Festa do mês de Julho!
21 Notícia triste.
Notas iniciais
Quando ela voltou,e viu nossa cara logo começou a falar de novo:
_Ei,meninas,eu não falei por mal..eu só esperava que vocês enxergassem o que vocês perderam por estarem pensando com o coração e não com a cabeça.
_Eu não pensei com o coração – me defendi.
_Nem eu – A Marina se sentou na cama.
_Vocês entenderam.
_O que eu entendi é que sim,perdemos uma oportunidade,na verdade duas – olhei pra Marina – de fazermos algo melhor do que fizemos,mas agora já passou não podemos fazer nada,a não ser esperar que toda a escola esqueça disso tudo logo.
_E que nossa suspensão acabe.
_É.
_E por falar nisso o que vocês vão fazer?
_Eu vou contar pra minha mãe..Vou dizer que me envolvi em uma discussão.
_É,mas seu bilhete está assinado que você bateu numa garota,Ketelly.
_Verdade,- a Marina concordou rindo — e a única coisa que eu sei é que vou levar o maior xingo do mundo.
_Eu também,mas vou dizer que discuti e que marcaram como briga..mas vou fazer de tudo para que minha mãe não possa ir na escola tirar satisfação.
Ficamos um tempo calada e depois começamos a falar sobre a Festa do mês de Julho que estava se aproximando e que depois de tanta confusão na minha cabeça e na da Marina,havíamos quase esquecido. Tínhamos que encomendar nossos vestidos ou sair pra comprar,por que agora mais do que tudo teríamos que estar perfeitas. Quando a hora da saída da escola chegou,eu e a Marina nos despedimos da Cecília e fomos caminhando até a praça Diamante para que ninguém suspeitasse de que estávamos suspensas,depois nos despedimos com um abraço,e mesmo eu estando a 2 quarteirões de casa,fui esse restante do caminho pensando no Caio,e no quanto eu tinha sido ridícula com ele.Decidi que assim que chegasse em casa ligaria para ele,e pediria desculpas.
Entrei em casa e logo quando cheguei fingindo um cansaço que normalmente eu tinha quando chegava da escola,vi minha mãe sentada chorando na mesa da cozinha,larguei a mochila e corri até ela:
_Mãe,mãe o que foi? O que houve?
Ela me olhou,percebi que tentava falar,mas o choro não cessava. Peguei um copo com açúcar pra ela e coloquei na frente dela, que tomou rapidamente enxugando as lagrimas:
_Você pode me contar o que aconteceu?
Esperei e ela me fez um sinal para que eu me sentasse,obedeci. Depois me olhou sério,e eu pude perceber que ela estava se segurando para que não chorasse:
_Ketelly.. sua..- os olhos dela encheram de água e eu já estava ficando muita aflita — sua.. – segurei na mão dela – sua prima.
_Que prima?
_A Paola –ela disse forte,provavelmente tentado conter suas lagrimas novamente – ela, foi internada hoje cedo. – Abrir a boca para falar mas ela me pediu com os olhos para que eu a deixasse terminar. Aquilo estava acabando com ela – Ela teve uma parada cardíaca hoje cedo em casa. Eles me ligaram e eu passeia manha com ela. Apesar dela ser nova o risco é muito grande,e os médicos descobriram uma bactéria e não sabem o que é. Ela está ficando branca rápido demais e não fica acordada por mais de 5 minutos. O estado dela é grave.
Comecei a chorar,eu não queria ouvir mais aquilo. Me levantei,mas ela segurou meu braço:
_Ketelly – Percebi que algo ainda faltava me dizer – Ela pode estar com leucemia.
Fiquei sem reação nenhuma. Sentir mais lagrimas brotarem de mim,sem que eu pudesse controlar,ouvir meu coração bater forte,desesperado como se estivesse gritando que eu perderia minha prima,minha melhor amiga desde criança,a única pessoa que sabia todos os meus segredos,a única que sempre me apoiou,a única que me levava para todas as viagens dela,pra um câncer,um maldito câncer! Eu nunca mais a veria e meu coração batia como se não quisesse acreditar. Olhei pra minha mãe,que agora parecia um borrão diante de mim,e a abracei. Sentir suas lagrimas molharem meu cabelo,mas eu não liguei,ela chorava baixinho,talvez para que sua dor não doesse tanto. Ficamos assim um tempo,até que eu meu pai chegou e eu estranhei,mas logo percebi o por que. Me desvencilhei daquele abraço de dor e fiquei olhando pra ele.
_Amor..eu vi assim que eu pude.
