Feras Urbanas
2 Friend Zone
Notas iniciais
Foi realmente uma benção a aula ter acabado. Samui era uma professora muito enjoada. Peguei minha mochila azul clarinha e ajeitei meu material com cuidado. Detestaria que algo se amassasse ou quebrasse. Entretanto, fui um pouco menos cuidadosa que o habitual, pois estava tentando fugir da aula, porque de nenhum jeito vou passar a vergonha de fazer polichinelos com esses peitos tamanho vaca leiteira. Não Gai-sensei, sou boazinha, mas isso não faço. Quando acabei, Sakura já me esperava para irmos a pé até nossas casas, que ficavam pelo mesmo caminho.
– E aí, Hina, como foi passar a aula do Orochibiba todinha perto do Naruto?
– Shiu. Se alguém ouvir isso...
Sakura riu e eu me deprimi levemente. Era uma droga ser tão tímida.
– Eu não sei, Sakura. Acho que seria melhor ficar longe dele. Quem sabe eu não esqueço essa bobagem.
– É a atitude que eu decidi tomar.
Nos aproximamos do portão, e alguém já tinha aberto. Dei graças por não ter que pular. Saímos andando calmamente e logo viramos a esquina, onde pude relaxar um pouco mais. Odiaria ser pega fugindo da aula. Eu com certeza ficaria se não fosse aula de Educação Física. Mas não rolava correr com essa abundância. Não rolava fazer nada que fosse se movimentar.
– Me desculpa, Sakura, mas o Sasuke só brinca com você. O Naruto não sabe que gosto dele e usa isso pra se sentir mais gostoso.
– Isso só piora minha situação...
Vi minha amiga murchar ligeiramente e me senti culpada pelas palavras que disse.
– Mas eu tenho meu pai. Que conta com a marcação do Neji pra me manter bem longe de qualquer garoto. Mesmo se o Naruto algum dia pensar em me ver de um jeito diferente, nada vai acontecer. Mesmo que eu me interesse por outro... Nada para mim.
– Poxa, Hina, é um péssimo conselho o meu, mas faça escondido.
– Eu não sou assim. Você sabe.
Suspiramos frustradas e Hinata pensou que adoraria ser um pouco mais leve como Tenten. Se sua mãe fosse viva, quem sabe ela não conseguisse se soltar também?
– Sabe Hina, esse ano vai ser diferente. Vamos tentar fazer as coisas melhorarem.
– Não consigo nem imaginar como.
– Nem eu. Mas não quero ser tão frustrada esse ano. Quero curtir, me divertir. Mesmo sem namorar ou qualquer coisa do tipo.
– Isso sim é mais nossa cara.
Rimos juntas e a florzinha da esperança brotou em meu coração. Fosse como fosse, nos divertiríamos juntas. Finalmente paramos em frente à casa de Sakura e nos abraçamos. Então segui meu caminho. Está tão quente, e o casaco que eu estou vestindo não ajuda. Eu poderia tirar, mas e se algum conhecido me ver com essas bolas balançando?
Andei mais alguns metros e se tornou insuportável continuar com o casaco. Tirei e coloquei na mochila. Passei a andar com os braços cruzados, mas o suor fazia meu corpo exigir liberdade. Resolvi que pelo menos uma vez na vida escutaria meu próprio corpo.
Pareceu um convite ao diabo tomar a decisão de não me importar com os “senhores peitões” balançando, que Naruto apareceu. Em uma bicicleta velha e enferrujada, mas sem camisa. O que já deixava a cena totalmente constrangedora.
–OIIIIIIII HINAAAA!
– Oi, Naruto.
–Quer uma carona?
Quase desmaiei pensando na cena: eu na garupa da bicicleta de um Naruto descamisado. Meus peitos tocando as costas dele.
–NÃO.
Percebi que fui meio ríspida porque ele me olhou estranho, então expliquei:
– Sou muito pesada, Naruto.
– Claro que não, Hina. E mesmo se fosse, sou muito forte. Vou na academia todo dia e só volto para casa exausto.
– Obrigada, Naruto. Mas meu pai é muito bravo. Ele poderia ficar zangado se eu andasse na sua garupa.
– Se é assim, será que posso ir ao seu lado? Empurro a bicicleta.
Pensei em dar um ataque e desmaiar. Mas rapidamente me lembrei de um detalhe:
– Mas, Naruto, você não mora do outro lado da cidade?
–Morava. Mudei pra esse lado esse fim de semana. Meus pais compraram um casarão no seu bairro. Por isso pensei em virmos juntos... Assim não me sinto tão sozinho.
– Ah, sim...
– Te procurei junto com a Sakura, mas vocês já tinham ido.
– Estávamos fugindo da educação física.
– Eu ficaria, mas o Gai-sensei só passar exercícios de correr. Se fosse o futebol com certeza eu estava lá.
Me imaginei passando todos os dias indo e voltando com o Naruto para as aulas. Passando aquele tempo todo sozinhos. Adeus plano de esquecer. Mas, já que eu estava um pouco menos tímida naquele calor infernal, resolvi me arriscar:
– E a Sakura? Ainda apaixonado por ela?
– Não sei. Achei que gostasse dela. Mas passei um tempo na praia essas férias... Escutei muito meus pais falando de amor. Acho ela muito especial, mas as coisas são complicadas.
