Feelings
11 Chapter 11 - Wormholes
Notas iniciais
Boa leitura
A noite começava a ficar cada vez mais fria. Yuu, viajando pelo céu da Inglaterra montada em Bydol já não conseguia enxergar sua casa.
- São bonitas não são? – Bydol percebeu que Yuu estava deslumbrada com as luzes coloridas da cidade
- O que? – ela não havia prestado atenção, pois seus olhos não descolavam da cidade; Bydol ao perceber a falta de atenção de Yuu apenas disse “as luzes” e a garota tirou os olhos da cidade e voltou a olhar para suas mãos que estavam firmemente apertadas nas grandes penas de Bydol – Ah, sim! – disse Yuu – São realmente muito lindas, faz um bom tempo que eu não saio de casa.
Houve um bom tempo de silêncio, apenas o barulho do vento que passava pelas asas de Bydol eram escutados. Bydol quebrou o silêncio dizendo:
- Yuu – nessa hora Bydol deu um mergulho cortando o ar que fez com que a garota montada em suas costas soltasse um grito levemente agudo
- Eu estou bem – disse a loira antes que Bydol perguntasse alguma coisa – Mas, o que queria falar comigo?
- É... Eu estive pensando... – Bydol diminuiu razoavelmente a velocidade – Por que você está fazendo isso? Se você não quer que ninguém saiba é por que certamente é algo perigoso, e eu não quero ser culpada por nada que aconteça a você.
- Está tudo bem, eu fiquei uma semana treinando para isso... – Yuu parou de falar ao sentir que haviam chegado à terra firme; uma floresta não muito diferente da que cercava a casa dos Some-Ones.
- UMA SEMANA? – os pensamentos de Bydol foram tão fortes que provavelmente causariam uma dor de cabeça depois – Se você treinou é por que você está indo para uma batalha, certo? – Yuu tentou responder, mas antes que ela conseguisse tal ato Bydol voltou a pensar alterada – UMA BATALHA É NORMAL, MAS SABENDO QUE É UMA BATALHA VOCÊ DEVERIA PELO MENOS TER TREINADO MAIS DE UMA SEMANA!
- Me desculpe – disse Yuu colocando as mãos sobre a cabeça por culpa da dor – Eu sei que estou preparada.
Bydol não falou absolutamente nada, apenas se virou e encostou-se a uma árvore que se destacava por ser uma das maiores da floresta.
- O que você está fazendo? – disse Yuu indo na direção de Bydol tomando cuidado para não pisar em um galho com espinhos, ou quem sabe, nas fezes de algum animal – Nós temos que chegar logo!
- Por quê? Para que ninguém perceba que você não está lá? – Bydol parecia irritada; Yuu abaixa a cabeça.
- Mas não podemos ficar aqui – disse Yuu (ela estava tão nervosa que nem mais usava telepatia para se comunicar com Bydol) – Eu preciso chegar logo!
Bydol ignorou-a e juntou as enormes asas brancas contra o seu corpo.
- Bydol! – gritou Yuu – Eu realmente preciso chegar lá – ela se via olhando constantemente para trás como se alguém estivesse as olhando
- Amanhã nós iremos – Bydol sabia que provavelmente alguém iria sentir falta de Yuu e as resgatariam antes mesmo que a pomba e a garota acordassem – Agora estou cansada, é uma viagem longa e eu preciso descansar. Vamos, deite-se no chão e durma.
Yuu olhou rapidamente para o chão sujo e malcheiroso e sentiu vontade de vomitar ao ver o que parecia ser o cadáver de um rato em decomposição.
- Eu não vou dormir nesse chão – ela estava realmente enojada
— Então não durma! O que acha disso? – Bydol estava tentando ao máximo ser fria com a amiga, para de algum jeito castigá-la pela ideia precária.
Yuu contagiada pela raiva da amiga correu para árvore mais longe o possível – mas que ela ainda conseguisse enxergar Bydol – e se acostou nela dizendo algo como “Já que é o que você quer, é isso mesmo que eu vou fazer”.
Passaram-se cerca de uma ou uma hora e meia e Yuu ainda estava lá em pé olhando com a testa franzida para Bydol, mas o momento de raiva fora interrompido por um barulho vindo do extremo sul da floresta desconhecida. Yuu chamou Bydol, mas o animal enorme estava em um sono extremamente profundo, foi então que ocorreu na mente de Yuu a ideia de continuar a sua jornada sozinha. Ela pegou o mapa que estava jogando próximo de Bydol o olhou e logo se localizou.
Yuu sabia que sua amiga estava irritada, e quando acordasse, logo ficaria irritada. Então ela arrancou uma das folhas de seu caderno e escreveu um recado para quando o pássaro acordasse, embora, obviamente pássaros não saibam ler ela sabia que Bydol iria levar para alguém que o leria para ela.
