Feliz Natal, Annabeth

1 Feliz Natal, Annabeth


Percy

Aquele não havia sido um ano tranquilo para Percy Jackson, mas pelo menos tão tranquilo quanto podia ser para um filho de um dos Três Grandes, sim, ele já havia aprendido isso e ter um ano sem Titãs loucos e vingativos ou com antigos deuses da terra ressurgindo sedentos de sangue já era uma grande conquista na vida de um semideus.

Daquela vez Percy não estava envolvido com nada disso, sem mais grandes profecias ou coisas do tipo para ele. Ele podia ter pelo menos um pouco de paz ao lado de seus velhos amigos e ao lado de sua namorada, Annabeth Chase, filha de Atena. E lá se encontrava ele naquela tarde, acima daquela canoa no lago, sendo observado pelos rostos curiosos da náiades do lago enquanto encarava a paisagem diante de si.

Era possível ver a Casa Grande da li, ele podia imaginar Quiron e o Sr. D jogando pinochle. "Uma arte que vocês jovens nunca poderão compreender..." dizia-lhe o Sr. D dramaticamente. Percy sorriu com a lembrança. Ele podia ver também vários adolescentes jogando vôlei na quadra, todos com a mesma camiseta laranja do Acampamento.

Ao longe também viam-se Ninfas e sátiros em um tipo de brincadeira de pega-pega, se um sátiro conseguisse pegar uma ninfa ganhava um beijo, mas os coitados sempre caiam nessa, quando eles chegavam nas ninfas elas se transformavam em árvores.

Percy sentiu um aperto no coração, sempre tivera um fraco pelos sátiros, eles o faziam lembrar de seu melhor amigo, Grover Underwood, que hoje era um membro do conselho de anciões de casco fendido. Mas Grover estava bem... Sim, ele tinha que estar.

Percy prosseguia remando sem nenhum rumo, quando ele avistou duas figuras na beira do lago: Ambas as figuras tinham... Traseiros meio estranhos. Literalmente, meio. Uma das figuras era meio bode e a outra era meio um garanhão branco.

O centauro, Quiron, era o diretor de atividades do acampamento meio-sangue, e sua presença ali com certeza não poderia significar que ele havia ganhado na loteria ou algo do gênero.

Percy ordenou que a correnteza o levasse de volta a beira do lago de canoagem onde Quiron e o sátiro o aguardavam, ambos com expressões nada boas.

- Quiron — Percy levantou-se da canoa e pulou para o gramado — Aconteceu alguma coisa?

- Na verdade, Percy... — o centauro hesitou.

Percy podia esperar que Leo tivesse colocado fogo no chalé de Hefesto de novo, ou que os Stolls tivessem pregado uma peça no chalé de Ares que não havia acabado nada bem — para todos -, mas a expressão de Quiron era a mesma de quem olha para a lápide de um irmão.

- Quiron, o que há? — exigiu Percy. — Qual é o problema dessa vez?

O centauro o encarou com a preocupação nos olhos.

- É Grover, Percy.

Annabeth

Durante a noite, Annabeth teve todos os tipos de pesadelos, todos eles envolviam Percy. A filha de Atena tinha maus pressentimentos sobre a missão em que Percy partira com um sátiro, sozinho. A loira insistira que iria junto, mas Percy simplesmente sorrira para ela e disse que Grover estava apenas arranjando problemas como sempre e que além do mais era Natal, mas a loira preferia perder um Natal com o Acampamento do que perder todos os Natais ao lado de seu cabeça de alga. Era idiota, mas Annabeth estava insegura.

Naquela época do ano, Dioniso permitia a entrada da neve através das fronteiras do acampamento. Realmente, deixava tudo mais bonito, mas para Annabeth aquela neve fria já não parecia mais tão agradável quanto parecia no dia em que ela, Percy e outros campistas travavam uma guerra de bola de neve. A filha de Atena sorriu com a lembrança, mas seu sorriso rapidamente desapareceu quando ela adormeceu de novo e teve mais um daqueles sonhos.

Estava tudo escuro, ela se via em uma espécie de floresta de pinheiros. A neve brilhava com a luz do luar, e cascos... Sim, haviam cascos também. E uma espada.

- Corram! -exclamou uma voz familiar. - Rápido!

No instante seguinte ela viu Percy correndo ao lado de Grover e Annabeth tinha suas deduções de que o outro sátiro não voltaria mais.

Nesse momento, Percy e Grover chegaram a um penhasco, Percy puxou Grover antes que o sátiro despencasse, eles estavam sendo perseguidos, por quem ou pelo o que... Annabeth não tinha certeza.

Percy já não segurava mais sua espada e o cabeça de alga parecia prestes a desmaiar, Grover não estava melhor. Parte de seu pelo de bode estava chamuscado e sua flauta estava quebrada de modo que apenas serviria para bater na coisa, mas isso não era suficiente.

Ela viu os olhos, olhos vermelhos como o fogo. Depois mais neve.

-Feliz natal, Percy... -gemeu Grover perdendo as esperanças.

Mas Percy permanecia extremamente calmo, até o momento em a coisa os ataca novamente. Percy desvia de algo flamejante, então ele ouve o grito de Grover fazendo uma espécie de fusão com um balido.

