontade para avaliar as opções disponíveis.

— Sof, eu acho que esse está um pouco estranho. – Lanie andou até a menina e indicou para que ela desse uma voltinha – Eu sei que eu disse que você poderia escolher o vestido que quisesse, mas esse verde não.

Sofia fez uma careta e deu a volta para que a moça que as atendia abrisse o zíper da roupa.

— Eu não gostei desse, tia. – a menina pulou da grande roda de tule e algodão para o colo da tia – Moça, o vestido rosa.

Por um segundo, as duas mulheres não souberam identificar de qual peça Sofia falava, mas, então, Lanie se lembrou de quando chegaram ali.

— O do manequim. – no mesmo instante, a moça deu meia volta e saiu da sala.
Sofia permanecia nos braços da madrinha, vestindo apenas a calcinha de bichinhos amarelos.

— Tia, você acha que eu vou ficar bonita no vestido rosa de princesa? – a menininha coçava o queixo como quem pensava, uma das coisas mais adoráveis que a legista já havia visto.

— Com toda certeza, meu amor. – Lanie deixou um beijo molhado no rosto dela e começou a fazer cócegas, logo Sofia gargalhava aos quatro ventos, sem se importar com quem entrava ou saía da loja. Estava se divertido com a madrinha.

— Aqui está. – a atendente voltou com o vestido em mãos, e Sofia se mexeu nos braços da legista para poder descer. Assim que conseguiu, correu junto com a moça para perto da cabine de prova.

Lanie admirava a cena, pedindo a Deus para que ela logo tivesse uma garotinha daquela em seus braços.

Uma filha dela e de Javier.

Após toda a diversão da prova de vestidos, Sofia insistiu para que as duas fossem tomar sorvete de MM’s com batata frita. Não era lá uma das sobremesas favoritadas de Lanie, mas ela cedeu ao pedido da afilhada e se "aventurou" na mistura que a garotinha sugerira. Era inevitável, a morena sempre acabava fazendo todas as vontades da menina.

— Dinda, a gente podia fazer uma festa do pijama na sua casa hoje. Você, eu e o tio Javi. – Sofia disse, já toda lambuzada de sorvete.

Lanie riu da cena e esticou a mão com um guardanapo, para limpar o rosto da garotinha, antes de respondê-la.

— Javier vai adorar isso. Deixe-me ligar para sua mãe e convencer aquela capitã possessiva a te deixar comigo essa noite.

A morena disse de forma divertida, arrancando uma gargalhada de Sofia. Com poucos minutos de conversa, ela conseguiu a permissão de Kate.
A noite seria de muita farra na casa de Lanie e Esposito.

Já um pouco tarde da noite, Kate e Rick voltaram juntos para casa. A capitã decidira por encarregar Ryan e Esposito dos outros casos que chegassem ao 12th, enquanto ela e Castle trabalhavam no caso de Igor. Essa se tornara a nova obsessão de Kate, e aquilo estava começando a preocupar o escritor.

Ele sabia muito bem como sua esposa ficava quando se metia nesse tipo de situação. Não podia permitir que ela se enfiasse em outro buraco como fora durante anos com o caso de Johanna Beckett, e também no primeiro ano após o sumiço de Sofia.

— Kate, podemos conversar? – Castle chamou da cozinha.

Estava preparando o jantar dos dois, enquanto Beckett organizava alguns brinquedos de Sofia que estavam espalhados pela sala.

— Aconteceu algo? – ela questionou, já próxima a ele.

Castle a encarou e respirou fundo, sabia que o assunto causaria desconforto nela, mas não podia retardar ainda mais a conversa, aquilo já o estava perturbando demais. Respirou fundo novamente e disse sem rodeios.

— Você não acha que está exagerando um pouco nessa busca de Igor?

— O que quer dizer? – a voz da mulher saiu um pouco tensa.

Como assim exagerando?! Ela estava investigando o caso de crianças sequestradas e vendidas sabe-se lá para quem. E, pior, sua filha poderia ter sido uma dessas crianças. Como ele podia dizer algo do tipo sobre sua investigação?

