Felling

3 Big Girls Don't Cry


Notas iniciais
Boa leitura...

Big Girls Don’t Cry

Os segundos se transformaram em minutos, e os minutos em horas e Alice continuava ali, naquela mesma posição. Deitada de lado na cama que ela divide com Jasper, ou dividia com ele, segurando a folha diante do rosto, sem realmente vê-la. Não conseguia se mexer, não conseguia falar, mas seu cérebro não parava de analisar cada linha que Jasper tinha escrito.

Ela já havia lido centenas, milhares, de vezes. As palavras, que ela já havia gravado, ecoavam em sua mente, ela quase poderia ouvir a voz do marido sussurrando-as, mas ela ainda assim não conseguia acreditar. Ela não pode evitar procurar um significado por trás de cada uma das linhas. As palavras que mais machucavam-na eram as que não estavam escritas.

“Preciso de um tempo para pensar…”, mas não era isso que ele vinha fazendo todas essas semanas? Pensar. Sim era isso que ele fazia e ela havia respeitado o espaço dele, para ele poder fazê-lo em paz.

“… confuso sobre tudo e todos…”, ela não fora excluída da frase, ele precisa pensar sobre ela.

“… preciso descobrir o que se passa na minha cabeça…”, mas uma vez, ele afirmou que estava confuso, não excluindo ela novamente. Ele não sabia se ainda a amava?

“… quando isso acontecer eu volto para lhe dizer o que descobri.”

Ah que bom, ela pensou com sarcasmo, pelo menos se ele perceber que não me ama ele vem me avisar.

“Não se preocupe comigo”, ele estava ciente o que a partida dele iria causar a ela, mas mesmo assim se foi.

“Estou bem”

Que bom pra você, ela pensou com amargura, pois eu não estou nada bem.

“… não tente ver meu futuro…”, ele queria a manter longe?

“Não se esqueça de que eu sempre te amei”, ele a amava, aquilo deveria acalma-la, certo? Amei. A palavra estava no passado e isso não passou despercebido por ela.

“Jasper Whitlock”, até mesmo ali havia mais do que aparentava, ele renunciara dos outros dois sobrenomes, agora era novamente apenas o general Jasper Whitlock.

Sem Hale, sem Cullen e sem Alice.

Ela não notou quando Carlisle chegou do hospital. Ou quando ele a analisou. O rosto dele, normalmente calmo, corrompido pela preocupação. Ele pegou o papel da mão dela e olhou com compaixão. Mas isso também passou despercebido por ela.

Só pensava em Jasper, em onde ele estaria nesse momento e o que se passava pela sua mente. Será que ele realmente voltaria? Será que ele realmente tinha deixado de ama-la? É claro que sim, do contrario não a deixaria ali desamparada, sem despedidas, deixando nada além de um maldito bilhete.

Carlisle tentou conversar com ela, consola-la, mas desistiu depois de algum tempo, percebendo que ela ou queria ficar sozinha ou estava chocada demais para sequer assimilar qualquer coisa que ele falasse. Então Rosalie e Emmet chegaram, repedindo os gestos de Carlisle, mas desistiram ainda mais rápido que o mesmo. Antes de amanhecer Rose resolveu, mesmo a contra gosto, ligar para Bella. Esme e Edward só chegariam no dia seguinte, e não via outra opção senão falar com a humana.

Chamou uma, duas, três vezes, até que Bella atendeu com a voz sonolenta.

-Alô

-Bella? É Rosalie.

-Rosalie? Que Rosalie – perguntou atordoada pelo sono.

-Rosalie Cullen – ela respondeu já irritada com a lentidão da humana.

O nome fez com que ela de repente espertasse. Abriu os olhos e sentou-se na cama. Rosalie nunca sequer falava com ela se pudesse evitar. Por que ela estava ligando às quatro da manhã de um domingo?

-Oh meu Deus, Rosalie, aconteceu alguma coisa?

-É melhor você vir aqui. Agora.

-O que houve? Edward está bem?

-Está.

-E Alice? Esme? Carlisle? Emmet? Jasper? – ela estava se desesperando.

-Apenas venha.

-Que inferno Rosalie, você não pode me ligar de repente com um sim “venha aqui” como explicação. – Bella quase gritou segurando o celular entre o ombro e a orelha, enquanto colocava uma calça jeans e procurava a chave da caminhonete.

