Feelings
19 Chapter 19 - Cave of Exiles
Notas iniciais
A caverna era suja e úmida não se via nada nos primeiros metros além de uma quantidade enorme de musgo. Em certa parte da caverna chegou uma hora que houve uma curva no formato de um “u” de ponta cabeça, ao chegar a tal ponto era possível se ouvir gemidos e passos de pessoas. O som era tão próximo que o grupo hesitou em continuar.
– Esperem! – Fiszpan estendeu o braço fazendo que todos parassem – Estou ouvindo passos em nossa direção.
– Mas o que fazemos agora? – perguntou Aono quando uma gota foi do teto da caverna para seu ombro – Vamos ficar aqui esperando até que eles cheguem e nos matem?
– Podemos ser Minus – sugeriu Indifference – Geralmente eles são bem feios, mas tem alguns bem normais. Nada que uma roupa velha e surrada e uma arma que parece pertencer a um homem das cavernas não resolva.
– Como você sabe como são os Minus? – perguntou Katty curiosa.
– Hum... – ele pensou – Eu vi um bocado antes que seu amigo ai conseguisse acabar com eles.
– Mas essa é uma boa ideia, Ruan – Fiszpan olhava de segundo em segundo para a curva escutando os passos que cada vez mais se aproximavam compassadamente – Porém, como vamos fazer isso tão rápido?
– Eu posso fazer uma coisa – disse Indifference em resposta à pergunta de Fiszpan – Mas todos terão que ficar sempre perto de mim durante esse tempo – ele tentou esconder seu sorriso malicioso, mas mesmo que pouco ele ainda participara da cena.
– Que seja! Tudo bem, desde que seja rápido – ele já conseguia ver a sombra da pessoa que caminhava em direção a eles.
Indifference então fora rápido e chamou o nome de sua arma quase em um tom sussurrante. O anel aparecera em sua mão e logo quando ele bateu os olhos no objeto a roupa de todos tinha se transformado em trapos e na mão de cada um eles carregavam armas feitas de madeira e pedra.
Logo depois que eles estavam parecendo mendigos chegou a pessoa que estava andando pelos corredores estreitos e úmidos da caverna. Era um homem alto com cerca de dois metros de altura, mas suas costas curvas o faziam parecer menor, seus cabelos eram de um ruivo tão escuro que chegava a parecer que o cabelo foi tingido por uma garrafa de vinho. Porém, essas não eram as características que mais chamavam a atenção nele eram seus olhos. Eles eram de um verde acinzentado tão profundo que o mínimo olhar fixo faria você pensar que está lendo a mente dele, mas a mente desse homem chamado Korn com certeza era a ultima coisa que qualquer um iria querer ler.
– O que vocês estão fazendo aqui, bando de porcos? – perguntou ele enquanto passava o olho pelo grupo, mas assim que seu olho bateu no de Indifference sua expressão ríspida mudara automaticamente para uma excitação incontrolável – Não me diga que estão tentando fugir de novo? – ele tentou ser o mais natural possível e empurrou o grupo através da caverna.
Logo quando o corredor acabou a visão mais pavorosa veio aos olhos do grupo. Eram pessoas escravizadas, jogadas no chão como lixo e acompanhando a visão veio o som dos murmúrios, gemidos e lamentos dos Minus. A visão era simplesmente asquerosa e triste Katty e Rose às vezes fechavam os olhos ao passar por um Minus em prantos jogado no chão.
– Atenção, porcos! – gritou Korn – Hoje vocês terão uma pequena folga, podem descansar, mas amanhã voltaremos a todo vapor.
– Nós tivemos sorte – disse Matt quando se afastaram de Korn – Agora só temos que sair daqui sem esse cara ai nos ver.
– Você não estava com fome? – indagou Katty logo após cerrar os olhos por causa de um Minus que tinha as costas completamente chicoteadas.
– Depois de ver essas coisas ai? – ele apontou para outro Minus que estava sentado no chão e babando como um cachorro – Minha fome foi embora e nem sei se volta mais!
– Estou com medo – disse Rose – Quando que vamos sair daqui?
Fiszpan que estava hipnotizado pela visão que tinha voltou a si e disse:
– Nós vamos sair logo, Rose – ele hesitou e deu uma olhada em volta do lugar novamente – Quer dizer... Vocês vão. Antes tenho algumas coisas para resolver aqui.
– E o que seria? – perguntou Aono.