— Você acha exagero eu me dedicar para encontrar essas crianças, Castle?

— Não! Kate, e-eu... eu só.. – ele se perdia nas próprias palavras, notando a tensão corporal de sua mulher – Não foi isso que eu quis dizer.

— Então o que você pretendia dizer?

— Kate, você sabe como fica quando se joga dessa forma em uma investigação. Eu só... eu temo pelo que pode acontecer.

Ele disse pausadamente, buscando ao máximo se fazer entender. Não queria causar uma briga naquele momento – e nem em nenhum outro –, precisava que ela se acalmasse e entendesse seu ponto de vista.

"Eu só não quero te perder novamente", ele disse por fim, em uma voz quase inaudível.

Com isso, Kate o entendeu. Ele temia pela sua, digamos assim, sanidade mental. Temia que ela entrasse novamente na "toca do coelho" e o afastasse como fez das outras vezes.

— Cas, aquilo não voltará a acontecer. – ela disse de forma doce, colocando a mão no queixo dele para lhe forçar a olhá-la nos olhos – Eu não vou te afastar e, tampouco, deixarei nosso casamento de lado.

— Eu só me preocupo, Kate.

— Eu sei, amor. E eu entendo você. Mas não me peça para deixar isso de lado, porque isso envolve nossa filha, Cas.

Ela falava quase que implorando. Os olhos fixos nos dele, a fim de fazê-lo entender a importância daquilo para ela. E Castle entendia, afinal, Sofia era sua filha também.

— Eu jamais te pediria isso. Apenas... não vá com tanta sede ao pote.

Yes, chef. – ela respondeu em um tom brincalhão, amenizando o clima tenso que se instalara entre os dois.

Em hipótese alguma tornaria a colocar seu relacionamento com Castle em risco. Ela precisava dele consigo, e sabia disso.

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No dia seguinte, após o almoço, que Kate só comeu depois de Castle insistir muito para que ela o fizesse, a capitã seguiu para o fórum para a reunião com a juíza Rita Moody acompanhada de Hermione.

Sofia ainda estava na companhia de Lanie. A legista prometera que levaria a garotinha pelo final da tarde para o 12th "sã e salva".

— Espero que tudo dê certo dessa vez. – Hermione disse pensativa.

As duas andavam pelo corredor do fórum apressadamente. Kate a encarou, notando a expressão preocupada na face da moça, e desacelerou o passo, parando na frente dela.

— Ei, tudo vai correr bem. Nós coletamos as provas, nós trabalhamos duro nisso. Igor Gaunt não voltará a tocar em você, e nem naquelas crianças.

— Obrigada, capitã.

— Kate. – ela disse de forma afetuosa, permitindo que a moça a tratasse pelo primeiro nome.

O assistente de Moody interrompeu o diálogo das duas ao abrir a porta para que entrassem.

Chegara a hora da verdade.

— Capitã Beckett, que prazer em revê-la. – Rita saudou com um sorriso em seu rosto, estendendo a mão para cumprimentar Kate.

— Igualmente, excelência. Essa é Hermione Sproud, uma grande colaboradora nas investigações desse caso.

Após as breves apresentações, deu-se início ao assunto que realmente importava.

JR ouvia tudo atentamente, gravando cada informação para passar a Igor antes que Kate agisse.

— Nesses papeis estão as informações do site que ele usa para seus negócios. – Beckett seguia mostrando cada detalhe de sua investigação – Aqui ele explica o processo de forma sucinta. Apenas usuários selecionados tem permissão para entrar no site que este link aqui direciona.

"Eles pesquisam a vida de cada um que visita esse endereço, e depois entram em contato com a pessoa para disponibilizar uma senha e download de um software que permite a decodificação da página para ter acesso às informações e escolher a vítima".

— Um projeto muito bem trabalhado. – Moody comentou realmente espantada com tudo o que ouvira – E como é que não existe queixa de tanta criança desaparecida?

