Feelings
2 Avalanche
Notas iniciais
As próximas semanas correram normalmente, o inverno estava começando em Arendelle e eu resolvi caminhar pelas montanhas, ir no meu castelo de gelo... Grande erro.
A guarda real estava posta à frente do castelo e assim que cheguei fomos em direção à Montanha Norte.
O passeio ia agradável e tranquilo, não havia perigos até então e mesmo que houvesse, Hans e outro soldado iam mais na frente por segurança.
Foi aí que ele e o outro soldado voltaram correndo:
– AVALANCHE!! — gritou o soldado, e logo atrás dele pude ver um monte de neve vindo em nossa direção.
Como eu era a única sem cavalo, Hans me colocou no seu. É claro que por ele ser da guarda deveria me proteger, mas não deixei de ficar surpresa com isso.
– Os cavalos devem ter feito barulho! — me explicou ele com uma cara muito assustada. Não me surpreendia, por ser príncipe, era aceitável que estivesse acostumado com uma vida boa e tranquila, não em quase ser soterrado por uma avalanche.
– Droga, a passagem está bloqueada. Vamos ter que achar um outro caminho! — a avalanche devia ter feito algumas árvores caírem e a neve descido a montanha, o que causou uma barreira.
Hans seguiu por algum outro caminho que levava à Arendelle, mas era bem mais demorado e já estava escuro.
– Acho que vamos ter de passar a noite em alguma caverna...
– O quê?! Não, não! Nós vamos para Arendelle!
– Não vai dar tempo! E a nevasca está ficando mais forte, é melhor pararmos e saírmos amanhã logo de manhã.
Mesmo contrariada, acabei tendo que aceitar.
Depois de alguns minutos Hans achou uma caverna, parou o cavalo e me desceu.
Ele ficou tentando insistentemente acender uma fogueira, mas depois percebeu que por eu estar nervosa estava fazendo o ambiente ficar mais frio.
– Acalme-se, Majestade. Podia ser pior. Pelo menos não vamos morrer de frio, agora tente ficar calma porque eu estou tentando fazer uma fogueira para nos manter aquecidos.
A petulância dele me irritava. Eu lhe mirei um olhar bravo e apertei os braços tentando me aquecer. Aquilo fez Hans ficar surpreso:
– A Rainha da Neve está com frio? Isso é mesmo irônico.
– Pare de dizer gracinhas.
– Desculpe. — Hans então me deu seu casaco.
– Não precisa abrir mão do seu casaco, você vai sentir mais frio que eu.
– Mas você é a rainha, você tem muito mais prioridade que eu. Vou ficar bem.
Finalmente ele conseguiu fazer uma fogueira, se esquentou um pouco e foi em direção à entrada da caverna.
– O que está fazendo?
– Guardando a entrada da caverna, ora. Continuo sendo seu guarda.
– Mas eu não quero ficar sozinha aqui... — logo me arrependi de ter falado isso. Normalmente eu faria tudo para evitar ficar perto de Hans, por que disse aquilo?
Hans ficou surpreso, virou o rosto e disse:
– Bem, se quiser ficar aqui...
Hesitante, eu fui até ele e parei ao seu lado. Tentando quebrar o gelo, Hans começou:
– Então, sem querer ser intrometido nem nada, mas Anna me disse uma vez que vocês eram muito próximas, gostaria de me dizer o que aconteceu?
"Ah, então ele sabe. É bem a cara da Anna mesmo contar da nossa vida pessoal para um completo estranho." — pensei eu.
– Bem, um dia eu acertei gelo na cabeça de Anna sem querer. Então para não causar mal a mais ninguém, eu me isolei no meu quarto.
– Como? E o quê seus pais fizeram a respeito disso?
– Eles disseram que eu deveria controlar meus poderes, não sentir, não deixar saber. E eu concordei, porque eu me achava um monstro.
– Isso é horrível. Bem, acho que agora eu devo falar dos meus irmãos. São 12 irmãos mais velhos, três deles fingiram que eu era invísivel, por dois anos. Por ser o mais novo, eu nunca recebi muita atenção, então eu achei que se me tornasse rei de Arendelle, além de conquistar meu objetivo também conquistaria a admiração da minha família e reino. Eu sinto muito por isso.
– Tudo bem — falei eu secamente — Como você foi recebido no seu reino depois de tudo isso? — perguntei mudando de assunto e sem olhar nele.
– Bem, não foi nada agradável, o povo jogou tomates em mim e me vaiou, e minha família fez questão de me colocar na pior cela possível, me repudiavam todo dia e me chamavam de "vergonha da família". Estava achando até que iam me executar.
– E por que não o fizeram? — perguntei tentando não soar rude, embora fosse difícil.
– Eu sei lá. Talvez acharam que se eu viesse para Arendelle como soldado seria muito maltratado, e isso seria incrível para eles. Certamente eles não conhecem a Vossa Majestade.
– O que quer dizer com isso?
– Quero dizer que Vossa Majestade tem um enorme coração e que por mais que me odeie jamais seria capaz de fazer o que eles fazem.
– Eu nunca te odiei, Hans. Odiar é uma palavra muito forte. Só sinto uma certa raiva de você.
– A senhora se mostra cada vez melhor do que eu pensava. — Hans deu um leve sorriso.
– Exagero seu.
– Não sou muito exagerado. — disse com o mesmo sorriso, e dessa vez eu dei um sorrisinho simpático também.
Depois disso seguiu-se o silêncio e eu bocejei, mas não de tédio, de sono mesmo.
Hans sentou-se e me ofereceu o ombro como travesseiro, eu fiquei um pouco desconfiada, ainda parece que a qualquer momento ele vai me matar.
– Não se preocupe. — disse ele com uma risada — Eu não vou tentar nada, eu sou "do bem" agora, lembra? É assim que se diz? "Bem"? Que palavra esquisita... — disse ele me fazendo dar risada. Talvez ele tivesse mudado mesmo, mas de qualquer jeito, é melhor ficar sempre alerta.
Assim, dormi encostada no ombro dele.
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