Lá estava eu correndo como uma louca,pela quadra para chegar na de basquete a mais distante de onde eu estava. Não pensava em nada.Não pensei que eu tinha falado com a professora que voltava logo,pois iria no banheiro lavar meu machucado.Não pensei nem mesmo que estava deixando pra trás a Marina e seu desespero.Não pensei nem no que eu iria falar com os olhos verdes,mas tudo o que eu queria era falar com ele,queria me testar,queria saber se meu coração bateria tão forte quanto bateu na primeira vez que nos esbarramos mais cedo. Por isso eu corria,e corria sorrindo,como se eu estivesse fazendo a melhor coisa do mundo,mas de repente,como se eu estivesse em um sonho fui interrompida bruscamente,e meu braço foi puxado pra trás,sentir a dor do meu machucado novamente e o sangue descendo,abaixei gritando de dor.

_Ei,onde você pensa que vai?

Estava sentindo tanta dor que não reconheci a voz que gritou comigo.

_Responde agora!

Ouvir um riso estridente e aquele riso eu sabia perfeitamente de quem era. Me levantei:

_O que você quer,Carla?

_Quero saber o que você está fazendo aqui fora,correndo como uma boba alegre,sendo que você disse que sairia da sala pra lavar esse machucado ai.

Eu estava com tanta raiva dela e com tanta dor que era capaz de bater naquela cara sínica e tirar aquele sorriso do rosto perfeito dela a qualquer momento. Mas a Marina chegou ofegante:

_O... que... está...acontecendo...aqui.?

Olhamos pra ela que respirava com dificuldade.

_Olha só quem apareceu..então agora já sei o que você está fazendo aqui.Só não entendi por que estava correndo naquela direção..

Ela fez uma expressão pensativa e eu me segurei pra não olhar, pra ver se os olhos verdes ainda estava lá,ou se talvez ele estivesse assistido aquela gritaria. Encarei ela de novo:

_O que você está fazendo aqui?

_Por acaso,a professora de história pediu pra vim atrás de você e só ela mesmo muito boba pra acreditar que você iria no banheiro..

Fiquei calada,mas a Marina respondeu pra mim.

_Pois diga a professora de História que ela veio sim lavar o braço. Mas o banheiro lá em cima estava fechado,por isso viemos pra cá. Mas ai o braço dela começou a sangrar mais,ai ela estava correndo para lavar logo antes que o sangue sujasse o uniforme dela.

Olhei assustada..a Marina mentia muito bem! Mas a Carla começou a rir e eu vi a mão da Marina se fechar,pronta pra voar pra cima dela. Me pus entre as duas:

_Vamos embora..eu me explico com a professora,Mari..

E começamos a ir mesmo,mas a Carla ficou nervosa :

_Espera ai..eu não vou voltar sozinha não...

Ignoramos ela e continuamos a andar até que ela puxou meu braço que ainda sangrava e eu gritei de dor. A Marina a empurrou e ela caiu no chão.Um funcionário viu e começou a gritar mandando a gente parar. Olhei pra Marina e por algum motivo corremos. Aquilo não iria acabar bem.

Só paramos de correr quando chegamos no banheiro.Estamos ofegantes e com medo:

_E..agora..? Ela me olhou com medo nos olhos.

_Eu não sei..

Eu queria chorar por que meu machucado doía muito.

_Lava isso! Ela apontou pro meu braço.

E foi o que eu fiz. Ainda estava com o braço debaixo d’água quando o funcionário chegou com a Carla:

_Vocês duas – Ele gritava e brigava com seu ar e sua fala – Venham comigo agora!!!

Vi um risinho sair da boca da Carla e um olhar de medo da Marina. Assentir pra ela e fomos com ele direto pra sala da diretora,Paola.

_O que temos aqui? Ela perguntou sem olhar pra nós logo quando chegamos.

_Essas três estavam brigando na quadra.

_Não estávamos não – A Marina disse com raiva.

Eu olhei pra Carla,ela só sabia rir.

_Então o funcionário está mentindo? A diretora perguntou nos encarando e nós preferimos o silêncio.

Ele se retirou e nos deixou sozinha com ela.

_Sentem-se e vamos conversar,vocês tem –ela olhou no relógio no pulso- cerca de vinte minutos pra falar.

Começamos as três a falar juntas e gritávamos uma com a outra.Depois nos calamos e esperamos a diretora falar:

_Se vocês não sabem ter educação pra ouvir,também não vou ter pra ouvir vocês.

Ela assinava um papel e nós não estávamos entendendo nada. – Depois ela se levantou e entregou para cada uma de nós um papel de suspensão pelo resto da semana e o motivo: briga na escola e falta de educação. Iríamos começar a protestar mas ela fez um sinal com o dedo indicador pedindo o silêncio.

_Uma.Prestem atenção..apenas uma de vocês poderá falar o que aconteceu e tentar me convencer a retirar a suspensão.

