Notas iniciais
Então... Cá estou eu postando o segundo capítulo dessa fic. Primeiramente devo dizer que não sei se ficou assim tão bom, meu bloqueio criativo não me permitiu ter tantas ideias para o cap. Depois, eu queria dizer que muito provavelmente terei que postar apenas um capítulo por semana. Isso se dá pelo fato de que eu tenho muitas coisas para fazer na minha vida real, e sobra pouquíssimo tempo para eu escrever nem que sejam alguns parágrafos dessa história (e concordemos que esses caps andam beeem curtos comparando com os que eu escrevia para outras fanfics). Entretanto, como entrei em férias agora, nessas duas semanas eu talvez tenha mais tempo disponível para escrever e tentarei postar o máximo que puder. É uma promessa (que vou tentar). Agora vou parar de enrolar. Desejo uma boa leitura e que apreciem esse capítulo não muito planejado.

Eram por volta de duas e quarenta da manhã quando notei que os passageiros tinham se retirado do vagão-restaurante. Eu estava um pouco cansado, e quase cedia ao peso das pálpebras que, aos poucos, tentavam se fechar. Diante dos meus olhos, as palavras do livro "A laranja mecânica" ficavam foscas e quase ilegíveis.

Sentado no bar, estava um homem de cabelos claros. Ele não parecia demonstrar interesse algum nas coisas em sua volta além de seu copo de vodka. Além dele, o garçom ruivo também estava no vagão.

Sempre tive essa mania de observar os outros com cuidado, e ás vezes o fazia sem nem perceber. Isso, além de uma boa distração, era bem útil para o meu trabalho. Sabia facilmente dizer quando alguém estava mentindo ou omitindo algo. Para mim, o ser humano, por mais complexo que parecesse, era um ser fácil de se interpretar. O homen do bar demonstrava ser alguém com poucos arrependimentos, uma pessoa rígida e organizada que provavelmente tinha ideais de vida fortes.

Ao notar que não me aguentava mais acordado, levantei-me da cadeira com cuidado, fechei o livro e fui para a minha "cabine". A cama era bem macia, e não demorou muito para eu cair no sono. Não sei ao certo por quanto tempo dormi, porém, como tenho sono leve, fui acordado ainda durante a madrugada com uma agitação do lado de fora da cabine. Foi nessa hora que me dei conta que o trem estava parado.

Saí dali em silêncio e fui caminhando pelo extenso vagão, até que esbarrei com a "garota das partituras", que parecia um tanto frustrada.

—Com licença... — perguntei — por acaso você sabe por que o trem parou?

—Uhm, sei sim. — ela resmungou — Parece que houve recentemente uma forte tempestade de neve que acabou bloqueando vários quilômetros dos trilhos.

—Ah, entendo.

—Tenho uma apresentação importante em Berlim hoje! Se isso demorar muito, vou acabar prejudicada...

—Bem, boa sorte com isso. — murmurei ao olhar pela janela — Creio que tão cedo não sairemos daqui.

A garota balançou a cabeça em forma de reprovação e voltou a caminhar para a direção para qual ia antes de se deparar comigo. Eu já tinha visto-a antes, ela se chamava "Meiling", uma pianista e compositora bem conhecida na época por toda a Europa. Como sempre apreciei o som do piano, era de certo modo "fã" dela. Além de ouvir, eu também gostava de tocar piano, era uma forma de relaxamento que me fazia pensar com mais clareza. Todas as vezes em que tinha dificuldade para resolver algo, eu me sentava diante do piano antigo e preto da minha sala e tocava por algum tempo.

Caminhei um pouco mais e cheguei no vagão principal, onde muitos passageiros gritavam insatisfeitos com o maquinista. Este tentava acalmar quem o cercava porém, sem sucesso algum. Após alguns minutos sendo interrompido pelas frustrações dos outros, ele deu uma forte batida na mesa que fez com que todos ficassem em silêncio.

—Pessoal, é o seguinte, eu não tenho como apressar o processo da retirada da neve, então teremos que esperar mais algumas horas. Desculpem-nos, mas não há nada a se fazer além de esperar. — ele disse.

—Há estimativa de quanto tempo em média teremos de esperar? — indagou o garoto que mais cedo estava estudando Direito.

—Não, senhor. Não temos a menor ideia de quando os trilhos finalmente serão liberados. — respondeu o maquinista. — Então, por favor, se acalmem e voltem para seus aposentos. Ainda temos que avisar os passageiros que não estão presentes.