– Pois é, Naruto.
– Coisa idiota. Eu gostando dela, ela do Sasuke e o Sasuke sem querer saber de nada.
Pensei que faltava me acrescentar nesse ciclo. Mas fiquei quieta. Eu já devia estar calejada com essa situação. Ou talvez não. Muito provavelmente não. A mochila estava pesada porque levei todos os livros, já que não tinha o horário. Fui burra, ninguém nunca leva livro nas duas semanas porque o horário ainda é uma bagunça. Naruto pareceu perceber meu desconforto, pois puxou minha mochila e colocou em seus ombros, deixando a dele pendurada no guidom da bicicleta.
– Nossa, Hina. Pra que tanto peso?
– Eu não sabia que aulas tinham, então levei todos os livros.
– Posso te contar um segredo? Nem caderno levei.
Ele riu afobado e não resisti. Acabei rindo junto. Era realmente gentil e fofo que ele carregasse o peso da minha precipitação.
– Tchau, Hina. Amanhã passo aqui umas vinte para as sete para irmos juntos.
Naruto me deu um abraço apertado que me deixou feito um pimentão e depois me entregou a mochila. Muito sem graça agradeci enquanto ele subia em sua bicicleta me dando tchaus. Vinte para as sete.
Eu provavelmente nem dormiria pensando nisso. Era terrível só me imaginar todas as manhãs indo eu lado dele sem poder tocar seus braços. Eu voltar da escola vendo aquele corpo sarado quase que me pedindo para ser beijado... E tendo ele babando pela Sakura pela metade do caminho… Ele sendo fofo e alimentando minhas ilusões masoquistas...
Sacudi minha cabeça em busca de clareamento. Então entrei em casa. A empregada já tinha feito o almoço e meu pai não estava em casa. Hanabi já tinha ido para sua aula e a empregada lavava as louças. Almocei sozinha, mas para variar eu estava um pouquinho mais alegre. Obrigada Naruto, por fazer minha refeição mais saborosa. O cardápio era arroz, feijão, frango grelhado e salada. Algo comum já que éramos adeptos de uma vida saudável forçada. Eu já tinha me acostumado em comer as verduras. Hanabi não. E todos os dias as brigas reinavam. É difícil entender porque Hanabi gosta de causar tantas confusões em casa.
– Senhorita Hinata. Gostaria de mais alguma coisa?
–Não, muito obrigada senhora Kiko. A refeição estava deliciosa.
– Obrigada, senhorita Hinata. Qualquer coisa me fale. Posso temperar a salada diferente.
– Assim está ótimo.
Pouco depois me levantei, escovei os dentes e subi para tomar banho e estudar em meu quarto. As provas estavam longe, mas eu gostava de me manter em dia. E como não assisti a explicação do Orochimaru, era praticamente uma obrigação estudar. Passei as próximas horas estudando sobre nomenclatura de álcool. Não foi muito divertido e por diversas vezes me peguei divagando sobre minhas amigas e sobre Naruto. Mas quando Hanabi chegou da escola, eu já tinha aprendido tudo que precisava além de ter feito o exercício de hoje.
– Oi irmã.
– Olá. Como foi a aula?
– Legal. E a sua?
– Muito enjoada. Mas pelo menos tinha minhas amigas.
– Logo papai chega. Você deveria tomar um banho.
– Vou fazer isso, mas pode ir primeiro. Tomei um hoje cedo.
– ok.
Vi as horas no meu celular e percebi algumas mensagens no whatsapp muito estranhas:
Tenten- vocês não vão acreditar. Terminei tudo com o Itachi.
Sakura- ficou louca? Vc ficou o verão inteiro falando dele!
Tenten — agora que ele voltou, percebi que não é tão incrível assim estar com ele. Mas o pior foi o Neji aparecer depois do nosso término e me jogar na fonte do zoológico!
Sakura — mas oq?
Hinata — Tenten? Explica isso melhor.
Tenten — ele estava lá não sei pq, esbarrei nele sem querer e aí começou a confusão. Acabamos caindo na fonte e fomos expulsos do zoológico. Então se quiserem fazer uma visita, esqueçam minha presença.
Hinata: meu Deus! Que vergonha!
Sakura — kkkkkkkkkkkk
Tenten — eu já ia voltando a pé e ele me deu uma carona de moto. Foi péssimo. Sinceramente, Hina, seu primo precisa de terapia.
Hinata — o Neji tá meio revoltado pq a mãe dele arrumou um namorado... Mas ele é um bom garoto.
Tenten — já tivemos essa discussão. Não acredito e pronto.
Sakura — kkkkkkkkkkkk
Hinata — deixem eu contar o que aconteceu comigo. Depois que deixei a Sakura o Naruto apareceu e descobri que ele tá morando aqui perto. Agora ele quer ir e voltar com a gente. Estou tendo uma síncope!
Tenten — kkkkkkkkkk
Sakura — good bye my plans. ..
Hinata – lado esculhambador da vida: ele não sabe se gosta ou não da Sak.
Sakura- ui. Ninguém merece, gente.
Tenten — Ah Hina, diz pra mim que vai investir. Se ele tá confuso, já é meio caminho.
