Fernanda E Caio - O Político.
3 Capítulo 03
À noite Fernanda estava terminando a tarefa com a filha quando escutou o barulho do carro de Caio estacionando. Seu coração sempre batia forte ao vê-lo entrando e aparecendo na cozinha, mesmo cansado.
Neste dia, Caio estava particularmente animado. Aparentemente, a reunião havia sido um sucesso e ele havia conseguido os investimentos que tanto precisava para continuar o projeto.
- Boa noite! – Ele falou abraçando Fernanda forte.
- Nossa, amor... Você está me sufocando. – Fernanda falou tentando respirar.
- Oh amor, desculpe, mas eu estou muito feliz.
- PAPAI – Cristina chegou pulando no colo do pai.
- Como vai a minha princesinha?
- Tô bem. Tava fazendo a talefa com a mamãe. Hoje a gente blincou de jogar bola.
- “Estou bem. Estava fazendo a tarefa com a mamãe. A gente brincou de jogar bola.” – Caio falou corrigindo a filha que voltou a falar corretamente feliz. Cristina desceu do colo do pai, deu um beijo na mãe e foi para seu quarto.
- Por que tanta felicidade?
- Amor, eu consegui amor. Consegui os investidores. – Ele falou sorrindo rodopiando a mulher.
- Amor, que felicidade. – Fernanda falou beijando o marido.
- Estou muito animado. Eles falaram que vai ser um grande complexo e alguns até querem comprar salas.
- Já? – Fernanda perguntou colocando o jantar.
- Pra você ver como as coisas estão caminhando bem. E suas aulas?
- Foram normais, iguais. – Fernanda falou sem comentar sobre a reunião com o professor.
- O que minha rainha está escondendo?
- Não consigo esconder nada de você, não é? Depois do jantar conversaremos. Prometo.
- Tudo bem, meu amor. Vamos jantar primeiro que eu estou faminto.
Depois do jantar, Caio subiu primeiro para tomar um banho enquanto Fernanda terminava de arrumar a cozinha. Ficou pensando na forma que iria conversar sobre o processo, de alguma maneira, ela sabia que ele não iria concordar muito com isso. Ao terminar, subiu as escadas e encontrou o marido deitado esperando por ela.
- Achei que você não viesse mais, doutora.
- Desculpe amor, a arrumação da cozinha demorou mais do que eu havia imaginado – Ela falou entrando no banheiro para um banho rápido.
- Então, o que você tem pra me dizer? – Caio perguntou encostado na porta do banheiro.
- Um professor meu foi me visitar no cursinho hoje.
- O que foi? Ficou dando em cima de você? Ele não tem vergonha de cantar uma mulher casada?
- Calma amor, não é nada disso não. – Fernanda falou sorrindo terminando o banho.
- Eu que não sei. – Ele falou emburrado.
- Ele me fez uma proposta. – Fernanda resolveu ser o mais direta possível, caso contrário só pioraria as coisas.
- Que proposta?
- Sabe o sequestro das crianças?
- Ele quer que você tome conta disso? – Caio falou puxando a mulher para a cama.
- Quer que eu seja sua assistente, investigando mais sobre isso.
- Amor, eu não sei se isso é seguro.
Foi exatamente como Fernanda imaginou. Ao olhar para o marido, viu nos olhos dele, a preocupação e o medo. Ele, por mais prático que fosse não conseguiu esquecer o que eles passaram quando se conheceram, e quando eles se casaram, Caio prometera a mulher que nunca mais deixaria que nada de ruim acontecesse com ela. O instinto protetor aumentou quando Cristina nasceu.
- Caio seguro nunca foi, mas...
- Nunca me meti na sua vida profissional, sei que você é uma ótima criminalista e tudo, devo a você minha vida, mas...
- Ei... Eu vou ficar bem – Ela falou deitando em cima do marido.
- Se algo acontecer a você...
- Shiu... Agora não quero discutir sobre isso. – Fernanda falou beijando o marido sem deixá-lo terminar. A noite de amor foi uma das mais intensas que ambos tiveram.
Caio naquela noite demorou a dormir, ficou olhando a mulher deitada ao seu lado dormindo calmamente. Acariciou o contorno de seu corpo no lençol. Não iria se intrometer no trabalho da mulher, mas iria pedir aos seus seguranças que dobrassem os cuidados com ela. Aquele caso não era dos mais seguros para uma mulher, principalmente se essa mulher fosse a dele.
