Few Pages
1 A proposta do capitão.
Nove de julho de 2009
Eu sei que não se deve reclamar dos presentes que ganhamos, mas qual a razão de dar um diário de presente? Acho que vou começar a reclamar se tentar entender a razão que a Rangiku-san encontrou pra me dar um de presente. Ainda me lembro do que ela me disse no dia que me entregou esse caderninho: “Use bem Nanao-chan. Aproveite que tem apenas umas poucas páginas e compre outro pro caso deste aqui acabar logo.”
Então resolvi aproveitar... Quem sabe aqui eu consiga me abrir mais, ser um pouco diferente. Quem sabe...
Hitsugaya-taichou veio falar comigo hoje. Acho que ele adivinhou que o Kyouraku-taichou não estaria aqui... Como se isso fosse alguma novidade.
Bem, o que importa mesmo foi a proposta que ele me fez. Pensei muito sobre ela, antes de escrevê-la.
No começo não achei boa idéia ir falar com Yamamoto-taichou e pedir a ele a troca das tenentes da 8ª e da 10ª divisão, mas não vejo outro jeito de fazer o Kyouraku-taichou trabalhar sem ser forçando-o a isso. Hitsugaya-taichou também concordou, afinal a Rangiku-san é igualzinha ao meu taichou.
Ela é minha amiga, mas, francamente, até que ponto a preguiça pode chegar?
Pelo menos, na 10ª divisão, o Hitsugaya-taichou pode assinar os papéis e organizar a burocracia. Eu não. Não posso falsificar a assinatura do taichou, como ele tanto pede, não posso controlar o hachi bantai, nem posso fazê-lo funcionar... Sou apenas uma tenente. E nunca me senti tão incompetente em toda minha vida... Não sou capaz de fazer meu próprio superior trabalhar.
Dá vontade de sumir, abandonar tudo. Às vezes, sem ninguém ver, quando estou sozinha no escritório, eu olho todas aquelas pilhas de papel sem assinaturas, toda a desordem que eu não posso resolver e simplesmente abaixo a cabeça e choro. Choro até meus olhos ficarem secos, até eu ter certeza de que ele não vai voltar, de que ninguém vai voltar, ninguém vai vir me ajudar.
Mas que droga... Essas lágrimas malditas. Mancharam o diário que Rangiku-san me deu com tanto carinho...
Acho melhor parar de escrever isso... Preciso dormir. Preciso, porque não faço outra coisa a não ser trabalhar e o sono é minha única válvula de escape.
Boa Noite, diário.
Fale com o autor