Ao deixar o recado a jovem garota dos longos cabelos loiros se aventurou na floresta que não estava nem a dez quilômetros de distancia do destino de Yuu.
Depois de algumas horas de viagem andando ela parou em uma estrada de terra, pelo caminho que ela estava percorrendo a casa parecia estar em um local bastante isolado da presença humana.
Sentada a beira da rua Yuu abre o mapa para ter certeza de sua localização, o céu começava a perder a sua tonalidade escura já, dando o lugar para uma luz um tanto rosada que iluminava parcialmente o local.
- Yuu! Yuu! Você está ai? Yuu!? – a voz de Indifference saia de dentro do mapa que Yuu segurava em suas mãos
- Ruan? – Disse Yuu assustada – C-como você está fazendo isso?
- Isso não importa – respondeu ríspido esquecendo-se de que deveria ser carinhoso com Yuu – Quero dizer... Isso não é importante agora Yuu – ele tentou usar o tom mais doce que conseguia – Você já conseguiu chegar?
- Não ainda, estou a cerca de sete quilômetros da casa ainda – disse Yuu analisando o mapa por uma segunda vez.
- Certo... – disse Indifference pensativo – Precisa de alguma ajuda? Você tem que chegar logo, parece que o Matt acordou cedo com fome, ele está lá em baixo perguntando de um pedaço de bolo – Yuu se lembrou do resto do bolo que ela havia colocado em sua bolsa.
- Bem... Uma ajuda seria boa, mas como você poderia me ajudar? – nesse instante uma pessoa andando de bicicleta passou na frente de Yuu que soltou um alto grunhido de medo
- O que foi Yuu?
- Um garoto passou aqui... – ela olhou para o garoto que andava de bicicleta novamente
- Ele não pode te, ver não se preocupe – Yuu respondeu à Indifference com um singelo “Eu sei”; Então Indifference continuou – Eu não te falei do que esse mapa é capaz? – perguntou Indifference
- Não...
- Olhe atrás dele
- Ok... – Yuu olhou a escritura que dizia “Mapa de transporte rápido, Inventado por Fiszpan Porcell”.
- Viu?
- Sim... E... Você roubou isso do laboratório do Fiszpan? – ela olhou estranhamente assustada para o mapa como se ele fosse o seu suposto amigo Ruan
- Foi tudo pra ajudar, mas mudando de assunto... Você sabe por que ele se chama assim? – perguntou ele; o tom de sua voz parecia um tanto excitado.
- Não... – disse ela ficando cada vez mais confusa
- Consegue ver esses pontos vermelhos no mapa? – perguntou Indifference
- Sim... Confesso que desde o começo fiquei me perguntando o que eles seriam – A jovem passava os olhos pelos pontos vermelhos que eram espalhados por todo o mapa
- Bem... Eu teria te dito antes, mas como você disse que já tinha um transporte não me preocupei muito – a voz tediosa de Indifference continuava saindo pelo mapa – Aliás, o que aconteceu com o seu transporte?
- Não quero falar disso agora – Ao lembrar que ela havia deixado sua amiga desolada no meio da mata, o estomago de Yuu pareceu dar um nó – Mas o que esses pontos fazem?
- Ah sim, me desculpe – ele continuou a explicação – É bem simples de entendê-los – ele pausou um tempo, nesse meio tempo houve-se o barulho de alguma coisa cair no chão.
- Alguém chegou ai? – perguntou Yuu olhando para o mapa; o vento do local fazia com que seus cabelos acompanhassem os movimentos da grama alta e seca.
- Não tudo bem, só deixei uma caneta cair no chão – houve mais uma pausa – Mas continuando: Elas funcionam como buracos de minhoca, já ouviu falar neles?
- O que as minhocas fazem? – A voz de Yuu saiu em uma mescla de inocência e ignorância
- Não – ele riu com a ligeira burrice da garota – Os buracos de minhoca do espaço – Yuu sentiu vontade de perguntar se haviam minhocas no espaço, mas ela continuou calada com medo de perguntar mais alguma coisa ridícula – Mas parece que você não os conhece, então, vou explicar de um jeito mais simples – ele arrumou os seus cabelos rosados que estavam mais bagunçados do que o comum (embora Yuu não pudesse o ver) – Está vendo as numerações nos pontos vermelhos?
- Sim, alguns tem numerações iguais – O casaco juntamente com o curto vestido que ela usava estavam sendo praticamente puxados pelo vento que estava bruscamente forte, a poeira entrava nos olhos de Yuu dificultando um pouco a sua visão.
-Isso! Consegue enxergar o que está mais perto de você?
- Sim é o número 3 – Indifference se espantou com a resposta; Yuu tirou a poeira dos olhos e conferiu novamente – Digo... Número 8.
- E onde está o segundo número 8?
- Está... – ela aproximou o mapa mais de seus olhos segurando-o firme para que ele não fosse levado pelo vento – Está onde eu devo chegar!
