Feelings Insanes
17 Near death, melody, checkmate.
Notas iniciais
Feelings Insanes
Pela pouca e precária luz que tinha na sala pela ajuda de uma solitária vela sobre seu suporte metálico posicionada logo ao lado, tornava possível avistar uma poltrona alta em couro vermelho sangue ocupada por um corpo feminino que parecia ainda menor se comparada com o móvel. Na frente desta uma pequena mesa redonda de madeira escura polida, sobre uma de suas pontas residia uma taça de cristal cheia de um líquido viscoso escuro, e ocupando a maior parte da mesa, um elegante tabuleiro de xadrez, que agora posicionava-se em jogo de uma só pessoa.
Apenas três peças permaneceram em pé no tabuleiro, a torre posicionada a lateral direita de pé, protegendo o rei atrás dela, as demais peças já apresentavam-se tombadas.. E entre todas elas, ao exato centro, encontrava-se a peça que representava a rainha, austera sobre as outras.
A elegante mão em uma pele alva e pálida, e adornada de unhas impecavelmente longas e negras em verniz estendeu-se sobre a mesa, tomando a taça entre seus dedos, e levando-a aos lábios bebericando desta lentamente, e tornando a pousá-la sobre a mesa.
Apoiou a cabeça em uma das mãos, a face assumindo expressão entediada. Cruzou as pernas por debaixo da mesa, olhando pela janela a fora ao seu lado desinteressadamente.
As portas ao seu lado abriram ruidosamente, mas a loira apenas fechou os olhos, tratando logo de ignorá-las.
– Sumimasen¹, Ojoo-sama² — uma voz, que arriscara-se dizer estar amedrontada, soou da parte mais escura da sala.
– Que me incomodas a essa hora? – a voz saíra cortante e ameaçadora.
– Venho avisá-la que estamos prontos para partida.
Um silvo animalesco e baixo escapou de sua garganta, irritada.
A figura abaixada em reverência na penumbra da sala se encolheu minimamente.
– Qual é a próxima?
– O leste, Ojoo-sama.
Entrelaçou as mãos a sua frente, voltando a apoiar o queixo sobre estas, correndo os olhos vermelhos opacos rapidamente pelo tabuleiro, sorrindo maliciosa sob as mãos, mostrando os caninos impecavelmente brancos, no mesmo minuto.
– Mas que bela notícia – disse debochada, apesar do resquício de diversão soar explícito em sua voz.
Tornou a estender sua mão sobre o tabuleiro em direção a rainha, segurando a peça em questão e girando-a divertida entre os dedos antes de leva-la em direção à torre, batendo contra ela, derrubando-a e tomando seu lugar, em frente ao rei.
– Cheque mate.
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Ouvi seu grito soar.
Me virei o mais rápido que pude, e acelerei o passo até o ponto de estar correndo desviando-me dos escombros mais rápido que meus olhos poderiam acompanhar, minhas pernas se moviam passo após passo, mas sentia como se não estivesse saindo do lugar. Corria há um bom tempo, meus membros inferiores já reclamavam do impacto repetitivo com o chão duro e irregular.
Meu coração batia frenético e eu quase esquecia como respirar, ou melhor, a queimação em meus pulmões alertava que o ar que entrava não parecia mais o suficiente, desacelerei assim que avistei círculo circunscrito em magia de antes, apenas a redoma de selos de antes já não estava mais presente, parando em frente a esta, olhei em volta, ofegante.
Com alívio avistei Maka estava ajoelhada em meio a este, como uma boneca de ventriloquismo, tirando pelo fato das mãos às laterais da cabeça e os olhos apertados, a expressão tomada pela dor.
– Maka — chamei.
Ela subiu o olhar em minha direção.
O olho esquerdo brilhava em um vermelho terrivelmente macabro enquanto o direito ainda brilhava do verde no qual me lembrava, deste qual as lágrimas escorriam copiosamente. O rosto, juntamente do vestido branco agora estavam manchados de sangue.
Seu grito soou novamente, seguido de um estrondo ensurdecedor, virei para trás instantaneamente, todo o restante das estruturas que ainda não era escombros começaram a ruir e virar cinzas, e uma ventania forte começou a rodar por todo o local.
De suas costas começaram a brotar um par de asas, uma delas que antes de estar manchada de vermelho deveria ser branca como a de um anjo e a outra com as estruturas rasgada das asas de um morcego. De sua cabeça, em meio os fios loiros, começaram a brotar chifres, um de cada lado, de onde escorria um filete de sangue pela lateral da cabeça da loira.
Maka me olhou. Ofegava os lábios entreabertos, me dando um vislumbre das presas pontiagudas sob seus lábios. Observei-a enquanto ela se levantava, cambaleando fracamente.
– Soul... — chamou, quando seu corpo metamorfoseava do estado normal, ao estado de antes em looping.
Dei um passo em sua direção.
– N-não se aproxime, humano — disse em um silvo animalesco, a mão de Maka cravou do lado esquerdo de seu próprio peito – Soul, vá embora! – pediu a voz chorosa.
Dei mais um passo em sua direção.
– Não se aproxime mais. Vá embora!