-Jasper foi embora – Rosalie se viu respondendo, assustada demais com o tom de voz as humana geralmente sem graça, para ficar irritada com sua ousadia – Venha rápido – ela falou tarde demais, Bella já havia desligado.

Bella terminou de se vestir e correu escada abaixo, agradecendo por não tropeçar em uma hora dessas, escreveu um bilhete apressado para Charlie explicando que estava na casa dos Cullen e entrou no carro, dirigindo o mais rápido que a caminhonete aguentava. Lembrou-se da conversa que tivera com Alice aquela manhã. Bella não podia imaginar a razão de Jasper ter ido embora, ele era tão apaixonado, tão dependente de Alice, e o sentimento com certeza era reciproco. Alice não vivia sem ele. Como a fadinha estaria reagindo a isso? Muito mal provavelmente, já que Rosalie se viu obrigada a ligar para ela pedindo ajuda.

Com os olhos marejados, Bella notou que não precisava imaginar como estava a melhor amiga, porque ela sabia, ela entendia perfeitamente como era ser abandonada pelo amor de sua vida, ter seu chão e seu mundo tirado de você, não sentir mais vontade de viver.

Então ela se desesperou. Alice vivia com Jasper há muito mais tempo, sua ligação com ele era muito maior. Devia estar sofrendo muito mais do que ela tinha sofrido. E se ela realmente quisesse acabar com a própria vida? Antes de conseguir a resposta para aquela pergunta, ela chegou à casa dos Cullen. Entrou sem fazer cerimonia, viu Carlisle, Rosalie e Emmet na sala. Não falou com ninguém, seguiu quase correndo para o quarto que ela sabia que era de Alice. Entrou e a viu deitada na cama, mas a mesma não pareceu nota-la ali.

Bella correu e a abraçou, não houve reação imediata, porém a humana ficou surpresa quando, depois de alguns segundos, sentiu pequenos braços gelados retribuindo o abraço. Ficaram naquela posição o que pareceram horas, até Bella se afastar um pouco de Alice, sem realmente larga-la, e a olhar nos olhos. Ambas estavam sentadas agora.

-O que aconteceu? – ela percebeu que a melhor coisa seria a fazer desabafar.

A vampira demorou a encontrar a própria voz, passara as ultimas horas em total transe.

-Bella… ele… ele me deixou – ela disse, então, finalmente, rompeu em um choro sem lagrimas.

As duas garotas deitaram na cama novamente. Ainda abraçadas. Alice com a cabeça no vão do pescoço de Bella, que ficou passando a mão nos cabelos da amiga tentando acalma-la. As duas se sentiam mais do que confortáveis naquela posição.

-Calma Ali, shhh, calma.

-Eu disse, Bella… eu disse que ele não… que ele não me amava mais – ela falou em meio aos soluços – Ele não me ama… Bella, eu não sou… boa o bastante.

Os olhos de Bella se encheram de lágrimas com aquelas palavras, com a dor da amiga, se lembrando da própria dor. Alice percebeu o efeito suas palavras, rapidamente se sentou de novo.

-Desculpe Bella, desculpe. Eu… eu não sabia… — ela estava quase desesperada — Agora eu entendo o que você passou… é… é horrível – ela disse abraçando Bella choravam – Por que ele fez isso, Bells? Por quê? Será que ele ama outra? Ele estava me traindo?

-Ali, eu não sei por que ele foi embora, mas Jasper nunca teria te traído, ele seria incapaz de fazer isso. Ele não é esse tipo de cara – ela disse convicta.

-Eu também achava que ele nunca me abandonaria, mas parece que eu estava errada, não é? – ela falou amargamente.

E as horas passaram. Alice deitada sobre Bella, com o rosto encostado em seu busto, com o corpo balançado devido aos soluços quase que desesperados. Bella também chorava, porém as lagrimas desciam mais calmamente. Ela chorava pelo sentimento de angustia e de ódio que a consumia. O primeiro por querer mais do que tudo sentir a dor no lugar de Alice, e o segundo de Jasper, que era claramente o culpado por aquilo.

