Notas iniciais
Desculpa a demora. Espero que gostem. Não esqueçam de comentar =)

_Eu não sei por que tive essa idéia maluca!Gritei pra Paola no meio da calçada em frente a hospital.

_Por que você é maluca!- Ela respondeu com os olhos cheios de lágrimas. Suspirei.
_Ta eu posso ser maluca mesmo! Mas ponha-se no meu lugar,eu já não sabia mais o que fazer pra te tirar de casa.

_Mas a questão toda é essa – Ela gritava e ao mesmo tempo cuspia as palavras em mim. – Você não precisava se preocupar com isso. Eu estava bem!

_Não estava bem coisa alguma. — Retruquei

_Paola chega! Eu vou embora.

Então ela se virou e começou a andar. Nesse momento pude ver que várias pessoas haviam presenciado a nossa discussão. Eu tinha acabado de contar pra Paola que a Tia Stela estava bem e que não havia tido nenhum acidente,e que na verdade,naquele momento ela deveria estar tomando um chá com a minha mãe e se divertindo,coisa que ela não fazia já algum tempo. Mas é claro que eu não esperava uma reação tão explosiva da Paola como aquela. Dentro do táxi ela parecia tão calma!

_Paola ,espera. – Eu gritei enquanto ela atravessava a rua.

Corri atrás dela.

_Paola – Eu disse ofegante quando a alcancei- Olha eu sinto muito.

_Se você não percebeu eu não quero ouvir. -Me disse indiferente.

Segurei o braço dela.

_Me solta.- Ela gritou e algumas pessoas nos olharam.

_Paola olha desculpa tá legal? Eu já não sabia mais o que fazer. Eu prometi pra Tia Stela que iria te tirar daquele quarto e daquela casa e que iriamos sair pra nos divertir. Eu fiz tudo isso por ela. Tá eu posso ter errado na maneira que eu escolhi pra fazer isso,mas foi tudo por uma boa causa. Por favor me perdoa?

Ela ficou me olhando,meia indecisa sem saber o que fazer. Então soltei o braço dela,que se endireitou e voltou a andar.

_Ah Paola,qual é? Já que estamos aqui vamos curtir o parque.

Ela parou de andar. Olhou pro parque do outro lado da rua e depois me olhou,e eu sorri,como se eu fosse a sua melhor amiga e não a prima idiota que tinha mentindo sobre a mãe dela.

_Ah,tudo bem!

_Isso! Comemorei.

_Mas não pensa que estou bem com você. O que você fez me tirou do sério.

_Ah me perdoa..foi por bem..e além do mais vamos ter uma noite e tanto e..

_Ta,ta,ta bom. Vamos nessa.

Então atravessamos a rua e fomos pro parque,e compramos passaporte o que nos dava o direito de andar em todos os brinquedos. Havia tantos que nem sabíamos por qual começar.Mas vi a Paola olhar pro carrinho bate-bate e então sugeri que fossemos nele,e ela de cara concordou. Foi extremamente divertido!Depois dele fomos no trem-fantasma,no Piratas do Caribe,e depois no trem do amor,além de irmos no surf,no samba,e no Twitch. Depois fizemos uma pausa pra comer no restaurante e pedimos hambúrguer,batata fritas e refrigerante.

_Você pode comer isso? Perguntei assim que a garçonete deixou a nossa mesa.

_Não sei. Nunca perguntei pro médico,por que eu nunca sair de casa desde que estou doente e minha mãe só me dá comidas saudáveis.

_Entendi. — Disse pegando o ketchup.

_Você é mesmo uma boba viu?

_Ei por que?- Sorri sem graça.

_Se preocupando comigo dessa forma!Até parece a minha mãe. –Ela riu.

_Anh você é minha prima né- Ri como se aquilo fosse obvio.

Então ela pegou uma batata colocou maionese e tacou em mim,rindo.

_Ei,não se desperdiça batatinhas assim viu? Disse enquanto tirava a batata grudada na minha blusa.

_Pode deixar. -Sorriu

Depois ela se virou pro lado e eu acompanhei o olhar dela e pude ver que ela olhava um casal que estavam se beijando há umas 4 mesas longe da gente.

_Isso é tão nojento! –Ouvi

_É realmente!

_Eles devia ter um pouco de bom-senso e não beijar em público.

_Ah deixa eles.. Aposto que se fosse você,não ligaria.

_Eu com certeza não beijaria assim no meio de um restaurante.

_Mas não quer dizer que não queria ser aquela moça ali.

_Ah isso eu queria com certeza.

Rimos juntas. E fiquei pensando se assim como eu,ela ainda era bv.Mas é claro que eu não iria perguntar.Então simplesmente peguei uma batatinha,passei ketchup e taquei nela. O mais engraçado é que mesmo sem mirar,a batata frita agarrou bem na testa dela.Rimos tanto e tão alto que todo mundo do restaurante parou pra nos olhar,mas não nos importamos e só ficamos lá rindo de nós mesmas e daquela situação bizarra,e naquele momento eu desejei do fundo da minha alma,que o sorriso da Paola durasse pra sempre,ou que tivéssemos aquele momento pra sempre,ou que ao menos eu tivesse uma câmera pra registra-lo.Depois que nos acalma-mos, resolve-mos ir na roda gigante,e logo quando sentamos pude perceber a amizade entre nós.Me senti confortável,livre e aceita ao lado dela,a mesma sensação que eu sentia quando eramos amigas na infância. Assim que a roda começou a rodar,e eu já estava pronta pra falar algo,de repente a Paola falou sobre a vista:

_Não é maravilhoso? Ela disse olhando pro céu estrelado e em seguida para o parque lá embaixo.