– Não – respondeu Soul, avançando em sua direção – Eu não vou desistir de você. Nunca.
– Por favor... – mais lágrimas escorreram de seus olhos – Eu não quero te machucar.
Em um piscar de olhos suas feições mudaram para frieza.
– A Maka que você conhece não existe mais! – uma voz gutural e animalesca saiu dos lábios dela, e observei-a espalmando a mão em minha direção, lançando-me para trás com uma força invisível segundos depois.
Assim que pousei no chão, ele rachou sob meus pés e eu me vi caindo para lugar nenhum como se uma força gravitacional imensa me puxasse para baixo, estiquei a mão em sua direção, dando um último vislumbre em Maka, ajoelhada com a mão sobre a boca, em um choro desesperado enquanto era arrastado para a escuridão sem que pudesse lutar contra.
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Abri os olhos, encontrando-me em alguma espécie de dimensão paralela. Talvez fosse o que chamassem de limbo ou lugar nenhum.
Olhei em volta, tudo era branco, vazio. Não havia ninguém nem nada ali.
Voltei a me deitar, respirando fundo. Nunca me sentira tão calmo, meu corpo parecia leve demais. Nada mais doía, me preocupava, nada mais parecia errado.
Fechei os olhos observando imagens de retrospectiva da minha vida se passarem como um filme particular. Até que as imagens chegaram em Maka. Imagem após imagem. Em um último flashback. Acho que era o mínimo que me devia como últimos minutos de vida.
Então isso era morrer? Não parecia tão ruim no momento.
Uma força começara a me impelir para o chão, senti meu coração falhar uma batida, desacelerando aos poucos, a respiração ficando pesada, e minha visão escurecendo, sentindo-me afundar como se em água, cada vez mais fundo.
Então... Esse era o fim?
Ora, não era como se eu tivesse escolha ou forças para lutar contra. Disse a mim mesmo desistindo de lutar contra e fechando os olhos resignado.
Não.
Eu não posso morrer. Não agora.
No mesmo momento senti uma mão quente agarrar meu pulso, puxando-me para cima.
Abri os olhos instantaneamente, dando com uma figura de longos cabelos que dançavam atrás de um corpo feminino feito de própria luz, uma luz tão forte que cegava-me ao ver sua face mas não as duas asas de anjo provinham de suas costas, puxando-me para a superfície.
– Maka? – sussurrei, observando-a sorrir em resposta.
– Você deve viver.
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Soul acordou de súbito, ofegante e desorientado.
Levou a mão a testa, encostando na toalha úmida que ali residia. Retirou-a deixando na bacia que vira ao seu lado, e apoiando o braço, que até então havia esquecido que estava ferido, arrependendo-se logo que o fez quando a dor voltou ao primeiro plano de sua mente, para erguer o corpo com dificuldade.
Um silvo baixo de dor escapou entredentes. Olhou para o braço envolto de bandagens, sentindo a pele meio dormente e sua cabeça girando.
Onde estou?
Levantou-se e olhou em volta tentando achar qualquer resquício de algo conhecido, frustrado e sentindo a cabeça pesar como chumbo, forçou suas pernas que pareciam moles demais para sustentarem seu peso, darem passo após passo, até o que achou ser a saída de onde estava, uma tenda ou qualquer coisa do tipo.
Fechou os olhos instantaneamente, cegado pela quantidade de luz do lado de fora, ainda protegendo-os com um braço em frente, precisou de vários segundos piscando para que a dor de seus olhos desacostumados a luz, há não sabia-se quanto tempo, enfim passasse.
Olhou em volta novamente, confuso. Uma vila extremamente silenciosa sem quaisquer sinais de vida por perto.
– Enfim acordou – disse a voz do ancião atrás dele, seguido de uma risada. Soul sobressaltou-se, olhando para trás, alerta.
– Onde estou? – indagou ainda incomodado com a luz do sol que parecia mais forte do que podia se lembrar.
– Vila do leste – respondeu simplesmente.
Soul olhou para ele, em um incentivo silencioso para que o mais velho continuasse já que a resposta não fora suficiente para fazê-lo lembrar de qualquer coisa que ajudasse.
– Venha comigo, seus amigos estão junto do líder.
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Soul entrou na tenda bem maior que a que estava anteriormente, no encalço do ancião, observando as cinco cabeças de seus amigos virarem-se para ele instantaneamente.
– Soul! – pode ouvi-los exclamarem entusiasmados e aliviados, assim que o viram na entrada da tenda.
– Yo – sorriu para os amigos, acenando.
Emerald levantou-se de súbito correndo em sua direção e abraçando-o.
– Olá pra você também, pirralha – bagunçou os cabelos dela.
A pequena bufou, soltando-o. Uma carranca formando-se em sua face. Soul sorriu divertindo-se.
– Que alívio vê-lo de pé de novo – disse Kid, sorrindo.
– É bom estar de pé de novo – respondeu Soul, sentando-se na almofada livre entre os amigos, Emerald ao seu lado – Mas, não por muito tempo. Sinto que minhas pernas parecem gelatina.
Todos riram.
– Achei que tu ia morrer – comentou Black Star descachado.
