Diário que escrevo quando eu lembro

O dia do "feliz ano novo"

Desde que entrei para o bando tive que aprender a conviver com mais pessoas. Pessoas? Monstros, um deles um ogro. Eu tinha o pessoal do restaurante que também não era fácil, mas todos no início eram completamente estranhos e aos poucos soube o que cada um gostava de comer — com exceção do Luffy e da Nami-san, que já sabia antes mesmo de subir no Merry.

Pelas noites, dividimos um único quarto para nós garotos, apesar de um tempo eu ter dormido na cozinha porque meu capitão assaltava a geladeira. Mas nunca mais precisei fazer isso desde a chegada de Franky, ele instalou um ótimo sistema de segurança na geladeira e que eu acredito que protege mais que o capacete protegendo o ar dos tenryuubitos.

Franky é incrível nessas horas!

Mas o que eu quero dizer é que é difícil dormir com todos eles; peidam, fedem a chulé, a suor, e uma vez surgiu de uma trouxa de roupas ratos e baratas. Até hoje moscas voam por lá, é um saco.

Eu sou o único rapaz que toma banho todos os dias. No início sentia vergonha disso, porque as garotas também tomam todos os dias e achava que o errado era eu. No entanto, Nami-san me parabenizou um dia e eu vi que estava mais perto de conquistá-la, ops, que o certo era eu.

Luffy e Zoro são os mais porcos, tomam banho uma vez por semana e eles são os que gastam mais energia no navio; o que quero dizer é que ambos vivem ensebados — na pele deles já tem uma película de suor que Enel! — e precisam urgentemente de um banho.

Eu só consigo pensar o que estou fazendo aqui, mas hoje resolvi escrever nesse diário o meu tempo aqui.

Toda manhã, o primeiro a se levantar é a Robin-chan, que me pergunta muito educadamente se preciso de ajuda. Eu apenas a sirvo com um café bem preto do jeito que ela gosta. Depois ela cuida do jardim e um dia ela sorriu dizendo a mim que sempre me pergunta se preciso de ajuda por eu aparecer do nada ao lado dela e perguntar se está tudo bem com o jardim.

É claro que eu fiquei igual tomate, Robin-chan me observando! É um sonho!

Mas eu nunca disse a ela que eu botei nome nas flores. Ou pelo menos numa delas: um cacto chamado marimo.

Não sei por que, mas tem a mesma carranca — se é que é possível plantas ou flores terem rostos.

Só sei que me encara com um olhar de poucos amigos, se é que tem olhos.

Eu gosto de ouvir Brook assobiar quando está deitado na relva do deck. É impressionante, ele assobia muito bem e eu escuto lá da cozinha. Me pergunto como pode mandar tão bem sem nem ao menos ter lábios e acabo me lembrando do cacto carrancudo — tudo é possível. Aliás, eu também gosto de quando ele sai do banheiro e tem uma toalha enrolada na cintura.

Uma vez o marimo saiu pelado e eu vi que ele era verde ali também. Mas que merda, só porque estava no dormitório masculino, achava que podia ir tirando tudo. Eu lembro que disse a ele que nem Brook fazia isso, Brook estava por perto e disse que sentia vergonha de alguém ver apesar de não ter...

As piadas dele não envelhecem.

E a imagem do negócio do Zoro não sai mais da minha cabeça.

Luffy, Usopp e Chopper são muito crianças, meu Enel do céu! Toda vez que saio para servir as garotas, eles perguntam "o que é?" "tem pra mim também?" "faz pra mim" exatamente como uma criança que não consegue ver nenhum adulto comendo algo sem dizer que quer também.

No entanto, tem uma pessoa que eu desejo que se comporte mais assim, mas se depender do marimo, ele fica o dia todo no ninho do corvo se exercitando e esquece de comer. Quando desce é pra beber álcool.

A alimentação dele é a que mais me preocupa!

Portanto, eu sempre preparo um lanche e deixo ao lado do alçapão. Nem chegamos a nos ver, muito menos dizemos algo.

Não sei por que, mas eu gostaria de ouvir um dia "obrigado" sair daquela alga ambulante.

Estou falando muito de Zoro aqui... não sei por que, eu o detesto, mas sei que posso contar com ele quando o assunto é proteger o bando.

Ele está com uma cicatriz no olho, isso prova de que se doa muito para nosso capitão. Se Luffy fica contente com ele, então eu fico também.

Nunca ouvi "obrigado", mas ele me deu "feliz ano novo" e eu senti algo muito estranho. Felicidade, eu pensei... mas eu senti felicidade quando Nami-san me parabenizou e Robin-chan me observou...

E era algo diferente...

As estrelas estão enigmáticas e não me dão respostas

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!