_É sim!

_Estava sentindo falta disso.

_Como assim? Você já veio aqui antes?

_É claro que sim né Kete.

_Kete? Ual..

Olhei pra ela surpresa,que me olhou com um olhar afetuoso e que foi enchendo d'água como se fosse explodir de lágrimas. — Obrigada — Ela disse me olhando fixamente,o que fez meus olhos encherem d'água também.Então ela me abraçou e demos a nossa ultima volta abraçadas,como primas,amigas e irmas,do jeito que sempre fomos e do jeito que sempre deveríamos ser.

No dia seguinte pulei cedo da cama. Eu estava linda de pijama lilás quando me olhei no espelho,mas fui logo vestindo a roupa que tinha usado no parque ontem a noite. Assim que terminei de me vesti e prender meu cabelo no alto,fiquei feliz ao olhar que a Paola estava dormindo como um anjo. Olhei em volta no quarto e vi a bagunça que havíamos feito na madrugada. Assim que chegamos do parque,e a Paola teve a certeza que a Tia Stela estava bem em casa,ela pegou o telefone e ligou pra minha mãe pedindo pra que ela me deixasse dormir lá. Quando escutei aquilo fiquei extremamente surpresa e muito feliz quando ouvi ela dizer que podia,mas que no dia seguinte de manhã ela me buscaria. Quando a Paola desligou o telefone,deu um beijo de boa noite rápido na mãe e saiu como uma louca me puxando pelo braço escada acima. Ela me emprestou o pijama,e ficamos conversando por horas sobre livros,músicas que e outras coisas que descobrimos que ainda mantínhamos em comum. Contei pra ela sobre minha escola,e as minhas amigas,e rimos muito lembrando das mais diversas brincadeiras da infância. No inicio da madrugada,a Tia Stela bateu na porta do quarto e trouxe pizza de calabresa com refrigerante,dizendo que hoje era uma noite especial e merecia algo especial. Realmente ela estava certa,e a pizza uma delicia.Quando ela nos deixou sozinha novamente a Paola me fez uma pergunta que mais uma vez me deixou surpresa:

_E os garotos? Como estão?Já pegou muito?

"E agora? O que eu iria responder? Será que se eu falasse que era bv ela me zuaria?"

_Anh não muitos. -Respondi secamente.

"O que?Por que você está mentindo Ketelly? Você nunca teve vergonha disso.."

_E você? — Perguntei sem graça.

_Completamente Bv.

_O que? — Quase guspi o refri que tomava.

_É sério.

_Mas por que? Perguntei já sabendo o motivo,afinal eu também era.

_Por que eu ainda não achei meu cara especial.

_É o que eu penso.

_Mas você disse qu..

_É,mas eu sou bv,como você. É que fiquei com medo de dizer a verdade e você me zuar.Achei que você já tinha pegado alguns caras por ai — ri

_Ainda não.

_Pois é estamos no mesmo barco. Mas concordo com você,também acho que tem que ser com alguém especial.

_É claro! Você vai lembrar disso pra sempre,tem que escolher bem,não é mesmo?

_Sim ..

O silêncio parou no ambiente depois disso,mas logo ela começou a perguntar como eu imagina que seria e começamos a sonhar várias cenas românticas,tão românticas quanto as de filmes. Perguntei se ela já tinha alguém em mente e ela me falou sobre o Junior e eu contei sobre o Caio. E a madrugada passou voando,depois de muita pizza,refrigerante,risadas,ilusões,abraços, e revistas sobre casamentos,conseguimos dormir. Bom a Paola conseguiu,por que eu já estava em pé. Resolvi então arrumar o quarto. Arrumei a cama na qual eu dormi,a estante de livros dela que havíamos revirado durante a noite com muito cuidado,arrumei as roupas que tiramos do guardado,juntei os pratos da pizza e peguei as caixas pra jogar fora. Foi só ai que voltei a ver o tal porta retrato no lixo.Tornei a pega-lo dessa vez com cuidado e o coloquei em cima da mesa. Abaixei pra amarrar a sacola do lixo,mas um papel ali dentro me chamou a atenção,resolvi pegar pra lê-lo. Era um diagnóstico médico. No inicio não entendi bem,por que havia algumas partes manchadas por verde,e outras até mesmo rasgadas,mas não pude deixar de ler o principal,no final da folha: Paola Cristina da Silva veio ao hospital Santa Inês no dia 27 de Abril e o seu resultado final para os exames de sangue são:

Joguei o papel no chão,juntei minhas coisas e imediatamente fui embora daquela casa. Eu não pudia ver a Tia Stela depois daquela noticia,e eu não estava nem em condições de esperar pela minha mãe. Liguei pra um táxi,juntei o resto do dinheiro que tinha e liguei pra minha mãe de dentro do carro,dizendo que ela não precisava me buscar,que eu já estava chegando em casa e que explicaria tudo assim que chegasse.

Notas finais
-
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.