Feel The Love
22 3ª Season: Chapter 2 - I care about you.
Notas iniciais
P.O.V. ISAAC.
Foi difícil acalmar Allison naquela noite, quando ela soubera de tudo. Mais impossível ainda foi leva-la para casa. Ela, naquele momento, queria correr atrás de Lydia e acabar com o tal serial killer, que agora tinha um nome: Jackson. A reação dela foi ainda pior que a de Stiles. Mas, com a ajuda de seu pai, pude leva-la para casa. O Sr. Argent, depois de garantir que Allison estava bem, saiu às pressas de casa, deixando nós dois sozinhos, não sem antes me lançar um olhar amedrontador.
Enquanto Allison tomava banho, meu celular começou a vibrar. Olhei na tela e vi uma foto de Stiles com um sabre de luz. Revirei os olhos e atendi.
— Oi.
— Ah, você— ele resmungou. Suspirei.
— O que você quer, Stiles?
Dessa vez, o tom de voz dele mudou.
— Eu... Eu vou resgatar a Lydia, Isaac — disse ele. Dei um arquejo e ele suspirou – É perigoso, eu sei disso. E eu preciso da ajuda de todos. Se você não...
— Eu vou, Stiles. Eu vou.
Quando desliguei, pude ver que Allison me observava, com uma expressão curiosa no rosto.
— O que o Stiles queria? – ela perguntou.
— Ele perguntou se eu ia assistir...
— Não minta.
Chacoalhei a cabeça.
— Ele está planejando resgatar Lydia. Eu disse que eu vou – murmurei.
— Ótimo, então vamos.
Allison arqueou uma de suas sobrancelhas.
— Sério.
— Sério – disse eu, assentindo enquanto a olhava – Mas, se alguma coisa ruim acontecer, você vai fazer exatamente o que eu falar, ok?
— Ok.
Era estranho, mas eu tinha a sensação de que ela ia fazer o oposto de tudo o que eu falasse.
P.O.V. Malia.
Três dias haviam se passado e, em vez de isso nos deixar felizes porque Kira e Parrish já podiam receber alta no hospital, nos deixava cada vez pior por não termos notícia nenhuma de Lydia. Allison todos os dias aparecia com o rosto vermelho de choro, Isaac sempre estava pálido. Parrish só falava de Lydia, e, com muita insistência, deixamos ele ligar para a mãe dela. É claro que, pela expressão dele, ela o culpara. Stiles, Scott e Derek passavam um bom tempo juntos – talvez planejando o que fazer – e, às vezes, minha irmã aparecia. Mais pálida do que o normal, é claro. Scott sempre ia com ela para qualquer lugar quando ela chegava, e apenas sobravam Stiles e Derek, que conversavam em voz baixa, parecendo perturbados.
Naquela manhã, quando Kira pôde finalmente sair do hospital, deixei todos para lá e a levei para casa. Seus pais já haviam voltado, e souberam de tudo, então a segurança na casa deles seria máxima.
— Eles vão colocar um papel de parede, eu acho – começou, com um humor amargurado na voz – Vão cuidar de mim e fingir que eu não sou a garota que entregou a própria amiga para um assassino.
Balancei a cabeça negativamente.
— Eles sabem que você não tinha escolha, Kira.
Isso a fez respirar fundo e desviar o olhar para a janela do carro. Dei uma olhada rápida nela enquanto dirigia, preocupada.
— Kira...
— Eu tinha escolha, Malia. Não importa o que digam, eu tinha escolha. Eu poderia contar a alguém, à Parrish... Não sei! Eu...
— Kira – disse eu, interrompendo-a na metade da frase – Você não tinha escolha. Ele ia matar alguém num piscar de olhos, ou coisa pior se você contasse. Ele levou a Lydia, mas nada vai acontecer a ela. Eu tenho certeza. Stiles já está seguindo pistas e nós vamos ajuda-lo a achar Lydia. E, quando digo nós — murmurei seriamente ao ver a expressão esperançosa dela – Não digo que você vai estar no meio disso. Você não vai.
Kira bufou.
— Você não pode me proibir disso!
— Ah, eu posso.
— Não!
Encostei o carro assim que chegamos até a casa dela e a olhei desafiadoramente. Ela pareceu se encolher um pouco, mas continuou a me encarar.
— Você não vai se meter nisso.
Nos olhamos pelo que pareceu ser um longo tempo até que ela começou a concordar, a contragosto. Dei um sorriso malicioso comigo mesma e, depois de dar uma olhada em direção a casa dela e notar que seus pais não estavam ali, a puxei delicadamente para o meu colo e a beijei.
P.O.V. Scott.