E assim foi, Bella tentando consolar Alice e Alice chorando, agradecida por ter um ombro amigo. Não. Agradecida por ter Bella. O sol há muito já havia nascido quando Alice se acalmou um pouco e ficou tão quieta que parecia que estava dormindo ao lado de Bella, que, depois de passar um bom tempo observando e admirando-a, realmente dormiu.

Carlisle, Rosalie e Emmet escutavam tudo. Sensibilizados pela ligação que Alice e Bella compartilhavam, até mesmo Rosalie começou a simpatizar um pouco com a humana, ela podia não demonstrar, mas ela amava demais Alice, ela era como uma irmã mais nova, sempre feliz, sempre animada. Doeu-lhe muito vê-la daquele jeito.

Era quase pouco mais de oito horas quando o celular de Bella tocou, tirando Alice de seu pequeno cochilo, por sua vez, Bella nem se mexeu, totalmente adormecida, deveria estar cansada, ela havia dormido há pouco mais de uma hora. Alice atendeu.

-Alô – ela falou, sua voz sem vestígios do choro.

-Oi, desculpe acho que liguei errado, esse não é o celular de Bella Swan, é? – falou uma voz masculina meio rouca e bastante sexy.

-Sim, ela está dormindo, quem fala? – ela perguntou.

-Jacob Black.

-Ah claro, o vira-lata – ela sentiu nojo por ter achado a voz dele sexy.

-E posso saber com que eu estou falando? – ele perguntou irritado.

-Alice Cullen.

-Ah sim, a sanguessuga. Passa o celular pra Bells, eu quero falar com ela, ela vem aqui em casa hoje – ele falou mais rude do que o normal, apesar de ele não ter certeza se Alice era a loira ou a do cabelo curto.

-Você não ouviu quando eu disse que ela está dormindo e está aqui em casa, ela vai ficar aqui hoje – Alice disse sabendo que não ia aguentar ficar longe de Bella naquele momento -, então nem pense em ficar ligando pra perturbar com a nossa vida.

-Quer dizer com a vida dela, certo? Porque vocês são criaturas mortas – ele falou com desprezo.

Alice não se dispôs a responder, apenas desligou, não estava com paciência para ficar discutindo com aquele cachorro. Levantou-se da cama com cuidado para não acordar Bella, deu um beijo em sua bochecha, depois falou apenas um pouco mais alto do que o normal:

-Vou dar uma volta.

Sabia que apenas aquilo seria necessário para que todos na casa a ouvisse. Aproximou-se da janela do seu quarto e pulou. Sentiu um aperto no peito ao perceber que ali o cheiro de Jasper era mais forte. Segui para leste. Permitiu-se respirar fundo uma ultima vez antes de seguir para o lado oposto. Amava-o, mas era orgulhosa demais para segui-lo quando ele havia deixado tão claro seu desejo de distancia.

Correu até sentir um forte cheiro de cachorro molhado. Devia estar chegando à fronteira Quileute. Afastou-se um pouco, voltando pelo mesmo caminho, até o cheiro ficar mais fraco, sentou em um grande tronco caído, apoiou sua cabeça em uma árvore que havia em seu lado e tentou não pensar em nada.

Conseguiu. Todos os pensamentos expulsos. Sua mente, então, se encheu com as visões, tantas visões que lhe deu dor de cabeça. No inicio, coisas importantes: Rosalie e Bella iriam se entender, mas depois de uns dias iriam discutir; Jasper estava sentado à beira de um grande lago no meio de uma floresta desconhecida; Esme e Edward iriam chegar no dia seguinte pela manhã, logo após Bella acordar; Jane iria atrair os humanos para os Volturi se alimentarem; Jasper iria ligar à noite; Gucci e Dolce & Gabanna iriam se juntar e lançar uma coleção de inverno e uma de primavera.

E depois visões tão irrelevantes que chegava a irritar. Um grande jogador de basebol iria se machucar acabando com sua carreira, iria chover em Phoenix a semana inteira, cinco fábricas seriam fechadas por falsificação de roupas e eletrônicos, o governador seria flagrado traindo a esposa, o índice de pessoas que morrem atingidas por um raio irá aumentar, a bolsa de valor de certa empresa iria despencar fazendo-os falir…

Cinco visões por minuto, sua cabeça estava explodindo. Com os olhos fechados, massageando as têmporas, pediu a Deus que ela ficasse cega daquelas visões, apenas por um tempo.

