Fernanda E Caio - O Político.
21 Capítulo 21
Cada Vez mais o comboio de Fernanda e Tiago se aproximava mais do complexo de escritório de Caio. Fernanda estava calada pensando no que faria quando encontrasse Henrique. Com a raiva que ela estava sentindo, temia que sua emoção a dominasse e acabasse cometendo um ato de injustiça. Ela não se perdoaria jamais se isso viesse a acontecer.
– Nanda, eu...
– Tiago... – Fernanda suspirou ao ver o rosto preocupado do amigo – Eu não vou te pedir para ser menos do que você realmente é.
– Mas...
– Não! – Fernanda falou quase sussurrando. Tiago ficou analisando a amiga por um tempo. Por fim se deu por vencido. Ele deveria confinar no senso forte de justiça que Fernanda tinha. Mas, pela primeira vez em sua vida, ele não saberia como agir, caso fosse preciso. Isso o perturbava.
Por fim, eles entraram pelos portões do complexo. De longe Fernanda reconheceu o carro de Henrique. Seu coração disparou. Sabia que estava a poucos passos de seu marido. Como será que ele estava? Rezava para que Henrique não o tivesse machucado muito. Porém, Fernanda sabia que qualquer dor física seria o menor das dores de Caio. Ela tinha certeza que, o que estava realmente ferido era seu orgulho.
Fernanda ficou ainda um bom tempo sentada dentro do carro antes de colocar uma perna para fora. Quando o fez, avistou de longe um Henrique com barba por fazer, roupas amassadas e um pouco sujas de sangue. Sangue que ela sabia que era de Caio. Henrique se aproximou deles sorrindo. Uma raiva foi subindo pelo corpo de Fernanda, o que a fez segurar forte na arma. Tiago, percebendo, chegou perto dela e delicadamente colocou sua mão em cima da dela. Ele não a deixaria passar por isso sozinha.
– Ora, ora, vejam só quem os bons ventos do Norte trouxeram para mim... Fernanda, como sempre deslumbrante.
– Onde está o Caio?
– Calma, vamos primeiro conversar mais sobre...
– Henrique, use o bom senso... – Marcelo falou saindo de um terceiro carro, desarmado.
– Ora Marcelo... Sabia que você não era de confiança, mas você nos traiu cedo demais. O que foi? Não suportou ficar contra o seu grande amor?
– Não é nada disso, você precisa de tratamento e...
– Tratamento você diz? E quem é a grande responsável por isso? É essa mulher. – Henrique se descontrolou por um momento e Fernanda notou o quanto ele era parecido com o pai. Uma bomba relógio prestes a explodir.
– Me fala onde o Caio está? – Fernanda falou para Henrique.
– Ele... Está no prédio gatinha.
– Onde? – Fernanda estava perdendo a paciência. – Me mostra onde você deixou meu marido.
– Fernanda, calma, é isso que ele quer. Que você perca a calma e faça uma besteira.
– Mas Tiago...
– Vocês estão me cansando. Você quer saber onde está seu querido marido? Venha comigo. SOZINHA! – Henrique falou ao notar que Tiago começou a caminhar. Isso o fez parar instantaneamente.
– Não vai acontecer, Henrique. – Marcelo falou chegando mais perto dele.
– Ora, cale a boca. – Henrique falou atirando em Marcelo. Ele caiu instantaneamente. Fernanda soltou um grito correndo até onde ele estava.
– Marcelo? Meu Deus... Marcelo...
– Inconsequente professor...
– N-Não deixe ele te vencer. – Marcelo falou tossindo.
– Não fala nada, você precisa agora ficar calado.
– O... O pai dele... Ponto... Fraco.
– Por favor... Não fala nada. – Fernanda estava lagrimando.
– Tão... Linda... – Foram as últimas palavras de Marcelo.
Fernanda e Tiago ainda ficaram um tempo com o corpo inerte do seu antigo professor. Após fechar os olhos dele e enxugar suas lágrimas, Fernanda levantou olhando direto para Henrique.
– Assassino. – Ela falou baixo, mas Tiago pode sentir toda a raiva que Fernanda estava tentando esconder.
– Ele não era importante. Então, vem comigo ou não?
– Henrique eu...
– Sim, eu sou! – Fernanda falou cortando Tiago.
– Não... Eu não vou deixar você fazer isso.
– Tiago... Eu preciso. É meu marido.
– Nanda... – Tiago apenas beijou Fernanda. Não era um beijo apaixonado, era um beijo terno, delicado. Coisa que a Fernanda nunca sentiu na vida. – Por favor, fique viva. – Ele falou em seu ouvido.
Foi com uma dor no coração que Tiago viu Fernanda se aproximar de Henrique. Naquele momento, ele jurou que se Fernanda não saísse viva, ele mataria Henrique, nem que isso levasse toda a sua vida.
– Sábia decisão. Seu marido sabe que ele é apaixonado por você? – Henrique falou calmo assim que ela chegou perto dele.
