Feel
3 Capítulo 3
Notas iniciais
O contato dos lábios dele nos seus a fez sentir uma arrepio na base da coluna e enquanto ela enlaçava-o pelo pescoço ele pressionava ainda mais seu corpo contra o dela. Se perderam por minutos incontáveis naquele beijo quando a chinesa recobrou a consciência e o empurrou para o lado ficando de pé num pulo. Ambos se encararam e coraram.
– Coulson eu... — suspirou e desviou o olhar — Isso não foi certo.
– Bom, até onde me lembro você correspondeu ao beijo — respondeu divertido enquanto levantava-se do chão
– Não foi o que eu quis dizer — Olhou em seus olhos — Acho melhor eu ir dormir. Boa noite.
– Então é isso Melinda? — aumentou o tom de voz — Eu digo que sou louco por você, te beijo e você só me diz que não é certo e me da boa noite?
– O que você quer que eu diga Phil? — Subiu algumas oitavas com sua voz — Que diabos depois de todos esses anos você quer de mim?
– Eu quero que você pare de fugir! — Gritou — Pare de ser covarde!
A chinesa o encarou furiosa e Coulson se deu conta do que havia falado. Ele nunca poderia chama — lá de covarde!
– Boa noite Diretor! — A agente girou nos calcanhares e caminhou pelo corredor indo para seu quarto. Phil ficou alguns segundos sem reação antes de correr pelo corredor alcançando May no instante em que ela abria a porta do quarto. Ele puxou seu pulso impedindo-a de entrar.
– Melinda me desculpe eu não tinha a intenç...
– De quê Coulson? Não tinha a intenção de quê? — Olhou pra ele com os olhos rasos dágua — De me chamar de covarde? Você dentre todas as pessoas do mundo é a única que não tem o direito de me chamar de covarde. Você sabe quantas coisas eu tive que enfrentar, quantas vezes eu tive que encarar meus medos! Você estava lá todas às vezes que eu tive minha alma quebrada! — Gritou olhando-o fixamente não permitindo que nenhuma lágrima caísse de seus olhos castanhos.
– Melinda, por favor — suplicou — Eu estava nervoso, falei sem pensar, eu só.. — suspirou — Eu só queria que você entendesse o que eu sinto por você e você me deixou falando sozinho!
– Você queria falar sobre sentimentos Coulson? Depois de todos esses anos você queria falar sobre sentir? — Perguntou sarcástica — Tudo bem. Vamos falar de como eu me senti quando, dois dias antes de completarmos três anos juntos, você me abandonou no Brooklyn e veio pra Washington. Você simplesmente decidiu que não queria mais um relacionamento e me deixou pra trás. Você partiu meu coração! Você foi embora e não deu nenhuma notícia por mais de dois meses Coulson! Você tem noção de como eu me senti? — Uma lágrima solitária desenhou o contorno do rosto dela e Phil sentiu seu coração se apertar — Você foi embora sem me dar nenhuma explicação, como se eu não fosse ninguém pra você! Eu me senti um lixo. E então quando eu começava a me conformar você apareceu na minha casa de madrugada e arrasado falando que sua mãe havia falecido. O que foi que eu fiz Coulson? — Agora mais lágrimas acompanhavam a primeira — Eu te acolhi, te confortei e fiquei do seu lado. Mesmo depois de tudo que você me fez eu estava lá por você.
Phillip não segurava mais suas lágrimas, ele tentou tocar a mão da chinesa mas ela o repeliu.
– Você quer saber o que eu senti Phil? Eu senti desespero, raiva e angústia, mas mesmo assim não deixei de ficar preocupada quando você sumiu. Eu senti desprezo e arrependimento e todos esses sentimentos oscilaram durante esses anos, mas o único que foi constante Coulson foi o amor. Eu sempre te amei, sempre fui louca por você e quando você voltou pra New York transtornado eu escolhi manter um vínculo mesmo que como sua amiga. Você partiu meu coração mas sempre foi o único capaz de fazê-lo completo! Eu aceite a missão do Fury, voltei ao campo, protegi você e agora depois de todos esses anos você me chama de covarde, me acusa de fugir e quer que eu fale sobre a droga dos meus sentimentos!
Os olhos azuis de Phil estavam opacos apesar da quantidade de lágrimas que escorriam deles. O agente deu um passo na direção de Melinda e ela recuou dois batendo as costas na parede. Agora ela não tinha como escapar. Ele investiu contra ela segurando seus dois pulsos e puxando-a para um abraço.
– Melinda, por favor, eu te amo tanto — engoliu em seco — Lin, me desculpe pelo que eu te fiz passar, por favor. Mas eu tive que partir, aquele dia no Brooklyn. Eles te ameaçaram, me enviaram fotos suas em casa, em missões, na rua. Eles falaram que se eu não parasse de investigar a morte do meu pai eles iriam matar a pessoa que eu mais amava no mundo. Eles iam matar você Mel! E se eles cumprissem a ameaça Melinda, eu não iria suportar. Por isso eu parti, eu fui pra Washington e cacei-os na surdina. Eu peguei quase todos eles May, mas o filho da puta do chefe daqueles malditos mercenários conseguiu escapar. Ele matou minha mãe Melinda! Minutos antes de chegar até ele o desgraçado matou minha mãe e eu não pude salvá-la. Eu exterminei todos eles mas a que preço? Eu só tive mais perdas! Então eu prometi que nunca mais amaria ninguém porque todos os que eu amo se vão. — Ele encarava-a intensamente, azuis nos castanhos — Aquele dia que você me acolheu e me confortou eu soube que seria impossível deixar te amar você, mas eu não podia me arriscar. Eu sempre te amei, sempre fui apaixonado por você e provavelmente vou ser até o fim dos meus dias. Eu feri seu coração e você continuou do meu lado e eu vou ser eternamente grato. Eu só peço, por favor, Mel, me perdoe, eu te chamei de covarde quando na verdade eu fui o maior covarde da face da Terra eu destrui a minha relação com a mulher da minha vida, te deixei sem nenhuma explicação e você sempre cuidou de mim. Por favor, eu só peço que você e perdoe por ser um medroso. Eu te amo Melinda, por Deus, eu não posso mais ficar sem você!
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