Fernanda E Caio - O Político.
16 Capítulo 16
Caio e Thiago encontram com Tião que já está esperando por eles a algum tempo. Ele avisa que será um pouco difícil encontrar, mas que o Zé tem uma lista das lanchas que atracaram naquela noite. Eles saem a procura de Fernanda.
Na lancha Aguiar deixa Fernanda apenas com calcinha e sutiã. Ele segura os braços de Fernanda por cima da cabeça dela e começa a tirar seu sutiã com os dentes. Ela começa a se debater tentando se soltar.
Aguiar morde o ombro de Fernanda que grita de dor. Ele rasga o sutiã dela e com umas das mãos toca de maneira rude em seus seios. Fernanda grita por socorro o mais alto que consegue. Irritado, ele dá um soco no rosto de Fernanda que fica desacordada por alguns minutos.
Na Marina, Caio, Thiago e Tião procuram lancha por lancha por Fernanda. Caio sabe que eles precisam agir rápido, pois a sorte dela pode não durar muito.
– Droga, onde que ele escondeu essa maldita lancha?
– Não sabia que essa marina era tão frequentada assim. Tião, tem certeza que é por aqui?
– Sim, o Zé falou que as lanchas ancoradas no dia de hoje ficaram neste setor. Geralmente aqui ficam as lanchas que ele não pede credencial, se é que vocês me entendem.
– É mas você tem que entender que...
– CALEM A BOCA! – Gritou Caio de repente.
– O que foi que...
– Cala a boca Tião. – Os três ficaram em silêncio por um tempo. Foi o tempo necessário para que os gritos de Fernanda recomeçassem.
Caio saiu correndo e atrás dele Thiago, que estava avisando para Matheus onde eles estavam. Tião vinha logo atrás. Eles chegaram em menos de dois minutos à lancha. Lá os gritos de Fernanda estavam mais altos. Caio sem raciocinar direito, sai correndo atirando nos seguranças que estavam vigiando a lancha.
Dentro do quarto, Aguiar escuta os tiros. Enrolando Fernanda num hobby que estava perto, ele sai com ela do quarto. Lá de fora, Aguiar consegue reconhecer Caio em uma das pontas e Rui chegando pelo outro lado.
– Olha, não é que o maridinho veio para salvar a princesa. – Ele falou rindo. – Coitado, ele não sabe que você é minha? – Ele falou baixo no ouvido de Fernanda que sentiu ânsia de vômito.
– Se você tem apego a sua vida, Aguiar, você vai me soltar agora. – Fernanda estava tentando argumentar com ele em vão.
– Soltar minha mais recente fonte de renda? Você só pode estar louca. Vem, vamos dar as boas-vindas ao seu maridinho.
Enquanto isso, Caio consegue entrar na lancha depois de um descuido de um dos seguranças. Logo ele e Rui começam a procurar Fernanda. Não demorou muito e eles a encontram com Aguiar. Ele estava com um revolver apontando direto para a têmpora de Fernanda.
– Você é um covarde mesmo Aguiar. Fazendo a Fernanda como escudo humano? Você não é digno de ser chamado de homem. – Rui falou com a arma apontada direto para ele. Caio estava até então calado apenas olhando direto para Fernanda que fazia o mesmo.
– Que bonitinho... O herói veio salvar a mocinha do vilão malvado, foi? – Ele aperta mais o revolver na cabeça de Fernanda quando vê Caio se aproximar mais. – Se eu fosse você, não faria isso. Eu costumo não errar um tiro de longe imagina de tão perto assim.
– Amor... Desculpa. – Fernanda começou a falar. – Eu me descuidei.
– Você não tem que pedir desculpas, Nanda. Que marca vermelha é essa no seu rosto? Aguiar, seu idiota, você... Você...Eu vou matar você. – Caio estava andando lentamente em direção a eles falando com um ódio na voz que Fernanda nunca havia visto.
– Nossa, tocante. Mas muito meloso isso de vocês. Amor... Deus, os seres humanos ainda não aprenderam nada? Amor? Maior fraqueza humana. E sim... Eu... Digamos dei uma lição nessa sua mulherzinha. Ela estava me tirando do sério, não parava de chamar por você e...
– Você fala isso porque nunca se apaixonou na vida. – Fernanda falou segurando o braço de Aguiar para não se sufocar, interrompendo-o.
– Pra quê? Pra ficar como o idiota do meu irmão? Que acabou com a vida dele por causa dessa vagabunda? Não. Meu irmão era um fraco. Eu? Eu sou forte. Eu vou vencer, e eu vou fazer o que ele não conseguiu.
– E o que seria? – Caio perguntou. Fernanda notou pela voz do marido que estava na hora de agir. Aguiar estava distraído o suficiente com a conversa.
