Notas iniciais
Pra quem tem problema com altas doses de açúcar, cuidado com esse capítulo.

CAPÍTULO 45: Novidade.

(dez meses depois da Reinauguração do Olimpo)

O vento gelado rugia no ouvido de Atena e inúmeras folhas alaranjadas se desprendiam das árvores no outono de Londres. A deusa se aconchegou ainda mais no seu sobretudo e apertou o passo para chegar mais rápido a rua de sua casa.

Desde a Reinauguração do Olimpo ela e Poseidon haviam decidido se mudar de vez para a cidade cinzenta por vários motivos. Esses motivos incluíam: o amor que os dois nutriam pela própria Londres, com seus táxis pretos, suas cabines telefônicas, o tempo fechado na maior parte do ano, as pessoas respeitosamente educadas, e, é claro, a beleza deslumbrante da cidade.

Além disso eles também tinham levado em conta o fato de que queriam criar John como um garotinho normal da sua idade nos primeiros anos de vida, sem toda aquela pressão por ser um deus menor e o herdeiro dos domínios de Poseidon. O deus dos mares também insistira em sair do Monte Olimpo, pelo menos de início, porque, nas próprias palavras de Poseidon “Zeus é extremamente insuportável comigo, mesmo que tenha te perdoado. E não faça essa careta, Atena.”

No fim, Londres pareceu aos dois a cidade ideal, considerando que Atena já tinha uma casa estabelecida lá e também analisando o fato de que os dois tinham vivido alguns dos melhores dias de sua imortalidade lá.

Já fazia quase dez meses desde a mudança, e de lá pra cá suas vidas tinham se ajustado confortavelmente a uma rotina. Atena trabalhava como professora de astronomia no campus mais próximo da faculdade de Oxford (apesar dos protestos de Poseidon de que ela não precisava trabalhar, já que eram deuses e podiam muito bem viver com o dinheiro Olimpiano), e ela simplesmente adorava passar todas as tardes ensinando jovens mortais ou simplesmente estudando um pouco na biblioteca; a loira tinha as manhãs livres para se dividir em atuar como Deusa da Sabedoria e da Estratégia e aproveitar seu tempo com John, coisas que ela conciliava muito bem.

Poseidon, por sua vez, tinha basicamente a obrigação de auxiliar em qualquer trabalho de casa que Marie ou Atena pedissem, cuidar de seu herdeiro (o que, na verdade, era mais como deixar Atena preocupada ao inventar coisas do tipo pai-e-filho para eles fazerem) e ir ao Palácio subaquático todos os dias para governar os sete mares.

E John tinha na sua lista de atividades dormir, babar, comer, aprender a andar, chorar quando Atena brigava com ele e com Poseidon por inundarem a casa, dormir outra vez, atormentar o querido Padfoot e dar um bocado de trabalho para Marie (simplesmente a melhor babá/amiga do mundo que aceitara trabalhar para Atena cuidando do bebê sem fazer muitas perguntas).

A deusa da Sabedoria sorriu ao avistar a enorme casa branca de estilo vitoriana em que eles moravam e se pegou imaginando o que sua família estaria fazendo naquele momento, antes de abrir os portões e ir se juntar a eles.

–X-

Poseidon estava sentado no sofá branco da sala, segurando uma pasta e muitos papéis, ele parecia muito concentrado e, meio que lendo os pensamentos de Atena, ele passou a mão pelo cabelo negro bagunçando ainda mais os fios. Atena secretamente adorava aquela imagem displicente do deus.

Deitado no carpete aos pés do dono estava Padfoot. O pelo dourado do cachorro era reluzente e contrastava com a sala impecavelmente branca. Padfoot assistia a TV tranquilamente enquanto John, no auge de seus dez meses, se sentava ao seu lado e batia com as mãozinhas no chão para chamar a atenção do cachorro. Padfoot se limitou a bocejar e John viu naquele movimento a oportunidade perfeita para lhe apertar o focinho.

Atena não conseguiu conter um sorriso ao ver aquela cena tão linda se desenrolar. Ela se recompôs em poucos segundos e cruzou os braços;

—Poseidon. – Ela disse, séria.

