Notas iniciais
Ladies and gentlemens, damas y caballeros, mesdames et messieurs ou apenas senhoras e senhores. Como vocês estão? Espero que estejam bem; Eu vou atualizar apenas essa fic, pois como vocês já sabem a outra está acabando, e eu quero caprichar...( E é claro, deixar vocês um pouco apreensivos/ansiosos) Espero que não queiram me matar por isso. Então como vocês já sabem, estamos iniciando mais uma fic sobre nossa querida Rubi. Aviso aos queridos leitores Adriane, Haruka e May, obrigada por já estarem acompanhando desde o primeiro capítulo. Vocês são lindas! E peço aos meus queridos leitores fantasmas que apareçam, pois morro de medo de vocês! Brincadeiras a parte, a minha verdadeira intenção era explicar algumas coisas para quem ainda não entendeu. 1- Isabela é filha de Alessandro e Rubi, mas foi criada pela Maribel, esposa de Alessandro. 2- A história não é linear, ou seja, não segue uma sequência cronológica. Sendo composta de memórias e imaginações do personagem. 3- Rubi e Alessandro se amam. Fim, não tem muito o que explicar nesse tópico, pois o amor deles nos bastam. Espero que gostem.

Alessandro narrando

Ainda não acreditava em tudo que acontecera em minha festa. Maribel estava inconsolável, pois amava a Isabela como uma verdadeira mãe. E provavelmente Rubi teria lhe contado apenas o que fosse conveniente.

.. Por mais que eu estivesse com raiva, o ódio era um sentimento que jamais poderia sentir por ela. Ela estava linda, talvez mais linda do que nunca, e o tempo apenas se encarregou de realçar mais ainda sua beleza. Ela não tinha mais em sua pele as manchas de sua terrível queda. E confesso que me senti incomodado quando ela disse que eu não estava mais tão atraente assim. – Droga! – Eu pensava, porque não consigo tira-la de minha cabeça?

Uma semana se passou, e as pessoas não comentavam mais sobre o fato. Minha filha também não dava notícias, então eu cheguei à conclusão de que era hora de procura-la. E então fui para a casa de Rubi.

Não era a primeira vez que eu ia procura-la em sua casa; casa essa que era muito bonita. – Ela sempre teve bom gosto. – Pensei. Espaçosa e claro, com muitos empregados a sua disposição, porque isso, foi o que sempre importou para ela.

Quem veio me foi um garoto de 14 anos, que eu conhecia muito bem.

– Alessandro? – Ele disse surpreso ao me ver. – Eu disse que não queria mais encontra-lo.

– Tito, o que faz aqui? Não deveria estar na aula?

– Eu moro aqui e não tenho que lhe dar satisfações sobre os meus horários e compromissos. – Respondeu o garoto. – Se não veio falar comigo, o que quer?

– Eu gostaria de falar com a Isabela Cárdenas. Eu posso?

– Lamento, mas a minha irmã não está em casa. Quer deixar algum recado?

– Não, obrigado. – Dei lhe as costas e fui em direção a saída, mas voltei. Já que eu estava ali, deveria aproveitar para saber o que aquela maldita queria. – Será que eu posso falar pelo ao menos com a Rubi?

– A minha mãe também não está, acho que ela saiu com o meu pai. Se você quiser, pode esperar. Mas eu não posso ficar te fazendo companhia, pois tenho que fazer as minhas tarefas, e minha mãe vira uma fera quando eu não as faço.

– Você é realmente filho da Rubi?

– Sim. Algum problema?

– Não. – Respondi. Mas é claro que tinha algum problema. Não só um, vários. Ela estava casada, tinha outra família, e ainda estava afastando minha única filha de mim...

– Olha, se você quiser, eu posso chamar o meu irmão. Ele deve estar dormindo, mas se for importante...

– Você tem outro irmão além do Augusto? Ele também é filho da Rubi?

– Porque sempre faz perguntas estupidas? – Questionou Tito de forma intimidadora. – Você nos conhece e sabe que o Augusto é meu único irmão. E que ele é filho de outra mulher e que a considera como mãe por ter cuidado dele.

– Sim, você deveria dizer isso pra Isabela. Talvez assim ela entenda o que a Maribel sente. – Respondi sobre o último comentário do garoto.

– Dizer o que? – O menino perguntou.

– Você não precisa me dizer nada Tito. – Ela chegou bem na hora. E disse isso em um tom autoritário que me irritava. Ela era como sua mãe, não só na aparência, e talvez esse fosse o verdadeiro motivo pelo qual eu nunca consegui esquecer a Rubi. – São dois casos totalmente diferentes. A mãe do Augusto morreu, enquanto a minha, esteve bem viva durante esse tempo todo.

