Fet e Dutch

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Notas iniciais
A história a seguir continua o romance de Fet e Dutch após o fim da segunda temporada de The Strain.

Spoiler Free!!!

Comentem e conversem com essa solitária autora :D

Boa leitura!

Dutch ficou vendo Nikki e sua mãe partirem até o carro virar a esquina e sumir. Ela ainda não podia acreditar no que acontecera. Nikki se foi... e para sempre desta vez. Foi com uma desculpa perversa e duramente real. Ela não era Dutch, não queria e não lutaria aquela luta. E também não fora compassiva com seu sumiço, nem a deixou explicar que durante os dois dias anteriores Dutch estava sendo refém de um strigoi com desejos macabros. Quase morrera, mas mesmo assim ainda fora julgada sem direito a ressalvas.

Anestesiada pela dor e pelo baque, a loira perambulou debilmente pelas ruas de Nova York rumo ao apartamento das duas. Encontrou o caminho apenas por instinto e subiu se arrastando pelas escadas. Abriu a porta mecanicamente e após fechá-la foi inundada por mais lembranças dolorosas. O apartamento inteiro tinha vestígios de Nikki. Desde a caneca em cima da bancada suja na borda com a cor do batom dela, passando pelo corredor decorado com os quadrinhos bregas de gatinho que ela a obrigou a comprar... até o quarto. O quarto onde o cheiro dela estava por todo lado.

O choro subiu para sua garganta e expressou-se em gotas grossas e quentes saltando para as maçãs do rosto. Dutch jogou-se na cama desarrumada, abraçou os joelhos com força e viveu suas frustrações aos soluços. Muitos minutos depois o cansaço venceu e ela acabou dormindo.

Quando acordou ouviu ao longe o barulho de um alarme de carro berrar insistentemente na rua. Assustada agarrou uma arma que ficava sempre embaixo de seu travesseiro, aguardando um strigoi intruso, e olhou ao redor. Apenas seu quarto escuro e vazio a encarou de volta. Ela relaxou. Ergueu-se devagar, afinal sua cabeça explodia de dor, e foi espiar a janela. A confusão de uma cidade apocalíptica se desenrolava lá embaixo. Pessoas correndo de strigois errantes, carros passando velozes e gritos desesperados há quadras dali. Fet deveria estar em algum lugar naquela loucura lutando contra aqueles demônios.

Ela retornou para cama sentando-se e esfregando o rosto. Nikki voltou em seus pensamentos como um martelo pesado. Dutch suspirou, levantou e resolveu que precisava de uma ducha quente, muito demorada. Lágrimas já se acumulavam nos cantos dos olhos.

***

Fet comandava o leme daquela peculiar embarcação e sua tripulação. Desde que a grande praga strigoi assolara Nova York ele nunca se sentira tão inseguro e desconfiado como agora. Ele e o Professor estavam rodeados de inimigos, sendo um deles um ser milenar, um sanguessuga extremamente forte e imprevisível. Ele passou a primeira meia hora pensando em como se safar daquela armadilha caso as coisas saíssem do seu frágil controle. Entretanto, quando deu por si, estava vagueando em Dutch.

“Onde ela estaria? O que fazia? Estava feliz com Nikki? Feliz com sua escolha?”

Nova York era tão perigoso, Fet também torcia para que a moça conseguisse se virar, sobreviver a cada dia daquela selva sanguinária.

Ele sentia-se um nada por tê-la deixado ir. Não lutou, não argumentou. Apenas abriu mão e praticamente a congratulou pela escolha. Ela disse “Vou ficar com Nikki” e por dentro ele desabou, mas por fora sorriu e responde “Espero que dê certo, quero que dê certo”

Que droga! Ele não esperava nada disso, mas queria vê-la feliz, com ele ou sem. Detestava quando Dutch chorava e entristecia, isso não combinava com seu lindo rosto rebelde.

Fet era um cara para uma noite. Conhecia mulheres esporadicamente, levava-as para sua ratoeira e no dia seguinte nem nomes nem telefones eram necessários. Nunca nada sério. Então teve aquela loira... Aquela hacker durona, de boca carnuda e sorriso misterioso, que preencheu-o lenta e vigorosamente. Mas aos poucos aquele sentimento teria de passar porque ele não era mais um menino, passava de um homem aliás, e não combinava com Vasilly Fet sofrer de amor e preocupação.