Felicidade Envolve Loucura
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Ágata
Quando eu cheguei na escola, subi em direção ao terceiro andar e me postei no corredor da minha sala, parando apenas para cumprimentar Sawa, que fazia algumas anotações em seu caderninho.
— Bom dia, Sawa.
— Bom dia Ágata.
Fiquei ao seu lado, pensando em como fazer a pergunta, quando ela simplesmente saiu de minha boca:
— Como se chama aquele folgado que caiu por cima de mim?
Ela folheou seu bloquinho e começou a ler.
— Ogawa Richard, filho do diretor Frederick Richard. — Eu pensei que Ogawa fosse um sobrenome, mas não a atrapalhei enquanto ela prosseguia — Ele estuda aqui há muito tempo. Ele e o pai não se entendem desde a morte da mãe...
— O que foi? Por que parou?
Ela me encara.
— Tenho que coletar mais informações.
— Afinal, para que precisa de tudo isso?
Ela me sorri, exibindo uma impecável fileira de dentes brancos. Então notei que ela usava uma calça jeans preta, uma blusinha regata e um bolero, tudo combinando. Os pais dela são japoneses, mas ela nascera no Brasil. Os cabelos longos e negros estavam soltos, e os olhos cor caramelo me olhavam profundamente.
— Um dia, serei uma escritora.
Um menino se esbarra nela, e logo pede desculpas.
— Ah, não foi minha intenção... — Dizia ele, em tom delicado. Era alto, muito bonito, cabelos tão negros quanto os olhos. Usa óculos, o que lhe dá um charme à mais. — Meu nome é...
— Ran. É, eu sei seu nome. Você é muito amigo do Ogawa, não?
Mas antes dele responder, ela entra na sala.
Olhei para meu vestido recatado azul marinho e meu All Star preto, sorrindo.
— Ela é bem na dela — eu a defendia, apesar de não conhece-la.
— Bem, é. — Ele também sorria.
Depois de conversarmos um pouco, exclamei:
— Até que enfim um cavalheiro em meio a um monte de idiotas...
Ele gargalhava — uma gargalhada gostosa de se ouvir -, e olhou para o céu.
— Eles não são tão ruins depois que os conhece...
Falando neles, no fim do corredor eles desfilavam, Ogawa era o mais bonito. Passaram por nós puxando Ran pelo braço, e ele dizendo:
— Entre também. Esse professor que vem agora é um tanto rigoroso.
Entrei na sala e o professor veio logo em seguida.
— Sentem-se seus demoniozinhos.
Relutantes, os garotos obedeceram.
— Estamos na semana dos esportes, e a diretoria está convidando todas as salas a participarem. Quem não quiser é só dizer.
— Não queremos. — Gritou entusiasmado Dênis.
Os outros concordaram, mas não eu.
— Iremos sim participar! Acham que terão algum futuro se ficarem cabulando aula?
Ogawa me olhou ameaçadoramente.
— Ok então, mas para que isso aconteça, você terá de lavar todo nosso uniforme e traze-los amanhã. Isto sem a ajuda de ninguém.
— Fechado! — Eu disse. Isso seria moleza.
Mas quando despejaram suas camisetas fedidas de suor em cima da minha carteira, bem, tive vontade de vomitar. Que nojo! Eles guardam camisetas sujas para dar sorte? Horrível.
Cheguei em casa e fui direto para a lavanderia. Com um pouco de sorte algumas se secariam com o sol de fim da tarde. Mas quando eu lavei todas, percebi que as identificações teriam de ser trocadas, pois nelas estavam escrito 1-G. Idiotas!
Sequei todas as camisas na máquina, depois passei ferro para deixa-las realmente secas, e então comecei a costurar. Do meu quarto eu ouvia meu pai dizendo:
— Salmão é bom! — E minha mãe e irmã o acompanhava na cantoria. — Batata frita também! Com a família Lima, não tem pra ninguém!
Sim, são meio loucos. Mas se não o fossem, não seriam tão felizes e despreocupados.
Continuei com meu trabalho, até adormecer sobre uma camisa, com o nome Ogawa...
Notas finais
Em minha opinião, olhos negros têm mais charmes que olhos azuis, ou verdes (sem preconceito)
Até a próxima pessoas ^^
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