– Que inconveniente – brigou a parceira dando-lhe um tapa na nuca.
– Ai! – reclamou Black Star, massageando a nuca.
Soul riu.
– Não sou tão fácil assim de morrer.
– Está se sentindo melhor? – indagou Tsubaki, preocupada.
– Estou sim – respondeu olhando o braço que já não doía mais como se lembrava.
– Mesmo? – disseram as irmãs Thompson em uníssono.
– Creio que sim – disse Soul, sorrindo de lado em uma tentativa que tranquilizá-las. — Por quanto tempo eu dormi? – perguntou confusamente.
– 3 dias – respondeu a voz de uma senhora atrás dele.
Virou-se para uma mulher já em idade avançada, o sorriso gentil adornando-lhe o rosto.
– Essa é nossa curandeira. Se está vivo, agradeça-a por isso. Pois foi graças a ela – disse o jovem, que apoiava-a guiando até outra almofada vaga ali próxima ao grupo.
Soul observou o olhar desfocado da senhora, enfim notando sua cegueira.
– Obrigado por ter... Cuidado do ferimento – agradeceu Soul, em uma pequena reverência de gratidão implícita.
– Não, meu jovem – respondeu – Acredite, nenhum remédio do mundo poderia ajudar sem que você colaborasse.
– Como assim? – indagou confusamente.
– Você não estaria aqui entre nós se não tivesse lutado pela vida e agarrasse-a com unhas e dentes. Uma motivação alarmante e implacável até, eu diria.
– Eu tive ajuda – disse Soul, lembrando-se da figura que o ajudara – Além disso tenho uma coisa que prometi fazer antes de partir. Até lá, pode ter certeza. Eu não vou morrer.
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Abriu os olhos, suspirando pesaroso, chegando a constatação óbvia.
Não conseguiria dormir.
Sentando-se na esteira em que estava, olhou em volta, o restante de seus amigos dormindo tranquilamente, coisa que agora tinha a certeza que não conseguiria fazer, não essa noite, e frustrado, levantou-se com cuidado, antes de sair silenciosamente entre eles, para o fim da noite, e começo gelado de amanhecer do lado de fora.
Respirou o ar puro do lado de fora, a terra dura e as pedrinhas espetando seus pés já não incomodavam mais. Dando alguns passos à frente até o tapete de relva fofa que existia ali no centro repleto de pequenas flores brancas. Deitou-se sobre este com cuidado. Cruzando um dos braços atrás da cabeça como apoio e estendendo o braço machucado ao lado do corpo, fechou os olhos.
– Está tudo bem, Soul-san? – indagou um dos jovens guerreiros da vila. De pé acima dele. Abriu os olhos levemente sobressaltado.
– Desculpe por ter acordado...
– Não estava dormindo – respondeu simplesmente.
– Ah! Há algo que possa fazer para ajudar?
– Não, está tudo bem – sorriu Soul tranquilizando-o.
– Entendo. Boa sorte, Soul-san – sorriu gentilmente virando-se para afastar.
– Kai – chamou Soul. O jovem parou virando-se para ele novamente.
– Sim? — perguntou
– Só Soul – pediu incomodado.
– Perdão...? – perguntou confuso.
– Não seja tão formal. Temos quase a mesma idade. Assim faz eu me sentir velho – reclamou Soul.
Kai sorriu.
– Perdoe-me, Soul-sa... Soul – disse sem jeito.
– Isso. Bem melhor – disse olhando para o céu acinzentado, carregado de nuvens – Vocês precisam de ajuda no turno de vigília?
– Ah? Não! Acabamos de trocar. Está uma noite tranquila hoje. Então estou indo descansar um pouco agora. Deveria fazer o mesmo – aconselhou o jovem.
– Ah, tudo bem. Daqui a pouco eu vou. Obrigado. Bom descanso, Kai.
– Obrigado. Você também, Soul – disse se retirando.
Soul suspirou fundo, erguendo o braço machucado, envolto em bandagens, em frente o rosto, a mão espalmada virada para o céu. Sentindo as primeiras gotas geladas de chuva contra a palma de sua mão e logo em seguida contra o restante de seu corpo, encharcando sua roupa em questão de segundos. Deixou a mão cair ao lado do corpo novamente. Fechando os olhos.
Fora num dia como esse que ela partira.
Tocou o pescoço onde agora só havia uma cicatriz de onde as presas de Maka estiveram cravadas um dia.
Se pelo menos surgisse uma nova pista de sua localização, de sua situação. Nem que um mínimo fiapo de esperança para ele e seus amigos. Só queria saber se tudo aquilo havia sido mesmo real, ou não passava de um sonho. Se fora realmente com Maka que vinha se encontrando todas aquelas vezes, todas aquelas noites, se fora ela que salvara-o da morte.
#C
Abriu os olhos instantaneamente, levantando aturdido. Aquela melodia.
#C
Poderia reconhece-lá em qualquer lugar.
De repente, um raio brilhou caminhando pelo céu caindo longe, e seguido do estrondoso trovão, uma voz soou em uma cantoria sinistra.
Era a voz dela, a alma dela. Era Maka.
To be continue...
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