Felicidade Envolve Loucura
34 Capitulo 34
Ágata cap. 34
Estava cansada, mas tão cansada que nem notei quando adormeci. Só sei que tipo, eu esperava que Ogawa me dissesse algo revelador, mas ele não disse/fez nada. Conformada, entrei no quarto, me joguei em minha cama e BUM! Apaguei.
E na manhã seguinte eu acordei superanimada! Uhuuu.
Levantei da cama com tamanho entusiasmo que acabei caindo de cara no chão. Isso não foi legal, eu confesso. Mas por algum motivo eu estava feliz. Oh céus! O que está acontecendo comigo? Será que estou ficando louca?! Rá! Imagina só que doido.
Tomo um banho refrescante porque apesar da noite fria eu acordei suada. Mas enfim, acabo e troco de roupa. Visto um vestido cinza curto (daqueles que tem dois tecidos, e o que fica por cima é mais transparente) que deixa meus ombros branquelos à mostra. Por ser largo, coloquei um sinto fino preto. Calço meu lindíssimo All Star preto e deixo os cabelos presos num rabo-de-cavalo.
Não era nenhuma produção especial, mas eu estava me sentindo estranhamente bem. Cara, tenho que me lembrar de meu sonho... Paro quando estou prestes a abrir a porta, notando que Sawa não se encontra mais ali (huhuhuhu ^^). Então resolvo sair do quarto e andar pelos corredores até a cantina. Tomara que o relacionamento dela com o Ran não resulte em tantos problemas e dor de cabeça como no meu caso.
Quero dizer, eu gosto muito mesmo do Ogawa, mas...
– Bom dia Ágata.
Dou um pulo ao perceber que Ogawa estava ao meu lado.
– Ai! – Dou-lhe um tapa no ombro. – Desde quando está aí?
– Desde que você saiu de seu quarto. Não que eu esteja te seguindo, mas eu ia te fazer uma surpresinha.
– Mas... Então por que não falou comigo assim que saí do quarto? – Começo a encará-lo com desconfiança.
– Você estava fazendo uma careta do tipo (u.u) e eu não quis interrompê-la.
Começo a sorrir, e abro a boca para lhe dizer algo, mas uma multidão ali perto chama minha atenção. Então paramos para olhar.
Próximos à cantina, nos poucos degraus que separavam o hotel da areia da praia encontrava-se um casal. O rapaz estava ajoelhado, e a moça sorria surpresa, contente e lisonjeada ao mesmo tempo. Ela não conseguia esconder que estava amando aquilo.
– Minha doce e querida Evangeline, eu te amo muito. Tanto... Que seria incapaz de viver mais um segundo se quer que não seja ao seu lado. Mas só isso não basta – ele faz uma pausa dramática e fica todo sério. – Preciso saber se... Se aceitaria o desafio de me aturar cada minuto do seu tempo, cada hora do seu dia, todas as semanas de todos os meses, ao meu lado. – Então ele retira uma caixinha com as alianças de lá, e sorri gentilmente para sua amada. – Evangeline, aceita se casar comigo?
As pessoas sorriam, ela chorava e eu respirava fundo para não fazer o mesmo.
– Que idiota eu seria se não aceitasse um desafio como esse? – Diz ela, sorrindo.
Então as pessoas começam a bater palmas, mas neste momento estou saindo dali e puxando Ogawa pela manga de sua linda camisa verde-mar.
– Ágata...? – Viro-me para encará-lo. – Está tudo bem?
Se está tudo bem...? Tipo... Eu acabei imaginando a nós dois ali, e a ideia me encheu de felicidade. Mas... Com posso ousar pensar em casamento?! Não sei nem se estamos namorando!
– Ogawa... Eu queria saber se... – Respiro fundo e fecho os olhos, abrindo apenas quando termino: – O que você espera para o futuro?
Muito lentamente vou abrindo os olhos, esperando pela resposta decisiva dele. Ele me olha tipo “Como assim?” e pensa pelo que parece ser uma eternidade. Ogawa abre a boca, mas a fecha novamente. Inclino a cabeça para a direita.
– Não sei, tanto faz. Não tem importância.