Alice se assustou quando viu seu pedido realizado. O futuro ficou nebuloso, incerto. Então, sentiu aquele cheiro que ela tanto detestava. Abriu os olhos e em pé a sua frente estava um garoto, com tantos músculos que podia ser chamado de homem, mas seu rosto inocente mostrava sua verdadeira idade, ele era alto, moreno, olhos de um preto profundo. Estava só de short, dando-lhe a vista do seu perfeito peitoral.

Jacob a reconheceu na hora, era a vampira que tinha convencido Bella a ir para Itália atrás do sanguessuga que a tinha abandonado. Ele a odiava, ela havia acabado com as chances de ele e Bella ficarem juntos.

Mas ali, sentada, encolhida, encostada na árvore, massageando a têmporas, fazendo uma leve careta como se estivesse sentindo dor. Ela parecia tão frágil, tão indefesa, ele sentiu vontade de abraça-la, consola-la e de sentir a dor por ela.

Quando ela levantou o olhar ele viu certa admiração em seus olhos, ele quase corou quando ela o analisou dos pés a cabeça. Finalmente reconhecendo a pessoa a sua frente.

Sim, ela o reconheceu, se levantou ficando de pé frente para ele.

-O que você esta fazendo aqui? Esse é o nosso território – ela o estava enfrentando, é claro, mas não parecia realmente com vontade de fazê-lo.

-Vocês são proibidos de entrar em La Push, mas nós podemos andar por onde nós quisermos, só não podemos contar para os humanos que vocês existem – ele se surpreendeu consigo mesmo, quando tentou não ser rude.

-Não preciso que fique me lembrando do Tratado. Vocês podem vir aqui, quero saber por que veio.

-Quero falar com Bella – sim, era por isso que ele estava ali, mas de repente falar com a melhor amiga não parecia mais tão importante.

-Ah – Alice deu um sorriso irônico –, você acha que nós a estamos proibindo de ir a La Push. Saiba que ela foi lá pra casa, porque ela quis.

-Você a chamou para ir para a sua casa mesmo sabendo que ela ia pra La Push – ele disse irritado.

-Eu não a chamei e como é que eu ia saber que ela ia pra La Push.

-Não é você a vidente? Com certeza sabia.

Alice se sentou novamente no tronco de arvore, encostou a cabeça na mesma e encarou o chão.

-Eu não sei mais de nada – ela disse baixo.

Ela parecia realmente machucada. Ele a analisou, se sentindo culpado por seja lá o que ele tinha feito, quem será que a tinha machucado? Como alguém poderia ter coragem de machuca-la? Como alguém poderia ter coragem de sequer levantar a voz pra ela? Ele não tinha.

Novamente a vontade de sentar ao lado dela o invadiu e, antes que ele pudesse evitar, ele o fez. Ela estranhou, mas não disse nada.

-O que… O que houve, san… Alice? – ele hesitou antes de perguntar e quase a ofendeu, ele não queria que isso acontecesse.

-Como se você quisesse mesmo saber – ela falou cheia de sarcasmo – Por que você esta fingindo que se importa?

-Na verdade, pode parecer estranho, mas eu me importo. Você é a melhor amiga de Bella. Se você está mal, ela também está – ele tentou justificar, mas aquilo não tinha nada a ver com Bella.

-Bom, obrigada, mas Bella está bem.

-Qual é, para de enrolação e me conta logo o que aconteceu – ele falou colocando os braços ao redor do ombro de Alice, que lhe olhou com os olhos arregalados tentando entender aquilo, mas ele também não sabia, havia sido um movimento involuntário, mas não se arrependeu de tê-lo feito.

-O-O que é isso? – Alice perguntou olhando para ele sem se afastar.

-Não sei, acho que você parece tão pequena e indefesa que da vontade de… te proteger – ele se viu sendo sincero.

Ela não falou nada, apenas se aconchegou ali, colocando a cabeça no peito nu dele e deixando que o braço dele envolvesse seu corpo.

-E o que é isso? – ele perguntou

-Você é quente, principalmente pra mim, e bom, calor não é uma coisa que eu sinto com frequência. Além de que eu estou com dor de cabeça por causa das visões, assim como eu estou agora, nem se eu tentar eu consigo ver alguma coisa, você é tipo um remédio pra minha dor.

