Feita de água e trevas - Lívro I
1 Capítulo 1
Notas iniciais
" Light andava impacientemente pelos corredores aquela noite, como se estivesse extremamente preocupado com algo, mas apesar de tudo continuou indo em frente. Ao chegar em uma bifurcação esgueirou-se por um corredor que eu nunca havia visto antes, andou por mais algum tempo e logo chegou a uma enorme porta que, quando aberta, somente pude ver quatro luzes, absurdamente fortes, brilhando cada uma em uma cor diferente, azul, vermelho, verde e a última de um amarelo bem claro. E então a porta se fechou "
Acordei num sobressalto com o barulho estridente de eu despertador, ultimamente andei tendo muitos sonhos como este envolvendo, sempre, o mesmo garoto, ao qual já estava familiarizada com a imagem. Levantei, tomei um banho rápido, vesti meu amado e antigo uniforme do colégio e passei uma maquiagem leve, olhei-me no espelho para ver o resultado, meus cabelos negros estavam exageradamente bagunçados e meus olhos azuis murchos por causa do sono perdido, na verdade até hoje não sei dizer ao certo qual a cor definitiva de meus olhos, há dias em que eles são de um azul inexplicavelmente forte e brilhante, e outros, muito raramente, são negros e obscuros como a noite sem lua.
Fui em direção a cozinha, preparei algumas panquecas e um pouco de café para varrer o sono, cinco minutos depois já estava saindo de casa, tudo exatamente como sempre faço, monótono e chato. Ao chegar no colégio vi que Victor acenava me chamando, Victor é meu amigo de infância, sempre estivemos juntos, estudamos juntos, brincamos juntos, crescemos juntos, enfim, fazíamos tudo juntos, pelo menos até alguns anos atrás. Victor era um pouco mais alto que eu, tinha cabelos platinados e olhos azuis gélidos que brilhavam com a luz, andei até o mesmo para saber o que queria me dizer, quando me aproximei Victor tomou fôlego e disse:
– Bom dia, Madie! — Saudou
– Bom dia, Victor! Está tudo bem? Você parecia estar incomodado com algo. — Perguntei
– Não, não é nada, eu estou bem. — Afirmou ainda um pouco contrariado — Bem, eu gostaria de saber se você não teria um tempo livre hoje á tarde?
– Sim, por que? — Perguntei curiosa
– É que eu...
– Diz logo criatura! Não me deixe curiosa!
– Eu ganhei ingressos para o cinema e como eu não tenho mais ninguém que eu possa chamar eu queria que você fosse.
– Ah... então sua melhor amiga é sua última opção? — Provoquei
– Não... Não é isso...
– Para seu bobo — o interrompi — eu só estou brincando. Eu vou sim, um passeio entre amigos não mata ninguém. Até mais tarde! — Falei enquanto adentrava os corredores do colégio
...
As aulas passaram rápido como na maioria das vezes, e foram chatas, assim como sempre, sai da sala e peguei o resto de minhas coisas em meu armário, ao sair Victor já me esperava do lado de fora, ao perceber minha presença me chamou:
– Vamos! — Gritou — Não quer perder a cessão, quer?
– Claro que não, além disso, ainda estamos no horário.
– Ok. Vamos então.
Fomos andando até o cinema, que era bem perto de onde estávamos, mas no meio do caminho algo me chamou atenção, um rapaz alto de cabelos castanhos escuros e de pele clara, tinha olhos amarelos brilhantes e reluzentes que poderiam ser comparados a cor dourada, era muito parecido com o menino do meu sonho, mas logo o perdi de vista em meio à multidão.
...
Saímos do cinema algumas horas depois, o filme era até bom, apesar de eu não ter gostado muito, andamos até uma praça ali perto e sentamos em um banco à sombra de uma árvore, ficamos em silêncio por um bom tempo até isso começar a me incomodar, em tão olhei ao redor para buscar algo que pudesse resolver esse meu problema, avistei uma barraquinha de sorvete um pouco mais a frente, " é isso" pensei, virei-me para Victor e perguntei:
– Quer um sorvete?
– Uh? — Ele parecia estar meio perdido — Ah! Quero. Vamos lá.
– Não, fica aí, deixa que eu vou sozinha. Só me fala de que sabor você quer.
– Uhm... — ele pensou um pouco — Baunilha! — Exclamou como uma criancinha.
– Ok. De baunilha.
Eu me virei para ir até a barraca de sorvete e então, novamente, avistei o menino de cabelos castanhos, acho que por impulso corri em sua direção, ele se encontrava de costas para mim, então não viu quando me aproximei, toquei em seu ombro e chamei:
– Light?
– Uh? — Disse enquanto se virava
– Uhm... Desculpa, achei que fosse outra pessoa. — Falei envergonhada
– Não, esse é o meu nome mesmo, mas como me conhece? — Perguntou confuso
– É ela Light. — Uma voz, que parecia vir de lugar nenhum sussurrou
– Quem disse isso?
– Ah... — Suspirou — Light, apaga ela.
– O que está acontecendo?
– Me desculpe.
Light ergueu a mão em frente ao meu rosto e então vi uma luz forte brilhar nela, meus olhos começaram a pesar e meu corpo já não conseguia se sustentar sozinho e por fim desmaiei.
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