Feliz Natal, Morte!

3 O livro e Rafael


Notas iniciais
Eu sei que sou enrolada... Desculpa! Os capítulos podem ser meio curtos, mas a fic será curta. Pelo menos é o meu plano inicial hehe Espero que gostem!

De barriga cheia e trabalho feito — a tia Oprah e o meu primo Robert vão muito bem obrigada — decidi que iria procurar o chafariz. Não me julguem eu realmente levei a ordem de não explorar muito a sério. Além de não ter disposição para andar pela propriedade – muito grande, muito sol, muito suor e eu simplesmente dispenso esse tipo de trabalho — e o jardim não ser um dos meus locais prediletos. Caminhei pelo que me pareceu horas, porém tinha certeza de que não poderia ser tanto assim. Por fim resolvi sentar em um dos bancos espalhados pelo jardim. Minha visão aos poucos foi escurecendo e meus olhos pesando. Estava com tanto sono que seria capaz de dormir ali mesmo. Então antes que meu corpo caísse com tudo no banco senti algo me segurar.

— Essa definitivamente não é uma vida bem vivida.

A frase ecoou na minha mente. Eu teria pensado aquilo? Ou alguém teria dito? A única coisa que eu tinha certeza era que o sono me dominava e eu estava me entregando a ele aos poucos e sem receios. Afinal, dormir depois de comer faz bem, certo?

Acordei no meu quarto tremendo de frio. Olhei para o meu relógio que marcava por volta das três horas da manhã. Franzi a testa confusa e levantei da cama. Teria sonhado tudo? No entanto um breve olhar a minha cabeceira mostrou que tudo fora bem real. O livro continuava no lugar em que eu o havia deixado. O “M” parecia brilhar me chamando, me avaliando. Sem conseguir me conter peguei o livro e abri na primeira página.

"Assim como um dia bem aproveitado proporciona um bom sono, uma vida bem vivida proporciona uma boa morte."

Então viva.

Certo... Isso não estava aqui antes. Virei à página para continuar.

“O primeiro estágio”

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz

Mas acontece que eu sou triste...

Não há nada que pode ser feito. Apenas aceite.

“O segundo estágio”

O medo é o caminho para o lado negro. O medo leva a raiva, a raiva leva ao ódio, o ódio leva ao sofrimento.

A cólera não irá ajudar. Aceite

“O terceiro estágio”

Minhas palavras estão em estado de greve. Negociação complicada. As exigências são muitas. Precisamos de um conciliador!

Não haverá barganha ou negociador que mudará o quadro final. Aceite isso.

“O quarto estágio”

A preocupação deveria levar-nos à ação e não à depressão.

Aja e viva enquanto ainda pode. Só aceita isso.

“O quinto estágio”

Se quiseres poder suportar a vida, fica pronto para aceitar a morte.

Aceita-me tal como eu sou. Só então poderemos descobrir-nos um ao outro. Não será algo mórbido, eu prometo. Então apenas aceite.

Ergui meus olhos do livro em descontentamento. O que era aquilo? Autoajuda? Talvez eu precisasse sim, mas não daquela forma completamente sinistra e autoritária. Suspirei cansada e marquei a página.

— Quanto autoritarismo – resmunguei antes de me ajeitar debaixo das cobertas me preparando para dormir.

E antes de estar completamente inconsciente, escutei uma risada. Logo depois apaguei.

Acordei algumas horas depois com meu despertador tocando. Revirei na cama torcendo para que ele parasse sozinho e me deixasse dormir mais. Tipo o resto da manhã, sabe? Quando ele finalmente parou suspirei aliviada e me aconcheguei ainda mais na cama. Acredito que o mundo conspirava contra mim naquele dia, pois logo em seguida meu celular começou a tocar.

Lembram quando eu disse que as pessoas não tinham coragem de me dar um simples “oi”? Bem, mesmo em uma cidade pequena as exceções existem. Existia uma única pessoa que além de me dar “oi” me ligava de manhã cedo para perturbar meu sono de beleza

— Bom dia!

— Hm...

— Te acordei?

— Não...

Não acordou, porém contribuiu para isso.

— Então você já está vindo?

— Para onde?

— Não acredito que esqueceu!

Oh não! Eu precisava entregar meus trabalhos hoje.

— Já estou indo!

Só pude escutar a sua risada antes de encerrar a chamada, pular pra fora da cama e começar a me arrumar na velocidade da luz. Alguns minutos depois eu já me encontrava na rua caminhando ao lado de Rafael.

— Não acredito que tive que te ligar. De novo – disse frisando a última frase.

— Não tive culpa dessa vez.

— Tem certeza? — arqueou uma de suas sobrancelhas grossas de forma impecável e fofa. Por alguns momentos esqueci os meus argumentos.

— É só que algumas coisas estranhas aconteceram ontem lá em casa.

Ele soltou uma gargalhada e colocou seu braço por cima do meu ombro me puxando para perto. Caminhamos mais um pouco antes que ele voltasse a falar.

— Você sabe, Cla. Tudo na sua casa é estranho. Não me surpreende.

Revirei os olhos e cruzei os braços em reprovação. Rafael podia até estar certo, no entanto dessa vez era sério e eu estava realmente com medo.

— Não vai nem querer saber o que houve?

— Não

— Rafael...

— Você tomou café da manhã? Podemos parar nessa lojinha se quiser.

— Rafa, é sério! – exclamei parando de andar abruptamente. Ele olhou-me por alguns segundos tentando avaliar a situação. Seus olhos cor de mel percorreram meu rosto buscando evidências de alguma pegadinha. — Por favor.

— Imagino que isso implica uma visita a sua casa, certo?

— Obrigada! Obrigada! – pulei em animação e o abracei antes de continuarmos nosso caminho ao colégio. Ainda precisava entregar alguns trabalhos para entrar oficialmente de férias.

Assim que passamos pelo portão senti um arrepio na nuca e uma movimentação atrás de mim. Quando me virei não havia ninguém. Agarrei-me com força no braço de Rafael até estarmos dentro da sala de aula.

— Logo depois da aula, ok?

— Ok.

Notas finais
Temos um novo personagem hehehe eu particularmente amo ele ;)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.