Jacob gostou de ouvir aquilo, mas do que deveria.

Eles ficaram em silencio por um tempo, se perguntando o que exatamente estavam fazendo. Ela estava sofrendo por Jasper, mas estava mais que confortável nos braços de um lobo, quase tanto quanto ficava nos braços da melhor amiga. E ele tinha ido ali para falar com o seu amor impossível, Bella, e agora estava abraçado a uma vampira.

E o pior: nenhum dos dois queria sair dali.

E isso era o que mais os confundia, eles não se odiavam há alguns minutos? Então o que estavam fazendo ali?

-E ai, vai me falar o que aconteceu? – Jacob perguntou sem querer acabar com aquele momento, mas assustado e surpreso demais para continuar calado.

A pergunta fez com que ela soltasse Jacob e se endireitasse no tronco, fazendo com que ele desejasse não ter falado nada.

-Jasper, meu… marido – ela explicou olhando para o chão sem saber se ele sabia quem era.

-Sei quem ele é – falou lembrando-se do musculoso e do loiro.

-Ele… bom, ele foi embora – ela hesitou antes de falar tentando não começar a chorar ali mesmo.

-Ele te… abandonou? – ela se assustou ao ouvir aquilo tão explicitamente da boca de outra pessoa.

-Sim – foi a única coisa que ela conseguiu responder.

-Mas como… como ele pode fazer uma coisa dessas? – Jacob falou baixo, sem perceber passando para palavras seus pensamentos – Como ele foi capaz de fazer uma coisa dessas com você?

-Ele não sabe se me ama – ela falou olhando para ele com um sorriso triste – Nós vivemos décadas juntos e ele não sabe se me ama – ela teve vontade de gargalhar com a ironia.

-Mesmo se tivessem vivido juntos só alguns dias, como ele pode não te amar? Você é tão bonita e delicada e frágil, como alguém pode não gostar de você? Ou te machucar do jeito que ele te machucou? – ele falava incrédulo – E pelo que Bella me disse você é sempre feliz, animada, boa, divertida, amiga e perfeita – Bella nunca tinha dito que Alice era perfeita, mas Jacob tinha certeza que ela era.

-Perfeita? Eu não sou perfeita. Bella acha que eu sou perfeita? – a possibilidade encheu o coração parado da vampira.

-Não sei o que ela acha, sei que eu tenho certeza.

-Você nem me conhece – ela falou confusa – E é um lobo.

-E-Eu quero conhecer.

Ele não sabia por que ele estava agindo daquela forma com Alice, mas ele queria descobrir e só havia uma maneira de isso acontecer: conhecendo ela.

-Tenho uma proposta – ele falou se levantando — Que tal se nós dermos trégua por uns dias, sabe sem os dois disputando pela atenção de Bella, quando o sanguessuga vai caçar. Você poderia vir aqui, nós podíamos conversar. Depois que eu te conhecer, vou poder te provar que você é perfeita.

-Mas meu cheiro te incomoda, assim como o seu me incomoda – ela falou ficando de pé também.

-Fala serio, acho que nós conseguimos nos acostumar, afinal nós não estamos aqui conversando?

-É, acho que sim.

-Então até amanhã – ele falou com um lindo sorriso no rosto – Sam deve estar se perguntando onde estou.

-Até – ela falou com um sorriso também.

Alice achava que, de alguma maneira, estava um pouco melhor do que quando saiu de casa, mas no momento em que Jake se foi, todos os sentimentos voltaram. Solidão, abandono, magoa, tristeza e, apesar de ela não querer admitir, orgulho ferido.

Ela percebeu na hora o quando Jacob fazia falta. Não, a consciência dela quase gritou, claro que não é a presença dele, é só a presença de alguém.

Por vários minutos tentou se convencer disso, tentou. Depois de um tempo apenas desistiu. Já estava na hora de voltar pra casa, dali a alguns minutos Bella acordaria, ela viu. Agora, com o lobo longe, todas as visões voltaram com toda a força. Ela apenas ignorou como sempre fazia. Se tentasse ver todas, a dor de cabeça voltaria.