- Grover! — Percy gritou, mas não recebeu resposta, ele viu Grover cair do penhasco, tentara o alcançar, mas não dera tempo -Feliz natal, cara...

No instante seguinte Percy não teve tempo de dizer mais nada.

Annabeth acordou segurando um grito, nenhum de seus irmãos acordara. Todos dormiam serenamente, menos ela. A loira previra que não conseguiria mais dormir depois daquele sonho cujo qual ela rezava para todos os deuses que conseguia lembrar o nome, que fosse apenas um sonho.

A Sabidinha levantou-se da cama e agarrou seu boné da invisibilidade que sempre mantinha debaixo do travesseiro durante a noite. Ela pegou sua adaga e colocou o boné sobre a cabeça e sem fazer nenhum barulho, saiu as pressas do chalé seis.

A noite estava mais fria do que imaginara, se arrependeu imediatamente de não ter pegado um casaco, Annabeth manteve-se alerta o tempo todo por causa das Harpias que vagavam por ai durante o toque de recolher, elas devorariam qualquer um. Annabeth correu sem se importar de deixar rastros na neve, ela correu até chegar a um chalé baixo e sólido,enfeitado com conchas e estrelas do mar de todas as cores por toda a parede externa.

A maioria dos campistas evita o Chalé 3 por ele ter um estranho cheiro de peixe morto. Sua porta possui uma maçaneta em formato de concha que se encaixa perfeitamente na mão.

Annabeth sabia que não deveria, mas mesmo assim ela adentrou o chalé de Poseidon. Ela esperava ser morta no mesmo instante pela sua ousadia. Não sabia se esperava cair em algum tipo de banheira cheia de piranhas sedentas de sangue ou algo do tipo, mas quando ela entrou nada aconteceu.

Se o chalé já tinha um cheiro ruim por fora, o aroma interior não era melhor. Havia uma fonte no centro do chalé cheia de dracmas usadas para mensagens de Íris. Algumas camas beliches encostadas ao lados dos armários ficam em volta da fonte se forma que a fonte fique visível de qualquer cama.

Annabeth parou diante da parede de madrepérola aonde estava pendurado um pedaço do chifre do minotauro, ela sorriu ao lembrar da primeira vez que viu Percy, e ele estava com aquilo na mão. "Você baba enquanto dorme", foi o que ela lhe disse.

Annabeth se jogou em uma das beliches, ela podia sentir o cheiro de Percy ali, um aroma que ela guardaria para sempre. Annabeth avistara um pequeno papel azul bebê em cima da cabeceira ao lado do beliche.

A loira sentou-se e tomou a liberdade de abrir o pequeno papel, para sua surpresa, ela era o destinatário, mas não tinha mais certeza se chegaria o dia em que Percy lhe entregaria aquela carta.

Querida Sabidinha

É irritante quando você me chama de "Cabeça de Alga", mas acho que eu iria sentir falta disso também.

Rezo para os deuses, todas as noites na fogueira, para que nunca chegasse o dia em que você leria esta carta, porque você me bateria depois de ler ela, ou não... Talvez você não tivesse a oportunidade disso.

Queria dizer o quanto me irrita quando você me encara com aqueles olhos irritados e tempestuosos, o quanto me irrita quando você deixa claro que por mais que eu esteja certo, estou errado. E no final de conta: Eu não babo enquanto durmo. isso é invenção sua... Não é?

E se há alguma coisa para te dizer antes de partir... Tipo, para sempre. Essa coisa é: Eu te amo, sabidinha cara-de-coruja. Nunca se esqueça disso, e se eu não voltar dessa vez você pode me bater quando você chegar no Elísio, onde eu não vou esperar te ver tão cedo, mas vou esperar, você sempre volta.

Até logo e Feliz Natal, Annabeth.

P.S.: Se você leu isso cedo demais, espere por mim.

A loira não sabia se sorria ou chorava, mas durante os dias seguintes Annabeth sentou-se ao lado de Peleu no topo da colina meio-sangue aonde esperava o dia em que seu Cabeça de Alga voltaria de sua missão, mesmo ela não tendo certeza do que se estava fazendo era criando falsas esperanças. Aquilo não era saudável e seu irmão Malcolm, já havia lhe dito isso. Mas Annabeth não ligava, ela ia esperar por Percy.

Escolhendo acreditar em suas esperanças ao acreditar em seu pesadelo estúpido, ela sentou-se pela décima vez no topo da colina meio-sangue ao lado do dragão Peleu, que guardava o velocino de ouro reforçando as barreiras mágicas. A loira não soube o que pensar quando finalmente chegou o dia em que ela viu aqueles olhos verdes novamente, brilhantes e cheios de vida, negando qualquer intuição que seus sonhos pudessem causar a mente da garota.

O retorno de Percy, ainda inteiro e bem ali ao seu lado, era o melhor presente de Natal que Annabeth poderia querer.

Notas finais
"Você baba enquanto dorme"
- Annabeth Chase

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"A Carta foi escrita uma semana antes da missão, Percy já havia tido sonhos e tinha maus pressentimentos durante as noites no chalé 3, até que aconteceu, uma missão, um amigo em perigo e... Feliz Natal, Annabeth"
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