Feel The Love
17 2ª Season: Chapter 7 - 13 Friday.
Notas iniciais
POV Lydia.
– Vou a uma festa – anunciei a Parrish quando terminei de me vestir e me recompor.
Fora difícil. Olhei para todos os lados e não vi ninguém, mas senti um aviso implícito naquela mensagem de que ninguém poderia saber o que estava acontecendo. Eu poderia ser morta naquela noite? Poderia. Poderia ser pisada, estraçalhada. Mas ninguém mais iria morrer por minha causa.
Entretanto, a culpa era o que mais me inundava desde o dia que Tracy morreu. Como se ela fosse uma marionete, mas era isso o que éramos agora nas mãos dele. Marionetes. Mesmo que estivéssemos lutando contra isso, ele estava um passo à frente. Ele matou uma garota. Feriu o pai de Stiles. Mais uma vez por culpa sua. Mais uma vez por culpa sua. Mais uma vez, mais uma...
– Lydia? – Parrish me chamou, tirando-me dos devaneios.
– O quê? – perguntei, confusa.
– Que festa?
– Ahn... Uma festa de terror. Hoje é sexta-feira 13, você sabe. Como não participamos do Halloween, talvez vão recompensar isso hoje – disse, escolhendo as palavras com cuidado. Logo o encarei com mais atenção – Vai comigo?
– Vou a qualquer lugar que você for – ele disse, dando de ombros.
Não queria que Parrish fosse, mas tentar impedi-lo só aumentaria suas duvidas. Ele era policial – sabia das coisas. Sabia que eu deveria estar escondendo algo, mas alguma coisa em minha expressão não deve ter dito o quão grave era.
Perturbada. Amedrontada. Desistida. Ainda assim, sorri para ele.
Talvez ele fosse a cura para meus terrores.
POV Isaac.
– É uma festa com o objetivo de assustar. Por que está indo vestido de coelho branco? – Allison perguntou, visivelmente confusa enquanto me acompanhava com o olhar.
– Que cor o coelho da Alice era?
– Branco, mas...
– Tu já viu os olhos daquele coelho? Assustadores – murmurei, fazendo uma careta – Já eu, não sou nada assustador.
– Espera... Por que você quis que eu me vestisse de Alice? – ela perguntou enquanto saíamos da casa dela.
– Por nada – murmurei, e logo fomos para a casa da garota que estava organizado a festa, uma loira sinistra que se dizia ser gótica e um dia me ameaçou quando vi que ela estava ouvindo Taylor Swift.
Assim que chegamos à festa, me deparei com Scott conversando com Stiles. Eles não nos notaram, mas encolhi os ombros, prevendo o que ouviria de Allison.
– Ainda não contou a ele, certo? – ela perguntou, e senti a decepção imersa na voz dela.
Quando olhei para Allison, pude ver a mágoa estampada em seu rosto. Sem mais nenhuma palavra, saiu de perto de mim, alegando em um murmuro que iria ver se Lydia já chegara. Antes que eu pudesse dizer algo, ela já havia sumido no meio de todo o pessoal da festa.
Olhei para Scott novamente.
Isso teria que acabar, e logo.
POV Stiles.
– Entendeu agora? Eu ia contar, mas realmente não tive medo de nada. Trabalhei o dia todo na minha fantasia de Darth Vader. Que, pode admitir, ficou foda, né? – perguntei a ele, com um sorriso torto.
Scott revirou os olhos.
– Mesmo assim... Tenho que saber dessas coisas. Como foi? – ele perguntou, e senti um misto de curiosidade que ele tentou disfarçar em sua voz.
– Ele me... Prensou no Jipe, sabe? E me beijou. Não havia nada que eu pudesse fazer, sou gostoso demais – dei de ombros.
– Aham, claro. Como foi beijar dois Hale?
Encolhi os ombros.
– Na verdade... Tem mais uma coisa que eu preciso te contar.
– O quê? – Scott perguntou, ficando tenso de repente.
