Fernanda E Caio - O Político.
15 Capítulo 15
Fernanda acordou lentamente, e de onde estava notou que estava em uma lancha.
– Típico. – Falou baixo se levantando.
Olhou o relógio e viu que passava das nove da noite. Caio já deveria ter chamado a Swat para ajudar a procurá-la. Ao olhar o celular, viu que ainda estava sem sinal. Isso não era bom sinal. Olhou ao redor e, diferente de anos atrás, suas acomodações eram luxuosas. Havia uma pequena geladeira onde procurou água. Não havia nada.
Se virou e olhou que em cima da mesa, havia todo tipo de comida. Só nesse momento notou o quanto estava com fome. Provou um pedaço pequeno de carne. Comível. Sentou-se e comeu de tudo um pouco. Só não tocou na água. Pegou o copo e tomou direto da torneira. Não era nada agradável, mas melhor isso que ficar com sede. Suspirou. Estava com saudades de Cristina e de Caio mais do que qualquer coisa. Não via a hora disso tudo acabar e voltar para a sua família. Olhou para uma foto pequena que sempre carregava num pequeno camafeu em sua pulseira.
Na foto, uma Cristina sorrindo no colo de Caio olhava diretamente pra ela. Pela primeira vez, depois de dias, sentou-se na cama e chorou. Chorou até sua cabeça doer. Mas não poderia ser fraca, não agora que eles estavam a um passo de prender Aguiar. Levantou, entrou no banheiro e tomou um banho demorado. Estava se sentindo suja e um banho sempre a fazia melhorar o humor, seja em que situação estivesse. Pegou uma roupa que estava pendurada num pequeno armário e sentou-se na cama para pensar seu próximo passo.
Ouviu os passos de Aguiar e olhou pela pequena janela. Estavam parando. Isso poderia significar sinal no celular. Viu que o celular estava bem escondido e esperou.
– Boa noite, bela Aurora. Pensei que não fosse ter o prazer de sua companhia hoje.
– Onde estamos?
– Paramos para comprar algumas coisas para uma longa viagem. Quer alguma coisa?
– Água.
– Água, mas você nem tocou... Ah claro, pensou que colocamos alguma coisa nesta água. Esperta. – Ele falou sorrindo pra ela. Fernanda não respondeu. – Tudo bem, comprarei água. Deixarei três dúzias aqui para você e mais três, sob ordens minhas de não mexer, na cozinha. Quer mais alguma coisa?
– Voltar pra casa?
– Infelizmente, meu anjo, isso não será possível. – Ele ficou olhando para Fernanda por um bom tempo. – Sabe, estou achando você bastante calma.
– Já passei por algo assim antes, a diferença era que minhas acomodações agora estão bem melhores.
– Meu anjo... Você está pensando que seu marido, ou melhor, ex-marido virá lhe salvar? Ele não vem, minha querida, desista. – Fernanda apenas suspirou. – Então, quer mais alguma coisa?
– Livros. De preferência, policiais.
– Li-vros ? – Aguiar pareceu surpreso.
– É, geralmente é um objeto retangular, com folhas e nas folhas, letras. Sou conservadora, não consigo admitir essa modernidade de histórias em aparelhos eletrônicos.
– Eu sei o que é um livro. – Falou Aguiar consternado diante da ironia de Fernanda. – Verei o que posso fazer... Não entendo como meu irmão podia gostar de uma pessoa assim. – Fernanda ouviu Aguiar reclamando baixo ao sair do quarto. Ela não pode evitar de rir da situação.
Ela esperou a lancha parar completamente. Chegou perto da porta. Trancada como imaginava, mas de onde estava pôde escutar algumas coisas. Dentre elas que Henrique não estava com o grupo. Estava viajando. Isso era preocupante, mas depois veria isso. Olhou que algumas pessoas desembarcaram. Por hora não receberia visitas, o que era ótimo.
