Notas iniciais
• Rapunzel não me pertence .-.
• http://pt.wikipedia.org/wiki/Rapunzel

Então, como num passe de mágica, ele voltou a enxergar. Bastaram as lágrimas de sua amada. E o mundo deixou de se tornar apenas escuridão; Sua luz estava de volta à ele. Cheio de amor, o príncipe abraçou Rapunzel carinhosamente, e após vários minutos assim, finalmente foram em direção ao seu “felizes para sempre”.

Dentro da carruagem não falavam nada, apenas se olhavam. Algumas milhas depois, porém, Rapunzel quebrou o silêncio:

- Príncipe meu, amado meu, sabes que meu amor por ti supera barreiras.

- Sim, minha bela – o príncipe beijou as mãos dela – porque reafirmas? Pensas em me deixar?

- Não, não, apenas tenho algo a falar-lhe, algo muito importante – ela fez uma pausa e continuou – enquanto estivemos na torre, a planejar nossa fuga, descobri coisas que nunca havia visto em meus 13 anos de vida. Você me mostrou o mundo, me mostrou o amor. E agora, meu querido – ela olhou profundamente em seus olhos – descobri, oras, que estou grávida!

O choque levou o príncipe à outra dimensão. Por algum tempo ele permaneceu imóvel, quando de repente, acordou.

- Saia dessa carruagem. Agora.

- Como? – Rapunzel indagou-lhe.

- SAIA DAQUI, NÃO QUERO TE VER!

De forma brusca, o príncipe empurrou a moça de longos cabelos, sem ao menos se importar em parar a carruagem. Ela rolou pela areia, e quando se levantou, já não via mais ao horizonte seu príncipe. Tudo estava acabado.

Vagou por alguns dias, e quando estava se aproximando da morte, avistou uma casinha pequena, perdida no meio do deserto. Resolveu procurar algum abrigo e alimentação ali, se realmente quisesse ter aquele bebê.

Bateu, mas ninguém veio à porta. Resolveu tentar abrir, a casa estava destrancada. Entrou, observou alguns cômodos, quando foi surpreendida.

- Senhorita? – uma mãozinha cutucava seu ombro – o que faz aqui?

Ela se virou rapidamente, os cabelos longos e empoeirados chocando-se com as paredes do estreito corredor. Viu em sua frente uma figura pequena, de cabelos vermelhos, usando um vestido cor de ameixa. Rapunzel começou a gaguejar, não sabia o que dizer

- Não se preocupe, estou andando atrás da senhorita desde o momento que adentrou a casa. Percebo que tem intenções boas, mas quais seriam?

Sem conseguir se conter, Rapunzel começou a chorar. Ajoelhada, contou à pequena criatura toda sua história, e, de tão cansada, acabou dormindo quando terminou. Acordou em uma cama, com os cabelos trançados e limpos, e com um vestido novo. Não sentia fome ou sede, apenas uma tristeza muito grande. E alguma coisa se movendo em seu ventre.

Tentou se levantar, mas conseguiu apenas se sentar na cama. Parecia que não se movia há meses! Suas suspeitas se intensificaram quando ela se deu conta de que sua barriga estava enorme já.

Saiu pela casa à procura da pequena mulher. Porém não a encontrou. Sentou-se novamente na cama, vencida pelo peso da criança, quando viu a porta se abrindo. Mas quem viu entrar não foi a mesma mulher de antes.

Era igualmente pequena, mas tinha os cabelos pretos e usava um vestido vermelho. Vendo-a acordada, escondeu-se. Rapunzel se levantou para conversar com ela, mas acabou desistindo. Permaneceu sentada.

- Ei, você? Tudo bem? Onde está a moça de cabelos vermelhos? Sabes há quanto tempo estou aqui?

A mulherzinha contentou-se em mostrar a cabecinha, mas logo se escondeu novamente. Rapunzel não compreendia tamanha vergonha, até a primeira mulher chegar sorrateiramente.

- Sinto pelas minhas irmãs, estão apenas assustadas por ter acordado após tanto tempo. A propósito, meu nome é Angélique. – Ela estendeu a mão miúda para Rapunzel, que a apertou cordialmente.

- Então... há quanto tempo que estive dormindo? – os olhos verdes de Rapunzel pulavam de ansiedade.

- Bem... – seus olhos assustadoramente grandes para o corpo tão pequeno se fecharam – 6 meses. E 3 semanas.

Rapunzel pulou da cama, com uma força surgida de qualquer lugar – 6 MESES? 6 MESES? COMO POSSO? EXPLICA-ME!