Todos concordaram com certa frustração, e assim obedeceram as ordens do homem.Enquanto, aos poucos, todos iam se retirando dali, fiquei encostado na parede encarando de forma analítica o maquinista. Ele tinha olhos cansados, com olheiras profundas e íris de um castanho quase negro. Sua pele era meio pálida, e dependendo da luminosidade, podia parecer até meio acinzentada. Quando me notou, ele abriu um sorriso torto e colocou as mãos sujas de carvão na testa.

—Há algo a mais que eu precise resolver?

—Não, não é isso. — respondi — Só estou vagando por aí.

—Claro...bem, vou tentar ver o que posso fazer com toda aquela neve...

—Uhm. — assenti com a cabeça e, em seguida, virei as costas e peguei o caminho de volta para meu "quarto".

Corredor vazio, portas fechadas, um silêncio mortal e o único além de mim ali era a "ajudante" do maquinista que batia nas cabines em sequência para avisar os passageiros que dormiam sobre o "pequeno imprevisto". Enquanto eu andava, notei que ela estava por bastante tempo batendo em uma porta em particular, chegando ao ponto de começar a chamar pelo nome da hóspede, "Never".

Nada.

Nem um som dentro da cabine.

Algo em mim me fez parar e observar a situação. A mulher pegou um chaveiro no bolso, avisou em alto e bom tom que iria entrar e, com certa dificuldade, colocou a chave na fechadura externa. Ao abrir a porta, ela apenas coçou a nuca e acendeu a luz. Não havia ninguém lá.

Com certa curiosidade, parei ao lado desta e espiei para dentro da cabine.

—Talvez esteja em seu banheiro... — a "ajudante" murmurou para si mesma, sem ao menos me notar ao seu lado.

Era complicado se dizer se a garota realmente estivera em sua cabine. Cama arrumada, bagagem não parecia ter sido aberta e tudo, inclusive a janela, trancado. Provavelmente, ela estaria em outro vagão do trem. Porém, assim que tudo ficou em verdadeiro silêncio, pudemos escutar um som de gotas ecoando dentro do cômodo que seria o banheiro da cabine. As gotas pareciam cair com um intervalo de 2 segundos uma após a outra, e como as luzes estava, aparentemente apagadas, seria difícil que alguém estivesse lá dentro.

"Talvez tenha deixado a pia aberta", pensei.

Pelo visto, a mulher ali comigo pensou um mesmo, pois abriu a porta lentamente e, foi tateando o espaço até chegar onde supostamente ficava a pia. Não levou tanto tempo para um grito de puro pavor ser escutado por todo o trem. Corri para dentro do pequeno banheiro e acendi a luz para entender a situação.

O que vi não foi exatamente uma pia pingando.

O corpo jazia frio e rígido sobre a pia. Os olhos foscos e sem vida da garota já anunciavam que em tal corpo não havia mais uma "chama acesa". E por fim, podia se ver o sangue que saía de sua boca — cujos lábios estavam em um tom roxo — e manchava o acrílico branco de vermelho.

Era a Never.

Naquele momento, a única coisa que me veio em mente foi a curta conversa que tivera com ela algumas horas atrás, quando ainda estava viva e assustada. Eu não cogitei nenhuma vez levar o que ela dizia à sério, simplesmente por achar que seu caso era uma "furada". Mas não, eu tinha errado.

Pela primeira vez, eu tinha errado.

Sem hesitar, coloquei a mão no ombro da mulher em choque e afastei ela do corpo. De forma breve, disse para que ficasse do lado de fora da cabine e acalmasse a multidão que se formava ali. Ela assentiu sem dizer palavra alguma. Seus olhos irradiavam puro medo e cada centímetro do seu corpo tremia, era natural, afinal, qualquer um ficaria assim após ver um cadáver — qualquer um menos eu. Eu já estava acostumado com corpos e sangue, era parte do meu trabalho.

Sem encostar no corpo, examinei com o olhar. Sua garganta fora cortada de modo bruto, fazendo com que a vítima se engasgasse com seu próprio sangue — provavelmente essa fora a causa da morte. Entretanto, havia também marcas de luta e feridas profundas em suas costas (muito possivelmente facadas).

Mas a pergunta que ecoava em minha mente era: como alguém entrou e saiu da cabine sendo que estava completamente trancada?

Saí do local e encarei as pessoas preocupadas que se encontravam diante da porta, uma por uma. Algum deles tinha feito aquilo.

Algum deles era o assassino que procurava.

Notas finais
Obrigada por lerem, tenham uma boa noite e até o próximo cap. ^^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.