— Simples, excelência. As crianças que Gaunt utiliza para seu negócio são de Nova Dehli, Tailândia.

— É uma região com um índice absurdo de pobreza. – Hermione disse, se pronunciando pela primeira vez – As leis de lá são quase inutilizadas. E, pelo fato de as famílias viverem em alto grau de miserabilidade, eles vendem seus próprios filhos.

— O local é quase uma ilha de horror, Moody, e fica absurdamente distante de nossa jurisdição. – Beckett disse, por fim.

— Com todas as informações coletadas, capitã, eu creio que o FBI se interessará bastante pelo caso. Se você permitir...

— Claro. – Beckett disse, interrompendo a frase da magistrada – Não me incomodo de que o FBI tome conta do caso, mas peço que não me deixe totalmente dele.

— Não tenha dúvidas quanto a isso.

As três mulheres ainda trocavam informações acerca do caso quando JR saiu da sala às pressas, porém com cautela, para ligar para Gaunt. Precisava avisá-lo do perigo.

Direcionou-se para um corredor distante e isolado com o telefone já no ouvido.

Descobriu algo mais? – Igor perguntou, já sabendo que as ligações de Crouch eram sempre por esse motivo.

— Doutor, a capitã veio aqui. Ela já sabe de tudo. Sobre o site, os clientes, como conseguir o acesso. Tudo.

JR dizia em um sussurro rápido, olhando para os lados a fim de garantir que ninguém o visse ou ouvisse.

Tudo?!— Igor perguntou alarmado, pela primeira vez o medo tomou conta de si.
Precisava agir rápido.

— Ok, JR. Chegou a hora de agirmos, não pode passar de hoje.

— Só me diga a hora e eu estarei lá com tudo o que precisa, doutor.

Igor repassou todas as etapas do plano que os dois haviam feito e combinou a hora, ao entardecer.

"Kate Beckett irá queimar", foi tudo o que ele disse antes de encerrar a ligação.

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— Como foi lá? – Castle perguntou, entrando na sala de Kate e indo em sua direção para plantar um beijo em seus lábios.

— Tudo certo. Moody achou melhor entregar o caso para o FBI.

— E você concordou? – ele questionou surpreso.

— Sim, Rick. O crime vai além de nossa jurisdição, e eu não ficarei totalmente de fora. Moody me designou para orientar a equipe do FBI que tomará conta deste caso. Igor Gaunt não terá escapatória dessa vez.

O brilho nos olhos dela ao dizer aquilo não deixava dúvidas sobre o enorme avanço que tiveram no caso.

Finalmente a justiça seria feita.

O diálogo dos dois foi interrompido por uma pequena visitante. Lanie finalmente chegara ao 12th com Sofia e a garotinha já havia iniciado uma pequena farra com os "tios" Kevin e Javier.

— Sofia chegou. – Beckett disse ao marido, a voz mudando totalmente a tonalidade, e já se levantando para ir de encontro a ela.

Um dia sem sua menina e a saudade já lhe apertava o peito.
— Sof. – Kate chamou ao abrir a porta.

— Kate!

Ela mal teve tempo de olhá-la, só sentiu seu pequeno furacão correndo para seus braços e agarrando-se a ela em um abraço "esmagador de ossos".

Não era apenas Beckett que estava morrendo de saudades.

— E eu não ganho um abraço também? – Castle perguntou, fingindo estar indignado.

— Claro, papai. – a menininha respondeu com sua doce voz e se atirou nos braços do homem, o enchendo de carinho.

— Como foi na casa da tia Lanie? Se comportou direitinho?

— Sim, Kate. Foi muito divertido, nós comemos um monte de doces e vimos filmes, e o tio Javi me ensinou a fazer pizza.

A capitã direcionou seu olhar para o latino, quase o fuzilando. Fizera incontáveis recomendações de alimentação para Sofia, mesmo sabendo que ele – e muito menos Lanie – as seguiria.