—Hey, amor, não te tinha te visto aí.

Ele se virou para ela e sorriu, a loira rolou os olhos.

—Você deveria estar olhando o John. E onde está Marie?

—Marie pediu para sair um pouco mais cedo hoje e eu disse que não tinha problemas, já que você deveria chegar do trabalho em alguns minutos e eu estava sem nada pra fazer mesmo. – Ele deu de ombros. – E, tecnicamente, eu estou olhando o John. Ele está no tapete com Padfoot e não fizeram nada de mais até agora, viu? Tudo sob controle!

—John estava apertando o focinho de Padfoot, de novo. E você sabe como esse nosso bebê tem força nessas mãozinhas gorduchas aparentemente inofensivas. Ele e Padfoot poderiam destruir essa casa e você nem notaria.

Poseidon riu.

—Nah, Padfoot é preguiçoso demais pra isso.

—Oh, Poseidon. – Ela suspirou, mas foi obrigada a concordar com um sorriso.

A deusa se abaixou e deu um beijo em John que lhe estendeu os bracinhos e a abraçou pelo pescoço, ela também afagou o pelo do cachorro antes de se sentar no espaçoso sofá ao lado de Poseidon.

Ele olhou para ela e se perguntou pela trilhonésima vez como alguém poderia ser tão linda. O deus poderia ficar dias admirando seus fios loiros cacheados nas pontas, ou suas íris azuis acinzentadas que mudavam de tom conforme o humor dela, ou suas bochechas avermelhadas pelo vento que estava lá fora... A lista era infinita.

Naquele dia a deusa usava um moletom de Oxford que era mais ou menos três vezes o seu tamanho e uma calça jeans clara com botas marrom. Desde que começara a lecionar astronomia ela acrescentara um óculos de armação preta que a deixava ainda mais nerd. Poseidon amava isso.

—O que você está fazendo?

—Um projeto. – Ele respondeu, voltando a atenção para as folhas em seu colo.

—Hm. – Ela disse ao mesmo tempo em que erguia uma sobrancelha loira.

O deus dos mares a fitou e rolou os olhos verdes (ele definitivamente tinha pegado essa mania dela).

—Alguém já te disse que você é a curiosidade em pessoa?

—Devem ter mencionado. – Ela piscou inocentemente.

—Aqui. – O deus estendeu as folhas para ela. – O que você acha?

Atena observou os desenhos e os reconheceu imediatamente. Havia algumas alterações, é claro, mas a estrutura ainda era a mesma. A deusa deixou sua mente divagar um pouquinho, imaginando como o Chalé do Sol ficaria depois de concluído. Paredes de madeira, painéis solares, uma cadeira de balanço no alpendre...

—Quem fez isso?

—Eu. – Ele respondeu, meio inseguro (o que, pra falar a verdade, era bem raro). – com a ajuda de alguns de seus livros de arquitetura. Você sugeriu que reformássemos o chalé naquele dia que fomos à praia, então eu pensei em...

—Ficou maravilhoso! –A deusa sorriu animada.

O deus deu de ombros, uma expressão de alívio e superioridade se espalhando pela sua expressão.

—Fazer o quê se tudo que eu faço é maravilhoso.

—Muito humilde. – Atena destacou.

—Claro.

Ele a puxou para mais perto e a beijou. Atena subiu os dedos pela nuca dele e o beijou de volta, satisfeita. O deus se separou alguns segundos depois, quando Padfoot latiu. Os dois olharam para o carpete, onde John passava os bracinhos em volta do cão na tentativa de abraça-lo.

—Me diga que ele não está sufocando o Padfoot.

Atena riu baixinho.

—Claro que não. Os dois estão extremamente comportados hoje. – Como se eles entendessem o que Atena estava falando os dois pequenos pararam de se engalfinhar e voltaram a atenção para a TV.

—E aí, o que você queria me falar? –O deus sussurrou no ouvido dela, para não quebrar a quietude momentânea.

A deusa se afastou dele e olhou para baixo, incerta. Ela cruzou as mãos sobre o colo e respirou fundo, antes de erguer a cabeça e fita-lo.