Quando Cora chegou até o hospital, larguei da conversa conturbada com Stiles e Derek e deixei me levar com ela para fora do hospital. Enquanto caminhávamos naquele entardecer, vi Isaac e Allison chegando, e foi impossível não ter lembranças de como era quando estávamos juntos, embora eu sempre tenha gostado mais de Cora. A mesma Cora, que caminhava silenciosamente ao meu lado.
— Então... – começamos a falar na mesma hora, o que arrancou curtas risadas de nós dois.
Quando a olhei, ela sorria e olhava ao redor.
— Posso falar primeiro? – perguntei. Quando ela assentiu, respirei fundo – Quero te pedir desculpas.
Cora pareceu surpresa.
— Desculpas por...?
— Por ter te beijado aquele dia.
— Você se arrepende?
— Não.
— E por que pede desculpas?
— Porque quero voltar a falar com você.
— Pelo menos você é sincero, Scott.
— Que bom que você gosta disso.
— Não disse que gosto.
— Disse, por mensagens subliminares.
— Minha vez de falar.
— Fale.
Assim que percebi que ela tinha parado de andar, parei e a olhei enquanto ela parecia estar lutando com as palavras.
— Quero te beijar.
Foi impossível me controlar ao ouvir o que ela dissera e, antes que eu pudesse ou ela pudesse dizer algo, agarrei-a pela cintura e iniciei um beijo, sem delongas. Foi esplêndida a forma que ela retribuiu, envolvendo os dedos no meu cabelo que já batia um pouco abaixo da nuca. Quanto mais eu a segurava contra o meu corpo, mais o desejo de estar próximo aumentava.
— Scott – ela murmurou entre o beijo.
Acariciei a cintura de Cora e contive um sorriso ao senti-la estremecer com o toque.
— Scott – ela disse novamente, soando alarmada.
Afastei meu rosto do dela, sem vontade. Mas, ao ver sua expressão, franzi o cenho.
— O que foi?
— Ele. Ele pode nos ajudar a achar Jackson e Lydia, tenho certeza.
— Ele quem?!
— Theo.
P.O.V. Stiles.
— Stiles?
— Oi, pai – murmurei sem olhar na direção da porta, onde ele estava. Vários rabiscos amarelos e vermelhos preenchiam o quadro de vidro que havia em meu quarto. Enigmas mal resolvidos, lugares a ser procurados, pessoas com quem eu poderia contar, pessoas de quem eu deveria desconfiar... Estava tudo ali. E, embora tudo estivesse no mínimo planejado, havia certas falhas, lacunas a serem preenchidas. Não só naquele plano todo, mas também em mim.
— Oi... Bem, eu vou pra delegacia.
Com isso, voltei meu olhar para ele.
— Você ainda não se recuperou totalmente, pai. Não pode ir!
— Claro que posso. Você é meu filho, eu que mando em você.
— Não, eu que mando em você.
— Você não manda em nada, Stiles! Eu vou pra delegacia e espero que não faça nenhuma merda por aqui.
— Você sabe que temos banheiro em casa, não é?
Meu pai deu um tapa na testa com a mão, chacoalhando a cabeça. Reprimi a vontade de rir enquanto o observava, mas, ao fitar sua expressão séria, engoli em seco.
— Espero que não esteja rindo.
— Eu? Não estou, pai. Palavra de Stiles.
Ele revirou os olhos.
— Não sei se devo acreditar nisso. Bem, estou indo. E, antes que eu esqueça, tem um amigo seu te esperando lá embaixo.
— Ah. Manda ele subir.
— Stiles!
— O quê? Estou fazendo uma coisa séria. Se ele quiser, ele que suba.
Depois que meu pai se despediu de mim, ouvi seus passos baterem firmemente contra a madeira da escada e sorri. Era bom vê-lo andando como antes. Bem, não era como antes, já que ele estava mancando como uma senhorinha de idade, mas era um bom começo.
Voltei a me distrair com as linhas vermelhas que pregava junto a um painel, e me vi pensando em Scott. Ele era completamente lerdo quando o assunto se tratava sobre a maneira que eu resolvia as coisas, com as linhas e as cores. E me deu saudade. Antes de tudo aquilo acontecer com Lydia, era maravilhoso. Eu era apaixonado por ela, Scott, Isaac – até Liam – passávamos um tempo enorme juntos, e Ethan e Aiden, embora fossem uns otários, se divertiam conosco. Allison, Kira, Lydia e Cora sempre estavam próximas, e tudo era fácil demais. Bom demais. Agora não era. Nada foi depois daquele bilhete.
Mas nada nunca tinha ficado tão animado e aterrorizante. Tentei em vão me convencer de que aquilo não me animava, mas animava. Era isso que eu era. Um maldito inútil que...