– Coramebeijou – disse rapidamente, desviando o olhar para as pessoas com fantasias bizarras que dançavam ao som de uma música eletrônica qualquer.
– O quê? – Scott perguntou, confuso.
– A Cora me beijou – suspirei, voltando a olhá-lo. Seu rosto era inexpressivo, e logo me apressei em me desculpar – Cara, me desculpa, eu não...
– Eu acredito em você, Stiles. Eu fiz uma burrada com ela... Era óbvio que ela ficaria insana depois.
Franzi o cenho.
– Espera, o quê?! Eu sou muito lindo, tá? Ninguém precisa estar insano para me beijar, baby – disse, mexendo minha cabeça ao som de uma nova música legal que começou a tocar – O estranho foi o papo dela. “Odeio que me beijem a força” – falei, afinando minha voz – Mas me beijou a força. O que os Hale têm?
Antes que Scott pudesse me responder, Isaac apareceu, ofegante.
– Cara, preciso te contar logo – ele disse, atropelando-se no meio das palavras ao se dirigir a Scott.
– Coelho de Alice no País das Maravilhas? – perguntei. – Eu amo aquele coelho...
Isaac olhou para mim e deu um sorriso torto.
– Eu também. Você viu o jeito que ele pulava?
– Sim! – gritei, dando um soco no ar – E os olhos dele?
– A melhor coisa! – Isaac exclamou, soltando um suspiro em seguida, em meio a um sorriso largo.
– Você ia me contar...? – Scott começou, com uma expressão estranha enquanto alternava os olhares entre Isaac e eu.
Isaac voltou a ficar com uma expressão séria.
– Minha vida está se arruinando só porque não te conto logo isso. E agora acabou, preciso contar antes que eu a perca de vez. Não aguento mais. Estou ficando com Allison há um tempo. Queria te contar, mas sempre temi isso, principalmente pelo fato de você ser um dos meus melhores amigos e por ter me acolhido tão bem em sua casa... E eu retribuir ficando com a sua ex. Mas não posso mais me controlar, não posso me privar de ficar com ela. Ela é... – ele parou, perdido em meio as palavras, mas decidindo deixar as reticências no ar.
Fiquei observando os dois enquanto ambos se olhavam, mas não achei fúria no rosto de Scott. Até porque, se visse isso, fazia questão de mata-lo. Estava shippando a Allison com o Isaac há um tempo, e não queria que tudo se estragasse por alguma decisão idiota dele, embora soubesse que ele não era assim.
Scott sorriu.
– Não precisa se preocupar com isso, cara. Eu já tinha percebido algo entre vocês, só não pensei... E para de ficar preocupado, mano. Eu gosto de vocês dois – Scott disse, com um sorriso gentil.
Percebi Isaac aliviado e me aliviei também, mas o alívio veio como um cometa e passou assim que duas pessoas que entraram na festa atraíram minha atenção.
Malia e Derek.
Malia puxava Derek pelo braço como uma criança, e Derek tinha uma expressão emburrada no rosto. Cora vinha logo atrás. Quando Derek me viu, sua expressão mudou e ele me deu um sorriso discreto. Malia me viu em seguida e Cora também, e, de repente, os três Hale sorriam para mim.
– Nesse momento, Stiles – Scott começou, com a voz entorpecida – Eu, Isaac e metade do mundo queremos ser você.
POV Parrish.
Estava em um canto da casa que me permitia uma perfeita visão de Lydia. Havia vindo vestido de vampiro – por decisão dela – e ela viera com o rosto maquiado perfeitamente como se seus ossos estivessem à mostra. Entretanto, havia algo ali que eu não estava gostando.
O tal do Jackson.
Ele a encarava embasbacado, como se tudo o que ela dissesse fosse extremamente fascinante. De fato era, mas me irritava o fato de ele estar tão próximo dela. Não sabia o que era aquilo, e nem estava pronto para saber que sentimento era aquele, mas certamente não era algo bom. Ou talvez fosse, dependendo da vista que alguém tinha sobre aquilo.
