Fenris e o Reino de Saphael
1 One- Shot - Fenris, O Portal, A Magia e Lulu
Notas iniciais
Uma noite gélida, sem estrelas no céu. Lá estava eu, Fenris, em minha cama, debaixo do meu cobertor, mexendo em meu aparelho celular. A janela do meu quarto estava aberta e por ela entrava um vento noturno, invernal. Um calafrio subiu-me pela espinha como um agouro, olhei para a janela, ouvi o piar de uma coruja e me dirigi a ela.
Olhei para o céu escuro, desci meu olhar a árvore onde a coruja se escondia. Entre essa mesma árvore eu avistei um reflexo, achei que fosse a lua tentando aparecer entre as nuvens, fiquei curioso e fui até lá averiguar. Era um portal e dele alguém me chamava para começar a expedição.
Fui a minha casa trocar de roupa, peguei uma mochila e coloquei nela um caderno, uma lanterna e lanches.
Chegando ao local onde o portal estava, atravessei-o.
Admirei-me com a beleza do lugar, tinha árvores de todas as frutas, flores de todas as cores, eu estava encantado.
Comecei a explorar o lugar e entre as árvores, comendo uma noz via-se um esquilo.
–Olá visitante como vai você? Soube de sua chegada. – um esquilo dizia-me de cima de sua árvore enquanto roía uma noz.
– Como isso? Você é um esquilo. – estava surpreso e ao mesmo tempo encantado com o animalzinho falante.
–Sim, eu sou um esquilo. Esquilo eu sou. – disse a criaturazinha euforicamente. – He He
–Eu percebi o que você é... Mas pelo o que eu saiba os esquilos não falam.
–Mas eu falo. He He. – este esquilo não estava em seu estado sóbrio.
–Certo, Oh! – eu estava espantado ao falar com um esquilo embriagado, que não estava em suas faculdades mentais normais. – Qual seu nome?
–Eu sou Lulu, Lulu sou eu! E você como se chama?
–Fenris. – respondi a ele.
–Oh! É o mesmo nome da minha noz de estimação. Por que você tem nome de uma fruta? – perguntou-me ele.
–Hã? Sua fruta que tem nome de gente!
–Só se... – refletiu o esquilo. – Você é uma fruta!
–Claro que não! Você fumou?
–Só um pouquinho. He He – realmente este esquilo não estava bem.
–Enfim, eu queria saber onde estou.
–Estamos em Saphael. – disse-me ele. – O reino encantado de Saphael.
–Certo, mas em que dimensão fica isso?
– Na quarta, bobinho.
Notando que a criatura estava falando muito e estava dopada, afastei-me.
Logo me deparei com um lago congelado que reluzia com os poucos raios solares. Averiguei se estava mesmo seguro e pus-me a caminho. No meio do lago havia um iglu, dentro dele havia luz, fogo, mas como há fogo em um iglu?
Dando a volta no iglu percebi que lá morava alguém e a pessoa que lá estava também sentiu a minha presença.
A pessoa se agitou dentro de sua morada e eu me apressei para me distanciar. Ouvi um ranger e a porta se abriu.
De dentro da casa saiu um bruxo, muito simpaticamente ele me cumprimentou e ofereceu-me uma torta de maçã.
Aceitei-a por educação e a guardei em minha mochila, não pretendia comê-la, pois não confiava em estranhos.
Adentrei em um bosque cujo havia pequenas estátuas, com formas semelhantes a gnomos, fadas e duendes.
Em uma das estátuas estava gravado um nome, “Green”. Jurei que os olhos da estátua tinham piscado.
–Aceita um cogumelo? – a estátua viva ofereceu-me o cogumelo em sua mão.
–Não, não. Mas você pode ficar com minha torta, não tenho fome mesmo. – dei-lhe a torta com que o bruxo tinha me presenteado.
–Obrigado nobre senhor! –agradeceu-me feliz da vida pela torta.
O pequeno duende digeriu a torta com gosto e quando acabou lambeu seus grossos lábios.
Alguns minutos após, ele começou a se sentir estranho, sua pele acinzentada ficou e se petrificou.
Assustei-me com o ocorrido e fiquei com receio de ser castigado pelo fato. Corri para tão tão distante e ao topo de uma colina cheguei. Avistei o lago congelado que eu havia atravessado e nele não havia mais o iglu do bruxo e sim um grande castelo sendo construído por auras trevosas. Foi aí então que Lulu, o esquilo falante reapareceu e ele me pediu ajuda para unir forças com o reino de Saphael contra o bruxo Crowley. Uni-me ao povo de Saphael e me preparei para batalha.
Convocamos muitos irmãos para a causa, esta batalha era muito mais importante do que eu temia. Não me sentia preparado para entrar numa luta deste porte, logo eu um garoto magrelo que nunca brigou antes, que não tinha nada de mais a oferecer estava aqui.
–Nunca subestime seu verdadeiro eu meu amigo. -Lulu me encorajou, era engraçado vê-lo usando cota de malha. -O mais pequeno dos homens... ou esquilos, pode se tornar o mais digno dos heróis.
Um sábio antigo e culto mestre das artes arcanas e da sabedoria oculta me fez jurar que após a batalha épica, quando o sol brilhasse novamente em encontro com o cristal de safira e eu voltasse a minha terra, eu jamais poderia contar para ninguém sobre este mundo.
O castelo de Crowley estava imenso, suas auras trevosas estavam preparadas para a batalha, mas elas não eram as únicas parceiras deste bruxo maligno. Outras criaturas obscuras estavam a seu lado, como Orcs, ogros, bruxas de baixa classe, espíritos gelados e por aí vai.
O embate entre as duas forças foi imenso, o povo de Saphael queria a tempos se ver livre das maldições e das infelicidades causadas pelo bruxo. Muitos caíram, muitos sangraram, mas a vitória estava iminente.
Terminada a batalha, o reino de Saphael ficou em paz novamente e quando a luz solar finalmente se encontrou com o cristal, Vangelis, o sábio me levou ao local onde o portal foi aberto.
–Adeus meu caro amigo. – despedi-me de meu amigo, o esquilo Lulu e voltei a minha antiga vida, mas com uma lembrança, a varinha usada por Crowley em seus últimos momentos e a lembrança daquele mundo fantástico.
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