Ferrou Sammy!
1 Capitulo 1 - Part. 2 - O verdadeiro inicio.
Uma pequena turbulência livrou Sammy de um pesadelo leve, nada que a surpreenderia, era mais um aviso de seu corpo dizendo: Vamos garota, seja forte! Eu também estou lutando.
Ela tirou os fones. Coçou os olhos e fez um nó no cabelo no topo da cabeça, não um coque, mas um nó mesmo. Ainda atordoada, olhou para seu lado só para se assustar com o que iria ver.
Uma garota de leves traços faciais. Seus lábios finos e levemente rosados estavam entre abertos e mesmo seu cabelo sendo tão curto, alguns fios se rebelavam e caiam em seus olhos. Era uma imagem perfeita. Ela estava tão imóvel que parecia uma pintura. Era surreal. Sua respiração era calma. Lenta. Suave. Seu peito descia em um constante ritmo e sua pele clara se destacava com aquela jaqueta de couro preta.
Sammy pensou que ia babar. Por pouco não babou.
Era uma sensação estranha, infantil, diferente. Ela queria parar de olha-la. Impossível. Queria descobrir a cor de seus olhos. Seriam castanhos tão escuros que criam um contraste com sua pele clara? Ou claros? Um azul-marinho ou um verde-grama? Ah, como ela gostaria de descobrir.
A única coisa que a tiraria daquele transe era sua fome, e foi isso que aconteceu quando sua barriga emitiu um rugido assustador. Ela não havia comido nada antes de embarcar e seu corpo reclamava disso. Com uma mão na barriga, Sammy esperou até que as aeromoças passassem com o carrinho de lanches não muitos gostosos, olhou para o lado e sacudiu a mão freneticamente na frente do rosto da garota certificando que ela realmente estava dormindo.
Ela tinha um plano e se ela acordasse estragaria tudo.
Uma aeromoça com tanta maquiagem na cara que mal conseguia sorrir sem deixar marcas perguntou se ela gostaria de lanchar alguma coisa. Sammy, o mais educada que conseguiu ser naquele momento, respondeu que queria o maior sanduíche que tivesse no avião e não um saquinho de amendoins salgados, até por que ela é alérgica a amendoins. E claro, um copo de suco, já que refrigerante lhe dava gases.
– Só isso? — Perguntou enquanto Sammy puxava a bandeja da poltrona a sua frente e colocava o sanduíche e o copo com suco com cuidado em cima. — Desculpa perguntar mas, ele é o que seu? — Apontou para a garota dorminda. — Não me diga que é namorado, por favor.
– É uma garota e sim, é minha namorada. — Sammy alargou um sorriso o máximo que pôde tentando parecer simpática, mas acabou se aproximando de uma psicopata. — Falando nisso, poderia pegar mais um sanduíche para meu Amor? Sei que ela vai acordar morta de fome.
A aeromoça, que agora não sorria mais e tinha a boca aberta em um perfeito O, entregou mais um sanduíche e lançou um último olhar para a garota que ainda dormia. Aquilo fez subir uma onda de irritação em Sammy, mesmo que ela não fosse absolutamente nada dela, isso não dava o direito da aeromoça olha-la tão perplexa.
"Que falta de noção!" Sammy pensou.
Mas preferiu ( E que bela escolha, por sinal) engolir sua irritação junto com aquele sanduíche frio com participação especial do suco quente. O que Sammy não imaginava era o tamanho da confusão que ela havia acabado de arrumar, e isso ela só descobrirá em algumas horas e irá piorar em alguns dias.
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