– Me leve logo para onde ele está.
– Claro, princesa. Por aqui. – E deixando Fernanda passar na sua frente, Henrique fecha a porta para a vida lá fora.
Fernanda se viu em um corredor diferente, sem janelas, paredes cinzas. Um local que ela nunca havia entrado ou estado nas vezes que visitou Caio.
– Henrique... Que lugar é este?
– Um local que meu tio encontrou numa das vezes que veio por aqui. Ele encontrou várias salas inutilizadas. No final foi de boa ajuda. Ele escondia as garotas aqui dentro. E o melhor... Debaixo do nariz do seu marido.
– Parece o Tártaro. Corro o risco de dar de cara com Os Titãs?
– Os... Por que diabos eu traria os titãs pra cá? – Henrique perguntou surpreso.
– Típico. – Fernanda falou revirando os olhos ao notar que ele não entendera a referência.
– Como?
– Você. É como seu pai.
– Como... Como ele era? – Ele sussurrou após alguns minutos calados.
– Você não se lembra? – Fernanda estava genuinamente espantada. – Você não era tão menino quando...
– Você o matou?
– Bem, ele tentou me matar primeiro. Bem, ele era erudito... Até certo ponto. E quando eu conheci já era um ótimo juiz.
– Graças a você, eu quase não tive contato com ele. Ele vivia fora de casa. Eu tinha que cuidar da mamãe que cada vez mais ficava doente. E a minha irmã era muito pequena para entender o que estava acontecendo.
– Sua irmã, ela...
– Está terminando o colegial na Suíça.
– Suíça? – Fernanda perguntou aliviada.
– Jamais mandaria minha irmã para Amsterdã. Eu não sou um monstro. Só quero você morta.
A naturalidade com que Henrique falou deixou cada pelo do braço de Fernanda arrepiado. Cada vez mais eles entravam no local. Ela jamais poderia imaginar que isso existia debaixo dos escritórios do complexo. Henrique abriu uma porta e Fernanda enxergou um corredor com várias portas cinzas numeradas.
– Não, não vou mandar matar você atrás do deposito químico.
– Pena. Eu estava disposta a isso.
– Pare. – Henrique ordenou de repente.
– Número V? Sério?
– Eu quis a trilha sonora também, mas como você pode notar, me falou tempo.
– Faltou tempo também para escolher o prédio a explodir.
– Ah não, minha querida, este tem sim. – Henrique falou abrindo a porta. — Entre.
O cubículo estava escuro, mas mesmo assim Fernanda enxergou Caio caído no chão de costas para a porta. De onde ela estava pôde ver que ele estava com vários hematomas pelas costas. Lágrimas começaram a cair incontrolavelmente ao vê-lo neste estado. Correu para onde ele estava.
– Caio... Caio? Caio, acorda. – Ela falou virando-o pra ela. Ele estava com um corte feio na sobrancelha, mas aparentemente estava bem.
– Nanda? – Ele perguntou baixo. – É.. É você mesmo? Você é real?
– Claro... Claro que sou real. O que fizeram com você? Eu estava com medo de que você...
– Ei, ei menina, para com isso. Você ainda vai ter que me aturar por algum tempo.
– Amor... Argh. Coisa de gente fraca. – Henrique falou de fora da cela olhando pra os dois. – Por isso que foi tão fácil derrotar vocês dois.
– Henrique... Se você tocou num fio de cabelo dela...
– Calma Romeu. Eu cumpri a minha promessa. Não toquei nela. – E fechou a porta deixando os dois sozinhos.
– Ele me dá nos nervos. Ei... Calma, tenta não se mexer muito.
– Você não entende como eu estava preocupado... – Caio foi surpreendido com um abraço forte de Fernanda. – As primeiras horas foram... Agora está apenas suportável. Você aqui torna tudo muito melhor. – Ele falava baixo.
– Como... Como aconteceu? – Fernanda perguntou olhando pra ele ainda lagrimando.
– Fomos pegos desprevenidos. Rui estava contando o quanto a nova boate seria perfeita e... O Rui, ele? – Ele falou afagando o rosto dela enxugando as lágrimas.
– Ele está fora de perigo. Ainda na UTI, mas fora de perigo.
– Eu deixei a emoção me guiar quando o vi caindo na minha frente. Fui um alvo fácil. – Ele falou levantando.
– Ei, você ainda não está em condições de ficar em pé.
– O que eu não tenho mais condições é ficar aqui. E agora? Tenho que levar minha menina em segurança para casa.
– Mas como vamos fazer isso amor? Aqui não tem janelas, a única porta está trancada, e mesmo que saíssemos... Aquele corredor parece um dos corredores do Tártaro.
– Sim, mas pelo que eu sei, Hefestos também fez um caminho para que ele pudesse sair em segurança, já que o mesmo fez o labirinto de fora para dentro.
– Amor isso aqui não é...
– A gente só tem que encontrar essa saída secreta.
– Como?
– Na sala de interrogatório.
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