Hinata — calma gente. Não sou assim. Deem tempo ao tempo.
Tenten — cuidado, quem espera demais fica chupando dedo.
Sakura — vcs tem a vida agitada demais. Dormi a tarde inteira e tô feliz por isso.
Tenten — Nem isso pude fazer depois dessa merda no zoológico. Cheguei em casa, tranquei tudo e fui tomar banho. Quando saí o Sasuke tinha invadido a casa e eu peladona lá. Dei um esporrão nele.
Sakura – Mas oq?
Tenten — ficou uma hora falando sobre como o Itachi não me merecia e tinha ficado com um monte em LONDRES e eu lá quase dormindo. Foi péssimo. Acho que ele queria falar outra coisa, pq né? Sinceramente quando Sasuke Uchiha invadiria a casa de alguém pra dar conselho? Aff.
Sakura — ele deve estar gostando de vc.
Tenten — tô nem aí pro que ele tá sentindo. Não estou interessada. Não quis nem o Itachi. Nasci pra ser solteira.
Sakura — não precisa se preocupar comigo. Não quero mais saber dele.
Hinata — me metendo, mas a Sakura morre se esse menino fica com alguém. Já sabe, né Tenten.
Tenten — sei sim. Mas realmente não quero nada com ele. Ele é muito babaca, nem pra amigo serve direito. Mas meninas, vou dormir agora. Tô morta de cansaço e já jantei. Vejo vcs amanhã. Beijoes.
Acabei percebendo que Hanabi já tinha saído do banho e me despedi também. Tomei uma ducha rápida, que ajudou no suor. Quando saí, meu pai tinha chegado e queria saber que aulas tivemos. Fiquei com medo de me entregar sobre ter matado aula, então falei pouco e logo pedi licença porque estava cansada. Subi de novo para o meu quarto e deitei. Assisti um pouco de novela abraçada aos meus ursinhos de pelúcia. Quando meus olhos pesaram, coloquei timer e percebi que por mais preocupada que estivesse por ir para a escola com Naruto, meu cansaço era maior.
Senti a luminosidade tocando meus olhos levemente e por um segundo não entendi onde estava. Então olhei no celular e percebi que ainda eram cinco e meia. Suspirei pesado e tive vontade de matar o Naruto por sua gracinha de querer que fossemos amiguinhos que vão junto pra escola. Acabei desistindo de dormir de novo quando percebi minha pele suada. Calor e ansiedade fizeram da minha cama uma sauna. Resolvi tomar um banho e depois sequei o cabelo com o secador. Cabelo curtinho é rápido, mas se não arrumar, fico parecendo um pelicano.
– Irmã?
– Me desculpe por ter te acordado Hanabi. Estava muito suada ai precisei tomar banho.
– Hmm, tudo bem. Só coloque um arquinho pra tirar essa franja do rosto. Tá muito calor, vai acabar grudando na testa.
– Eu não tenho nenhum.
– Peraí, então.
Hanabi saiu e eu terminei de me vestir. Calças jeans claras, a blusa branca do uniforme e um casaco rosa queimado.
– Pronto, Hina. Vai ficar lindo no seu cabelo.
Coloquei o arquinho de pérola e mesmo não sendo meu estilo habitual, adorei o resultado. Era delicado e fofo.
– Obrigada, Hanabi. Mais tarde te devolvo.
– Não precisa Hina. Fica muito melhor pra você.
– Muito obrigada, Hanabi.
– HINATAAAAAAAAAAA! INGRATAAAAAAAAA! TROCOU O MEU AMOR POR UMA ILUSÃO!
– Mas o que é isso?
Eu e Hanabi corremos até a janela do meu quarto e eu me deparei com uma cena que eu jamais esperaria na minha vida. Naruto segurando a bicicleta enferrujada e cantando a música chiclete do Latino com uma alteração: usando meu nome. Ele estava despenteado como sempre e os vizinhos o olhavam como se fosse um maluco.
Me senti como se tivesse um carro de tele mensagens na minha porta. Tipo telegrama legal. Jesus me ajude. Busque-me, que eu já sofri o bastante. Pelo visto meu pedido não ia ser atendido e Naruto continuava cantando, então, depois de ficar parada uns cinco minutos atônita com a cena resolvi me movimentar. Eu já até imaginava nas reuniões do bairro os comentários...
– Espera aí, Naruto, estou descendo!
Me apressei para pegar minha mochila e mesmo morrendo de vergonha saí correndo de casa. Ai, ai, Hinata, olha só o cara que você gosta! Você é doente, filha? Gostando de alguém que não se importa de chamar atenção enquanto você é a senhora gagueira e vermelhidão!
– Tchau, Hanabi. Durma mais um pouquinho por mim.
– Se o doido aí em baixo deixar...
Meu pai já tinha saído – dei glória por isso- e a empregada tinha preparado meu café. Não daria tempo de comer, então joguei tudo dentro da minha mochila de um jeito que me faria chorar em outras circunstâncias.
– Naruto? Por que cantou essa música?
– Hahaha Hina, ouvi ontem na academia e achei engraçado.
Dei uma risada sem graça e juntos começamos a caminhar.
– Desculpa, Hina. Esqueci que seu pai é todo severo.