Não entrou em casa, pulou direto na janela do seu quarto. Bella não estava.

-Bells? – ela chamou.

-Aqui em baixo – ela respondeu, a voz vinha da cozinha.

Carlisle estava trancado em seu escritório, havia subido para lá, com um olhar confuso e preocupado, minutos depois de Bella chegar. Rosalie e Emmet, no entanto, continuaram na sala de estar, estavam chocados com o que Jasper havia feito e estavam até agora cochichando sobre o assunto.

Enquanto descia as escadas, vagarosamente, Alice podia escutar palavras sussurradas, porém não se importava em saber sobre o que eram, na verdade, não precisa pensar muito para ter certeza que falavam dela, ainda mais quando os sussurros foram sessados no instante em que sua presença foi notada na sala.

Rosalie, Emmet e Alice se encararam por rápidos instantes. Alice, obviamente, não tinha sua animação típica de todas as manhãs, Rosalie não estava acostumada a ser educada ou gentil, mas não podia ser arrogante com a irmã agora. Emmet estava ainda mais constrangido do que sua esposa, não sabia como lidar com aquele tipo de clima, até ele havia notado que ninguém reagiria bem com uma piada e não conseguia pensar em uma maneira de aliviar o clima. Mesmo sem perceber os dois encaravam Alice com certa pena, o que a incomodou imensamente.

Aquilo não durou mais do que quatro segundos, pois Rosalie logo quebrou o contato visual, levantou o rosto, como se, disfarçada e elegantemente, farejasse o ar. Depois fez sua melhor cara de nojo.

-Que cheiro horrível é esse? – disse sabendo que pelo menos isso todos desprezariam também – Cachorros vira-latas, aposto que estão por perto.

Emmet sorriu levemente, com aquilo sim ele poderia fazer piada. Abriu a boca, pronta para soltar uma de suas gracinhas, quando Alice disse:

-Sou eu – o sorriso do casal sumiu – Fui caminhar e encontrei Jacob, o amigo de Bella.

É, agora o clima está muito melhor, Rosalie pensou vendo a irmã seguir para a cozinha.

Bella havia acabado de preparar um prato de ovos com bacon quando Alice entrou no aposento. A primeira notou o semblante da amiga, mas nada comentou, apenas sorriu-lhe.

-Bom dia – Bella cumprimentou, depois se voltou para seu prato.

-Bom dia – Alice respondeu sorrindo, a amiga não lhe olhava como os irmão, apenas agia normalmente – Não achei que tivesse ficado tanto tempo fora, você levantou que horas?

-Ah, acabei de levantar, já são quase dez horas.

-Você dormiu muito pouco, não quer deitar? – Alice se sentou ao lado dela na mesa da cozinha.

-Ali, eu estou bem, ok? – ela disse rindo, depois ficou séria – E você?

-Eu… estou bem, na medida do possível.

-O que você quer fazer hoje?

-Deitar na cama e morrer?

-Sinto muito, isso não vai acontecer – Bella disse, Alice sorriu de leve – Que tal, alugar uns filmes, comprar pipoca pra mim e pegar bastante sangue que eu sei que Carlisle guarda aqui.

-Você é louca? – Alice riu abertamente – Isso é o que? Uma versão alternativa para passar um dia na fossa?

-Exatamente, gostou? – Bella sorriu

-Muito – Alice sorriu – Pena que não vai acontecer, o sangue que Carlisle guarda é para emergência humanas, ou seja, é o seu tipo sanguíneo. Não posso te arriscar desse jeito. Posso me descontrolar e…

-Alice – Bella a cortou -, nada vai acontecer, confiaria minha vida a você.

-Eu sei é só que…

-Ali, eu confio em você mais do que eu confio em Edward – ela disse baixo o bastante para apenas elas duas ouvirem. – Não precisa ficar assim, nada vai acontecer.

Alice abraçou a amiga, porém, mais rápido do que ela esperava, fazendo com que Bella caísse da cadeira. Elas riram e continuaram no chão, abraçadas.

-Então, vamos dar uma andada no shopping? – Bella perguntou depois que terminou de comer.

-Ok, você quer mesmo me deixar bem.