Pegou o celular e ligou. Logo os pontos de sinal ficaram verde. Olhou a bateria. Pela metade. Ficou com raiva dela mesma por não ter carregado completamente na noite anterior. Teria que economizar se quisesse falar com o marido o máximo que pudesse. Começou a mandar mensagem atrás de mensagem.
Caio, Rui Thiago e Matheus estavam tentando descobrir as coordenadas do localizador. Sabiam que ela estava indo rumo ao sul, porém nada mais específico.
Caio já estava irritado o suficiente para a incompetência da equipe. O que foi o suficiente para ele e Thiago quase irem às vias de fato se não fosse a interferência de Rui e Matheus. O que menos precisavam naquele exato momento era que a equipe desmoronasse por ciúmes... De ambas as partes.
O telefone de Caio começou a fazer barulho. Mensagens chegando a cada minuto. Caio olhou e seu rosto se iluminou. Era Fernanda.
“Estou em uma lancha. Estou bem. Eles pararam para abastecer em uma marina e comprar suprimentos. A bateria está pela metade, estou economizando. Estou bem. Henrique não está aqui.”
– Ela está bem. Colocaram dentro de uma lancha ancorada em uma marina para abastecer.
– Thiago, pegue o mapa com todas as marinas catalogadas ao sul da cidade, rápido. – Gritou Matheus.
– Matheus, tem uma coisa... Henrique não está entre eles.
– Como é? Isso é preocupante. Mas depois vemos isso. Peça a ela para conseguir mais informações, qualquer coisa é importante. O programa está quase conseguindo as informações, agora que sabemos que a lancha parou.
“Amor, sei que vai ser difícil, e que está economizando a bateria, mas tente conseguir mais informações.”
“Ok. Por favor, rápido.”
– Ela vai tentar. Matheus, vamos rápido, o quanto antes prendermos Aguiar, mais rápido terei minha mulher segura.
Fernanda levantou e olhou pela janela. Sabia que estava perdendo alguma coisa, sentia que conhecia aquele lugar. Sabia que já havia estado ali. Alguma coisa nele era familiar, mas ela não sabia lembrar o que. Escutou o piloto explicando que não teriam como sair àquela noite, pois uma tempestade estava se formando. Ficariam na marina até amanhecer. Caio teria tempo de encontrá-la.
– Que lugar é este? Eu sei que já estive aqui, mas... Quando?
Aguiar já havia voltado e estava falando ao telefone. Escutou o nome de Henrique. Abriu a janela para poder escutar melhor.
–... Sim, ela está trancada na cabine e não tem como fugir. Ótima ideia de trancá-la num quarto de um iate. Ela não tem pra onde fugir... Teria que passar pelos dois seguranças que estão guardando a porta... Não, passaremos a noite aqui... Você quer que nos afoguemos no meio de uma tempestade no mar?... Não, controle-se então... NADA pode dar errado... Não, o José não desconfiou de nada...
José? Onde Fernanda havia escutado esse nome? Ficou de um lado pro outro na cabine. Sabia que conhecia esse nome, que o escutara em algum lugar. Olhou para a janela novamente. Neste exato momento, um barco chegava para ancorar e ela pode ver parte da marina.
– “Caio, Fernanda, conheçam José. Se vocês tiverem problemas com a lancha de vocês, chamem esse cara que ele irá resolver QUALQUER problema que vocês tiverem...”
Tonta, Fernanda se lembrou que, anos atrás, eles dois foram apresentados a um homem de cara fechada, uma cicatriz no lado direito do rosto por Tião. José era o proprietário de uma marina. Não poderia ser coincidência, já que Tião avisou que a maior parte dos clientes de José não eram dos que a polícia consideraria seguros para a sociedade.
“Amor, procure Tião e peça o endereço da Marina do Zé Colmeia. Estou na marina dele.”
– MATHEUS... – Caio gritou.
– Qual informação?