– Tudo bem, Naruto. Ele sempre saí bem cedinho. Mas, hum, tente não cantar mais de manhã tão cedo. Os vizinhos podem reclamar.
– Tudo bem, Hina! Prometo que não te chamo mais assim!
Abracei meu fichário com força. Eu estava muito nervosa com o que teria que presenciar hoje. Eu sentia calafrios só de imaginar Naruto cantando a Sakura perto de mim. Já era ruim o suficiente saber disso em sessões de sorvete e pipoca.
– Sabe, Hina, você é muito amiga da Sakura, não é?
– Sim...
Pronto. Começava o papo que eu estava temendo eternamente. Por favor, Naruto, não faça isso comigo...
– Você podia me dar uma ajuda heim...
– Como assim?
– Sei lá... Falar bem de mim pra ela... Quem sabe ela não dá uma chance pra mim.
Dei um sorriso fraco e pensei seriamente em me sufocar com meus peitos. Talvez eu conseguisse enfiar a minha cara neles. Me pouparia dessa conversa estranha. Oh, céus, porque não falei que estava doente e fiquei em casa assistindo Peppa Pig?
– Hina?
– Hmmm, não sei não, Naruto... A Sakura gosta mesmo do Sasuke...
– Poxa, Hina... Você é uma menina tão legal...Me ajuda, vai?
– Vou ver o que posso fazer, ok?
– Obrigado Hinaaaaa! Você é a melhoooor!
Ganhei um super abraço constrangedor. Jesus, porque esses peitos precisavam desse exagero? Mais alguns metros depois de um animado Naruto contando sobre seu treino de Jiu-jitsu e vi uma sonolenta Sakura de calça preta e blusa do uniforme esperando com os fones na porta de casa.
– Bom dia, Sak.
– Dia, Hina. Naruto. Mudou pra essas bandas, né?
– Sim, Sakura. Agora sou do bairro esnobe também.
– Isso daqui é uma merda. Só tem árvore e é distante de tudo. E só nós moramos aqui.
– Pensei que o Gaara morasse por aqui também.
– Ele mora bem lá no começo da rua. Não chega a ser esse buraco.
Eu me sentia invisível naquela conversa. Os dois se entrosavam de um jeito que eu não conseguia nem com a minha irmã. Suspirei profundamente. Talvez eu ficar quieta e na minha já fosse ajudar o Naruto tanto quanto falar bem dele.
– Hina, você vai na festa tropical?
– Difícil meu pai deixar.
Naruto parecia meio desanimado, mas Sakura, não.
– Ah, de jeito nenhum. Eu vou atentar o Neji até ele prometer te levar.
Suspirei já resignada com a minha falta de vida social existente.
– Sakura, lembra da última vez que o Neji prometeu me levar em uma festa?
– É o que temos que suportar, ué. Seu pai só te deixa sair com ele.
Naruto parecia meio confuso e tonto.
– Anh, meninas? O que aconteceu da última vez?
Me lembrei do episódio do Neji falando ao Kiba como eu era pura e inocente. E que eu era BV. Nessas perdi minha chance de acabar com a situação. No fundo até me aliviei um pouco. Eu tinha sérias dúvidas se queria beijar ele, mas o arrependimento de não ter beijado ainda aparecia de vez em quando. Obviamente eu estava envergonhada demais apenas pensando na situação, mas Sakura respondeu aumentando minha humilhação.
– Neji enxotou o Kiba de perto da Hinata de um jeito que ela nunca mais conseguiu olhar pra ele.
– Ahhhh, você gosta dele, Hina?
Me senti um pimentão. Eu queria gritar eu gosto é de você, seu idiota, mas me mantive quieta. Sakura riu e Naruto tomou isso como uma confirmação.
– Ele malha comigo! Eu posso te ajudar, Hina.
Melhor ele achar que eu gosto do Kiba, do que desconfiar da verdade.
– Esquece, Naruto. Neji serve de cão de guarda do meu pai. Eu já desisti.
– Ora, mas o Neji é meu parça. Vou falar com ele.
– Obrigada, Naruto. Mas ainda prefiro que deixe isso quieto.
Finalmente chegamos à escola, e vi uma Tenten descabelada descendo da moto do Sasuke. Será que aquilo iria virar um costume?
– Tenten!
Abraço coletivo. Naruto deu um tchauzinho e foi sentar com os outros meninos do futsal. Gaara, Neji, Sasuke e Kiba.
Kiba sorriu pra mim de longe e eu retribui meio atrasada. Eu gostava do jeito que ele me olhava mesmo ficando com vergonha.
–Heeeeeim, Hina! O Kiba te deu uma secada, agora!
– Estranho. Pensei que ele tivesse desistido depois que descobriu que eu sou BV.
– Quem sabe não, né?
– Já sabem que vai dar as primeiras aulas?
– É a Anko.
–Acho melhor irmos então. Não vai ser legal se a doida da Samui der outra dura na gente.
Subimos a escadas rapidamente. Nos acomodamos juntas no final da sala e eu perguntei:
– E a festa tropical? Será que vamos conseguir?
Sakura animadamente falou:
– Gente, precisamos ir! Esse ano vai ser foda, nem que eu precise subornar o Neji pra isso.
Tenten fez uma careta e disse:
– Você fala com a Samara, lá. Se eu chegar perto vai babar qualquer chance da Hina ir.