– Acho melhor você subir Tito – Disse Rubi que estava acompanhada de Luiz Fernando Salazar. E ele nem era tão melhor que eu assim. Ou era? Eu me perguntava.

– Mas eu acabei de descer mãe. Eu ia fazer as minhas lições de casa, porque se eu não fizer antes de ir pro clube, você irá me dar uma bronca enorme. – Murmurou.

– Tito, depois! Não discuta com a sua mãe. Não está vendo que eles precisam conversar? Você não é mais criança, e já entende as coisas. Eu vou subir e você vai comigo. – Pronunciou-se o tal Dr. Salazar pela primeira vez. – E qualquer problema, é só me chamar meu amor. – Prosseguiu me encarando, e dando um selinho em Rubi na sequência. Aquele maldito, estava fazendo isso para me provocar, e embora eu tentasse disfarçar, senti uma pontada de ciúmes.

– Eu já estou subindo Tito, não se preocupe, você pode ficar aqui. Não tenho nada para falar com esse senhor. – Era duro ouvir essas palavras de minha filha.

– Isa, por favor, não fale assim. Eu também estou chateado com toda essa situação, mas não sabe o quanto estou feliz por vê-la novamente.

– Papai não seja hipócrita.

– É verdade, e a sua mãe também está morrendo de saudades, minha filha, não tenha dúvidas sobre o nosso amor.

– Aquela manca estúpida não é minha mãe. O que ela faz, sente, ou pensa, não me interessa. Eu quero que ela sofra, e pague por tudo que fez com a minha verdadeira mãe. – Gritou antes de subir correndo uma das escadas que dava acesso a piso superior.

– Porque fez isso? – Questionei a Rubi que fora a única a permanecer na sala. Você disse que não queria saber dela, que não iria procura-la. Você mentiu como sempre Rubi, e eu... fui um idiota.

– Você acreditou porque quis. Eu quero ficar com a Isabela, porque ela é minha filha. Acha que só você tem esse direito? Não basta ter me afastado da vida dela por 18 anos? Não basta ter mentido dizendo que aquela manca era a verdadeira mãe dela?

– Ela é a filha que você nunca quis, porque se quisesse ter a Isabela por perto, você nunca teria deixado ela sozinha. Você foi embora do apartamento do Heitor e a deixou com os empregados.

– Eu não tive outra escolha. Você sabe que eu tinha que ir, e tudo isso por sua culpa.

– Por minha culpa? Você só pode estar brincando. A culpa foi sua que sempre mentiu. Se fosse menos ambiciosa, não teria trocado o meu amor pelo dinheiro do Heitor. E aí as coisas seriam totalmente diferentes Rubi, porque você sabe que eu te amei de verdade, e que fiz coisas que ninguém foi capaz de fazer por você.

– Realmente. Você foi o único que teve a capacidade de abandonar nos momentos mais difíceis da minha vida. Sempre foi muito indeciso, num dia me amava, e no outro me odiava, acreditava em tudo o que diziam sobre mim, e sequer me deixava contar a minha versão dos fatos. Não sabe o quanto me arrependo de ter desperdiçado a minha vida correndo atrás de alguém como você.

– É difícil confiar em uma pessoa que está o tempo todo mentindo. O único que tinha essa capacidade era o pobre coitado do Heitor.

– Um pobre coitado que sempre me amou, e que teria dado a vida dele por mim se fosse preciso. Eu lamento muito nunca tê-lo amado de verdade, porque o Heitor era um bom homem. Ele nunca teria feito o que você fez, e teria sido capaz de cuidar da sua filha, se quisesse ficar ao lado dele.

– Um bom homem que você manipulou como quis. Você destruiu a vida dele, e a amizade que nós tínhamos, tudo isso por ambição. Não venha querer dar uma de santa agora que a Isabela está nessa casa.

– Eu não preciso fingir que sou uma santa. Todos conhecem o meu verdadeiro caráter e sabem o que eu sou capaz de fazer. Agora, quem vive de máscaras são vocês, que ficam o tempo todo fingindo que são bons, mas sabemos que as coisas não são bem assim.

– Você está sempre envolvendo as pessoas nesse seu joguinho sujo Rubi, e aposto que está fazendo isso com a minha filha.

– Com a nossa filha você quis dizer. – Ela respondeu me fitando furiosa. – Eu não preciso de joguinhos para que a Isabela fique ao meu lado, será que ainda não percebeu o óbvio? Eu e ela somos exatamente iguais. Claro que ela é uma versão melhorada, e eu pretendo aperfeiçoa-la.