– Acabar com a sua vida Caio. Através de Fernanda. Você matou meu irmão, agora eu vou acabar com a sua vida. Você numa mais verá sua mulher.
– Seu irmão que era um fraco. Não soube dar valor à mulher que tinha nos braços. Sempre a deixava sozinha, sempre dando bolo. Ele NÃO merecia alguém como a Fernanda.
– Meu irmão NÃO ERA FRACO.
– Ah não? Além de fraco era idiota. Achou que se unindo a um traficantezinho babaca iria conseguir conquistar a Fernanda. Ela é mulher para ser tratada com carinho, amor e TODA atenção que seu irmão não sabia dar. Eu, pelo contrário soube fazer. Soube mostrar a Fernanda o que é um homem de verdade, não um fraco como seu irmão.
Com a conversa, Aguiar teve um momento de descuido. Nessa hora Fernanda pisou forte no pé de Aguiar que gritou de dor deixando-a solta. Ela começou a correr em direção de Caio e Rui. Aguiar, vendo a cena aponta a arma para as costas de Fernanda. Caio, sem muito tempo para pensar, se joga na frente da mulher recebendo o tiro no ombro esquerdo.
Ao mesmo tempo, Thiago e Matheus começaram a atirar na direção de Aguiar. Uma das balas acertam Aguiar no peito que cai morto. Fernanda ainda se vira e vê Caio no chão sangrando. Ela se desespera correndo até ele.
– CAIO... Caio, amor... Acorda... CAIO... Não... Não... – Fernanda se abraça com ele.
Thiago chama uma ambulância que chega vinte minutos depois ao local. Caio perdeu muito sangue. A bala ficou alojada perto do coração, mas não o atingiu por milímetros. Mesmo assim, ele entra em operação. Fernanda, Rui e Tião ficam no hospital. Ana chega e Fernanda se abraça com ela chorando, tremendo. Ainda toda suja com o sangue do marido, Ana a leva para casa para poder tomar um banho.
Durante o caminho, Fernanda fica calada. Fica abraçada com a camisa suja com o sangue de Caio. Chorando baixo. Ana dirigia no limite da velocidade. O que elas menos precisava agora, era de blitz policial xeretando porque aquela camisa estava suja de sangue.
– Calma, segundo Rui me falou, o médico que está operando o Caio é o melhor que existe no país.
– Por que... – Fernanda falou baixinho.
– Porque, o quê?
– Estava tudo tão calmo, tão tranquilo, estávamos bem... Num momento ótimo, Ana. Quase não brigávamos...
– Essas coisas a gente não sabe porque acontecem, Nanda...
– Agora ele está numa mesa de operação...
– Ele VAI sobreviver, entendeu? – Ana falou parando o carro na entrada da casa deles, lagrimando. Fernanda apenas balançou positivamente a cabeça.
A cirurgia demorou cerca de quatro horas. Caio entrou em coma e os médicos não sabiam como ele iria reagir. Fernanda, depois de cerca de duas horas, volta ao hospital para passar a noite lá, recusando qualquer ajuda que lhe é oferecida.
Ela ficou olhando o marido por um vidro que tem separando a UTI dos outros cômodos. De longe o via em coma. Não conseguia evitar de as lágrimas caírem. Se sentia inútil nessa hora por não poder fazer nada para mudar essa situação.
– Não me deixa sozinha. Por favor. – Ela começa a falar baixinho. E ali mesmo ela começa a rezar. Coisa que há muito, muito tempo não fazia. Ana estava ao seu lado a abraçando. Fernanda a abraça forte molhando um pouco sua camisa. Thiago chegou ao hospital quando estava amanhecendo. Não queria deixar Fernanda sozinha. A vê ainda em pé perto do vidro. A abraça.
– Como é que ele está? – Fernanda apenas começa a chorar.
– Ele está em coma, Thiago. Os médicos não podem mais fazer nada. Agora temos que esperar que ele se recupere. – Ana falou. Thiago sabia que ela estava exausta. Ele sabia também que ela não sairia de perto de Fernanda.
– Nanda, olha, ele vai se recuperar, entendeu? Ele VAI acordar. Ele não vai deixar você sozinha. Nem a Cris. Você confia em mim, não é?
– Thi ele... Ele... Ele ficou na minha frente, ele recebeu o tiro por mim... Aguiar? – Thiago notou uma expressão no rosto de Fernanda de medo, pavor, coisa que nunca havia visto na amiga.
– Morto. O esquema dele foi todo desfeito. Outros envolvidos já estão presos.
