Fechado Para Reforma!
1 O Conselho Olimpiano
Notas iniciais
CAPÍTULO 01: O Conselho Olimpiano.
—Cala essa maldita boca, seu idiota! – Gritou uma Atena furiosa e as portas do Olimpo estremeceram.
—Com quem mesmo você pensa que está falando? – Ele rebateu e a raiva foi plausível em sua voz.
—Vê algum idiota aqui além de você, Poseidon?
—Seu pai está logo ali, se você não notou.
—POSEIDON! – Protestou Zeus, os olhos de um azul céu se estreitando perigosamente.
—Não se meta.
—Pode parecer complexo demais pra esse seu cérebro limitado, mas foi você mesmo que o colocou no assunto. – Devolveu a deusa.
—Desculpe-me se não tenho esse seu glorioso cérebro.
—Ah, não se desculpe por isso, já é um milagre que você tenha um. A propósito glorioso soa muito bem.
—Metida.
—Acéfalo.
—Você está se contradizendo.
—ARGH! Seu... seu nojento! Ignorante, machista, imbecil, besta, inútil, arrogante... – Atena tomou fôlego.
—Como eu adoraria te atirar pra fora desse monte. – murmurou Poseidon, rolando os olhos.
—...infeliz, retardado, hipócrita, troglodita...
{...}
—Já estou me cansando das brigas desses dois – Comentou Deméter.
—Até aquele acampamento idiota deve estar menos entediante – Completou Dionísio.
—Qual o sentido disso – Ares apontou para ambos os deuses discutindo – se eles não brigam pra valer?
—Na verdade, não tem a menor graça já que nenhum deles pode morrer de forma bem trágica.
—Hades! – Repreendeu Hera.
—Talvez fosse interessante se eles tentassem fulminar um ao outro e sem querer as roupas explodissem ou algo do tipo. – Opinou Apolo, displicente, passando um braço por obre o ombro da irmã.
—Você me dá nojo – Concluiu Ártemis enquanto tentava se desvencilhar do deus sol.
—Até que não seria má ideia, Apolo. – Concordou Afrodite, pensativa – Uma desculpa e tanto pra arrastar Atena pras compras. Roupas, sapatos, bolsas, brincos, tiaras...
—Desde que eu não tenha que trazer nenhuma encomenda.
—Não se preocupe, Hermes.
{...}
—... atrevido. – Finalizou Atena. O rosto dela foi perdendo o tom avermelhado gradualmente, conforme ela se acalmava.
—Parece que alguém se descontrolou. Estava perdendo a razão, é?
—Ora seu...
—JÁ CHEGA! – Foi Zeus quem pôs fim a todo o burburinho e, por um momento inacreditável, o Olimpo ficou em silêncio. – O conselho Olimpiano 149.238 está suspenso, até as coisas ficarem mais... hm... amenas. – Ele relanceou um olhar para Atena – Então depois convoco vocês, se possível ainda hoje, para retomarmos essa reunião.
Alguns deuses murmuraram algo como “certo”, “tudo bem” e até “uhum” antes de se levantarem dos tronos e saírem, indo fazer sabe-se lá o quê. Poseidon ainda estava bastante fora de si, não podia acreditar que ela, outra vez, o insultara de tal forma.
Como ela consegue ser tão irritante? Acha que todos aqui são seus inferiores, puf. Ela devia ter mais respeito, mas nãããão, é igualzinha ao pai. E o que ela ganha com isso? É a “grande deusa da sabedoria, dona da razão” e blábláblá, mas não passa de uma mimada. Completamente.
Poseidon voltou ao tamanho humano e se encaminhou para as portas duplas da sala do trono, no entanto, antes de sair deu uma breve olhada e viu que só restavam Hefesto e Hermes, aparentemente absortos em uma conversa sobre entrega de peças, e Atena. E antes que ele pudesse perceber realmente o que estava fazendo deu meia volta e foi ao encontro dela.
—Outro conselho adiado por sua causa! – Acusou ele.
—Minha, é?
—Sim, sua.
—Olhe aqui, não fui eu quem começou a falar besteiras.
—Ah, é, me esqueci de que você está sempre certa. – Continuou ele, cínico.
—Finalmente acertou em algo. – Ela retrucou, enquanto ele ignorava solenemente esse último comentário.
—Você é insuportável.
—Que coincidência, não?
E dizendo isso Atena deu as costas àquela discussão boba com aquela criatura marinha, e saiu em direção ao único lugar que a acalmava e acolhia suas lágrimas que teimavam em cair: a biblioteca.
