Fernando

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Uma história curta para passar o tempo. Quem aceita? Aproveite a leitura!

Fernando é meu nome, e isso não é uma confissão, pois para tanto, teria antes arrependimento, e isso com toda certeza não há. Que a morte é rápida eu sabia, mas que causá-la seria tão prazeroso, não. A expressão de perplexidade de meu irmão diante do irmão que o amava e o matava dizendo sempre odiá-lo. Os seus rápidos e últimos suspiros. Tudo vale apena. Tudo. Vê-lo morrer sempre foi um sonho. Porém nada se compara ao grandioso fato de ser eu a matá-lo. Se eu fosse até a polícia e confessasse meu crime e deixasse a grande charada para eles descobrirem, duvido que encontrassem a resposta certa. A charada seria: Qual o motivo para Fernando, um homem rico, bonito e quase perfeito ter matado o seu irmão Ferdinando?

Suponho que eles pensariam em vingança moral. Pois investigariam e descobririam que Ferdinando teria um relacionamento amoroso com nossa irmã mais nova, e eu seria a única pessoa a descobrir não contando nada a ninguém e resolvendo a questão do meu modo. Resposta errada. Eu diria para eles e adicionaria um "investiguem mais, meus queridos'.

Pensariam que eu fui ganancioso, ambicioso, interesseiro porque matei meu pacífico irmão por não querer dividir a herança de nosso pai, quando o mesmo sucumbisse à inevitável morte. E diriam que em seguida que eu planejava matar minha doce e adorável irmã, ficar com tudo que meu pai construiu com esforço, suor e blá-blá-blá.

Pensariam que sempre tive inveja de meu irmão e o matei para ser o único filho homem, o seu sucessor e o único filhinho amado do papai. Entretanto, quando meu pai, tios e amigos da família fossem interrogados, diriam que eu não era invejoso e estava muito longe disso. Todos que conhecem nossa família sabem da relação de completa afeição entre os irmãos Castilhos, da cumplicidade e afinidade, da real e admirável relação de fraternidade. Eu, Fernando, minha irmã Fernanda e meu irmão Ferdinando, éramos o trio perfeito. Os herdeiros do viúvo e um dos mais sucedidos pintores de sua época, Ferdinando Castilhos. Eu sempre soube que Ferdinando, meu irmão, seria um problema. Pois o fato de ser o primogênito e carregar o nome de nosso pai seria motivo de dor de cabeça para mim. Meu irmão era um tipo de homem bom, honrado, exemplar. Ele como filho de um homem tão rico poderia ter o melhor carro para trabalhar ou até mesmo nem trabalhar, não só fazia questão de trabalhar como de ir de táxi para o seu honrado trabalho conseguido pelos seus méritos, e não pelo prestígio e dinheiro do papai. Ferdinando sendo um filho e homem tão bom estava aos olhos de nosso pai merecedor de ser um de seus herdeiros. Ninguém precisou me dizer isso, eu conclui com minha hábil inteligência. Ferdinando sendo tão merecedor do dinheiro do papai querido, os outros filhos teriam que ser bons também. Ferdinando, o bom samaritano, levou eu e minha irmã na sua correnteza de bondade. Se era tão bom filho, desapegado aos bens materiais e só cultivava paz e amor no seu grandioso coração, nós — eu e minha irmã — não poderíamos ficar atrás — não se quiséssemos aos olhos de nosso pai sermos merecedores de seu patrimônio.

Porém, nenhuma resposta ou solução para a tal charada seria correta, certa, positiva, adequada. Hipóteses e verdades seriam formuladas e aceitas para a boa reputação da polícia e o comprimento da justiça aos olhos da família Castilhos, amigos e sociedade.

Mas, a verdade mesmo contida na explicação para o ato de matar o próprio irmão vai além de questões morais, sanguíneas, sentimentais. Vão para o âmbito da família a verdadeira, a qual escolhemos — e que nos pede sacrifícios, testes, para provar nossa fidelidade. Família. A qual me refiro uns chamariam de grupo, outros de ordem, mas eu chamaria apenas família. A qual nunca saberão o nome. Nunca saberão quem matou Ferdinando. Nem da forma que morreu. Porque há mais escuridão no coração de um homem do que se imagina, e os ingênuos sempre têm a desculpa da ignorância para terem os corações apaziguados e as mentes sãs.

Notas finais
Boa leitura, galera! Senhorita SM
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!