- Ele está muito longe dai? – perguntou Indifference parecendo animado
- Não, ele está não muito longe daqui, provavelmente está depois dessa pista – ela respondeu
- Então vá até lá, só entre nele e nada mais, quando você menos esperar estará no lugar certo. E enquanto isso eu vou ver se alguém mais acordou além de Matt.
- Acho que não, ainda são mais ou menos umas seis horas, certo?
- Cinco e meia – corrigiu – Mas de qualquer forma, vou conferir – Tome cuidado!
- Obrigada Ruan...
Caminhando em meio à vasta vegetação de grama seca dançando por culpa da forte ventania ela fechou o mapa e o colocou dentro de sua bolsa novamente. Yuu caminhava e caminhava, mas o lugar não parecia mudar, era apenas um deserto de grama seca.
Pegou o mapa novamente e logo se localizou, o seu novo destino não estava muito próximo há apenas alguns metros.
Chegando ao destino ela se acha ao na frente de um enorme círculo que se assemelhava muito com o portal que Aono usara para vir para esse mundo, exceto, pela sua cor extremamente rubra que se assemelhava com sangue.
- Bem... Acho que é isso, só pode ser isso. Mas como faço para usar esse treco? – ela se lembrou das palavras de Indifference: “Então vá até lá, só entre nele e nada mais, quando você menos esperar estará no lugar certo” – Então é isso... Vou entrar dentro dessa coisa...
O vento parava, como se o medo de Yuu causasse tal coisa, o sol continuava a subir na medida em que as pernas tremulas da garota davam curtos passos até o amedrontador “buraco de minhoca”. Ela parou de andar muito próximo ao buraco rubro que emitia um leve sibilo.
- Yuu, você consegue – ela disse a si mesma amenizando o medo não do buraco e sim do que ela estava se aproximando, talvez a batalha de sua vida, ou talvez, a ultima batalha se sua vida.
Ela cerrou os olhos e deus dois enormes passos em direção ao buraco, ao reabrir ela já se via em outro local completamente diferente. Uma casa velha praticamente caindo aos pedaços estava a sua frente, um jardim de plantas secas e mortas por causa do abandono circundava a casa igualmente ao lar de Yuu, as janelas da casa estavam completamente aos pedaços, algumas até eram apenas buracos que aparentavam ter sido feitos por algum canhão.
- Então, é essa a casa onde está aquela máquina? – ela se autoquestionou caminhando para a porta parcialmente destruída por cupins
Yuu ao tentar abrir a porta, em apenas algumas giradas na maçaneta, a porta caiu levantando do chão uma enorme nuvem de poeira.
Assim que poeira desceu Yuu observou o interior da casa, obviamente não tão diferente do exterior. Dois enormes sofás vermelhos esburacados estavam no centro da sala juntamente com uma mesinha que tinha um de seus pés sustentado por um livro, o sol refletia o vidro furado da janela logo ao lado de uma escada não muito confiável.
Yuu adentrou mais a casa para explora-la e passou por uma porta logo ao lado dos sofás que dava diretamente para a cozinha. Esse parecia ser um dos cômodos ainda mais bem conservados da casa, embora ainda estivesse caindo aos pedaços.
A cozinha era grande, até um pouco maior do que a sala, porém estava despida de móveis, ela apenas contava com duas janelas que pareciam estar em perfeitas condições e uma pia que estava coberta por alguma substância gosmenta e verde.
Percebendo que o cômodo não tinha nada que a interessasse Yuu voltou e deu mais uma olhada na sala que também não lhe oferecera nada além de um risco de contrair tétano. Ela já não tinha escolha, tinha que tentar subir a escada que estava caindo aos pedaços, o que incrível que pareça não fora tão difícil.
Subindo a escada ela entrou em um cômodo único e enorme, lá estava a máquina, enorme e completamente enferrujada, o pequeno teclado que Indifference havia citado estava lá, ao lado esquerdo da máquina ligado a ela por um fio parcialmente desencapado.
- Cheguei até onde eu queria, agora não tem mais volta – ela suspirou na medida em que tirava o papel com as coordenadas que estava em sua bolsa.
Com o papel na mão ela foi ao lado esquerda da máquina e localizou o botão azul no qual Indifference havia lhe dito. Ela o apertou e a enorme tela redonda da máquina ligou assim como na explicação de Indifference. Ela pegou o teclado e digitou no espaço onde se deveria colocar as coordenadas, ela olhou o papel e digitou ao teclado: D-15K0N355.
A tela da máquina brilho e de uma pequena maquinazinha (que se assemelhava com um webcam) em cima do monitor apontou para a parede desgastada do cômodo e nela um enorme círculo negro apareceu.
- É agora... – Yuu tirou seu casaco ficando apenas com o vestido e entrou no portal.
Continua...
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