– Meninas... Mas se eu não puder ir, vocês vão sem mim.
– Tá louca? E quebrar a tradição? Se uma não pode, nos três passamos a noite comendo sorvete e pizza.
Sakura aprecia ter fogo nos olhos e deu um discurso inflamado:
–Esse ano nos vamos curtir tudo. Parem com esse papo de menina depressiva e carente! Esse ano nos vamos até periguetar em nome da diversão feminina! Nós vamos conseguir de qualquer jeito!
Alguns alunos riram da Sakura, mas o novo fogo da curtição não poderia ser abalado por nada. Tenten riu daquele jeito meio soluço e me deixei contagiar pela animação. Eu vou curtir minha adolescência como qualquer garota normal! Vi meu primo entrando na sala com os cabelos rapunzélicos dele. Gente, ele precisa de uma tesourada urgente. Essa porcaria tá gay demais. Sakura imediatamente se levantou e foi até ele falando num tom bem autoritário:
– Neji, você vai falar com o Hiashi e vai levar a Hinata na Festa Tropical, ok?
– Tudo bem.
Vi que nossos três queixos caíram em conjunto.
– O quê? Fácil assim?
– Aham. Naruto já falou comigo sobre isso. Se eu te levar na festa, vai ser mais fácil vocês nos emprestarem os deveres de literatura e produção textual.
Senti uma gota enorme se formando na minha testa. Se o preço era tão baixo assim, eu já teria pago há muito tempo. O Neji era um gênio da química, biologia e matemática. O desempenho dele no restante era inversamente proporcional.
– Beleza, então.
Sakura voltou pra perto de nós, e comemoramos animadas por uns dois minutos, até que a Anko entrou. Enquanto ela copiava no quadro alguns deveres. Naruto deu um joinha pra mim e mandei um bilhetinho escrito Obrigada.
– Hina, precisamos comprar umas roupas bem sexys.
– Sakura, você não tá falando sérios sobre esse lance de periguete, né?
– Só vou pegar quem me for gostoso. Mas sobre as roupas, você precisa de umas coisas um pouco mais sensuais, Hina.
Tenten riu e disse:
– Deixa a menina em paz. Ela está acima de sensualidade, ela é angelical demais.
– Hey.
Me senti levemente indignada e Tenten disse:
– Hina, você é sensual, mas de um jeito diferente. Cada um tem sua sensualidade. Não adianta querer forçar você a ser uma femme-fatale.
Sakura concordava:
– Sim, mas colega, tu vai por esses peitos pra jogo.
Estremeci um pouco com o pensamento.
As aulas passaram leves naquela terça-feira. Tsunade deve ter mexido os pauzinhos para ser mais zen depois da segunda matadora. O último sinal tocou e lentamente comecei a arrumar meu material. Sakura chamou Neji e ele chegou até nosso canto visivelmente mal humorado.
– O que foi?
Tenten olhava pro teto enquanto escutava uma música do Detonautas com uma lado só do fone. Sakura parecia ser a intermediadora totalmente.
– Neji, que horas você vai falar com o Hiashi?
– Vou passar lá de noite. Avise ele, prima.
– Pode deixar. Obrigada, Neji.
Neji já ia embora e eu suspirei aliviada. Mas foi só eu suspirar que ele voltou com uma expressão maquiavélica e disse:
– Quer saber de uma coisa? Só vou se a maluca aí me pedir desculpas por ontem.
Tenten rapidamente tirou o fone e levantou da carteira gritando:
– O quê?
– É isso mesmo.
– Filho da...
– Pode ir parando, maluca. Ou você pede desculpas ou não falo nada com o Hiashi.
Os dois ficaram se encarando intensamente e eu me vi implorando para que Tenten cedesse dessa vez. Sakura cruzava os dedos e nem respirava. Aquela festa ia ser realmente importante pra ela. Tenten nos olhou e lentamente abaixou os ombros.
– Beleza. Por você, Hina. Me desculpe, Samara, por ontem.
– Agora sim. Passo as sete na sua casa, Hinata.
Neji foi embora de com um sorrisinho egocêntrico e eu abracei a Tenten com uma força esmagadora.
– Obrigada, Tenten.
– Eu sei o quanto você fica presa naquele casarão.
Terminamos de arrumar as mochilas e Tenten suspirou profundamente:
– Nem acredito que agora vou andar até o outro lado da cidade sozinha. Por que minha mãe não comprou uma casa no mesmo bairro que o de vocês?
Sakura logo reclamou:
– Só nós moramos lá. E agora o Naruto. Você que mora no centro da cidade.
– É, mas só eu vou sozinha.
Tenten parecia levemente chorosa. Acabei ficando tocada com o drama dela e disse:
– Sua mãe tá em casa hoje?
– Que nada. Tô sozinha.
Ela fez um biquinho e eu confirmei minha tese inicial.
– Quer ir lá pra casa?
– Posso mesmo?
Os olhinhos dela brilharam intensamente e Sakura riu enquanto falava:
– Se for assim, eu vou também.
– Vamos meninas... A caminhada é longa. Mas vocês vão ter que fazer o dever de matemática, heim.
