Festa do mês de Julho!

20 Oportunidades única.


No dia seguinte meu celular despertou no horário de sempre.Me levantei sem o menor animo de ir pra escola e tomei um banho e só quando eu estava vestido o uniforme é que me lembrei que eu estava suspensa,e o pior, minha mãe não sabia daquilo. Então tive a ideia de ligar pra Marina e pedi para que eu fosse pra casa dela.

_Alo?

_Marina,você está acordada?

_Não,estou dormindo.Quem é enh?

_Marina é a Ketelly,eu posso ir pra sua casa?

_Isso são horas de ligar?Alias estamos suspensas você deveria estar dormindo.

_Eu sei – falei mais baixo – Mas é que não contei pra minha mãe,e se ela perceber que não fui pra aula,ela vai me matar.

Escutei ela gritar no telefone,como se também não tivesse avisado a mãe dela.

_Marina?

_Ai meu Deus,Ketelly,também não falei com a minha mãe.

_Nossa..e agora?

Houve um silêncio horrível,e eu ouvir alguém bater na porta. Olhei pro de baixo,não era na minha.

_Ai Ketelly,já é minha mãe vindo me acordar,o que eu faço?

_Se arruma como se fosse pra escola,e me encontra no ponto.

_Mas vamos pra onde?

_Não sei,decidimos no caminho.

_Tudo bem,não demora!

_Não vou demorar!

Desliguei o telefone e esperei dar a hora que normalmente eu descia já pronta pra ir pra escola. E na hora certa desci,chamei meu pai e disse que ia encontrar no ponto de ônibus com a Marina,por que ela estava levando sozinha um trabalho que tínhamos que entregar hoje. Ele se ofereceu para pegarmos ela para que fossemos todos de carro,mas eu disse rapidamente que ela já tinha me ligado e já estava no ônibus,e que se eu não corresse o perderia e não poderia ajudá-la. Sai correndo sem escutar o que ele disse logo depois,e antes que minha mãe me barrasse. Quando cheguei no ponto a Marina já estava lá.

_Nossa,ainda bem que não demorou. Foi muito difícil convencer sua mãe?

Respirei mais um pouco.

_Não. Mas quase meu pai me barra.

_Quero saber isso melhor,mas pra onde vamos? Se ficarmos aqui nosso pais nos encontram.

Aquilo era verdade,pensei um pouco,mas eu estava nervosa,e não conseguia ter nenhuma idéia boa. Ouvir meu celular tocar.

_Alo?

_Alo..Ketelly? Onde você está? Já ta na escola?

_Ai que bom que você ligou Cecília..onde você está?

_Por que? Eu estou quase chegando na escola.

_Tem alguém na sua casa agora?

_Não..mas por que?

_Fala o nome da rua que você está.

_Estou aqui na Bernado,na esquina.

_Me espera ai,chego em 15 minutos.

Virei pra Marina e ela pareceu entender,saímos correndo em direção a escola,observando se nossos pais não passariam por ali. Depois entramos numa rua oposta e que era esquina com a Bernando,e começando a andar. Quando viramos a esquina,de longe avistei a Cecília,fiz um sinal com a mão,indicando para que ela viesse na nossa direção,se ela não entrasse na escola em 5 minutos,não entraria mais.

_Ai agora não vai dar tempo de vocês me explicar nada..E o que a Marina está fazendo aqui?- Ela disse meio aflita.

_Olha..calma.. te ligo depois explicando – Eu não sabia se respirava ou falava.- Preciso da chaves da sua casa.

_Pra que? – Ela pareceu surpresa.

_Não da tempo de explicar – A Marina disse um pouco nervosa.

_É não dá mesmo. O fato é que estamos suspensas e precisamos de um lugar pra ficar.

_O que? Ela gritou. – Vocês duas suspensas?

A Marina já estava impaciente.

_Você vai dar a chave ou não?

Antes que a Cecília pudesse responder,ouvimos o sinal da escola e todas três olhamos para o portão se fechar.

_Pronto.Agora nem nós duas e nem você pra escola! Parabéns.

_Anh é até bom que vocês me explicam tudo isso.

_Ta,podemos explicar – A Marina disse – Mas podemos ir pra sua casa?Não tem ninguém lá não?

_Não. Minha mãe e meu irmão nesse horário estão dentro do ônibus,bem longe de casa.

_Ainda bem. – Acrescentei.

Logo começamos a andar pra irmos para a casa da Cecília,mas sem deixar de olhar pro lados,por que eu estava com medo de que meu pai passasse de carro e me visse,mas a Marina parecia nem ligar,e contava todos os detalhes para a Cecí,que vazia várias perguntas que eu tinha que responder,por que a Marina explicava com rapidez e não tinha paciência pras perguntas bobas da Cecília. Quando chegamos na casa dela,fomos todas pro quarto e ela já foi logo expondo o que pensava de tudo aquilo:

_Bom agora que já sei de tudo,posso falar o que eu penso?

_Iiiiii lá vem.. — A Marina revirou os olhos e eu também sabia que viria um longo sermão.

_O fato é que vocês deram um grande mole. Se fosse comigo eu teria aproveitado a oportunidade de ir na Festa com o Rodrigo,pisando em um tanto de gente só por estar indo com ele ,por que cá entre nós, que não iria querer ir na festa com ele? – Todas soltamos um risinho malicioso –E depois lá na festa,sei lá,eu fazia ele passar a maior vergonha..Não sei,talvez fingindo que iria ficar com ele,e pegando um outro na frente dele e de toda a escola. Seria assunto pro ano inteirinho e uma história pra vida toda. – Ela disse isso olhando bem pra Marina – Depois olhou pra mim e continuou — E você também deu mole,pelo o que vocês falaram desse tal de Caio,o menino é um deus grego de tão lindo,e você por birra ou raiva desnecessária,briga com o menino? Claro,não estou defendendo ele,por que ele teve culpa sim,mas ele com certeza é do tipo que pede desculpa,se é que ele já não fez isso né? No meu ponto de vista da história toda você foi grossa,com a pessoa que não deveria,e as duas perderam oportunidades únicas da suas vidas!

Fiquei em silêncio e percebi que a Marina também. Esperávamos que a Cecília iria dar um sermão,mas não que as palavras dela fossem nos machucar dessa forma. Pelo menos em mim estava doendo,mas pela expressão de arrependimento que a Marina estava no rosto,logo vi que nela estava doendo também.Percebendo o silêncio constrangedor,entre nós,a Cecília continuou:

_Então,vou a cozinha pegar alguma coisa pra gente comer.

Ela se levantou e foi.. deixando tanto eu como a Marina,cheia de pensamentos;arrasadas por desperdiçamos a oportunidade única da vida.