—Bem... eu, hã. – Ela limpou a garganta e sentiu as bochechas esquentarem. – Acho que é melhor falar de uma vez.

Poseidon ergueu as sobrancelhas e esperou que ela prosseguisse.

—Já que estamos vivendo no mundo mortal para educar John, achei que é uma boa hora pra ter outro filho, porque assim dá pra passar mais tempo com eles. É isso. Vou ter outro bebê.

Ela sorriu fofa e completamente animada com o assunto. Suas bochechas estavam ruborizadas e ela batucava os dedos da mão freneticamente no colo esperando a reação de Poseidon. O deus anuiu com a cabeça e abriu a boca na tentativa de falar duas vezes, mas ele não parecia encontrar as palavras adequadas.

—Tudo bem. – Ele respirou fundo e pegou uma mão de Atena. – Eu sabia que poderia acontecer um dia, já que somos deuses. Você conheceu ele em Oxford?

—Hã? – A deusa o encarou, sem entender nada.

—Quero saber onde você o conheceu. Se ele é um professor, um aluno, um colega da biblioteca...

—De quem você está falando?

—Do pai do bebê.

A loira encarou o deus por alguns segundos, sem saber o que responder. Ele não parecia estar brincando, nem muito chocado com a notícia e parou de falar quando percebeu o silêncio por parte dela.

—Hey, Atena. Pode falar comigo, está tudo bem. Eu já imaginava uma situação dessas no futuro por causa da nossa condição divina. E eu sei que você não tem filhos pelo método, hm... convencional. Então não acho que você fez nada errado. Não é como você tivesse um caso, nem nada assim. E eu não tenho ciúmes, bem, talvez um pouco... Annabeth me disse que você conhece o futuro pai em um nível intelectual e não físico, então acho que—

—Fique quieto. – Ela pediu. – Nem mais uma palavra.

O deus obedeceu ao pedido dela. Atena mordeu o lábio inferior para não rir e passou os dedos pelo cabelo loiro.

—Eu não sei como falar isso mas... Você é tão lerdo, Poseidon!

Ele a encarou incrédulo.

—Eu te dou todo o suporte do mundo pra ter essa resposta?

—Acho que nunca ouvi tanta besteira na minha vida. Não é tão surpreendente, vindo de você, mas...

—Ok. Já entendi que não tenho o mesmo nível intelectual que os pais dos seus filhos, não precisa destacar isso.

Ela riu e Poseidon fechou a cara, emburrado como uma criança. A deusa deslizou para mais perto dele e correu a mão pelos fios negros e despenteados que ela tanto adorava.

—É, você não tem mesmo. – Ela concluiu, com um sorriso fofo. – Eu estou grávida, Poseidon. Da maneira convencional.

Ele piscou. Duas vezes. E então se virou para ela, os olhos esverdeados mostrando incredulidade enquanto ele finalmente entendia o que ela queria dizer. Lentamente o deus abriu um sorriso do tipo tenho-32-dentes que poderia derreter o coração de Atena, se já não o tivesse feito.

—Eu não sei o que falar.

—Tudo bem. Eu te amo, criatura marinha desprezível.

Poseidon não se deixou abalar com a provocação.

—Eu te amo também, sua sabe-tudo.

—Hey. Aquela história de que eu poderia ter filhos com outros caras e que você compreenderia... Você não está imaginando que eu agiria daquela mesma forma caso você tivesse filhos com outra mortal, não é? – Ela estreitou os olhos.

—De jeito nenhum. – Poseidon riu. – Eu só queria ser compreensível. Não planejo ter mais nenhum semideus. De agora em diante é só você, Atena.

Ela corou fortemente e ele se aproveitou desse momento para voltar a beijá-la. Poseidon passeou com os dedos pela cintura dela, por cima do moletom grosso. A deusa respondeu se inclinando para mais perto dele.

—Atena? – Ele falou, um segundo após se separarem. – Você sabe o quanto eu amo seu moletom, não é? Mas eu honestamente prefiro você sem ele...

Atena nem precisou olhar para a cara de safado do deus para saber do que ele falava. Ela riu.

—Meus deuses. Sua perversão não tem limites!

—Felizmente, não.