– Você está destruindo uma boa garota.

– Não. Eu só a estou preparando para o mundo. Porque a vida não é um conto de fadas, como vocês tentaram ensinar para ela.

– O que disse pra minha filha? – Perguntei sacudindo-a.

– A verdade. (Mas é claro que eu contei a minha versão dos fatos.) – Ela me respondeu com seu sorriso sínico após cochichar a última parte no meu ouvido.

– Eu vou acabar com você Rubi.

– Não foi isso que você me disse um dia antes da sua boda com a Maribel. – Ela me respondeu arqueando uma de suas sobrancelhas e sorrindo de forma provocante. – E você sabe que a nossa filha me adora, se você fizer alguma coisa comigo, ela nunca vai te perdoar. – Respondeu debochando.

– O que você quer?

– Vingança meu amor! – Me respondeu com ódio. – É isso que eu quero. Agora acho melhor sair da minha casa, antes que eu chame meu marido para expulsa-lo.

– Isso não vai ficar assim Rubi.

– Não vai mesmo, porque esse é só o começo de todo o sofrimento. Eu vou fazer com que todos me paguem por cada lágrima que eu derramei, por cada vez que eu tive que me esconder até do espelho, por terem me afastado da minha filha. – Ela me respondeu e saiu de perto, fazendo com que aquela sala ficasse maior ainda.

Mais tarde

– Porque não quis conversar com o seu pai? – Questionou Rubi.

– Eu não sei mãe. Não estou preparada para essa conversa, e ele me provocou ao vir aqui falar daquela manca estúpida. É o cúmulo falar da Maribel na sua casa, não acha?

– Ela não pode mais atrapalhar a minha vida, por que eu já consegui recuperar o que era importante. – Mentiu.

– E o que era tão importante assim? – Questionou Isabela.

– O seu amor minha filha. O seu carinho, não sabe o quanto me alegro de estar com você aqui na minha casa. – Falou Rubi vendo os olhos de Bela brilharem.

– E esse tal de Heitor, uma vez você falou que ele ia se casar com a Maribel, mas foi você quem se casou com ele. Como as coisas aconteceram?

– Estava ouvindo a minha conversa com o seu pai? – Perguntou Rubi.

– Sim, me desculpe. Eu escutei quando disse que se arrepende de nunca tê-lo amado de verdade.

– Ele era o melhor amigo do seu pai. E eu o conheci no mesmo dia em que conheci o Alessandro.

– No aeroporto?

– Exatamente. Ele era o namorado virtual da Maribel, e morava em Nova York, até que um dia decidiu vir conhece-la.

– Um namorado virtual? Que estúpida, quem leva um namorado virtual a sério? – Zombou Isabela. – Continua mãe.

– Aquela maldita sequer teve a coragem de contar para ele sobre o problema na perna, e depois acabou me pedindo pra que eu o esperasse na sala de desembarque e dissesse a verdade. Quando ele chegou, eu acabei me surpreendendo.

– Porque?

– Porque ele era muito bonito, loiro, forte, tinha olhos claros e uma conta recheada no banco, era herança dos seus pais. Mas aí, eu olhei para o lado e vi o Alessandro, e me apaixonei desde o primeiro instante.

– Mas então, como as coisas aconteceram? Porque você se casou com o Heitor e não com o meu pai?

– Eu vou te explicar as coisas de uma outra forma. – Disse Rubi. – Vem, vamos comigo a um lugar. – Falou puxando a filha.

– Aonde vamos? É em algum restaurante? Shopping? O primeiro lugar que ele te levou?

– Sem perguntas Isabela. – Respondeu descendo as escadas da sala.

– Vai sair de novo mãe? – Questionou Tito que voltara para a sala.

– Sim, vou levar sua irmã a um lugar, mas não demoro. Avise ao seu pai se ele perguntar.

– Eu posso ir com vocês?

– Não, você tem aula de equitação daqui a pouco. Esqueceu?

– Não mãe, não esqueci.

– Então tchau pirralho, e não fique bravo, a mamãe sabe o que faz. – Respondeu Isabela.

Rubi e Isabela entraram no carro. Cansada de perguntar aonde estavam indo, a garota decidiu relaxar. Rubi dirigiu por aproximadamente 15 minutos, e Bela ficou novamente apreensiva quando percebeu que esse não seria um passeio muito agradável.

– Mamãe, tem certeza de que está indo para o lado certo? – Questionou Isabela.

– Sim.

– É que... Olha esse lugar, estamos indo para a periferia.