–X-
Poseidon entrou no elevador do Empire State Building ao som de Neil Diamond, e pensou, pela milésima vez, que eles deviam melhorar aquelas músicas. Passou pelo saguão de entrada e rapidamente alcançou a Quinta Avenida.
Andar em meio à multidão o acalmava. Não, na verdade, ficar naquele aglomerado de mortais apenas o impedia de fazer alguma besteira desastrosa, que, convenhamos, era algo bem típico dele.
Logo Poseidon alcançou uma loja de chocolates artesanais, doces, jujubas, e todo tipo de comida açucarada. Sem perder mais tempo entrou e pediu um chocolate quente. Precisava relaxar antes do próximo conselho.
Parecia até que ele já sabia o que estava por vir.
–X-
A biblioteca do Olimpo era incrivelmente grande e reluzente. Toda decorada em branco, e com pequenos detalhes em dourado, o que a faziam parecer mais formal e reservada. Mas para Atena não havia lugar mais aconchegante em Nova York.
Dispondo de várias poltronas para leitura, sofás, almofadas, escrivaninhas, mesas, estantes e livros. Milhares de livros. No entanto, a deusa não se encontrava em nenhuma das poltronas confortáveis, e também não lia nenhum dos seus livros.
Em um canto particularmente escondido pelas prateleiras, sentada ao chão e abraçada às pernas, estava Atena. Os poucos soluços e as pálpebras inchadas eram os únicos indícios de que ela estivera chorando.
Não que ela se sentisse ofendida com as coisas que Poseidon dizia, na verdade, ela raramente pensava nele e em suas grosserias. Mas era humilhantemente doloroso ter que ser sempre indiferente, sem nunca demonstrar fraqueza.
E durante esses raros momentos em que Atena se sentia mal, confusa ou até mesmo covarde, ela não se importava com os cabelos absurdamente bagunçados, ou com as roupas recém-amarrotadas. E ficava ali, na biblioteca majestosa, se sentindo pequena e indiferente.
E naquele instante a deusa da sabedoria queria apenas parar de pensar. Mas, ainda sim, era possível ouvir uma vozinha debatendo com ela mentalmente.
Você não deveria se portar dessa maneira! Mostre-se superior e apenas ignore a infantilidade de Poseidon.
Estou tentando – Ela retrucou.
Então porque continua aí, chorando escondida?
Não estou “chorando escondida”. Eu só queria ter um pouco de paz.
Pensando nas bobagens que ele disse?
É só que... Não é só isso! Claro que Poseidon tem culpa também. Ele é mesmo irritante e tudo mais... e é chato. Bem chato. Mas as coisas não giram em torno do umbigo dele. – ela tentou se convencer.
Então admite que a influência dele é grande parte do problema?
Eu não disse isso.
Não disse, mas na maioria das vezes o modo como ele expõe as coisas te deixa chateada.
Aquele troglodita não “expõe as coisas”, ele fala as bobagens que pensa do modo mais rude que encontra.
E você não deveria se preocupar com isso, já que o detesta.
Às vezes era terrível ser a deusa da razão e ter que concordar. Ela o detestava, e não deveria se importar com aquelas tolices “Poseidônicas”.
Não que eu faça isso com frequência – Apressou-se ela a pensar– só quando ele age como um ser desprezível.
Ou seja, sempre.
Atena se levantou e foi se recompor, ignorando a última frase de sua mente.
Ela passou por uma antessala de reuniões informais, pelo salão de banquetes e pela sala de jogos antes de chegar às escadas que levavam aos aposentos dos Olimpianos. Quando a deusa pensava na arquitetura do Olimpo, ficava realmente orgulhosa do seu trabalho, antes, é claro, da destruição quase completa do palácio, no verão passado, quando Cronos havia se reerguido.
Algumas partes ainda permaneciam inalteradas, como os quartos e a cozinha, pois a guerra não chegara a afetar esses cômodos, mas a sala do trono, os jardins e as áreas externas tinham ficado muito danificadas. A reforma andava em um estágio avançado e Annabeth estava realmente fazendo um ótimo trabalho.
Atena subiu quase que correndo as escadas que levavam ao seu quarto e não encontrou ninguém no caminho, o que achou muito estranho. De fato, todos os deuses tinham seus próprios palácios e templos no monte, mas eles ficavam “hospedados” usualmente no palácio principal. Somente Atena, Hera, Zeus e Afrodite moravam no palácio principal definitivamente – enquanto os outros deuses ficavam em seus próprios palácios, também no monte Olimpo – e talvez por isso seus aposentos fossem mais sofisticados.