Sakura reclamou, mas nem me importei. Minha tarde seria só um bilhão de vezes melhor com elas. Terminamos de ajeitar as coisas e saímos da sala calmamente. A conversa era leve e divertida, e Sakura já planejava uma sessão de maquiagem gótica que renderiam ótimas risadas. Eu estava tão alegrinha que quando meu celular vibrou peguei despreocupadamente e li a mensagem em voz alta:
Estive falando com o Naruto e descobri que parece que você andou pensando em mim tanto quanto eu em você... Mal posso esperar pra te encontrar na Festa Tropical... Beijo, gata.
– E quem te mandou isso, Hina?
– O Kiba.
AS meninas me olharam meio impressionadas e eu me senti meio perdida.
– O que eu respondo?
Sakura rapidamente me disse:
– Por enquanto, nada. Vamos chegar na sua casa e lá a gente pensa em alguma coisa.
Depois dessa mensagem e da parte “andei conversando com o Naruto”, minha mente estava virada de cabeça pra baixo. Por isso, quando encontramos o mesmo no portão com a bicicleta, eu não sabia se tirava satisfações ou ficava quieta. Mas ele acabou decidindo por mim quando deixou as meninas caminharem um pouco a frente e me disse:
– Eu falei com o Kiba.
Ele sorria de um jeito tão largo que me doía o maxilar.
– Ele me mandou uma mensagem. Não entendi por que fez isso, Naruto.
– Sabe, você prometeu me ajudar...
Repassei nossa conversa de cedo mentalmente e eu NÃO tinha prometido.
– E por isso, resolvi te ajudar também.
Naruto era um ser que supunha demais. Ele supunha que eu iria ajudar com aquela conversa vaga e supunha que eu gostava do Kiba por conta da mesma conversa de hoje cedo. Jesus, que homem precipitado.
– Obrigada, mas anh, eu não sei se isso foi uma boa ideia.
– Relaxa, Hina. Deixe o Neji comigo na festa. Já sei direitinho como distrair ele e te dar uma oportunidade de ficar a sós com o Kiba.
– Sabe, o que é, Naruto, tem uns três meses que eu não falo com o Kiba direito e antes disso a gente só estava se conhecendo...
– Hina, fica calma. Já resolvi tudo. Lógico que eu perguntei se ele estava afim de você, né.
Eu quis enfiar minha cabeça numa privada e dar descarga. O que o Naruto estava fazendo com a minha vida? O que diabos ele poderia ter falado com o Kiba? Meu Deus, eu nem pensei nele durante as férias!
– Você não deveria ter feito isso, Naruto. Eu preferia algo mais... Anh... Devagar.
Ele me sorriu de um jeito tão lindo que pronto. Acabaram meus problemas com ele. Quem está ligando se eu estou entre a cruz e a espada? Decididamente, com esse rostinho lindo, eu não. Eu e senti suspirando por conformismo e paixão, mas Naruto nem percebeu, já estava contando para as meninas sobre nossa manhã:
– Hahahaha, vocês tinham que ver a cara daquela mulher que mora na frente da casa da Hina quando comecei a cantar. Ela agarrou o telefone bem forte e a cara dela estava tão contraída que eu pensei que ia quebrar!
Tenten chorava de rir, e Sakura me olhou de olhos arregalados:
– Hina, como você sobreviveu?
– Não me pergunte, ainda estou juntando os cacos da minha vergonha pelo caminho.
Chegamos em frente à casa da Sakura e rapidamente Tenten a puxou e as duas entraram correndo até a casa. Fiz menção de acompanha-las, mas Tenten gritou:
– Vai deixar o pobre do Naruto sozinho, aí? Espera com ele! Só vamos procurar um leite condensando aqui!
Ela fechou a porta com força na minha cara e eu entendi o recado: fique ai sofrendo platonicamente o seu amor enquanto rimos da sua cara.
– Hmmm, Hina, vocês vão fazer brigadeiro, é?
– Sim. Vamos estudar matemática também.
Os olhos de Naruto brilharam.
– Será que vocês não poderiam me convidar, heim?
Meu queixo foi até meus peitos. Oh God. Não, Naruto. Eu não quero ser sua bff. Please, não me coloque na friend zone!
– Eu não entendi direito a matéria... Se você pudesse me explicar um pouco, talvez eu não fique em recuperação esse bimestre...
Olhinhos tão lindos e azuis... Oh Deus, não seria justo com os outros mortais se ele fosse inteligente também, né? Suspirei profundamente, me odiando muito por me manter naquele ciclo doentio de paixão não correspondida.
– Tudo bem, Naruto. Mas nos vamos fazer tarde das garotas, então você passa lá umas quatro horas, tudo bem?
– Mas e o brigadeiro? Eu quero brigadeiro!
Senti suor e constrangimento escorrendo da minha cara conformada.
– Eu guardo pra você, um pouco.
Abraço de urso e meus peitos espremidos contra o tórax dele. Me senti nem foi vermelha, foi azul mesmo. Não acredito que sou uma mulher na friend zone. Provavelmente estou pagando por todas que já fizeram um cara ficar nela, porque o troço tá intenso demais pro meu lado.