– Eu sei exatamente aonde estamos indo, estamos quase chegando. Você não confia mais em mim?

– É claro que sim. – Respondeu pela última vez e ficou em silêncio o resto do caminho.

– Pronto, nós chegamos. – Disse Rubi saindo do carro.

– É uma vila, e daí? Qual o vínculo entre o Heitor e esse lugar? Você não disse que ele era rico?

– O Heitor era, mas eu não. Eu cresci nessa vila. – Disse Rubi.

– Você morou aqui? – Questionou Bela com cara de nojo.

– Sim, eu morei naquele beco. – Apontou para o lugar onde morara a muitos anos com sua família. Vamos, venha conhecer o lugar aonde você iria crescer, se eu tivesse casado com o seu pai. – Falou Rubi puxando a garota e entrando na vila.

– Nossa...

– Olha bem pra esse lugar. Imundo, com as casas minúsculas, todas umas coladas nas outras. Eu odiava viver aqui, e o meu pai prometeu que iria fazer de tudo pra que eu tivesse a vida que merecia, mas ele morreu e não pôde cumprir sua promessa, e minha mãe, sua avó nunca me compreendeu. Eu queria mais do que isso, muito mais. E o seu pai não podia me oferecer o que eu queria naquela época, ele era tão pobre quanto eu. E queria que morássemos em um apartamento de um conjunto habitacional.

– O meu pai era pobre? Espera! Eu não estou entendendo mais nada.

– Sim, o seu pai era pobre, e só conseguiu ter o dinheiro que tem graças ao pai da manca.

– O que o meu avô... Quero dizer, o que o Sr. De La Fuente tem a ver com a fortuna do meu pai?

– Seu pai iria conseguir se sobressair de qualquer forma, porque ele sempre foi o melhor ortopedista do país. Mas quando o Sr. Arthur soube que a sua querida filha estava apaixonada por um pobre, logo tratou de fazê-lo enriquecer. Inventou algumas premiações, e o seu pai ganhou muito dinheiro com elas.

– E o meu pai aceitou isso?

– Ele não sabia, porque o Sr. Arthur apenas financiava os eventos e exigia o anonimato. Ele só soube em outra ocasião, e é claro que aquela maldita mentiu. Isabela eu amava o seu pai, e quero deixar isso bem claro. Eu sempre o amei com a minha alma, mas você me entende não é princesa? Eu tinha que sair daqui, essas pessoas estavam sempre se metendo em minha vida, e eu não queria terminar como elas. Olha, aquela senhora gorda ali na porta, cheia de filhos, eu poderia ser ela, se não tivesse tomado uma atitude, e aquela ao lado dela, poderia ser você. Imagina, viver sem o conforto com o qual está acostumada. Sem as viagens pela América, Europa... Ter que ir para a universidade pública, e de ônibus, ter que usar as roupas doadas. Viver contando cada centavo.

–Deus me livre! – Exclamou a garota. – Mas mãe, eu já sei os seus motivos. Agora o que eu quero saber como as coisas aconteceram, eu preciso entender. – Disse Bela séria fitando os olhos de Rubi.

– O Heitor era um bom rapaz, mas muito fácil de ser controlado. Ele tinha todas as características do homem que eu sempre quis pra mim. E eu juro pra você que eu pensei que fosse me apaixonar por ele, mas isso não aconteceu. Começamos a sair quando eu fui trabalhar na construtora.

– Ele era engenheiro?

– Não, era arquiteto. E tinha um futuro promissor, um sobrenome conhecido, e isso me deixava deslumbrada. Eu o seduzi e então no dia do casamento dele com a Maribel, nós fugimos.

– No dia do casamento? Precisava ser no dia do casamento?

– Eu não planejei isso, o Heitor era fraco, e não sabia tomar decisões. Ele ficou em dúvida se me amava ou se amava aquela imbecil.

– É claro que ele iria escolher você, quem não iria gostar de ter uma mulher assim, incrível por perto. Mas convenhamos que fugir com o melhor amigo do meu pai foi algo meio irracional mamãe. Você poderia ter escolhido outra pessoa, porque justamente o Heitor?

– Eu não sei Isabela. – Mentiu. – Eu não tinha outra saída. Eu não queria que as coisas fossem assim, mas confesso que me senti aliviada quando ele veio me buscar aqui, e desde então eu me tornei a vilã da história. As pessoas passaram a me odiar por sentir pena da pobre Maribel, e ela se aproveitava da situação, e não perdia a oportunidade de colocar todos contra mim. A sua tia Sofia também era outra que não perdia uma oportunidade de me criticar.