– Coisas – ele repetiu – Mas vamos nos sentar. Se quisermos sair daqui teremos que descansar os pés, a nossa jornada ainda não está nem na metade, e temos que nos prevenir caso algum No-One apareça. Estamos no território deles. Esqueceram? – antes que alguém pudesse responder alguma coisa ele continuou – Com os pés mortos não conseguiremos nem lutar e muito menos fugir de um combate – ele arrumou os óculos.
– Fiszpan tem razão – concordou Jin – E se ficarmos parados é mais difícil que percebam que não somos Minus.
Com isso todos se sentaram com exceção de Katty que permaneceu em pé olhando para Jin de braços cruzados e com uma feição emburrada no rosto.
– Você tá louco que eu vou sentar ai! – afirmou ela – Quantos desses “coisos” nojentos já não caíram ai, sangraram ai... ou pior... vomitaram ai – ela fez cara de nojo.
– Ah! Vamos lá Katty – disse Jin – Você precisa descansar.
– Só sento se for no seu colo – disse ela com um sorrisinho no rosto – Ou isso, ou nada!
– Tudo bem! – disse Jin sorrindo.
– Ela sempre ganha com birra – sussurrou Matt olhando torto para Katty.
– O que disse Matt? – perguntou ela retribuindo o olhar.
– N-nada não!
O tempo foi passando e embora os Minus tivessem recebido uma folga os murmúrios nunca acabavam apesar disso tudo Katty ainda conseguira dormir no colo de Jin.
A lua agora aparecia no céu com uma luz dourada que penetrava um pequeno buraco no teto da caverna. Korn já estava longe o suficiente e depois que Matt parou para pegar uma tigela de sopa que mais parecia com água barrenta oferecida por um Minus que parecia ser um cozinheiro eles estavam prontos para colocar o plano de fuga em ação e partir.
No meio do caminho de volta para o corredor que levava para a saída da caverna Fiszpan parou e disse:
– É aqui onde eu fico.
– Tem certeza disso Fisz? – perguntou Rose.
– Absoluta. Eu realmente tenho coisas a fazer aqui – ele se virou para Jin e pegou em seu ombro – Jin, deixo você tomando conta deles agora.
– Eu não preciso que tomem conta de mim! – exclamou Katty que levou um beliscão de Jin pouco tempo depois por ter dito isso.
– Eu me encontro com vocês logo logo – disse Fiszpan – E tomem cuidado, façam o possível para evitar No-Ones. E você Ruan, mantenha o disfarce, assim vocês estarão mais protegidos.
– Certo! – disse Indifference que tinha um olhar preocupado. Provavelmente por não saber qual o motivo que Fiszpan estava ficando para trás.
– Fiszpan! – disse Aono parecendo estar com medo – Onde está a Oru? Você pode precisar dela... Nunca se sabe.
– Tudo bem, minha velha amiga nunca me decepciona! – ele sorriu – e do mesmo jeito que você consegue fazer suas armas aparecerem do nada, eu faço isso com a minha Oru. Não se preocupe. Agora vão!
Eles obedeceram e saíram correndo pelos corredores da caverna.
Como Fiszpan havia ficado longe de Indifference seu disfarce fora finalizado, e assim ao voltar ele estava com suas roupas normais: a camisa preta e o longo jaleco; sua pele estava limpa e as cicatrizes ilusionarias haviam sumido. Isso fez com que ao primeiro passo que ele desse perto de algum Minus fez com que todos os olhares se voltassem para ele, inclusive o de Korn.
– Hey! No-One! – gritou Fiszpan para Korn – Qual o seu nome?
Ele apenas ignorou a pergunta, levantou da pedra onde estava sentado observando a lua e disse:
– Minus, saiam daqui! Papai quer brincar – e um sorriso malicioso e amedrontador surgiu em seu rosto.
Ao receberem a ordem todos os Minus (mesmo que contra a vontade) viraram pó, deixando para trás uma cortina densa de pó negro.
Fiszpan se assustou com o que acabara de acontecer.
– Eu perguntei: Qual o seu nome? – repetiu Fiszpan com um tom rude que jamais havia usado antes.
– Eu sou o sentimento que toma conta da sua pele e sua mente – disse Korn andando por entre a cortina de pó que se abaixava lentamente – Sou o sentimento que faz você chorar e gemer. Sou o sentimento que tem prazer em ver os seus dentes rangerem e sua pele tremer. Eu sou a dor. E meu nome? – ele pausou a fala por uns segundos –Meu nome é Korn.
Continua...
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