Na manha seguinte a noite mal dormida estava estampada no rosto de Caio. Fernanda sabia da péssima noite, pois sentiu seu marido se remexer enquanto dormia. Carinhosa deixou-o dormindo um pouco mais de tempo pela manhã. Contou à filha que o papai estava um pouco dodói e Cristina prometeu, assim que chegasse do colégio, cuidar dele.
- Então filha, preparada para passar o final de semana na casa da vó Inês.
- Sim, a vó disse que eu vou poder fazer o que eu quiser...
- É... A vó gosta é de mimar você! – Falou Fernanda fazendo cócegas na filha.
- Bom dia, meus tesouros.
- Papai... Eu vou passar o final de semana na vó Inês...
- Sim filha, preparada para comer um monte de besteiras até a barriguinha doer? – Caio começou a fazer cócegas na filha também que ria alto.
- Se ela der besteiras para a minha filha comer, eu mato a Inês. – Falou Fernanda rindo depois de beijar o marido.
- Você sabe como ela é. – Caio falou sorrindo.
Caio, mais relaxado tomou seu banho, levou a filha para o colégio e foi trabalhar. No trabalho resolveu fazer uma surpresa para a mulher. Um final de semana longe do caos seria bom para eles e para seu casamento. Enquanto terminava de fechar a reserva, Caio vê o carro do senador chegando. Achou estranho e olhou na agenda. Nenhuma reunião marcada.
- O que será que esse homem está querendo agora? – Caio perguntou para si mesmo.
O senador entrou em sua sala segundos depois do pensamento. Sempre o mesmo sorriso e a empatia ocorreram novamente. Ele sentou-se na poltrona a sua frente após um aperto de mão acalorado.
- Senador, que bons ventos o trazem?
- Quero lhe falar sobre seus escritórios.
- O senhor achou algum problema?
- Problema? Não meu filho, nenhum. Quer dizer, você poderia ter feito as salas menores, mas fora isso nenhum.
- Minha mulher sempre me avisou que eu sou exagerado mesmo. – Falou Caio às gargalhadas.
- Eu quero comprar quatro salas. – O Senador falou sério sem desviar o olhar de Caio.
- Senhor, quatro salas valerão...
- Eu estou por dentro dos preços e para lhe ajudar na construção, investirei 20% mais do que foi acordado ontem.
Caio sabia que ele estava falando sério. Ele já havia vivido o suficiente para saber que o Senador não estava brincando. A dúvida dele não era ele estar comprando as quatro salas, mas por que. E ele iria descobrir.
No cursinho, em sua sala, Fernanda estava estudando o processo quando seu telefone toca. Era um número desconhecido e assim que atendeu, reconheceu a voz de seu professor. Aparentemente, o prazo de uma semana não estava valendo.
- Então o que achou do processo?
- Complexo.
- E...
- Estou dentro.
- Eu sabia. Depois conversaremos sobre como será seu trabalho.
Fernanda não conseguiu dizer não. Era grande demais, misterioso demais e tentador demais para que ela pudesse resistir. Naquela tarde, ao chegar em casa depois de ir buscar Cristina e ajudá-la no almoço e exercícios, se trancou no escritório e começou a estudar. A advogada criminalista estava de volta.
Á noite mal teve tempo de conversar com o marido que chegou animado. Cristina já estava pronta para ir para a casa de Inês e assim que saiu, Caio se antecipou.
- Tenho uma surpresa para a minha mulher. – Ele falou a abraçando.
- O que é?
- Um final de semana inteiro num hotel fazenda só pra nós dois, que tal?
- Sério? – Fernanda perguntou animada.
- Sim, doutora. As reservas estão feitas para ainda hoje. Ele não é tão longe assim e dará para irmos de carro, que me diz?
- Quando podemos ir?
- Agora mesmo.
Os dois arrumaram uma sacola para apenas um final de semana e partiram para seu final de semana de lua — de — mel. Não precisariam de muitas roupas, pois a intenção de Caio era de quase não saírem do quarto. Eles não sabiam, mas a partir daquele instante, momentos como estes ficariam cada vez mais raros.
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