Festa do mês de Julho!
25 Plano em ação
Não demorou muito pra minha mãe chegar e assim que ouvimos a buzina do carro as meninas começaram a se despedir da Tia Stela. Pude perceber que apesar delas terem falado mal da Paola,todas após abraçar minha Tia,olharam disfarçadamente pra escada que subimos a pouco.Talvez quisessem se despedir da Paola,por não saber quando iriam vê-la novamente,ou se iriam vê-la,de fato. Mas eu não pude permitir,e mesmo parecendo um pouco egoísta da minha parte,assim que elas se despediram da Tia Stela,eu as chamei pra irem logo pra fora e fui com elas até o carro.
_Você está bem querida? Tudo bem mesmo ficar aqui sozinha com a Paola?
_É claro mãe. Vai dar tudo certo.
Então ela me lançou um sorriso afetivo e lindo. Queria que o mundo parasse ali,naquele sorriso! Mas me lembrei das meninas e olhei pras elas.
_Obrigada por compreender meninas.
_Compreender nós compreendemos bem,mas depois vamos querer saber de todos os detalhes.
_Ok.
Sorri pra elas e me afastei do carro e fiquei ali parada esperando o carro sumir na esquina e quando finalmente aconteceu,suspirei fundo e virei de frente pra casa.
_Bom é agora ou nunca!
Voltei pra dentro disposta a colocar tudo em prática. Ajudei Tia Stela a levar de volta o bolo e enquanto lavava a vasilha ela me olhou bem nos olhos e perguntou se eu era capaz de por o plano em prática sozinha. Confesso que fiquei com medo,pois ali,nas palavras dela pude perceber que era muita responsabilidade e é claro que ela sabia disso. Mas eu queria tentar. Queria tentar ajudar alguém que sempre me ajudou quando eu era criança. Então respondi os dois:
_Tia eu sei que é muita responsabilidade,mas eu preciso ao menos tentar. Se em algum momento eu perceber que não da mais,eu paro e vou embora conformada.
Antes que ela pudesse responder qualquer coisa,formos surpreendidas com a Paola que chegou cantando uma canção que eu não conhecia. Quando ela nos viu,fechou a cara na hora pra mim.
_O que ainda ta fazendo aqui? Eu..pensei que você tinha ido embora.
Abrir a boca pra responder,mas ela gritou antes:
_Não responde nada,ok? Mãeeee !!! Qual é né?
_Paola querida,isso é jeito de tratar sua prima?
_Não me chama de querida! Você sabe que eu odeio. – Ela respirou fundo,ainda me encarando- Estarei no meu quarto e – ela apontou o dedo pra nós duas – não quero ser incomodada.
Assim que ela virou as costas e saiu minha Tia meio que entrou em desespero.Na verdade ela não estava conseguindo controlar suas emoções. No primeiro momento ela só ria e ficava me dizendo que fazia muito tempo que a Paola não saia do quarto e estava feliz demais por ela ter vindo até a cozinha. Nisso pude ver a gravidade da situação. Depois ela começou a chorar,um choro compulsivo e dizer que a Paola não tinha jeito e que ela agora iria se trancar naquele quarto pra sempre. Nesse momento cheguei a acreditar que ela me culparia e me mandaria embora imediatamente,então resolvi não dizer nada e ser só uma boa ouvinte. A maioria das pessoas só querem ser ouvidas. E depois quando ela acabou de falar,eu a abracei,por que um abraço,pode curar a alma. E esperei até que ela se acalmasse,e quando se acalmou eu disse que iria tentar com mais vontade agora e que iria trazer nossa Paola de volta. Vi que os olhos dela lacrimejarem e antes que ela começasse a chorar eu me virei pra sair dali:
_Onde você vai?
_Colocar meu plano em prática. Já está passando da hora não é?
Ela não respondeu,apenas sorriu e naquele sorriso eu pude ver um pouco de esperança surgir e tive mais fé pra fazer o que eu queria.Então subi as escadas determinada. Eu não podia desistir agora. Aquilo tinha se tornando a minha maior prioridade. E de certa forma eu me sentia culpada,e as palavras ditas pela Paola ainda estavam sendo repetidas na minha mente.E tinha minha Tia. Cada lágrima dela era como um pedido de ajuda,de socorro. Eu tinha mesmo que fazer isso.
Bati na porta de leve e já fui entrando,encontrei a Paola deitada na cama com um livro na mão e assim que entrei ela se levantou me xingando:
_Que isso garota? Ta louca? Como você entra no meu quarto assim? Quem você pensa que é?
Fique em pé de braços cruzados,encarando ela.
_Qual é o seu problema enh? Sai agora do meu quarto.
Ela indicou a porta e eu continuei imóvel.
_Andaaa Ketelly.
_Então sabe meu nome?Legal! Achei que eu não passava de uma desconhecida. — Ironizei.
_O que? – Ela me pareceu confusa,e logo em seguida irritada – Sai daqui logo!!!
Fiz que não com a cabeça e ela fez uma expressão de raiva. Parecia que ia voar em mim e me bater,mas como uma criancinha ela gritou a Tia Stela da porta:
_Mãaaaaaaaaaaaeeeeeee!!!
_O que foi? – Ouvir Tia Stela lá de baixo responder.
_Tira essa garota daqui. – Ela gritou me olhando.
_Essa garota é sua prima. Fiquem bem meninas. Estou saindo.
Ela ficou completamente sem reação,e após ouvir a porta da sala se fechar lá embaixo,ela correu pra janela e viu Tia Stela entrar no carro e sair. Depois se virou pra mim,tentando disfarçar o quanto surpresa estava e disse:
_O que está acontecendo?
Então eu finalmente pude explicar. Comecei a andar devagar no quarto e a observar cada detalhe enquanto falava.
_Acontece que você vai aprender a se tornar alguém agradável novamente. Eu vou trazer a Paola de volta.A Paola legal que ficou em algum lugar na nossa infância.
_É mesmo ?– Ela foi irônica.
_É – respondi sorrindo.
_E como você acha que vai fazer isso?
Não respondi. Sair do quarto e fui até a cozinha. Até ali o plano estava funcionando bem. Peguei o balde que a Tia havia deixado pra mim e voltei pro quarto,quando a Paola o viu começou a rir:
_É com um balde que você vai me trazer de volta?
_Não – eu rir – É com isso.
Joguei um balde de tinta azul nela e enquanto ela gritava de raiva e corria atrás de mim eu entendi que era exatamente daquilo que ela precisava.
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