— Stiles?
Quase enrosquei meu braço nos fios verdes enquanto me virava para olhar, tentando inutilmente tirar a surpresa que deveria estar estampada em meu rosto. Derek.
— E aí – resmunguei, voltando a terminar de arrumar os fios.
— Fiquei te esperando descer.
— Eu não iria descer.
— Mas eu esperei.
— Coitadinho – disse eu, sarcástico. Ouvi um resmungo dele e sorri vitorioso enquanto me jogava na cama, fitando meu trabalho com satisfação. Seria mais fácil ignorá-lo.
Um silêncio desconfortável se apoderou de nós dois, e eu usava todas as minhas forças para continuar ignorando-o, mas era praticamente impossível. Ele não ter revidado minha provocação só mostrava que algo diferente estava acontecendo, e eu não fazia ideia se isso era bom ou ruim. Quando se tratava de Derek, era difícil decidir-se sobre qualquer coisa. Poderia eu atribuir isso a todos os Hale, mas seria mentira. Nenhum deles era igual a ele. Ninguém era igual a Derek.
— Stiles. Stiles, olha pra mim.
Suspirei, voltando enfim a pousar meu olhar em seu rosto.
— Vou ajudar nisso – murmurou.
Balancei a cabeça negativamente.
— Não posso deixar.
— Você deve deixar. Isso não vai dar certo se não me estiverem com você.
Revirei os olhos.
— Você não sabe ser modesto?
— Não é uma das minhas qualidades – ele disse, lançando-me um sorriso. Respirei fundo, tentado a desviar o olhar, mesmo em vão – Stiles, eu vou.
Levantei da cama e enrosquei meus dedos em meus cabelos, andando de um lado para o outro.
— Puta merda, eu me preocupo – resmunguei, sem conseguir olhar em outra direção que não fosse o chão do meu quarto – Eu me preocupo com todos vocês, mas... Merda, eu me preocupo demais com você. Mais do que eu deveria.
Quando enfim pude prestar atenção, já havia sido prensado em uma das paredes do meu quarto, e minhas mãos haviam sido tiradas da minha cabeça. Estavam entrelaçadas. Estavam entrelaçadas por mãos quentes e fortes, maiores que as minhas. Respirei fundo antes de erguer meu olhar para só então me deparar com aqueles olhos intensos – que se dirigiam em minha direção.
— Eu também me preocupo.
Quando nossos lábios se tocaram, indaguei silenciosamente se aquele realmente era Derek. Ele não fora agressivo como da primeira vez – embora eu realmente tenha gostado. Ele foi quase... Gentil. Isso fez toda a situação estranhamente reconfortante, e todos os problemas, todos os fios embolados em minha mente pareceram não existir. Nossos dedos – que antes estavam entrelaçados – agora apenas se roçavam, como uma... Brisa? Certo, como uma brisa.
Eu nunca queria que acabasse, mas acabou. Foi embora da mesma maneira que começou, e o olhar que trocamos pareceu durar uma eternidade. Talvez duraria, até meu celular tocar, nos tirando do transe. Derek se afastou enquanto eu tirava o celular do bolso, atendendo-o.
— Stiles — Scott disse, alarmado.
Franzi o cenho, repentinamente em alerta.
— Sou eu. O que foi?
— Stiles, estou com a Cora e ela disse que tem uma ideia de quem possa ser a pessoa mais próxima de Jackson.
— QUEM?
— Theo.
P.O.V Parrish.
Tinha voltado para o meu apartamento assim que saí do hospital. Não fazia sentido estar na casa de Lydia sem ela. Não fazia sentido algum estar em um lugar que ela estivera antes e, depois, conviver no mesmo lugar. Não estava pronto para sentir a falta dela. Entretanto, assim que cheguei ao meu apartamento, me afastando de qualquer um no caminho que me oferecesse ajuda, notei que ela ainda fazia falta. Ela havia estado em um lugar que era impossível ignorar e me afastar.
Ela havia estado dentro de mim.
Respirei fundo enquanto me deitava cuidadosamente na cama. Eu não havia sido forte o suficiente para protege-la, e isso me matava. Nada me consolaria, nem mesmo pensando na liberdade que ela tinha, com aqueles longos cabelos ruivos que chacoalhavam para todos os lados enquanto ela corria.
Suspirei. Peguei meu celular na pequena cômoda que havia ao lado da minha cama e, antes que pudesse desliga-lo, vi uma mensagem. O nome Lydia parecia piscar, anunciando uma mensagem.
Xinguei alto e rapidamente abri a mensagem.
Sua namoradinha está dizendo “oi”, Policial.
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