A deusa entrou em seu quarto – tudo bem, quarto era uma palavra muito simples para seu-quase-apartamento – e foi direto para o closet. Escolheu um vestido marfim simples e que caia suavemente até os joelhos e não era de todo justo. Calçou uma sapatilha vermelha, que ela raramente usava, e prendeu os cachos loiros em um rabo-de-cavalo.
Enquanto lavava o rosto no banheiro, e repensava a possibilidade de tomar um banho quente, um envelope branco selado com um caduceu apareceu flutuando a poucos centímetros de seu rosto. Ela secou as mãos na primeira toalha que encontrou e abriu a carta:
“Atena (deusa da sabedoria, da guerra justa, da estratégia e das artes),
Zeus está convocando todos os deuses Olimpianos para a retomada do Conselho de número 149.238, hoje às 15h, na Sala do Trono. E ele espera que, dessa vez, nada atrapalhe ou interrompa a reunião (que fique claro que essas são as palavras do próprio Zeus).
Hermes (deus mensageiro, dos ladrões e dos viajantes).”
Suspirando, Atena foi até a sala e olhou as horas. Ainda faltavam quarenta e cinco minutos. Ela se sentou e ligou a televisão, com tanto tempo de sobra talvez encontrasse algo de bom para ver no History Channel.
–X-
Poseidon estava sentado em um banco no Central Park, comendo todos os tipos de doces mortais (que, como ele sempre dizia, eram milhões de vezes melhor que Ambrósia) e vendo dois garotinhos aprendendo a andar de bicicleta quando seu pager* chamou.
Era uma mensagem de Hermes, remarcando o Conselho Olimpiano, em que Zeus deixava bem claro que não queria discussões dessa vez. Ele rolou os olhos.
Como se a culpa fosse minha!
E não muito longe dali, um relâmpago cortou o céu. Poseidon consultou as horas e viu que faltavam pouco mais de cinco minutos. O deus analisou suas opções.
Com toda certeza ele chegaria atrasado se voltasse para o Empire State caminhando, ao contrário do que aconteceria se ele simplesmente aparecesse lá. Ele sorriu para o menininho que tentava se equilibrar em cima da pequenina bicicleta, antes de refazer todo seu caminho a pé.
Não perderia uma oportunidade de irritar o irmão.
Ou talvez tivesse optado pela segunda opção se ele se lembrasse de que teria que aturar as músicas abomináveis do elevador.
–X-
Quando Poseidon adentrou a Sala do Trono todos os deuses já estavam sentados em seus devidos lugares e Zeus parecia querer fulminá-lo. Sem dizer nenhuma palavra ele se sentou e cruzou as mãos sobre o colo, parecendo extremamente confortável.
—Bem, já que todos finalmente estão aqui, acho que podemos começar. – Grunhiu Zeus, por entre os dentes.
Os deuses murmuraram em concordância e Poseidon deu de ombros, Zeus então continuou:
—O Olimpo, como todos sabem, está na fase final de reforma e restauração coordenada pela meio-sangue Annabeth Chase – Atena abriu um pequeno sorriso – que pediu para que desocupemos o Olimpo, enquanto ela e sua equipe terminam os detalhes. Então, durante essa última semana de reforma, que começa amanhã, decidimos “fechar” o Olimpo.
— Mas... – começou Hefesto.
—É claro que todos vocês, como deuses, continuarão com suas obrigações e tudo mais. Somente não poderão ficar aqui no Olimpo. Todas as decisões serão tomadas normalmente, por Mensagem de Íris ou o que quer que seja.
—Mas – Hefesto tentou falar novamente. – Eu preciso terminar aquilo.
—Ah! O protótipo. Não se preocupe. Afrodite me ajudou a planejar o que os deuses irão fazer e onde se hospedarão durante essa semana.
—Afrodite, é? – Hera interveio, estreitando os olhos.
—Hã... foi.
—Não se preocupe também, Hera querida! Já temos tudo planejado. – Continuou Afrodite, eufórica – Os deuses menores e Héstia estão em missão o que já facilita muito. Então, como Dionísio vem pedindo férias do acampamento há tempos, decidimos que ele as terá durante essa semana.
—Sério? – Animou-se o deus. – Férias no Caribe, vinho à vontade...