Eles vão para uma sala afastada da UTI. Fernanda ainda não havia comido nada desde a noite passada e Ana e Thiago estavam no momento superprotetor. Nesse momento o médico que operou Caio chega na sala em que eles estão. Fernanda, Ana e Thiago se viram para ele e o esperam fechar a porta.
– Bem, olá a todos. – Fernanda notou o cansaço no rosto do médico. Ela notou também uma ruga de preocupação em sua testa. Sentiu um arrepio passar pela sua coluna.
– Então doutor, como ele está? – Ana perguntou aflita.
– É cedo para dizer, mas...
– Cedo? O senhor está me dizendo que passou a noite medicando o meu marido e me diz que é cedo? – Fernanda estava entrando em colapso nervoso.
– Nanda... Calma... Deixa ele falar. – Thiago abraçou suavemente sua amiga.
– Como ia dizendo, é cedo para dizer, mas tiramos os sedativos. Estamos esperando que ele acorde o mais rápido possível. Ele perdeu muito sangue a bala estava num local complicado, mas conseguimos retirá-la.
– Ele vai se recuperar?
– Quer saber se ele vai morrer? Não. – O médico falou sem prestar muita atenção ao que estava fazendo. Fernanda, ao escutar a palavra ‘morte’ se desequilibra um pouco sendo aparada por Thiago.
– Doutor, cuidado como fala. O senhor pode estar acostumado com isso...
– Ele vai ficar bem. É só o tempo de passar o efeito dos remédios. Vamos torcer para que ele acorde.
O médico sai da sala quase no mesmo instante que apareceu. Rui, Thiago e Ana ficaram na sala com Fernanda. Perto da hora do almoço, Rui perguntou se Fernanda não queria ir com eles, mas ela disse que preferia ficar no hospital, não queria sair de perto de Caio.
Thiago ainda fez companhia para ela o máximo que pode. Porém, Matheus ligou por volta das duas da tarde pedindo que ele fosse encontrá-lo para terminar o relatório. Fernanda ficou sozinha no hospital. Foi um dia inteiro e uma noite inteira velando o marido, olhando pela pequena janela.
Logo nas primeiras horas do dia seguinte, Caio começou a despertar. Sentiu uma dor enorme no corpo todo e mal conseguia se mexer. Aos poucos começou a lembrar do que havia acontecido. A primeira pessoa que perguntou quando despertou foi por Fernanda. O médico logo a deixou entrar.
– Aqui está ela. Você tem sorte, meu amigo. Ela não saiu de perto de você um minuto sequer.
– Obrigada doutor. Oi! – Ela falou sorrindo depois que o médico se afastou.
– Desculpe... Deixei você preocupada.
– Não fale muito. Você agora tem que se recuperar.
– Dessa vez não vou poder fugir dos remédios, não é?
– Não.
– O Aguiar... Ele...
– Ei... Não se preocupe com isso agora, sim? Você deve estar com uma dor enorme no corpo. Quer um pouco de água?
– Quero sim. A Cris sabe que estou aqui?
– Não.
– Melhor que seja assim mesmo.
– Eu amo você! – Fernanda falou com lágrimas nos olhos. – Pensar que pude perder você...
– Ei doutora, não pense isso, você ainda vai ter muito trabalho comigo. – Caio falou olhando para os olhos dela sorrindo.
Ela ficou cerca de meia hora na UTI. Era o máximo que as pessoas podiam ficar. Depois teve que sair. Aproveitou que já havia visto e falado com seu marido, foi em casa, tomou um banho demorado, trocou de roupa, comeu um pouco. Não estava com muita fome. Deitou para descansar e adormeceu só acordando no dia seguinte.
Depois de dois dias na UTI, Caio foi transferido para um quarto. Seu estado ainda pedia cuidados apesar de estável. No quarto Fernanda teve mais liberdade, podia trazer frutas que Maria escolhia para ele.
– Vamos amor, foi a Maria quem escolheu.
– Quero mesmo é sair desse hospital. Quero ir pra casa.
– Calma, você tem uma recuperação rápida. Logo eles vêm aqui liberar você.
– O Aguiar, ele...
– Está morto. Thiago e Matheus encerraram o processo. Eles pediram ajuda da Interpol para descobrir o local exato dos bordeis de Aguiar na Europa.
– Henrique?
– Aqui no Brasil ele não está. A polícia tem um pedido de prisão dele. Quando ele pisar no país, vai preso.
Depois de duas semanas, Caio pôde voltar pra casa. Fernanda tratou de montar um quarto no térreo da casa, já que ele estava proibido de subir escadas. Quem ficou feliz foi Maria. Assim ela pode cuidar de seu menino melhor.
Enquanto Caio se recuperava, Henrique estava sumido. Mas não seria por muito tempo.
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