Tanto a Carla com a Marina olharam pra mim,por que eu havia começado tudo,então eu deveria explicar.Meu coração disparou e eu levantei a mão.

_Sim. Fale.

_Eu pedi a professora para sair da sala para lavar meu braço que está machucado por que cair hoje na entrada do primeiro horário e encontrei a Marina que estava indo ao banheiro também.Mas encontramos o banheiro lá em cima fechado e descemos para o banheiro da quadra – Fiz uma pausa,pois achei que ela iria interromper,mas ela assentiu indicando que estava prestando atenção e eu continuei – Chegando lá meu braço começou a sangrar mais e eu corri pra ir pro banheiro antes que eu me sujasse,e foi quando a Carla apareceu,gritou comigo e me mandou ir pra sala,sem nem me explicar nada. A Marina apareceu e iríamos voltar para o banheiro e a Carla me puxou,eu gritei por que foi no meu braço machucado e a Marina com raiva empurrou ela. O funcionário viu e falou que estávamos brigando. Com medo nós corremos e agora estamos aqui.

Ela pareceu acreditar em partes da história e encarou as meninas:

_Vocês confirmam essa versão?

Fiquem com muito medo da Carla não confirmar,mas tinha certeza que os pais dela iria odiar a ideia de uma suspensão. Então as duas confirmaram.

_Bom. Então foi tudo um mal entendido. Apesar que – ela olhou pra mim – sei que você não saiu da sala pra ir ao banheiro e que ele não estaria fechado por que ele sempre fica aberto. Mas espero,moças, — Ela olhou pra todas nós — que isso não se repita. Não quero ouvir reclamações de vocês novamente.

_Obrigada. – Foi o que eu consegui dizer.

Ela nos entregou um papel para entregarmos na sala quando voltássemos. Assim que entramos na sala todos olharam pra mim e pra Carla e a professora xingou:

_Não peça mais pra sair,por que não deixarei – Ela me disse quando entreguei o bilhete.

Me sentei rapidamente. Exausta. Mandei uma mensagem pra Marina dizendo pra ela ficar tranquila que logo resolveríamos tudo com o Rodrigo. Abaixei a cabeça..eu estava com muita raiva da Carla. Ela havia atrapalhando meu encontro com o garoto dos olhos verdes e me impedido de resolver com a Marina,e estava com raiva de mim mesma por tê-la deixado tão aflita. Qual era o problema dessa Carla? Não sabia responder. O fato é que eu cada vez mais teria que prestar atenção nela. Comecei a bola um outro plano pra resolver a vida da Marina,o plano A que era dispensar o Rodrigo sem que ela falasse com ele, já não funcionária. Eu teria que convencê-la. Não ira deixar com que ela desperdiçasse aquela chance.

Ouvir o sinal que cortou meus pensamentos sobre o plano e fui lá fora,pra ver se eu encontrava a Marina e contasse do que agora seria o plano B,mas o Rodrigo me puxou pela blusa quando eu saia da sala.

_E então falou com ela?

_Não deu ainda..mas vou falar.

_Mas vai ser hoje ainda? “Ele estava ansioso e nervoso ou era impressão minha?”

_Olha..acho que vai ficar pra amanhã.

_Tudo bem – Ele pareceu decepcionado.

Virei pra trás e vi o Léo,eu estava fugindo dele então andei em direção contraria antes que ele me visse,e virei rumo ao bloco da oitava serie,por algum motivo e pra minha surpresa dei de cara com os olhos verdes:

_Opa! Quase batemos de novo!

Ele me segurou nos ombros e abriu aquele sorriso lindo.Meu coração disparou tão forte como na primeira vez. Acho que eu sorrir também.

_Você é da oitava serie?-“Por que eu perguntei isso? Eu deveria perguntar o nome dele..”

_Não..é que estou perdido. Escola grande..sou novato ai já viu né! Ele deu um sorriso sem graça e coçou a cabeça – Bom,tenho que procurar minha sala..

Ele começou a andar e me deixou lá parada com uma cara de boba..mas eu não iria perder aquela oportunidade de novo..Virei e fui atrás dele:

_Ei..ei..- chamei enquanto andava pelo corredor.

Ele parou e me olhou.

_Qual é o seu nome,olhos verdes água?

Ele pareceu gostar de me ouvir chamá-lo de olhos verdes e abriu um sorriso ainda mais largo e estendeu a mão, se ajoelhou no meio do corredor,beijou minha mão e disse:

_Caio..Meu nome é Caio querida donzela de olhos castanhos..- Eu quase desmaie – e o seu?

_Ketelly – Fiz um comprimento de donzela,dando uma leve abaixada e sorrir.

Ele se levantou e me deu um beijo no rosto e falou só pra mim ouvir: A gente se vê,em breve. E saiu me deixando ali,com um sorriso besta na cara e o coração batendo forte,louco,quase saindo pela boca.

Notas finais
Comenta..Venha me deixar feliz!