—Sem vinho. – Grunhiu Zeus, parecendo aborrecido.
Dionísio bufou antes de responder:
—Pelo menos fico longe daqueles pivetes.
—E já que o Palácio Subaquático de Poseidon está meio inutilizado após a guerra contra Cronos e tudo nos mares parece sob controle após o trágico divórcio com Anfitrite, ele foi escalado para ficar no lugar de Dionísio nesse período. – Disse Afrodite, enquanto saltitava pela Sala do Trono.
—Eu? – O deus dos mares, que não estava prestando muita atenção na conversa, esbugalhou os olhos.
—Sim, você mesmo. Hefesto continuará na sua oficina trabalhando em suas quinquilharias, digo, no protótipo que Zeus pediu. Ares e Hades partirão para o Mundo Inferior, para treinar um exército-esqueleto.
—Exército?! – Rugiu Zeus.
Afrodite e Hades rolaram os olhos simultaneamente.
—É só para a proteção do meu palácio subterrâneo. – esclareceu Hades.
—Humpft. Melhor mesmo.
—Perséfone ficará lá para supervisionar e eu também. – Garantiu a deusa do amor.
—Como é? Já estamos no verão! Minha filha fica aqui comigo. – Protestou Deméter.
—Você também vai para o Mundo Inferior, Deméter. E não faça essa cara! Vai ser divertido, como uma semana da moda.
—Você inventa cada coisa, Afrodite. O que não faço pela minha filha. Aturar esse cabeçudo do Hades por mais uma semana!
—E você, papai – Prosseguiu Afrodite, se dirigindo a Zeus. – irá para um cruzeiro com Hera, em uma segunda lua-de-mel. Não é magnífico?
Zeus enrubesceu de imediato e Hera abriu um enorme sorriso.
—Minhas caçadoras estão no Sul, partirei para lá imediatamente. – Afirmou Ártemis.
—Nada disso! – Afrodite parecia ultrajada. – Você e Apolo irão verificar se os titãs continuam quietos.
—O quê?
—Olhe, maninha! Eu e você em uma missão conjunta. Não é ótimo? Isso me remete a um haicai...
—Não existe “eu e você”, Apolo. Essa missão, argh, vai ser desastrosa. E nem pense em abrir essa boca para proclamar algo idiota. – Disse Ártemis, ao mesmo tempo em que o gêmeo fechava a boca.
—Continuando. Hermes... bem, Hermes está sempre ocupado viajando mesmo. – Afrodite deu de ombros.
—Falando nisso, preciso fazer as malas. – Concordou Hermes.
—E Atena? – Lembrou-se Hera.
—Eu ficarei para supervisionar o trabalho da minha filha, oras. – disse a deusa, segura de si.
—Na verdade, querida, você...hm...é. Explique por favor, Afrodite.
—Claro. Atena, você não pode ficar aqui. Quíron está fora com o Percy e alguém precisa substituir o Diretor de Atividades. E, bem, como todos os outros deuses já tem o que fazer...
Atena abriu a boca para protestar, seus dedos tremiam sobre o assento do trono.
—Eu. Não. Vou. Para. O. Acampamento. Poseidon estará lá.
—Justamente, querida, você não achou que deixaríamos o Acampamento nas mãos desse irresponsável do meu irmão, não é?
—Ei! – Poseidon protestou, olhando para Zeus furiosamente.
—Se nós discutirmos, aí sim terão que temer pelo acampamento. Esse descontrolado pode destruir tudo. – Atena tentou argumentar.
—Bem, então terei que reduzir os poderes de vocês, para que não possam fulminar, matar, desintegrar ou transformar algum campista. E menos força física, é claro. – Concluiu Zeus, pensativo.
—O quê? – Bradaram Atena e Poseidon juntos.
—Não se preocupem, queridos, Quíron volta em três dias e então estarão dispensados pelo resto da semana. – Afrodite disse e com uma risadinha desapareceu.
—Então declaro o Conselho 149.238 terminado. – Apressou-se Zeus a dizer, antes que mais alguém protestasse. – Façam as malas e amanhã pela manhã estejam todos aqui, prontos para partir.
Todos os deuses desapareceram, então, cada qual para seu quarto, indo arrumar as bagagens.
Vendo-se sozinha na Sala do Trono e sem acreditar em sua má sorte, ou que Afrodite tinha mesmo tramado tudo aquilo, Atena saiu em direção ao seu quarto, murmurando diversos meios de matar a deusa do amor.
–X-
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