Naruto tagarelou e eu aproveitei o momento pra admirar aquela boquinha tão rosada e beijável. Logo as meninas saíram e voltamos a caminhar. O restante do percurso passou rápido com as brincadeiras e conversas. Quando chegamos à porta da minha casa, Naruto abraçou cada uma de nos e deu um beijo no rosto. Senti uma sedutividade com a Sakura, mas acabei esquecendo isso quando ele me beijou tão perto da boca que eu quase desmaiei. Ele subiu na bicicleta e deu tchau pra nós. Eu abri a porta ainda meio zonza e sem ouvir as meninas direito.
– Hina! Você parece que vai ter uma síncope!
– Abana ela, rápido!
Sakura tirou um caderno da mochila e passou pra uma Tenten desesperada que passou a chacoalhar rapidamente em cima de mim. Respirei umas trezentas vezes antes de conseguir falar:
– Eu vou morrer até o fim de semana!
Enfiei meu rosto nos braços e comecei a chorar apoiada na mesa. Logo em seguida senti braços me abraçando e mãos fazendo carinho no meu cabelo.
– Poxa, Hina. Se eu soubesse que você ia ficar assim, tinha enxotado o Naruto.
Tenten tentava se desculpar, e Sakura fazia carinho no meu cabelo. Logo fui acalmando e por fim limpei meu rosto e disse:
– Não acredito que estou na friend zone.
Rimos e então eu fui a banheiro lavar o rosto. Logo em seguida pedi o almoço. Comemos com uma fome voraz que deixaria os caras do futsal no chinelo.
Acabando o almoço, subimos pro meu quarto, e começamos o dilema. Como responder o Kiba.
– Meninas... Eu não sei se quero algo com o Kiba.
– Hina, não é a questão de você querer ou não. É a questão de cozinhar ele em banho Maria até você decidir que quer ele por algum motivo.
Tenten olhou interrogativa para Sakura e eu entendi. Sakura costumava ser bem romântica. Aquilo não parecia coisa dela.
– Sak?
– Aprendi com a Ino.
Tenten revirou os olhos e senti vontade de fazer o mesmo. A amiga da Sakura que tinha vergonha dela. Mas ela era popular e disputada. Devia entender de homens mais que nos três juntas.
– Ok, e como fazemos isso?
– Você precisa deixar em aberto se quer ou não encontrar com ele.
Tenten interviu e disse:
– Mas ela não pode parecer sedutora demais ou ele vai desconfiar que não foi ela que respondeu.
– Ixxi, é verdade.
Pensamos um pouco e eu disse:
– Que tal se eu for simples? Sem dar a entender nada claramente?
– Parece uma boa. Diz como você responderia.
– Hmm... Me deixe pensar... Que tal “Não sei o que o Naruto te disse, mas podemos conversar na festa... Beijos”
– Acho que ficou bom.
Sakura concordou e disse:
– Ficou ótimo. Pode enviar. Assim não fia muito claras suas intenções.
– Bom, meninas, graças a vocês, a matemática e ao brigadeiro, Naruto vem aqui quatro horas.
– Uiuiui, Hina! Vamos estar bem longe quando ele chegar!
– Será que isso é uma boa ideia? E se meu pai chegar e ver nos dois sozinhos? Pode achar ruim.
– Ora, vocês não vão estar pelados no sofá. Vão estar fazendo equações. Você diz que estava ajudando um colega. E além do mais a Kiko só vai embora quando ele chega.
Assenti. Por mais que meu pai fosse duro, ele presava que eu fosse educada e cortês.
– Pronto, Hina. Acabamos a última equação.
Sorri de leve e me espreguicei. Senhores peitões de levantaram, mas eu necessitava daquilo. Era a segunda vez que eu fazia aqueles exercícios.
– Que bom, Naruto.
Olhei no relógio. Quase seis horas. Logo meu pai, e mais tarde Neji, chegariam.
– E o brigadeiro, Hina?
– Espera aí. Eu guardei o seu na geladeira ou a Tenten comeria.
Fui até a cozinha e Kiko indiscretamente perguntou:
– Seu namoradinho, senhorita Hinata?
Quase deixei o pote de brigadeiro cair no chão. Mas respirei fundo e respondi corada:
– Não. Só um colega que precisa de ajuda em matemática.
– Bonitão...
Kiko voltou-se para a pia e eu peguei uma colher no armário muito constrangida. Voltei pra sala e vi Hanabi questionando:
– Você já precisa de ajuda em matemática? Tipo, as aulas começaram ontem!
– Hanabi, não seja indiscreta!
– Não precisa brigar com ela, Hina.
Naruto sorria largamente e logo disse:
– É que eu tenho dificuldades pra me concentrar. Preciso estudar muito para acompanhar a turma.
Hanabi arqueou a sobrancelha e disse:
– Espero que isso não seja desculpa pra ver a minha irmã, heim! Tô de olho em você, garoto maluco.
Hanabi subiu as escadas pisando forte e me senti na obrigação de pedir desculpas:
– Desculpas, Naruto. Hanabi foi muito indiscreta.
– Tudo bem, Hina.
Ele aprecia nem se importar, já que estava com o brigadeiro em mãos e boca.
– Mas isso foi bom pra mim. Eu senti que consegui aprender de verdade a matéria. Consegui ver algum sentido.
– Que bom, Naruto.