— Que bom que se divertiu, meu amor. – ela disse, acariciando o rostinho da filha – Eu preciso resolver algumas coisas, você se importa de ficar com o papai e seus tios? Prometo que não demoro.

— Tudo bem.

— Tenho algumas ligações para fazer – ela disse baixo, olhando para Castle de forma significativa, se fazendo entender –, assim que acabar, iremos para casa. Quero curtir minha delicinha um pouco.

Ela disse a última frase em uma voz infantil, dando um beijo de esquimó na filha, que ainda estava no colo de Castle, e saiu.

Para que o tempo passasse mais rápido e Sofia não ficasse entediada esperando pela mãe, Castle sugeriu uma brincadeira que a garotinha amava: pique-esconde.

Até mesmo Ryan e Espo entraram na brincadeira. O trabalho estava em dia e os rapazes bem que mereciam uma folga depois de toda a ralação dos últimos dias.

Os quatro brincavam pelo 12th e Kate os observava da janela de sua sala, um sorriso surgia em sua face cada vez que seus olhos focavam o rosto alegre de sua menina. Nada lhe causava mais alegria do que aquele sorriso.

Enquanto isso, do lado de fora da delegacia, Igor Gaunt esperava por JR.

— O senhor não estava brincando quando disse que a capitã iria queimar. – o rapaz disse ao se aproximar de Igor com tudo o que ele ordenara em mãos.

— Não tenho a intenção de ferir ninguém, apesar de não me faltar vontade. Mas isso poderia agravar minha situação.

O advogado respondeu em um tom sério, verificando se tudo o que precisava estava ali.

— Sala de arquivos, JR. Nada além disso. Aqui está o mapa – ele disse, abrindo um papel e mostrando a planta da delegacia – Você entra por aqui e segue por esse corredor. Ninguém te verá, mas, caso aconteça, vista esse uniforme.

— Tudo bem. Estarei de volta dentro de 15 minutos.

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Em um determinado momento, Kate se distraiu na ligação e, quando voltou os olhos para a janela, perdeu Sofia de vista.

Um estranho aperto em seu peito a alarmou. Sabia que a menina estava sob os cuidados de Castle e que a brincadeira proposta envolvia se esconder, mas não conseguia tirar a sensação ruim de si.

— Castle, onde está Sofia? – ela perguntou ao abrir a porta e não encontrar a menina em canto algum.

— Foi se esconder.

— Precisamos achá-la.

— Calma, Kate. Por que está tão aflita? – Rick perguntou já se aproximando dela.

— Estou sentindo um aperto no peito, Rick. Ajude-me a encontrá-la, por favor.

Porém, antes que Castle pudesse lhe oferecer qualquer resposta, o alarme de incêndio foi acionado. O estopim para que Beckett ficasse realmente preocupada.

Uma grande massa de pessoas começou a se movimentar naquele andar, e ela não sabia o que fazer. Sua filha estava fora de seu campo de visão e um incêndio acabara de começar em sua delegacia. Tudo parecia estar andando em câmera lenta. Castle tentava despertá-la daquele torpor, mas seu corpo não reagia.

— Capitã, precisamos evacuar o prédio. – Esposito falou e aquilo pareceu acordá-la. Ela era a capitã, precisava dar as ordens.

— Espo, Ryan, direcionem todos para fora do prédio. Castle e eu vamos procurar o foco do incêndio. Liguem para os bombeiros, depressa.

— Está vindo da sala de arquivos, Kate. – Castle informou, vendo a nébula acinzentada saindo do corredor que daria para aquele cômodo.

— Preciso que você encontre Sofia. Procure nos outros lugares que ela escolheu se esconder enquanto vocês brincavam. Eu irei para a sala de arquivos.

Ela disse rápido, já andando para o local, porém Castle a segurou pelo braço a fim de impedi-la.

— Os bombeiros já estão vindo, Kate.

— Eu preciso tirar as coisas de lá, Castle. Todos os nossos arquivos estão lá. Sofia pode estar lá também. – vendo que não iria conseguir detê-la, ele cedeu – Vá por esse lado. Ache Sofia, por favor, encontre minha menina.