Ele passou por mim e me deu um beijo demorado na testa,que eu adorava e não pude conter mais uma vez aquela enxurrada de lagrimas,mas ele não me abraçou nem nada,apenas me deixou com a minha dor e foi abraçar a minha mãe. Eu fiquei lá parada olhando para eles,escutando as lagrimas que agora caiam do rosto dos dois,e o sussurro baixinho do meu pai,no ouvido dela. Subi correndo as escadas e fui pro meu quarto,tranquei a porta e chorei. Chorei como nunca havia chorado. Eu nunca havia recebido uma noticia tão triste como essa. Ninguém nunca havia me contando que eu teria que me acostumar com a idéia de que eu perderia a minha prima pra sempre. De que eu não poderia ter ela mais do meu lado. E agora? O que seria de mim? Como estaria minha tia? Eu agüentaria vê-la no leito de um hospital? Por que as pessoas tem que morrer? Por que ela teve que ter câncer? Logo câncer? Me levantei e comecei a gritar,talvez gritando a dor passasse,mas ela não passava..minha lagrimas se misturaram com meus pensamentos cheio de perguntas não respondidas e com a imagem de todas as vezes que eu e minha prima mais querida passamos várias dias sorriamos juntas ali mesmo naquele quarto. Eu gritava,gritava,e no meio dos meus gritos ouvir minha mãe bater na porta. Eu não queria abrir,mas eu entendi que a dor não era só minha,era dela também,que amava a minha prima e a considerava como filha,além é claro que era a irmã dela que estava passando por tudo aquilo. Me levantei e abri a porta e ganhei um abraço fortíssimo dela,como se ela quisesse arrancar aquela dor de mim. Comecei a soluçar,nos sentamos abraçadas no chão,chorando,chorando muito,eu não sabia quem chorava mais,na verdade eu nem sabia que podia chorar tanto como eu estava chorando. Ela começou a acariciar o meu cabelo,e eu me deitei no colo dela. Que começou a cantar uma música que eu adorava:
_You walked away in silence
You walked away to breathe
Stopped and turned around to say goodbye to me
I'm pleading as you're leaving
I'm begging you to stay
Ouvir aquilo me fez chorar ainda mais,muito mais,e de alguma forma,chorar estava aliviando um pouco da dor que eu estava sentindo no profundo da minha alma. Adormeci ouvindo ela cantar e sentindo o toque das mãos dela acariciar meu cabelo,ali em meio a todas as minhas lagrimas.
Quando acordei eu estava com muita dor de cabeça , e o quarto estava silencioso. Com um pouco de dificuldade me levantei,parecia que alguém havia me batido,talvez por que eu havia dormido no chão. Procurei meu celular e encontrei debaixo da cama,apertei a tela e vi que era 3.40 da madrugada,eu havia dormido demais. Sair pra beber uma água na cozinha. E me lembrei que eu acordei um tempo depois que eu dormi com a minha mãe cantando pra mim,e que comecei a gritar novamente e queria quebrar tudo que estava na minha frente,mas que meu pai apareceu me segurou e eles me deram um remédio,dizendo que eu teria que ficar calma e que no dia seguinte tudo ficaria bem,e isso explicava por que eu havia dormido tanto. Voltei pro quarto com a água,eu havia passado mais de 12 horas sem comer nada,mas não estava com a menor fome,a única coisa que eu pensava era que o dia seguinte já havia surgido e eu não estava nem um pouco melhor. Entrei no meu quarto bagunçado,provavelmente por que quis quebrar tudo dentro dele e me deitei na cama,olhando pro teto,comecei a chorar e a pensar que em tão pouco tudo pode estar bem,como estava ontem de manhã,e que basta apenas um minuto,uma notícia para que seu mundo desabe,aquilo me fez perceber como eu fraca! Tentei mudar o pensamento,enxuguei as lagrimas por que minha cabeça estava doendo,e pensei no Caio e na desculpa que eu deveria lhe dar ,mas logo meu pensamento voltou pra Paola,pensei nas minhas amigas,o que fez meus olhos enxerem de água, me levantei peguei um livro,mas aquilo também não funcionou. Então sentada na cama,olhei pra frente e vi meu notebook,resolvi navegar na internet,depois de uns 15 minutos ali,aquilo já não estava me satisfazendo,então sem querer abrir o Word e pensei em escrever..comecei contando o que eu tinha vivido até ali,contei cada detalhe,incrementei com palavras bonitas que eu havia lido em vários livros e sempre quis um lugar para usa-las e quando acabei,li tudo e fiquei orgulhosa de mim mesma,por ter conseguindo escrever tão bem,como se fosse um livro e por aquilo ter me feito melhor. Sentir meus olhos pesarem e desliguei o notebook e voltei pra cama,dizendo a mim mesma que no dia seguinte tudo estaria bem,mesmo que hoje não estivesse.
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Musica: Away in Silence — Creed
Trecho:
Você se afastou em silêncio
Você se afastou pra respirar
Parou e se virou pra me dizer adeus
Eu estou implorando em sua partida
Eu lhe suplico que fique
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