–Sabe, eu estava pensando, se não fosse te incomodar, se nos poderíamos fazer isso umas duas vezes por semana... Dar uma olhadinha nas matérias mais complicadas...
– Ahn... Claro. Se eu puder te ajudar, se eu souber a matéria, te explico sim.
–Obrigado, Hina! Estou te devendo uma bem grande!
Ele continuou comendo o brigadeiro e olhando pra mim. Eu sorri levemente. Era bom poder ser útil na vida dele. De repente senti a porta de casa batendo e fiquei elada por alguns segundos. Logo percebi que era meu pai.
– Boa noite, Hinata e...?
– Boa noite, senhor. Sou Naruto Uzumaki. Estudo com sua filha e ela estava me ajudando com matemática.
– Ah sim. Conheço seu pai. É um antigo colega.
Eu quase me belisquei pra ver se era verdade. Naruto parecia outra pessoa. Sério, educado e falando no tom de voz adequado. E meu pai olhando aprovativo para ele? Estou usando LSD?
– Preciso me retirar para um banho. Mande lembranças aos seus pais.
– Boa noite, senhor Hyuuga. Mandarei as lembranças.
Meu pai saiu e eu continuei embasbacada.
– Legal o seu pai.
Eu dei uma risadinha e disse:
– Experimente ser filha dele. Não que ele seja ruim... Mas é muito protetor.
– Você é menina.
– E daí?
– É por isso. Se fosse um menino, ele seria mais relaxado.
– Nossa, que reconfortante.
Suspirei pesado e pensei no machismo da situação. Mas enfim, minha realidade é essa, e ao menos que cresça um pênis em mim, nada mudará enquanto eu depender do meu pai financeiramente.
– Bom, Hina. Obrigado por tudo. Mas eu preciso ir. Vou jogar uma pelada com os caras.
– Ah sim, Naruto. Sempre que precisar.
Levei-o até a porta e ganhei um leve beijo na bochecha. Dessa vez foi na bochecha mesmo. Não foi pertinho da boca. Fiquei meio triste, mas pelo menos não desmaiei. Dei tchau enquanto ele se afastava e logo fechei a porta. Suspirei levemente e sentei no sofá esperando o Neji. Mandei uma mensagem avisando que meu pai já tinha chegado. Ele disse que vinha antes do futsal, então relaxei. Logo meu pai acabou o banho e desceu para jantar. Então eu disse:
– Pai, o Neji vem aqui daqui a pouco.
– Para o quê?
– Sabe, pai, é que vai ter uma festa... Que eu quero muito ir e ele vem aqui te explicar como vai ser e...
–Vamos ver, Hinata. Vou falar com seu primo sobre esse lugar e sobre as pessoas que vão.
– Tudo bem, pai.
Jantamos em silêncio por alguns minutos e logo Neji tocou a campainha. Fui correndo atender e logo disse:
– Já adiantei o assunto. Por favor, por favoooor, me ajude.
Ele assentiu e sentou-se a mesa. Logo foi se servindo e disse:
– Tio, a festa vai ser lá no clube. A entrada tá trinta reais, então só vai dar gente mais tranquila. Vai na verdade, mas a galera da escola. Vou tomar conta da Hinata lá. Não vou deixar chegar nenhum cara perto dela. Ela vai ficar mais com as amigas mesmo, conversando lá. E dançando. Mas vai estar tranquilo, tio. Nem Funk deve tocar.
Ok, Neji. Você mente pra caramba. Nem funk? Mantive-me calada, olhando esperançosa. Tentei fazer carinha de cachorro abandonado. Meu pai nos olhou por um minuto e depois disse:
– Vou deixar a Hinata ir, desde que você busque e traga ela depois.
– Tudo bem, tio. Minha mãe vai me emprestar o carro.
Meu pai assentiu e eu quase chorei de frustração. Neji tinha a mesma idade que eu, mas podia dirigir sem carteira e tava ok. Agora nem uma motinha elétrica pra cachorra ir até a escola que fica quase do outro lado da cidade é disponível. Suspirei profundamente e me mantive calma. Essa é a vida.
Neji logo terminou sua refeição e deu uns cascudos na Hanabi. Ele olhou no celular e disse:
– Preciso ir pra pelada.
–Eu te levo até a porta.
Levei Neji até a porta e ele disse:
– Posso levar suas amigas no carro também. Só avisa aquela maluca pra não fazer gracinha.
– Tudo bem. Obrigada, Neji.
– Mas eu vou querer que façam o próximo trabalho de produção textual.
– Está ok.
– Tchau, prima.
– Tchau.
Logo que ele saiu, fechei a porta e dei boa noite para meus familiares. Corri pro meu quarto, peguei o celular e digitei no grupo:
Hinata – Nos vamos à festa e de carro!
Sakura – Uhuuuuuul!
Tenten – E quem vai dirigir?
Hinata – O Neji...
Tenten – Encontro vocês lá...
Sakura – Sai fora, fica impossível encontrar alguém lá dentro... Você vai com a gente e não via brigar com o Neji!
Tenten – Beleza, mas vocês vão pagar meu energético!
Sakura – E amanhã... Compras!
Ri sozinha. Eu mal podia esperar para sair com as minhas amigas. Kiba, Naruto e Neji pareciam partes de outro universo diante da felicidade de baladar com as minhas amigas.
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