– A tia Sofia sempre foi uma chata, não sei como é casada... Agora me diz, como o seu casamento com o Heitor terminou?

– Com o tempo, ele virou uma pessoa extremamente ciumenta, me vigiava, as vezes me tratava bem e as vezes partia para a violência. E eu não o suportava, porque o amor que eu sentia por seu pai era muito forte.

– Você o amava tanto assim?

– Isabela, você é um pedaço, um pequeno pedaço maravilhoso de todo o amor que sentíamos um pelo outro. Eu teria dado a minha vida por ele se fosse preciso. E no fim ele preferiu ela...

– Mãe... – Tentou dizer a garota antes que Rubi a interrompesse.

– Não se preocupe. Eu já superei tudo isso, e hoje sou uma mulher completa. Porque eu tenho uma família linda, e tenho você ao meu lado.

– Também estou feliz mamãe. Mas e o resto da historia? – Perguntava com um olhar cheio de curiosidade.

– Eu decidi largar ao Heitor para ter algo sério com o seu pai, só que aí ele me mandou pra cadeia, pela morte da tal Sônia. O Heitor ficou ao meu lado, me tratando com muita ternura, mas aí eu já estava grávida. Ele ficou furioso ao descobrir que você não era filha dele, e me deixou trancada.

– Ele te deixou trancada? E o que você fez?

– O Toledo me ajudou a fugir, já que o seu pai não quis me ajudar. Ele estava com raiva de mim, por achar que eu estava querendo o enganar. Ele disse que você não era filha dele e que jamais iria assumir responsabilidade por nós duas. – Disse Rubi mentindo novamente.

– Eu não posso acreditar.

– Eu também não acreditei naquela época, mas isso tudo era culpa da Maribel. Ela sempre o manipulava, você não deve sentir raiva dele, e sim dela. Ela não foi capaz de respeitar a minha gravidez. Eu a procurei, expliquei a situação, disse que queria formar uma família com o seu pai, mas ela não ligou, e então eu tive que pedir ajuda a sua madrinha Cristina, que me acolheu com muito amor, nós moramos aqui por alguns dias depois que você nasceu... Se não fosse a minha irmã, nós duas estaríamos perdidas.

– Quer dizer que ficamos aqui até o dia em que você teve que ir embora? E que se não tivesse ido eu teria crescido nessa vizinhança apesar do meu pai ter uma enorme fortuna e tudo isso graças a Maribel?

– Isabela, como eu já te expliquei, o Heitor era um homem muito bom, e me ofereceu o apartamento dele. Eu aceitei, e ele mandou que fizessem um quarto lindo pra você. O seu pai quase nunca aparecia, porque já havia se casado com a manca, e ela não deixava ele nos visitar. O Heitor era o único que ainda me visitava, apesar de eu sempre mandar ele ir embora.

– Porque você fazia isso?

– Eu estava feia, sentia vergonha, você sabe o quanto eu sou vaidosa e orgulhosa, não queria que ninguém sentisse pena de mim, ou que dissessem que eu estava pagando por meus erros... Uma vez, o Heitor chegou de surpresa, eu estava com você na sala, e ele me viu, e disse que embora eu estivesse com aquelas marcas, eu ainda era linda, e que se eu permitisse, ele cuidaria de nós duas e seriamos uma família.

– E porque você não aceitou?

– Porque eu não tinha apenas marcas no corpo Isabela. As feridas da minha alma eram bem maiores. Eu tinha que me fortalecer, e nunca conseguiria ser a Rubi de antigamente se tivesse continuado ao lado dele.

– Rubi? É você mesmo? Não pode ser... O que faz aqui? – Gritou Dona Lola ao vê-la interrompendo a conversa.

– Ai meu Deus! Com tanta gente eu tinha logo que encontrar a senhora Dona Lola? Que azar...

– Mas você... Você não tem as cicatrizes, e nem está parecendo uma bruxa.

– Eu sei, você achou mesmo que eu ficaria daquele jeito pelo resto da minha vida?

– Não Rubi, porque a vida não é justa, porque se fosse, você teria era morrido e só assim nós teríamos sossego.

– Vamos embora Isabela. Eu não tenho que ficar aqui dando explicações para a senhora, Dona Lola.

– Isabela é seu nome mocinha? Então você é a filhinha da Rubi?

– E de quem mais poderia ser sua intrometida? – Respondeu Bela.

– Pelo o visto, vocês duas são iguaizinhas, não só na aparência. – Falou Lola.

– Ai não enche, e adeus Dona Lola, até nunca mais.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.