Feel The Love
24 3ª Season: Chapter 3 - Trail.
Notas iniciais
POV Lydia.
— Você me enoja – sussurrei enquanto o via mexendo em meu celular.
— Não é a única a dizer isso, docinho – ele respondeu, sarcástico.
Olhei para meus braços, que estavam presos à cadeira. Respirei fundo. Isso não podia estar acontecendo.
Parecia uma década desde o dia em que eu recebi o primeiro bilhete vindo das mãos dele. Era feliz a ideia de que tudo fosse uma mentira, mas não fora.
Depois que ele me sequestrara, foi impossível distinguir – durante o caminho – para onde ele me levara. Ele tampara meus olhos. Entretanto, assim que chegamos, precisei conter minhas esperanças ao notar o lugar que era. Jackson não podia saber que eu sabia, ou as coisas ficariam ruins.
Se eu pudesse, se eu ao menos conseguisse falar com Stiles...
— Venha aqui! – Jackson gritou.
Suspirei ao notar que Aiden se aproximava.
Sim. Aiden.
Coloquei toda a frieza que podia em meu olhar enquanto o fitava, e ele – com a cabeça abaixada para desviar o olhar do meu – dirigiu-se até Jackson. Olhei com nojo para os dois. Jackson, ao captar meu olhar, sorriu brevemente.
— Vou precisar sair.
— Todo mundo está atrás de você, Jackson – Aiden reclamou, e eu revirei os olhos, contendo o bolo que havia em minha garganta. Agora ele estava cuidando dele.
— Assim fica mais divertido. Cuida da ruiva – Jackson disse, aproximando-se mais uma vez de mim. Engoli em seco ao senti-lo aproximar-se de meu rosto e, assim que ele o fez, parecendo que iria me beijar na bochecha, cuspi em sua face.
Ele fechou os olhos por alguns segundos, o sorriso ainda mantendo-se em seus lábios.
— Até mais, docinho.
Ao passar por trás de mim, senti-o puxar meu cabelo. Engoli em seco, contendo as lágrimas que se formaram em meus olhos naquele instante, devido à ardência em meu couro cabeludo. Ele pareceu rir atrás de mim antes de se retirar, e eu mal podia fazer algo para minimizar aquela dor. Não só aquela, mas toda aquela dor.
— Deixe-me ver – Aiden sussurrou, aproximando as mãos para o meu cabelo.
Fechei os olhos com força. Entretanto, não veio o que eu esperava, mas sim o que eu sequer imaginaria vindo dele. Carícias em meu cabelo. Franzi o cenho.
— Mas que diabos...
— Você precisa me ouvir – ele disse, interrompendo-me. Permaneci em silêncio ao ouvir o tom aflito em sua voz – Lydia, eu nunca quis nada disso. Ele chegou um dia na escola e... Ele disse que iria brincar com você, e me chamou para isso, porque... Bem. Você lembra do nosso término.
Afirmei com a cabeça mecanicamente, mal prestando atenção no que ele dizia. Eu estava em estado de inércia – tudo naquele instante parecera parar enquanto eu lembrava do que ocorrera há meses atrás, quando havíamos terminado. Uma multidão parecia concentrada em nossa briga, em todas as coisas que eu dissera sobre ele e que ele dissera sobre mim.
— Eu queria brincar com você – Aiden continuou – E brincamos. Mas, quando eu realmente soube qual era o plano dele... Ele não me deixou escolhas. Não pude me afastar, ele sabia exatamente a melhor maneira de me ameaçar.
— Céus – sussurrei, erguendo novamente meu olhar para observá-lo.
— Mas não pense, Lydia, que eu não tenho um plano para salvá-la disso. Eu tenho, e é isso que vou fazer. Eu vou te tirar daqui.
— Aiden...
— Vamos conseguir dar um jeito nisso.
POV Allison.
Respirei fundo mais uma vez enquanto os observava ali, no quarto de Scott. Stiles havia feito o máximo para tudo aquilo parecer assustador. Assim que chegara com Derek – assim que chegara estranhamente com Derek – fechara as cortinas e trancara a porta, como se todos nós estivéssemos sendo perseguidos por alguém. Embora, talvez, estivéssemos. Lydia estivera sendo perseguida, e foi capturada.
Tentei ao máximo ignorar a pontada que dera em meu peito com essa constante lembrança.
Estava com o arco nas costas. Isaac havia me implorado para deixar aquilo de lado, mas eu sequer conseguia; precisava estar sempre preparada. Se Lydia estivesse preparada, nada daquilo teria acontecido.
Cá estávamos, espalhados pelos cantos do quarto de Scott. Stiles, Derek, Malia, Scott, Cora, Theo, Isaac e eu. Achei estranho o fato de Parrish não estar ali, mas ninguém tivera notícias dele. Scott presumiu que estivera se recuperando, mas isso não parecia algo que ele faria com Lydia desaparecida por aí.
— Certo. Você é o amiguinho do assassino? – Stiles perguntou, apontando um dedo para Theo.
Theo pareceu perder as palavras com aquela indagação. Revirei os olhos.
— O quê? Comeram a sua língua? Essa reunião foi feita para você falar, brother.
De imediato, Theo, que ainda estava em completo silêncio, cruzou os dedos trêmulos em nós. Revirei os olhos.
— Stiles, você não vai arrancar nada dele desse jeito. – reclamei, com a voz firme.
— Mas...