-Alice, você definitivamente não é do tipo que fica na cama se recusando a viver só porque um homem te deixou – Bella riu – Essa sou eu. Você é muito diferente. E não estou fazendo isso pra te animar, estranhamente, eu quero ir ao shopping.

-Então, o que ainda estamos fazendo aqui?

Elas se arrumaram rapidamente, após um banho bem demorado, vestiram roupas bonitas, saltos altos e maquiagem leve e saíram de casa. Alice estava muito triste, mas decidiu que não ia se deixar abater, iria fingir que estava bem, porém, não precisou, pois realmente ficava bem quando estava com Bella.

Um pouco antes do meio dia estavam chegando ao mesmo shopping que foram no dia anterior. Estava cheio de gente por todos os lados e as duas amigas seguiram direto para a praça de alimentação para Bella poder almoçar alguma coisa e não ter desculpa para parar as compras.

Continuaram ali o resto da tarde, Alice e Bella andavam de uma loja a outra sem pressa alguma, comprando muitas coisas com o cartão de credito dos Cullen. Muitas vezes tiveram que ir ao estacionamento deixar suas sacolas no carro, fizeram a última dessas viagens e voltaram para pagar o estacionamento.

Eram quase cinco da tarde, os pés de Bella doíam, mas ela realmente havia gostado do dia e não se importava de sentir cem vezes mais do que a dor que sentia só para continuar a ver o sorriso que Alice tinha no rosto.

-Não acredito no dia de hoje – ela disse enquanto pagava o ticket de estacionamento – Nunca vi você tão animada fazendo compras.

Após o pagamento, estavam voltando, novamente, para o carro quando Alice ficou séria, segurou a mão de Bella e as duas pararam de andar.

-O que aconteceu? – Bella perguntou preocupada.

-Vampiro. – ela respondeu, olhando para os lados – Em algum lugar por aqui, os cheiros estão muito misturados para eu saber onde exatamente.

As duas se viraram exatamente no mesmo instante para examinar o local à suas costas e o viram.

Ele era lindo, tinha a pele clara e o cabelo castanho escuro, aparentava ser poucos anos mais velho que elas, seus olhos eram quase do mesmo tom que os de Alice, o que tranquilizou as duas. Ele as olhava, assustado e confuso.

Em passos humanos ele se aproximou delas, as duas ainda estavam de mãos dadas, Alice ligeiramente na frente de Bella, pois não a deixaria tão perto de um vampiro desconhecido.

-Olá – ele cumprimentou.

-Oi – Alice e Bella responderam.

-Vocês… eu não entendo… será que nós podemos conversar em outro lugar? – ele perguntou olhando apenas para Alice.

-Claro. – ela respondeu educadamente

Os três seguiram para o local onde o Porsche de Alice estava estacionado, o estacionamento estava lotado, porém não havia uma única pessoa ali além deles.

-Ela sabe que você é…? – ele perguntou baixo assim que eles pararam de andar.

-Uma vampira? – Bella perguntou – Sim, eu sei.

-Então vocês, er, são…?- ele não soube como perguntar.

-Não, não – Bella negou rindo, enquanto Alice abaixava o rosto, envergonhada, escondendo um sorriso. Ambas olharam para seus dedos entrelaçados, percebendo o que ele estava insinuando – Cunhadas.

-Desculpe. – ele disse com um sorriso sem graça, fez uma pequena pausa. -Eu nunca encontrei outros como eu – ele confessou.

-Nunca encontrou outros vampiros?

-Já… o que eu quero dizer é que nunca encontrei outros que se alimentavam como eu… com a mesma cor dos olhos – ele explicou – Eu achei que não existisse mais ninguém.

-Nem todos nós somos assassinos. – Alice sorriu. – Talvez você queira conhecer minha família, somos vários.

-Eu adoraria – ele sorriu.

-Aproposito, me chamo Alice Cullen, essa é Bella Swan.

-Prazer garotas – ele sorriu -, meu nome é Sebastian D’Angelo.

N/A:

Bem, eu sei que a historia está se concentrando muito nas duas, mas isso irá mudar. Agora que o Sebastian as coisas irão se desenrolar mais rápido e eu vou poder focar nos outros mais. A fanfic está praticamente pronta, mas, como sempre, opiniões são bem-vindas, e dependendo do que vocês falarem eu posso mudar tudo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.