Foi-se o tempo quando podia chama-las de "memórias"

Recordações a que guardo junto ao peito, das que sinto falta

Pra onde foram, memórias?

Que procuro em todo lugar

Que se perderam dentro de mim

Memórias, doces, singelas memórias

Perdidas num vale de sombras

Procurando por alguma luz

Memórias, reconstruindo memórias

Memórias falsas

O tempo que reconstrui é ilusório

Minhas memórias se foram

E o tempo continua a passar

Tempo, mais uma ilusão

Ilusão que corroi, destroi,mata...

Mortas...

Minhas lembranças estão mortas?

Não, ainda procuro por elas...

Repetindo cada passo dado

Dia após dia

Sem encontrar

Paro por horas

Esperando que voltem

Adormeço para que voltem...

Já não sou mais aquela luz

Por isso vago na escuridão de minhas pálpebras

No colo do mundo

Rodeada pela realidade

Onde estará meu coração?

Arranca-lo do meu peito não fará que volte

tudo que se perdeu

Esse tempo todo

Acorrentado a mercê do povo

Esperando por mim

"Acorde" ele dizia...

Mas não o vejo com os olhos abertos

Além das ascilações do preto e do branco

Vago pela perturbação da minha mente

Há luz?

Onde estará?

Já me disseram uma vez: " Siga o exemplo dos que já tentaram.."

Mas eu não posso, não quero...

Dessa forma, nunca encontrarei minhas memórias...

E sim, as deles...

Não pretendo ter tudo

Só quero me pertencer

Pra onde eu fui?

Depois de andar tanto, com os pés cansados e machucados, me pergunto...

E me sinto vazia

Sinto falta de algo que perdi, mas que vai ser meu para sempre...

Verdades...Mentiras...Nada mais importa...

Olho pra dentro de mim e vejo a oscilação

Do que um dia pude chamar de "meu"...

Notas finais
10/03/10.