Fico paralisada. Mas por que, raios, me enchi de esperança? Sou muito infantil mesmo. Volto ao normal e forço meu sorriso mais convincente.
– Vamos.
O conduzo até a cantina e peço que se sentasse ao meu lado, mas em nenhum momento eu olho em sua direção. Ficamos ali, parados, até eu resolver pegar pães e sucos para nós dois. Nada de tão especial, nada do que eu esperava para hoje. Não saímos da cantina um segundo se quer. Não conversamos, e aquilo estava muito ruim, até nossos amigos se juntarem a nós e me dizerem que já era meio-dia.
Mais uma vez pego a comida para mim e para Ogawa e volto a me sentar ao lado dele. Olho para ele e sorrio.
– Está tudo bem, Ogawa?
– Sim – ele sussurra. E pronto, acabou a conversa, porque ele não fala mais nada e eu também não estou a fim de ser chata somente para ter a atenção dele.
Nada de amarrar a cara Ágata, sorria para o idiota do Denis que começou cedo com suas macaquices. Então ele começa a atirar carne com o garfo e acerta Ran. Isso foi hilário. Denis é idiota, mas não há nada que se compare à cara de susto + raiva de Ran, então eu ri e me surpreendi ao ver que Ran fizera o mesmo a Denis.
– AGORA VOCÊ VAIR VER!!! – Ele grita e pega uma carne atrás da outra mirando em Ran, mas acaba acertando a todos nós.
– DENIS!! SUA PONTARIA É MUITO RUIM! – Então eu também jogo a carne, e, apesar de acertá-lo, descubro que tenho uma mira tão ruim quanto a dele.
– METRALHADORA DE CARNE! – Grita Sawa, o que também me deixou surpresa. E desviava de alguns pedaços de carne enquanto tomava notas em seu bloquinho.
E neste momento noto que Ogawa não está mais do meu lado. FOI CEDO, MEU FILHO!! VAI EMBORA E NÃO VOLTE MAIS!!...
– Ogawa... – Sussurro, sem perceber.
– Vá atrás dele Ágata – disse-me Ran. Sorri pra ele, e ele não precisou repetir porque eu já não estava mais lá.
Comecei a correr e até pensei em gritar seu nome, mas eu não estava tão louca a ponto disso, fora que se eu fizesse isso é bem provável que nunca mais possamos vir passar as férias aqui. E eu corri muito, muito, até tropeçar em meu próprio pé e levar alguém junto comigo para o chão.
– Desculpe, me desculpe... Desculpe... – Começo a dizer, e quando abro os olhos arrependo-me de imediato. – Caio.
– Ágata. Qual é? Não sabe correr e os outros têm de sofrer com o fato?
– Uh? Como é?!
– Me poupe. Eu caí e a culpa é sua.
– Ah, claro. Vou adicionar esta à minha lista de “A coisa tá feia porque a culpa é minha”.
Ele ri sarcasticamente.
– Você tem isso é?
– Calado. Você não está com a Luce?
–Luce? – Teatralmente ele olha ao redor, como se tivesse perdido algo. – Acho que ela não está aqui.
– Pra mim já chega, seu idiota – começo a fungar, porque eu choro quando fico com raiva, que saco! Mas, ao tentar levantar-me solto um gemido de dor. Torci o imbecil do meu tornozelo...
– Fique calma. Não se mexa. – Ele examina meu tornozelo enquanto eu puxo o tecido do vestido pra cobrir um pedacinho de minhas coxas, apesar de estar de biquíni. Caio sorri com meu ato, o que me faz corar, e senta-se de frente para mim, massageando meu tornozelo agora descalço. – Dói?
– Não... Ai aiaiai, dói dói sim!
–Calma, calma. Não precisa ficar com tanta vergonha assim, guria.
Um minuto em silêncio e eu não me contive.
– Você é de outro planeta, só pode.
– Por quê?
– Numa hora você está de um jeito, e noutra está de outro. Homens! Vá entender...
– O que você está insinuando? E quando vocês decidem ficar bravas sem ao menos esclarecer o porque de estar brava? Mulheres! Vá entender...
