Notas iniciais
A vida encontrou seu próprio ritmo para a criminalista Fernanda e agora seu marido Caio. Após os eventos de quatro anos atrás, os dois encontraram enfim a felicidade que tanto estavam procurando. O amor deles crescia mais a cada dia.

- MAMÃE... – Cristina gritou entrando correndo na cozinha.

- CRISTINA COSTA... Quantas vezes eu tenho que falar pra você para não entrar correndo dentro da cozinha desta forma?

- Disculpa mamãe, quelia saber se o papai já chegou.

- É filha, papai está demorando, não está?

- A escola dele é difícil?

- Um pouco filha, mas ela logo vai acabar não vai?

- Vai... E aí ele vai chegar cedo... – Falou a menina rodopiando na cozinha com seu vestidinho rosa.

Caio estava tendo uma prova de estatística. Passou a semana estudando e estava uma pilha de nervos. Fernanda sabia que o casamento era difícil, mas não imaginava que o marido fosse tão nervoso quando estava estudando. Resolveu dar todo apoio, afinal de contas, ela mesma havia dado a maior força a ele quando este falou que havia passado no vestibular.

Há quatro anos ele estava fazendo faculdade de Administração. E era um dos melhores alunos da sua turma. Nunca perdera uma matéria sequer e agora, além de defender a monografia, estava abrindo um complexo de escritórios para advogados, contadores e administradores terceirizados que estava começando a dar certo.

Fernanda, por sua vez, deixou o lado materno falar mais alto. Diminuiu o ritmo de trabalho assim que Cristina nasceu e passou a dar consultoria em casa de direito empresarial. Já não ia mais ao tribunal com tanta frequência. Então, resolveu fazer uma pós-graduação em direito empresarial e Constitucional e no horário que a filha estava no colégio, dava aulas num cursinho de um amigo. Fernanda estava amando essa nova fase da vida, sempre gostou muito de estudar, e viu que dar aulas era a sua nova paixão. Sem horário apertado, sem a pressão de provas e avaliações, ela estava curtindo o melhor de dois mundos.

Foi no meio desses pensamentos que ela escutou o barulho do carro do marido. Por mais que ela soubesse que ele estava no horário, era sempre um alívio escutar o carro entrando em casa. Sorriu sozinha. Antes mesmo de pensar em recepcioná-lo, ele apareceu na cozinha com Cristina nos braços.

- ... Aí a tia Luciana me deu duas estlelinhas. – Caio olhou para Fernanda sem entender nada.

- Quer dizer que sua filha além de boa aluna, é a menina mais simpática do colégio. – Fernanda falou dando um beijo no marido.

- Não podia ser diferente, afinal de contas é a sua filha. – Ele falou depois de um longo beijo na mulher.

- E a sua prova?

- Foi bem cansativa, mas creio que eu tenha ido bem.

- Papai, papai, quelo te mostlar minha telefa de casa.

- Filha...

- Vá amor, ela lhe esperou até agora para mostrar as duas estrelas. Depois lhe chamo quando seu jantar estiver quente.

Caio saiu da cozinha com Cristina no colo falando sobre o elefante rosa que ela pintou em sala de aula. Depois de um banho rápido, ele ficou ajudando a filha com a tarefa de casa.

Cristina era uma mistura dos dois. Os olhos castanhos do pai, mas a pele branca e cabelos pretos cacheados da mãe. O sorriso também lembrava Fernanda. Mas era a sua personalidade forte que Caio mais admirava. Ela sempre demonstrava ter opinião sobre qualquer coisa, e ele sabia que isso não vinha de ninguém menos que sua irmã. Nos primeiros anos, fora difícil para Caio olhar para a filha e ver a irmã quando criança. Isso fez com que ele fosse completamente apaixonado pela filha.

Depois de meia hora, Fernanda avisou que o jantar já estava pronto. Caio e Cristina desceram. O jantar correu normalmente, até que a filha, cansada, caiu no sono. Depois de colocar delicadamente a filha em sua cama, Caio foi para seu quarto encontrar com sua mulher.

- Como foi seu dia? Chegou cedo da prova.

- O dia em si foi cansativo, mas deu para estudar um pouco. A prova foi daquele tipo de prova cansativa, mas creio que eu tenha me dado bem. Reclamando que eu cheguei cedo, doutora? – Ele perguntou sorrindo enquanto acariciava o rosto de sua mulher.

Eles estavam na cama, suados, cansados. Mesmo depois de quatro anos o fogo da paixão entre eles não havia diminuído, pelo contrário, aumentava a cada dia. Cada vez que faziam amor, era como se suas almas cada vez mais pertencessem um ao outro.

- Não estou reclamando que você tenha chegado cedo, e sim querendo saber como foi sua prova, chato! – Ela falou sorrindo enquanto voltava a sentir o peso do corpo dele.

- Quer saber de uma coisa, doutora? Um segredo?

- Quero, claro.

- Eu amo você. – Ele falou beijando-a sem dar tempo para que Fernanda pudesse responder.

Ficaram se amando até altas horas da madrugada quando caíram no sono. Na manhã seguinte, Fernanda acordou mais cedo que o marido, vestiu a camisola e foi acordar Cristina para que ela pudesse tomar banho e ir ao colégio. Estava terminando de arrumá-la quando a menina gritou correndo para os braços do pai.

- Bom dia! – Ela falou sorrindo.

- Como dormiram meus dois tesouros?

- Papai, sonhei que era uma princesa que voava bem alto.

- Foi filha? E o que mais você sonhou?

- Que você e a mamãe eram reis de uma cidade no céu.

- Quer ouvir um segredo? – Caio falou baixinho para a filha, que arregalou os olhos, curiosa – Nós somos donos de um castelo no céu. Mas, só podemos enxergá-lo quando dormimos.

- Eu sabia... – A menina saiu rodopiando pela casa para contar para Maria.

- Você ainda vai estragar essa menina.

- Só eu doutora?

Eles desceram juntos para tomar café. Mais tarde Caio saiu levando Cristina para o colégio e Fernanda começou a organizar a aula daquele dia para o cursinho.

Antes de sair, porém, pediu a Maria que fosse ao supermercado com um dos rapazes para ela poder comprar alguns ingredientes. O aniversário de Caio estava chegando e ela gostaria de fazer um jantar para comemorar a data. Maria sorriu dizendo que saberia exatamente o que ela iria fazer para o patrão.

Fernanda se arrumou e foi para sua aula. Havia quatro anos que a vida estava perfeita e organizada. Porém, mal sabia ela que, na vida, há momentos em que a calmaria passa. E a tempestade de Fernanda já estava a caminho.