— Nós vamos encontrá-la.

O casal trocou um rápido beijo para reconfortar-se mutuamente, e cada um seguiu para um lado. Ambos gritando pela garotinha.

A sala de arquivos já estava totalmente coberta de chamas. Era quase impossível sair ou entrar ali. JR ainda ficou alguns minutos observando sua "obra de arte", porém uma movimentação dentro do cômodo o alarmou e ele logo tratou de sair dali.

Sofia acabou se perdendo nos corredores do 12th na busca de um novo esconderijo e se decidiu por entrar ali. O incêndio já fora iniciado em grande extensão, o que não lhe deu oportunidade para sair.

O fogo da sala só aumentava e a garotinha se viu presa. O calor crescia e a fumaça começava a dificultar sua respiração.

Uma onda de alívio tomou conta de seu corpo ao ouvir a voz da mãe a chamando.

— Kate! – ela gritou de volta – Estou aqui, Kate. Kate!

A capitã andava apressada e desesperada pelos corredores, esbarrando nas inúmeras pessoas que corriam para fora do prédio. A falta de resposta da filha ao mesmo tempo que lhe preocupada, também acalmava. Se ela não respondia era por não estar ali.

— Kate! – por fim, ela a ouviu.

Parou no corredor, tentando identificar de onde a voz vinha.

— Sofia, onde você está? – gritou de volta, rezando para que a voz não viesse de dentro da sala de arquivos.

Infelizmente, era de lá vinha. Sua garotinha estava presa ali.

Sem pensar duas vezes, ela entrou na sala em chamas. A enorme quantidade de fumaça dificultava sua visão.

— Sofia? – chamou novamente.

— Kate... – a voz da menina saiu fraca, já estava quase inconsciente devido ao tempo que passou inalando aquela fumaça.

Por fim, a mulher a encontrou.

Sofia estava encolhida em um canto da sala, o rosto ensopado por lágrimas e todo manchando pelas cinzas.

Correu ao encontro da menina e a envolveu em seus braços, tentando acalmá-la.

— Shh... pronto, meu amor. Eu estou aqui. Vai ficar tudo bem. Eu vou tirar você daqui.

Ela dizia ao mesmo tempo que corria os olhos por todo o local, buscando uma brecha para sair dali e mantendo Sofia agarrada em seu corpo.

— Preciso ligar para seu pai. – ela disse já sem saber o que fazer para sair dali.

Colocou a garotinha no chão e rasgou um pedaço de sua blusa, colocando o pano no rosto da menina. Pegou o celular e discou o número de Castle.

Kate, você a encontrou? – Rick atendeu logo no primeiro toque.

— Sim, estamos na sala de arquivos. Não consigo sair daqui, Rick.

Estou indo. Kat-

Porém um estrondo interrompeu sua fala. Um pedaço do teto despencou no chão.

O homem ficou atônito por alguns segundos, apenas ouvindo o barulho do outro lado da linha, que logo cessou. Rapidamente, ele correu de encontro às duas.

— Sofia, corre! – Beckett exclamou em alerta e saiu correndo, puxando a menina pela mão.

As paredes iriam desmoronar em cima delas a qualquer momento e tudo o que Kate conseguia pensar era em tirar sua menina dali, a salvo.

Enfim, conseguiu visualizar a porta de saída e apressou o passo. Ambas desviando das enormes lascas do teto que caíam ao chão.

— Vamos sair daqui, Sof. – ela disse, um fio de esperança surgindo em si.

— Kate, cuidado! – a menina gritou em alarde.

Tudo aconteceu em uma fração de segundos: outro pedaço do teto despencou, Kate empurrou Sofia para fora da sala e a viu sendo amparada pelos braços de Castle.

Depois, tudo era escuro. Ela fora atingida.

Notas finais
E então?! Preparem o coração que o "mamãe" já vem. E não me matem, prometo que ninguém vai morrer haha Comentemmmmmm, por favor ;)