—Eu estava pensando – A deusa se recostou em Poseidon e observou a lareira. – nós temos que comprar o enxoval, os brinquedinhos e as roupinhas para ela. Acho que podemos colocar o berço no segundo quarto...

—Hey Senhorita Organização, calma. Você tem certeza de que esse bebê é meu?

Ela rolou os olhos.

—Claro!

—Então por que você disse “ela” quando se referiu ao bebê? Deveria ser “ele”.

—É uma menina.

—Bem. Então definitivamente tem algo errado aí. Devido a um voto muito estúpido de masculinidade que fiz há eras atrás não posso ter filhas, só filhos.

—Poseidon. – Atena o encarou, séria. – É uma menina e é sua filha.

—Mas...

—Lembra-se daquele dia quando estávamos conversando e você disse que tinha vontade de ter uma garotinha? E depois subimos as escadas quando já tínhamos colocado o John no berço e deixado Padfoot lá pra cuidar dele e fomos para o quarto...

Ela ergueu as sobrancelhas, insinuando o resto da frase.

—Oh, eu me lembro. – O sorriso canalha apareceu nos lábios dele assim que o deus respondeu.

—Então. Você sabe que inconscientemente podemos influenciar nos nossos filhos, e acho que você meio que quebrou seu voto.

—Inacreditável.

—Mas verídico. – Ela deu de ombros.

—Como você tem tanta certeza de que é uma menina?

—Porque Apolo me contou. Ele é o deus das profecias, responsável pelo Oráculo de Delfos, ele sabe essas coisas. Disse que ela será igualzinha a você, temperamentalmente falando.

Poseidon não conteve sua expressão radiante.

—Bem, ela vai ser maravilhosa então. No entanto, acho que Apolo não poderia dar esses spoilers.

Atena riu do vocabulário nerd dele.

—Eu pedi. Não tinha certeza se estava grávida.

—Não sabia que o deus do sol também servia de teste de gravidez. – Ele provocou.

—Oh, pelo amor dos deuses, fique quieto!

Eles ficaram sentados por um tempo, observando Padfoot e John brincando no tapete. Poseidon enrolava um dos cachos de Atena no dedo e carinhosamente afagava a cintura dela, até que a loira se levantou.

—Fique aqui cuidando desses dois enquanto eu preparo alguma coisa para jantarmos e depois colocamos esses aí pra dormir, ok?

—Tá bom.

Ela deu um beijinho no topo do nariz dele e na cabeça de John e de Padfoot também antes de ir para a cozinha. O deus dos mares pensou em se juntar aos dois pequenos no tapete, mas ficou preguiçosamente espalhado no sofá até que ouviu Atena berrar da cozinha.

—POSEIDON! O que diabos é isso aqui que vocês derramaram em cima dos meus livros de arquitetura? – Pausa. – Você estava dando refrigerante pro John? Enquanto olhava os meus livros?

—Oops. – Ele arregalou os olhos verdes, se lembrando da confusão da cozinha. – Bem, vamos lá. Padfoot, você pega o John e eu abro a porta pra gente fugir, acho que temos uns dois minutos pra sair daqui antes que Atena venha atrás da gente.

–X-

Notas finais
Hey, meus lindos! Como vocês estão? Espero que muito bem :) Então... Esse é nosso penúltimo capítulo, por isso foi super levezinho, fofo, e açucarado. Mas ainda sim com muitas briguinhas e intrigas de Poseidon Atena, porque, bem, é assim que eles são e acho que isso não vai mudar nunca hahaha. Honestamente, tô com uma dorzinha no coração por postar esse capítulo. Tô me sentindo perdida por ser o penútlimo. Tô me sentindo meio zonza, mas talvez seja só a falta de sono mesmo... Enfim, quero comentários. Quero saber o que vocês tão achando. Quero um abraço de consolo :(( Ah, o próximo (e último!) capítulo já ficou programado pra ~tanananananã~ dia 13, no domingo! E será postado ao meio dia :) Espero todos vocês aqui pra lerem. Aaaaaaaaaah, e eu tenho uma super surpresa pra vocês que também será revelado dia 13, nas notas do último capítulo. Fiquem espertos. Mil beijos da Mi :*