Felix Felicis
1 J.N.E.S.T - 1
Notas iniciais
Demetri abriu as portas com estrondo, entrando no quarto de Feliz em um rompante. O vampiro gigante o olhou com uma expressão entediada que dizia que aquele não era a primeira vez que o guarda grego fazia isso.
— Eu estou avisando, qualquer dia desses você vai acabar me vendo de um jeito constrangedor.
O outro apenas revirou os olhos para o comentário, tentando não imaginar a cena. Sentou-se na poltrona, suspirando resignado. Feliz expirou e sorriu de canto.
— Ok, manda. O que Jane fez dessa vez?
Ao ouvir o nome da pequena guarda Demetri corou, emburrado. Era conhecimento dos membros mais privilegiados da guarda Volturi , com exceção da própria garota é claro, que Demetri tinha uma queda pela favorita de Aro. Um queda, vale dizer, que ele se recusava a admitir como sendo nada mais que enfatuaçao. Eles sempre estavam juntos afinal, era natural que ele tivesse se acostumado com a presença dela.
Mas era obvio que os sentimentos do jovem eram outros, muito alem de amizade ou parceria.
Bagunçando os cabelos cor de cobre, ele começou.
— Eu estava fazendo uma ronda dos corredores, checando se os outros guardas estavam em seus postos, quando eu a vi. Resolvi falar com ela, mas quando estava me aproximando, vi que ela estava conversando com um dos novos guardas e ele estava obviamente flertando com ela.
— Certo. Nada de novo nisso.
— Mas ela estava entrando no jogo dele! – Demetri grunhiu.
O mais jovem olhou para o chão, uma carranca tomando conta de sua face. Mas algo dizia a Felix que aquele não era o final da historia. Franzindo a testa em frustração, ele perguntou, começando a compreender.
— O que você fez então Demetri?
— Bom eu, — O grego começou, ficando vermelho. – Eu fui falar com Heidi.
Feliz soltou um suspiro de derrota. E Demetri virou o rosto, sabendo que tinha estragado tudo. De novo.
— Jane estava passando por aquele corredor bem na hora. E vamos dizer apenas que nos estávamos próximos de mais para uma conversa entre amigos.
O guarda mais alto ate podia imaginar a cena. Aqueles dois eram impossíveis.
A verdade era que Jane gostava de Demetri, tanto que a assustava. A pobre garota nunca tinha se apaixonado á final de contas. Como seu guarda pessoal, ela algumas vezes deixava escapar algumas coisas.
— Ela ficou olhando por um tempo, com aquela expressão que ela faz quando esta prestes a usar seu poder , mas a dor não veio. Ela simplesmente virou as costas e nos deixou. Eu preferia que ela tivesse gritado.
Ele sussurrou a ultima parte mais para si mesmo do que qualquer coisa.
Feliz agarrou Demetri pela capa e o arrastou para fora do quarto.
— Hei, o que você esta fazendo?!
— Resolvendo o problema de vocês.
Com passos largos, Felix olhava para todos os lados, procurando Jane entre os poucos visitantes ate que por fim a avistou, caminhando no jardim na parte de trás da sede Volturi. Sem cerimônia, ele atirou Demetri por cima da barra de proteção, diretamente em cima da garota.
O barulho chamou atenção de algumas pessoas passando por perto, mas Feliz apenas bateu as mãos e saiu andando. Pronto, isso deve dar um jeito, ele pensou.
— Ow. – Jane abriu os olhos devagar, pronta para atirar quem quer que fosse á uma boa distancia. Ate que encontrou os olhos assustados de Demetri. Sua expressão endureceu. – Saia de cima. Agora.
Ele começou a sair, mas então parou. Suas mãos foram para os pulsos da vampira e ele encaixou a perna entre as dela.
— O que esta fazendo seu idiota! – Ela tentou se levantar, mas Demetri tinha uma vantagem física maior que a dela, pelos treinamentos.
— Fazendo você escutar. Toda vez que eu tento falar com você sai correndo.
Jane fechou os punhos, e trincou os dentes.
— Eu não sei se o que esta acontecendo comigo, mas eu sei que você não sai da minha cabeça e se isso significa...
— Não! Não diga. – Jane parecia assustada pela primeira vez. – Eu tenho que te dizer algo primeiro.
Confiando que ela não ia mais correr, ele saiu de cima dela, tentando esconder o vermelho em seu rosto. A pequena vampira não teve a mesma sorte, já que seu rosto estava em chamas. Ela passou as mãos pelos cabelos loiros para ajeitá-los e limpou a garganta. Por alguma razão, ela não conseguia olhá-lo nos olhos.
— Bem eu... Eu acho que eu encontrei meu parceiro.
O rosto de Demetri despencou. Imagens do guarda novo vieram a sua mente e ele sentiu uma pontada de dor insuportável, juntamente com um ódio fervente. Mas aquilo não estava certo, ele não deveria sentir mais dor.
Quando ele levantou o rosto, Jane olhava seria e ansiosa para seus olhos, como que esperando algo. O que ele ia fazer agora? Um sentimento enorme de perda começou a tomar conta do guarda. Mas como podia perder algo que nunca fora seu?
Sem pensar, ele tocou o rosto da garota, seus olhos buscando algo que nem mesmo ele sabia naquelas Iris vermelhas.
— E agora, o que eu faço? – A pergunta a tomou de surpresa. – Se você achou seu parceiro eu não...
— Do que você esta falando? — Jane perguntou, franzindo as sobrancelhas.
— Jane eu estou... eu tenho sentimentos por você.
A loira pegou a mão dele e sorriu, mostrando as presas.
— Bom, seria um problema se você não tivesse. Afinal, o que eu ia fazer se estivesse apaixonada pelo parceiro de outra?
Demetri levou alguns segundos para entender. Quando finalmente a compreensão se espalhou por seu rosto, ele se pôs de pé, puxando Jane junto consigo. Enquanto inclinava seu rosto em direção a face brilhante da garota, ele fez uma nota mental para agradecer Felix depois disso.
Seus lábios tocaram os dela e suas mãos abraçaram a cintura e as costas da jovem Volturi com força e alivio. Ela agarrou a parte da frente da camisa do grego, uma das mãos correndo pelos fios cor de cobre.
E eles teriam ficado assim por um bom tempo, se não tivessem sido interrompidos por gritos logo acima de si.
— Já não era sem tempo! – Caius gritou, cutucando Alec que apenas gargalhava. Aro olhava os dois com olhos brilhantes e batia palmas.
Os dois jovens encostaram as testas por um segundo, antes de saltarem para onde os três estavam, o braço de Demetri em volta do pescoço de Jane, a mão dela segurando a camisa de Demetri.
— Eu já estava perdendo fé de que vocês dois iriam encontrar parceiros. Parece que não é so Carsile que consegue brincar de cupido. Talvez você seja o próximo Alec. Ao ouvir isso, o garoto parou de rir imediatamente.
E quem diria que Aro tinha uma língua abençoada. Algumas semanas depois, numa visita aos Cullen, quando os Volturi estavam prestes a executar uma vampira recém nascida, Alec percebeu, a tempo de impedir a execução, que ao fim, tal qual Aro havia falado, ali estava sua parceira Bree Tanner.
Eles perdoaram a vampira e a levaram para Volterra, muito para o choque de Aro, que depois de se recuperar da surpresa começou a dançar ao redor dos casais recém formados.
É, talvez Carlisle não fosse o único com dom de Cupido.
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