Felizes para sempre
5 Cidade das Antas - Parte 3
Notas iniciais
O dia já clareava na Cidade das Antas quando Ferdinando acordou e ficou por alguns minutos, como sempre, admirando sua amada dormir. Depois de alguns minutos, decidiu pedir algo reforçado para o café da manhã, não só para repor as forças mas porque teriam um longo dia pela frente.
Após alguns minutos, o funcionário do hotel veio trazendo um carrinho de café da manhã com ovos mexidos, pedaços de bolo de chocolate, dois copos de suco de laranja e para enfeitar o carrinho de café, um jarro com várias rosas vermelhas, a pedido de Ferdinando. Ele prontamente vestiu a calça e atendeu a porta, pegou o carrinho e o levou até a beirada da cama, voltou, deu uma gorjeta ao funcionário e fechou a porta.
Deitou calmamente atrás de Gina, agarrando- a, depositando vários beijos em seu pescoço, bochechas, até que ela acordasse.
_ Vamos... menininha... acorde
_ Huum, que que foi, frangotinho? Tá cedo, ara.
_ Num ta cedo não, nois que fomos durmir tarde onte. Já são oito horas.
Nessa hora Gina ficou assustada, pois nunca tinha acordado a essa hora, estava acostumada a levantar junto com o sol.
_ Venha menininha, venha ver o que que ieu mandei preparar para nois dois. Olhe para frente da cama.
Gina sentou na cama, olhou para sua frente e ficou admirada com o carrinho de café da manhã enfeitado com apenas um jarro de flores vermelhas.
_ Nossa Nando, isso tudo é pra ieu?
_ Na verdade minha cara é pra nois dois. Disse Ferdinando rindo da cara que Gina fazia, pois ela estava se referindo as rosa que ornamentavam o carrinho, e não necessariamente pela comida.
_ Ara Ferdinando, ieu tava falando das frô.
_ Ieu sei, menininha, pensei que ocê nem tivesse notado elas, purque ocê num é dessas muier que fica admirada cum essas coisas, e ieu queria ter certeza de que ocê tinha notado elas.
_ Ara franogotinho, como que ieu havera de num nota, é o que mais aparece daqui. Disse Gina querendo provocá-lo.
_ Giiina, para de me provocar!
_ Mas ieu num fiz nada, só falei que num da pra reparar muito na comida cum tanta frô.
_ Ara, ieu quis lhe agradar cum essas flores e ocê rindo delas.
_ Ieu num to rindo delas. Disse Gina colocando a mão no queixo de Ferdinando e levantando-o até que ele a encarasse. _ Ieu adorei as frô, frangotinho, ieu to brincando cocê. Ao final o puxou para um beijo mais do que apaixonado, um beijo de desculpas e de agradecimento.
_ Tá bão menininha, agora vamos tomar o nosso café purque hoje o dia vai ser longo.
_ Como assim longo?
_ Ara, nois vamos comprar um vestido para a senhorita e vamos encarar uma viagem cansativa de vorta, e ainda por cima, passar lá em casa pra falar cum meu pai que nois vamos para a casa do vosso pai minha querida.
_ Ara, é mermo frangotinho, intão vamo tumar nosso café que ieu to morrendo de fome, so capaz inté de cumer até o vosso café, tumem.
_ Nananinanão, minha querida, purque ieu tumbém to cum muita fome, graças a ocê.
Gina riu de vergonha.
_ Pare de falar essas coisas, Nando.
_ Sabe que ieu nunca vô me cansar de lhe fazer algum elogio, fique ocê sabendo minha cara.
_ Ta bão, agora vamo cumer.
*
Ao deixarem o hotel, foram em direção a uma loja de vestidos. Ao chegarem a loja, Gina ficou encantada com a quantidade de vestidos que via.
_ Nossa, Nando, quanto vestido!
_ I ocê pode escolher o que ocê quizer, que ieu lhe compro
_ Ara, ieu...
_ Bom dia. Foram surpreendidos com uma voz calma e serena da vendedora. _ Desejam alguma coisa senhores?
_ Bom dia, queria comprar um vestido pra minha esposa.
_ Sim claro, temos muitos vestidos, que acabaram de chegar da capital que são do tamanho certo de sua esposa.
_ Ah, ótimo, gostaríamos de ver.
E assim, forma em direção a parte de trás da loja, onde se localizavam os vestidos que acabavam de chegar.
_ Olham, temos esse azul, esse vermelho.
Foi ai que Gina viu um vestido que mais lhe chamou a atenção, um preto de seda, com pequenos brilhos por toda a extensão do vestido, com um decote nas costa que ia até o início do quadril. Gina apertou mais a mão de Ferdinando para chamar atenção dele, ele virou- se para ela e perguntou:
_ Gostou desse, meu amor?
Gina não disse nada, apenas apontou para o vestido que estava na vitrine.