Quase suspirei em alívio quando Allison apareceu. Pude notar que Lydia se despedira de Jackson – a contragosto – mas foi um alívio vê-la se afastando dele. Disfarçadamente, a segui.
///STORYTELLER///
As ordens foram repetidas frequentemente para o rapaz, tanto que ele ficou até perturbado, mas não podia expressar aquilo nem no olhar. Não queria ser morto. Sabia que estava em um acordo com um maníaco, e só de olhar para os olhos frios dele, sentia-se repelido por algo.
Mesmo assim continua sendo excitante, ele pensou enquanto atirava nas lâmpadas quando ninguém fora capaz de vê-lo. Ouviu a gritaria em uníssono que aquilo provocou e, logo em seguida, o que se intitulava psicopata – serial killer – atirou em um outro lugar da sala, alterando a voz com um dispositivo desconhecido para a maioria das pessoas.
– Quero você, Lydia – ele rugiu – Mas não agora. Desculpe. Não vou descumprir nossa pequena promessa, mas não vou cumpri-la completamente.
Depois disso, tudo ficou em silêncio e a presença dos dois já havia acabado naquele lugar, não sem antes o ajudante do serial killer silenciar uma das amigas de Lydia e puxá-la para fora do local – sem que ninguém os visse, devido a escuridão do lugar.
*
– Não, não – ela dizia repetidamente, com a voz chorosa – Não pode ser você!
Ele revirou os olhos.
– Sabia que essa seria a primeira coisa que falaria. Poupe-me das frases dramáticas, querida. Temos de fazer um trato logo antes que se deem da sua falta. Se continuar choramingando – ele ameaçou, com um certo humor misturado a frieza em sua voz – Vou silenciá-la para sempre, e vai ser doloroso.
Ela se esforçou para ficar quieta, mas todo o seu corpo estava trêmulo.
– Você...
– Cale a boca dela – ele disse, pegando um isqueiro do bolso enquanto seu ajudante amarrava um pano ao redor da boca da garota.
Os olhos dela estavam lampejados das lágrimas que em breve sairiam, e a visão era reconfortante para ele enquanto acendia seu isqueiro – um dos seus hábitos desde sempre. Quando viu que nenhum som saía dela, senão os soluços sufocados, abriu um sorriso gentil.
– Deveria ficar sempre assim. Mas é o seguinte, menininha – ele começou a dizer, dando voltas em volta dela no pequeno beco que haviam se metido – Você vai guiar Lydia para mim.
A garota chacoalhou a cabeça com força em negação.
– ... Ou verá sua casa e as pessoas que ama serem reduzidas ao fogo. Quer isso?
Quando ela não respondeu, ele bufou.
– Solte isso da boca dela para o acordo – disse para o ajudante.
Quando ele soltou, ela começou novamente:
– Por favor, não faça isso. Olha, você tem dois caminhos a escolher...
– E eu escolho a morte da sua amiguinha. Você vai lá, não vai contar a ninguém. Estarei de olho em você quando menos perceber. Aja como sempre, ou as coisas vão ficar ruim para você e para suas pessoinhas queridas. E será a sua culpa. Tenho uma arma carregada aqui, no bolso da calça. Mas sabe o que tenho em outro bolso? Uma faca. Afiada – ele disse, distraído com o fogo que saía de seu isqueiro – Uma faca dói mais que um tiro, e a morte é lenta.
Quando viu que a garota ficou quieta, voltou a dar seu sorriso zombeteiro. Ela não tinha escola.
– Vou ter seu número, e vou te dar as dicas do meu plano perfeito. Você vai seguir com ele e, quando entrar naquela festa novamente, vai agir normalmente. Você vai me ajudar nisso, e ninguém mais saberá.
Sucesso.
POV Lydia.
– Parrish! – exclamei assim que o vi, abraçando-o.