–Qualé, eu sei que é da Luce que você está falando. Vocês estão bem? – Encaro-o.
– Estamos sim. Bem. – Ele sorri docemente, e me encara de volta. – Ágata? Você... Está bem?
Percebo que estou chorando. Por que cargas d’água eu venho chorando tanto ultimamente?? ARGT!!
– Sim.
Ele termina a massagem e coloca meu sapato em meu pé novamente, mas não me deixa sair. Ele continua segurando meu pé.
– Não está não. – Não respondo. – Quer me dizer algo?
– Eu... Acho que não tenho sido justa com Ogawa... Mas, ele também... Não...
E de repente me vejo sendo amparada por Caio. Desisto de puxar o vestido pra baixo e coloco as mãos na boca, na tentativa sem sucesso de abafar os ruídos sinistros que saíam dela. Caio me conforta com um abraço e eu me sinto grata por ele não me pressionar a dizer algo.
– Sabe, minha mãe costumava me dizer que as pessoas não vão saber o que está passando dentro de você até que você esteja pronto pra dizer a alguém. – Sussurra Caio. – Eu só coloquei este conselho em prática na presença de Luce, porque foi aí que eu descobri... Que estava pronto pra dizer tudo a ela.
Enquanto eu ia controlando o choro lentamente, ele sorria firmemente ao lembrar-se de sua mãe e pensar em Luce.
– Mas – continua ele – tem vezes em que não é como se eu não quisesse dizer-lhe tudo. Apenas me faltam palavras. E eu sei, tanto quanto você, que o mesmo acontece com ela. Às vezes ela não diz tudo o que sente. Lembre-se Ágata: chorar alivia, mas não resolve.
– Muito, muito obrigada, Sr. A Culpa É Sua – sorrio. – Vou tentar me expressar mais, sem ser rude com Ogawa.
– Bom mesmo.
Ele levanta-se e não olha ao dizer:
– Até mais.
Saio mancando, apesar de meu pé estar muito melhor, tinha medo de a dor voltar se eu concentrasse o peso sob ele como se deve ser feito. E eu estava indo bem, até Gustav aparecer e:
– O que aconteceu baixinha? Você está bem?
– Ah, sim, eu...
– Não, não está. Cale a boca.
Então ele me pega no colo e sai me levando na direção contrária por onde eu estava indo. Comecei a me debater e espernear, pedindo “gentilmente” que ele me descesse, mas ele não cedia, até que comecei a fazer ganidos de choro e ele me desceu (isso não é ser pilantra, é ser esperta ;) e comecei a correr e rir tipo HAHAHA RONC HAHAHA RONC, e quando ia cair novamente sinto mãos em minha cintura.
– Ei!
– Solta ela.
Paraliso, e se as mãos de Gustav não estivessem em minha cintura eu iria de cara no chão pelo choque. Não precisava virar-me para saber quem era.
– Quem é você? – Perguntou Gustav, sorrindo.
– Quem é você? – Cuspiu Ogawa. Viro-me lentamente para encarar meu lindo e raivoso Ogawa. Estava prestes a andar em sua direção quando senti as mãos em minha cintura me segurarem com força suficiente para me imobilizar (e não machucar). – Acho que vou ter que repetir... Solta. Ela. Agora.
Sorri por dentro e morri por fora. Céus! Que homem lindo! Estando alegre, triste, com raiva ou ciúme... CIÚME??! Há! Essa é nova...
– Gustav? – Peço docemente. – Eu estou bem. Pode me soltar.
Relutante, ele o fez, mas de maneira provocativa: puxou-me para si para me dar um beijo na testa, como costumava fazer antigamente. Mas agora a situação era diferente, então ri e dei um tapa em suas mãos.
Percebi que Ogawa ainda estava ali, e estava com os olhos transbordando impaciência. Parei de rir e fui de encontro a ele.
– Gustav, este é o Ogawa, Ogawa, este é...
– Não dou a mínima para quem quer que ele seja. – Então me encara. – Preciso falar com você.
Coro e sigo-o, olhando apenas uma vez para a cara de pasmo de Gustav.
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