Com muita paciência, Angélique acalmou a moça, que estava com sua pele branquíssima vermelha como pimenta. A pequenina contou que Rapunzel caíra em um sono profundo, e apavorada com a possibilidade da morte da moça por falta de alimentação, ela cuidou dela por todo esse tempo. E a criança crescia.

- Espera um instante... Como sabes meu nome?

- Bem, senhorita, falas muito enquanto dormes.

- Ah – Rapunzel respirou fundo – Espere um instante, uma gestação dura 9 meses, estou correta?

- Sim – Angélique assentiu com a cabeça – porque perguntas?

- Se minha memória não me trai, estão a completar-se meus 9 meses.

Dito isso a mesma desmaiou. Com os olhos fechados via pombas voando em um céu azul. Porém um choque imenso a fez retornar.

- AAIII! – Rapunzel começou a suar e tremer. Estava entrando em trabalho de parto.

Angélique começou a trabalhar. Gritou sua irmã, que se afastara da casa, tão assustada estava.

- Evangeline, corra e chame as outras! Depois, traga-me uma maleta que está no celeiro, a maior.

Evangeline pôs-se a correr, voltou alguns minutos depois trazendo uma mala enorme, seguida por mais 5 mulheres igualmente pequenas, diferentes entre si. Mas Rapunzel não se encontrava em situação de exaltar detalhes como esses – nem mesmo na curiosidade de haver um celeiro naquela região deserta. Ao comando de Angélique, as 7 anãs trabalharam harmoniosamente, e realizaram o parto. Rapunzel gritava excessivamente, mas afinal, a dor valeu algo.

- Veja... É uma menina!

Rapunzel pegou a criança nos braços, docemente. Embalou-a, e de forma mágica, sentiu escamas caindo de seus olhos e tampões de seus ouvidos. Olhou ao redor e não viu as 7 pequenas – viu 7 mulheres, talvez mais altas e mais velhas que ela. A casa onde ela se encontrava era na verdade muito grande e pomposa, um castelo até – e pela janela ela via uma maravilhosa floresta e castelos longínquos. Chamou a criança Catarina – pura.

Anos foram e vieram. Rapunzel e Catarina permaneceram com as 7 mulheres. Ambas cresciam, uma em estatura, outra em graça. Quando se completavam 7 anos do nascimento da criança, coincidentemente ocorreu o florescer da macieira que ficava ao lado da casa. Elas festejavam ao redor da árvore e colhiam seus maravilhosos frutos, grandes e vermelhos, adocicados e suculentos. Mas Rapunzel se desligou da realidade por um momento.

A atenção da moça se voltou para a porta até então aberta, onde havia uma belíssima carruagem. Deixou a criança com as mulheres e se dirigiu ao cocheiro, perguntando pelo dono de tão maravilhoso carro. Mas antes que pudesse responder a porta se abriu e de lá desceu o príncipe de Rapunzel, ainda mais lindo que ela se lembrava. Ele parou atônito, ao contemplar a beleza estonteante de sua antiga amada – mais bela que qualquer outra já vista na Terra.

- Ó, minha bela, perdoa-me! Perdoa-me, não compreendo meus próprios atos. Volte para mim, não posso viver sem tua presença! – o belo rapaz se ajoelhou, implorando, aos pés de Rapunzel. Seu choro tornou-se compulsivo, as lágrimas já se empoçavam no chão. Catarina aproximou-se, e vendo tão lastimável cena, tocou o pobre homem, na verdade seu pai.

- Ó meu Deus! – ele se levantou ao sentir o toque das mãozinhas da menina – Esta é minha filha? – ao pronunciar estas palavras, o príncipe, agora rei, causou um enorme choque na pequena, que ficou sem reação – Rapunzel, minha bela, minha amada, em cada dia da minha existência lamentei tê-la deixado ir, por favor, venha comigo, traga nossa criança. Viveremos juntos, serás minha rainha, compensá-la-ei por tudo – dito isto, abraçou Rapunzel ternamente. Ela continuava sem palavras.

Ela levantou o rosto, e o príncipe fez menção a beijá-la. Ela parecia entregue a ele, beijaram-se de forma doce e amorosa. Catarina enroscou-se nas pernas de mãe, que tremeu ao senti-la. Empurrou o príncipe de seus braços, tomou a menina no colo e andou um passo para trás.

- Pois fique sabendo, senhor Encantado, que não sou uma pessoa sem propósito, Não fazes mais parte de minha vida. – entrou na casa, fechou o portal com força e desapareceu da vista do príncipe, que permaneceu em frente ao castelo pelos poucos dias que lhe restaram, enquanto Catarina se tornava uma jovem belíssima e Rapunzel se apaixonava por um príncipe das redondezas – que, segundo a lenda, outrora fora um sapo.

Notas finais
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