– Acho que sei onde ela está. Vou ligar pra um amigo meu, ele vai ajudar. – Rui, de onde estava, soube que ele chamaria Tião. Ele mesmo tratou de chamar seus seguranças pessoais. Se o Tião era necessário, a situação poderia sair do controle e ele não queria que nenhum dos dois saíssem machucados.
Thiago olhou sério para Rui. Suas suspeitas estavam certas. Ele chamaria Tião, e neste caso, ele precisaria de reforço para a operação. Quando começou as investigações, jamais pensou que ela se tornaria em operação de guerra. Estava preocupado com Fernanda, mais do que qualquer coisa.
Caio voltou depois de uns minutos. O semblante dele não aparentava nervosismo, mas tanto Rui quanto Thiago sabiam que isso era apenas fachada. Ele estava queimando por dentro de preocupação com Fernanda. Nesse instante, o programa começou a emitir um sinal verde e imprimir várias páginas de coordenadas do local da lancha.
– Tudo pronto? Vamos então gente?
– Caio, antes de qualquer coisa, eu quero falar que...
– O que? Vai dizer como fazer “meu trabalho”, Thiago? – Caio falou irritado olhando pela terceira vez sua arma.
– Droga, deixe de ser cabeça dura apenas uma vez nessa porra dessa sua vida e me escutar? – Thiago agora estava gritando. O que se seguiu foi um silêncio onde todos estavam esperando ver Caio reagir violentamente. Caio apenas levantou a cabeça olhando tão surpreso quanto os outros. – Eu também estou preocupado com ela, e também quero esse canalha morto, mas temos que usar a cabeça antes da emoção.
– E eu posso saber o motivo? – Caio perguntou baixo, mas longe de estar calmo.
– Simples... – Thiago suspirou e falou calmamente. – Ele não é o Pedro...
– Não diga esse nome perto de mim. – Explodiu Caio apontando a arma para Thiago. Todos se assustaram. Alguns empunharam suas armas na direção de Caio.
–... E ele não hesitaria em matá-la. – Thiago falou olhando direto nos olhos de Caio sem baixar um tom sua voz.
Caio precisou ser amparado por Rui ao escutar as palavras de Thiago. Não havia imaginado o quanto sua mulher estava correndo perigo. Thiago tinha toda razão. Fernanda não morreu anos atrás por se tratar de Pedro. Ele estava doente de amor por ela, e não pensou em matá-la, mas Aguiar? Que via as mulheres apenas como mercadoria? Fernanda era apenas mais uma entre tantas e ele não pensaria duas vezes em se livrar dela, caso ela criasse algum problema.
– Ok. Dessa vez vou seguir seu esquema. Controlar os nervos. Ao menos vou tentar.
– Eu também me importo com ela. Vamos buscar sua mulher? – Thiago falou calmo colocando a mão no ombro de Caio.
Já passa das onze da noite e Fernanda ainda não conseguiu contato com Caio. Ela sabia que ele estava indo busca-la, mas estava preocupada com a demora. Pela janela vê Aguiar chegando à lancha.
Aguiar começa a beber e logo fica bêbado. Então resolve passar na cabine para falar com Fernanda. Ela, distraída tentando falar com Caio não escuta os passos de Aguiar. Ela pega o celular e tenta falar mais uma vez com Caio quando Aguiar entra de repente no quarto. Ao ver Fernanda com um celular na mão, ele se enfurece e parte para cima dela.
– Sua cadela, eu lhe tratando melhor do que uma rainha e é assim que você me retribui? – Ele falou enfurecido indo em direção de Fernanda que fica sem saber como reagir.
Ele tira o celular das mãos de Fernanda jogando-o pela janela. Neste momento Caio e os outros chegam à Marina.
– Sua vagabunda, agora você vai saber o que é ter um homem de verdade. – Aguiar a joga na cama e logo começa a tentar rasgar as roupas de Fernanda. Ela sem conseguir se livrar dele, começa a gritar.
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