— Mas nada. Theo – chamei-o, e ele me fitou quase com alívio – Pode me contar exatamente como vocês se conheceram? Você e Jackson? E o tipo de envolvimento que tinham?
Todos os olhares se voltaram para ele, agora parecendo atentos enquanto ele respirava profundamente. O quarto todo estava imerso num silêncio desconfortável, mas que logo se rompeu quando ele começou a falar, quase em um monólogo:
— Ele me ajudou. No começo, eu era novo no colégio e ele disse, na primeira vez que conversamos, que estava instigado sobre o fato de eu andar sozinho por lá. Então, começou a andar junto comigo. Não tenho muito que dizer sobre ele, ele apenas me deixava conversar... Vez ou outra me fazia falar sobre alguns alunos.
— De quem ele perguntava?
Theo olhou para todos rapidamente antes de focar o olhar no chão, com uma expressão conturbada.
— Lydia.
Suspirei novamente, com as mãos agora novamente trêmulas e a respiração presa quase entrecortada. No entanto, minha respiração pareceu ficar cada vez mais calma quando Isaac segurou ambas as minhas mãos nas dele, apertando-as ternamente.
— O que ele perguntava sobre Lydia? – Stiles perguntou.
— Tudo o que eu sabia sobre ela. Mas tudo o que eu sei é o que todo mundo sabe.
Depois de uma longa pausa, ele continuou:
— Acho que eu era a única pessoa com quem ele conversava. A única pessoa que era uma fonte mais fácil sobre Lydia Martin. Eu achava que ele estivesse interessado nela, sabe? Todos acabam se interessando por ela, eu sei disso mesmo com o pouco tempo que cheguei à cidade. Então, era isso o que eu achava. Eu não sabia que... Meu Deus. Me desculpem. Me desculpe, Allison.
Afirmei com a cabeça.
Stiles estava anotando tudo, mesmo quando Malia acalmou o garoto e o levou para a saída da casa. Parecia imensamente concentrado, e mal respondia as perguntas que Derek, Scott e Cora faziam para ele. Isaac me olhava atentamente e eu podia sentir aquele olhar pesar sobre mim. No entanto, não o retribuía. Não queria que ele visse a expressão nos meus olhos. Precisava me manter forte, porém, naquele momento, me sentia desabando aos poucos, com medo de que algo pudesse acontecer com Lydia. Esse, sim, era o meu maior medo.
Franzi o cenho em confusão quando senti meu celular vibrar no bolso da calça. Me levantei e tirei rapidamente o arco que pousava nas minhas costas para pegar o celular em minhas mãos, fitando atentamente a tela nele. Número desconhecido. Arqueei as sobrancelhas e, percebendo que algo estava errado, todos ali – e também Malia, que, a essa altura, já estava de volta – me olharam.
— Alô?
— Olá, Allison.
Arregalei os olhos ao sentir os pelos dos meus braços se arrepiarem ao reconhecer aquela voz agora gélida e, de imediato, fiz um sinal com o dedo indicador para que todos estivessem quietos enquanto ativava o viva-voz.
— O que você quer? – perguntei, ouvindo, com certo prazer minha voz também gélida e afiada.
— Perguntar se está sentindo falta da sua amiguinha... Ela parece estar sentindo falta de você também, mas não sei se ela está conseguindo falar isso direito. Esse pano amarrado na boca, sabe?
Ao fundo, percebi, com certa dificuldade, palavras abafadas. Arregalei os olhos tanto de surpresa, tanto de terror, e Stiles – que já havia se aproximado – tinha a mesma expressão.
— Você vai ver. Você vai se ferrar. Nós vamos conseguir acabar com você. – Stiles disse de imediato, sem conseguir controlar a raiva em sua voz.
— Bem, é só descobrirem onde eu estou. Ah, e, claro! Sem polícias, ou um grande banho de sangue pode acontecer.
POV Parrish.
A mãe de Lydia, Natalie, chegara há pouco tempo. Não que eu a tivesse visto quando ela chegou, já que o Xerife Stilinski foi quem conversou com ela. Ele me proibiu de qualquer coisa – de conversar com ela e de sair de casa. Mas isso era algo que eu não poderia fazer.
Sempre tive competência em meu trabalho, antes de morar em Beacon Hills. Qualquer caso não solucionado me deixava completamente mal, então, fazia o máximo para me empenhar. E tinha sido assim com Lydia, na primeira ameaça. Entretanto... Era diferente. Era imensa e completamente diferente. Quando fui chamado para cuidar dela, não saberia que seria assim, mas as coisas me provaram o contrário. Seus olhos suplicantes e aterrorizados quando ficara com medo dos raios e trovões. Seu cabelo esvoaçante e banhado de um vermelho abrasador e o tom provocativo em sua voz. Eu sabia que não deveria, mas havia me apegado a ela. Havia me apaixonado por ela, quando, aos poucos, ela se tornara um vício. Quando ela se tornara algo que ninguém fora, em toda a minha vida.
E agora, ela tinha sido sequestrada pelo cara que jurou matá-la. Quando eu deveria estar protegendo-a, deixei tudo passar, e embora ninguém concordasse comigo, a culpa era completamente minha.
Respirei fundo em um misto de alívio e preocupação ao ver o endereço do lugar, quando consegui rastrear o número e me levantei, com certa dificuldade. Um sorriso sem vida brotou em meu rosto ao achar minha arma.
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