Ele me embalou e ficamos em silêncio por um momento enquanto as coisas eram arrumadas na festa. Todos – depois de uma revista na casa – concluíram que a festa continuaria. Aquilo era insano.
– Você sabia disso, não é? – ele perguntou em um tom sério, mas pude notar certa mágoa em sua voz.
– Me desculpa. Eu... Ele me mandou mais um daqueles bilhetes, e disse que uma pessoa morreria se eu não aparecesse, e seria a minha culpa. Minha culpa – repeti, sentindo minha voz embargada devido ao choro contido – Eu não podia deixar, eu... Aquela garota, a Tracy. Ela era minha dupla em Biologia, e o pai de Stiles, Parrish... Foi machucado, e quem iniciou isso? Ele, ele iniciou por causa de... Mim. Eu quero me distrair. Eu quero tanto me distrair, quero sair, sorrir. Mas nada é uma distração, tudo é real demais e eu estou com medo. E essa maldita sexta-feira 13!
Mal notei quando comecei a chorar, e foi assim durante um bom tempo num canto escuro da casa. A música tinha voltado, mas meus ouvidos zumbiam e eu mal a ouvia. E Parrish não dizia nada, absolutamente nada. Porém, fiquei feliz com isso. Ficaria pior – mais difícil – se ele falasse algo.
Quando ele se movimentou, temi que se afastasse, mas ele se aproximou mais. Puxou meu cabelo para longe do rosto e pude ver os dois pequenos pontos de luz vinda de seus olhos.
– Eu não vou deixar nada de ruim acontecer a você, Lydia.
Dito isso, seus lábios se encostaram carinhosamente nos meus, e o beijo começou mais calmo do que nunca, de uma maneira que nunca fora entre nós dois. A ponta de seus dedos traçavam uma linha carinhosa em minha bochecha, e eu queria que aquele momento durasse para sempre.
POV Allison.
Isaac decidiu me levar para casa.
E foi a coisa mais estranha do mundo. O cara falante que ele era havia sido substituído por uma pessoa completamente silenciosa, o que era mais estranho ainda. Tentei puxar assunto, deixando de lado as coisas que aconteceram na festa – o serial killer, a nossa pequena discussão.
Ele me encontrara atormentado quando tudo se silenciou e todos tiveram certeza de que o perigo havia passado. Nunca havia sido reconfortada daquela forma, e senti a tensão se esvair de seu corpo no instante que ficamos juntos.
Entretanto, a tensão voltara e eu simplesmente não sabia mais o que dizer.
– Eu falei com ele – Isaac murmurou, de repente.
Franzi o cenho.
– O quê?
– Falei com Scott. Foi totalmente o contrário do que eu imaginava. Ele ficou feliz por nós, e disse que já notara algo entre nós. E... Eu peço perdão, Allison. Eu fui um idiota, eu sempre sou, mas eu tenho a maior certeza do mundo de que eu quero ficar com você, e...
Impedi-o de falar assim que me joguei para cima dele e o beijei, na metade do caminho de minha casa. Ele ficou espantado por um momento, mas retribuiu o beijo no mesmo fervor, e eu simplesmente me senti no paraíso.
– Allison... – ele murmurou entre o beijo.
Separei um pouco nossos rostos.
– Vou para a sua casa essa noite, meus pais estão na minha e... Meu Deus, eu só quero ficar com você – disse eu apaixonadamente, voltando a beijá-lo sem dar a ele a chance de dizer mais nada.
(...)
Em um beco qualquer...
– Onde você estava? – ela perguntou, aproximando-se da garota.
A outra chacoalhou a cabeça – que estava doendo devido ao choque.
– Te esperando. Não aguento mais me reprimir de você.
Ao ouvir o que a garota dissera, abriu um sorriso torto e deu de ombros, ficando em silêncio de repente. Aproximou-se da garota – que tivera o terror substituído por desejo – e a prensou contra a parede carinhosamente, beijando-a enquanto suas mãos trilhavam pelo corpo da outra.
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