_ Ah, ocê gostou daquele?
Ela acenou positivamente com a cabeça. Ferdinando virou-se para a vendedora e disse:
_ Ocê poderia pegar aquele vestido ali, pur favor?
_ Claro.
Quando a vendedora voltou com o vestido, Ferdinando o pegou e falou para Gina:
_ Vá lá provar o vestido, pra mo da gente vê se vai ficar bom nocê.
Gina foi em direção ao provador, quando voltou viu em Ferdinando e uma vendedora de bocas abertas com tamanha beleza que Gina transparecia dentro daquele singelo vestido, pois este realçava ainda mais sua beleza.
_ Meu amor, ocê ... ta liinda!
_ Esse vestido ficou mesmo muito bom na senhora.
_ Brigada. Disse Gina, envergonhada.
_ Então Gina, vamos levar, vá tirá-lo que ieu vô pagar.
*
Ao saírem da loja de roupas Ferdinando e Gina aproveitaram a ida a Cidade das Antas para comprarem os materiais de construção para a nova casa deles, encomendaram cimento, tijolos, areia e outras coisas.
*
No início da tarde, decidiram que já era hora de voltar a realidade, mas antes não podiam deixar de tomar o saboroso sorvete de sempre.
_ Gina, ieu adoro tomar sorvete junto coce, na verdade num sei mais o que que ieu gosto de fazer sem ser coce.
_ Num me diga, frangotinho, tumbém gosto muito di ta cocê. Mai, nois daqui vamo direto pra casa do seu pai?
_ Sim, menininha, ieu preciso ir pegar minhas roupas pra ir cocê pra casa do vosso pai, mas ainda bem que nois já compramos os materiar pra construir nossa casa logo, acredito que daqui a um mês a gente já possa morar em nossa casinha.
_ Ara, que bão, frangotinho! Num vejo a hora de poder estar cocê na nossa casinha.
_ Ocê me deu uma ideia agora, menininha.
_ Quar?
_ Nois podemos ficar por la esses dias enquanto os materiar num chegam, a gente conta pros nossos pais da nossa cunversa com o Renato, o que ocê acha?
_ Num sei, Nando.
_ Como não? A gente já tem tudo que precisa. Afinar nois só vamos durmir mesmo, i o mais importante que é a cama nois já temo, i pelo que eu saiba lá já tem o quarto que o Renato dormia, a gente coloca nossa caminha lá e faz o nosso ninho de amor, menininha. Disse Ferdinando chegando mais perto de Gina e lhe depositando um selinho.
_ Ara, será nossos pais vão gostar dessa ideia assim tão rápido.
_ Ele num tem que gostar, nois já samo casados, num importa o que eles acham.
_ É mermo, ocê tem razão, frangotinho. Disse Gina indo em direção a Ferdinando e lhe dando um beijo, sem perceber que eles estavam ainda na sorveteria, foi ai que ela abriu os olhos entre os beijos, percebeu que estavam na rua, parou com o beijo, enrubeceu.
_ Num fique assim, menininha, nois num fizemos nada de errado.
_ Ieu sei, mas ieu num gosto de fazer isso na rua, frangotinho.
_ Ah é, num gosta... deixa ieu ver. Ferdinando a puxou para mais um beijo.
Depois de alguns segundos, Gina conseguiu recobrar a consciência e recordar que estavam na rua.
_ Araa, espere... pare, Nando... araaa. Disse ela levantando como que por um impulso, como se fosse a única forma de se livrar dos beijos do amado.
_ Vamo imbora?!
_ Tá bão, vamo.
E lá foram os dois em direção a estação de trem, de braços dados e conversando.
_ Mas saiba que o seu sorvete estava delicioso, menininha.
_ Como assim, Ferdinando?
_ Nada minha querida, é que seu sorvete de chocolate estava muito bão, ainda mais vindo do lugar onde ieu o experimentei, estava simplesmente delicioso
. Ferdinando adorava ver a cara dela depois de um elogio dado por ele, sabia que ela ficava sem graça, sempre por achar que as pessoas escutavam o que ele dizia.
_ Ferdinando, as pessoas estão escurtando.
_ Ara, menininha, eles num estão escutando, mesmo se tiverem, ieu num me importo, purque ieu lhe amo, minha cara.
_ Ieu sei, mas o que que vão pensar se escurtarem?
_ Simplesmente que nois nos amamos.
_ Ta, mas deixe de bestagem e vamo logo. Mas pare cum isso inté nois chegar em casa, ouviu?
_ Táá bão, menininha, ieu paro, pur enquanto.
_ Oie lá, em.
_ Tá, já lhe disse.
_ Acho bão.
Foi então que compraram as passagens de volta e seguiram viagem, foram fazendo a viagem apenas abraçados, mas sem falar nada, apenas tomando coragem para dizer a seus pais que tinham falado com Renato e que haviam conseguido um lugar para morarem a sós.
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