Fechado Para Reforma!
11 Guitar Hero
Notas iniciais
CAPÍTULO 11: Acampamento Meio-Sangue – Guitar Hero.
Segundo Dia – Parte 3.
Atena desistiu de ler e colocou o livro sobre o colo. Bem, aquilo não era uma coisa que ela estava acostumada a fazer, mas era simplesmente impossível se concentrar em uma única linha com todo aquele barulho na sala da Casa Grande.
Rachel estava comemorando sua décima vitória seguida no Guitar Hero e Apolo parecia bastante frustrado. Na verdade, Apolo nem deveria estar ali até àquelas horas, pois já estavam no Tempo Livre e ele havia prometido ir embora até o almoço.Mas é claro que o imprudente do Poseidon tinha que convidá-lo pra jogar vídeo-game até as duas da tarde.
Apolo passou a guitarrinha para Poseidon, que resolveu desafiar Rachel, e foi se sentar ao lado da deusa loira. Atena o encarou por breves segundos e resolveu ver se extraia alguma informação, afinal, Apolo não era tão quieto assim. Alguma coisa estava terrivelmente errada.
—Apolo?
—Sim, maninha. – O loiro se virou para a deusa e abriu um pequeno sorriso de lado.
—Tudo bem?
—Não. Eu não acredito que perdi três vezes seguidas para Rach! Qual é, eu sou o deus da música. Ela não deveria poder me ganhar.
Atena sorriu contrariada.
—Achei que você tivesse perdido dez vezes. – Ela retrucou, risonha, mas voltou-se para ele bem séria. – E você sabe que eu não estou falando disso, seu besta.
—Ouch. Assim você fere meus sentimentos, maninha. Poseidon perdeu sete vezes, eu três e a Rach nenhuma. Esse é o placar. – Apolo franziu o nariz. – E não tem nada de errado comigo.
O deus do sol virou-se para a enorme TV e viu Poseidon perder umas quinze notas antes de suspirar. Atena conteve uma risada. Yeah, Rachel era incrível.
—Eu sei que alguma hora você vai acabar me contando, Ap.
—Desde quando seu ego e sua autoconfiança são tão grandes assim, hein? – Ele deu uma piscadela. – Ah, é. A partir do dia que você passou a conviver mais com Poseidon.
Atena rolou os olhos e fingiu não escutar a aquela última informação.
—É, talvez você esteja certa. – Apolo concordou, parecendo mais sério do que o normal. – Eu vou te contar mesmo. – Atena sorriu com a perspectiva, mas seu sorriso vacilou ao ver que Apolo sorria de um jeito maroto, antes de continuar. – Mas com uma condição maninha.
O deus loiro voltou a observar o duelo de vídeo-game que acontecia, para ver Poseidon apanhar feio.
—Outch. – Atena murmurou ao ver a tela do lado de Rachel aparecer o escrito “You Rock” e Poseidon se atirar no sofá frustrado. – Onze vitórias.
Apolo riu quando Poseidon cruzou os braços como uma criança birrenta. E então o deus do sol olhou da guitarra para Atena e ergueu as sobrancelhas sugestivamente. Atena rolou os olhos e se afundou ainda mais na poltrona.
—São minhas condições, Ateninha. – O loiro sussurrou. – Se você ganhar dela pode saber tudo que quiser. Mas se você perder, eu me recuso as responder qualquer coisa.
—Apolo, você é um péssimo irmão. – Foi o que a deusa respondeu antes de se levantar e pegar a guitarrinha abandonada, se amaldiçoando por ser tão curiosa.
–X-
Poseidon quase não acreditou ao ver Atena desafiar Rachel. A Deusa da Sabedoria tinha recusado veementemente quando eles a chamaram pra jogar. E mesmo ela sendo muito boa no vídeo-game, ele ficou surpreso.
Poseidon foi se sentar ao lado de Apolo enquanto as duas se posicionavam. Atena apoiou a guitarrinha e começou a dedilhar os botões coloridos com a mão direita e a ruiva dava pulinhos cada vez que atingia uma nota longa.
—Hey, o que você disse que convenceu Atena a jogar?
—Eu tenho meus métodos. – Apolo desdenhou com um sorrisinho.
—Mas Rachel é invencível! E sua irmã não gosta nem um pouco de perder. – Poseidon concluiu.
—Eu estou contando com isso.
—Hã? – Poseidon arqueou uma sobrancelha, sem tirar o olho do duelo. – Você fez algum acordo com ela, Patrick Estrela?
—Patrick Estrela? – Apolo desviou o olhar das duas a sua frente e franziu o nariz. – É, eu meio que prometi faria uma coisa se ela ganhasse. Tomara que a Rach vença mais essa rodada.
—Nesse caso eu tô torcendo por Atena. – Poseidon revidou, antes que pudesse se controlar.
Apolo arqueou uma sobrancelha e deu uma risadinha muito maliciosa.
—Eu não pensei que viveria pra ver você torcer por Atena.
—Você é imortal. – Poseidon rolou os olhos.
—Eu sei, mas mesmo assim. – O loiro deu de ombros. – Vocês não conseguem se acertar. É uma causa perdida.
—Claro que não! – O moreno protestou inutilmente, sem perceber porque estava fazendo aquilo. – Eu e Atena não brigamos o tempo todo.
—Hm. – Foi a única resposta que ele recebeu de Apolo.
Poseidon continuou a olhar Atena e Rachel jogando.
Atena dedilhou uma seqüência bastante complexa e Rachel errou um punhado de notas. Involuntariamente um sorrisinho brotou nos lábios do deus.
—Ah, não! Não... Droga. – Ele ouviu Apolo resmungar.
Então Rachel perdeu a última nota longa, que Atena tocou dançando no ritmo da música.
—Yeaaaaah! – A deusa da sabedoria deu um pulinho e começou a rodopiar pela sala, comemorando de um jeito bem estranho.
Poseidon escondeu uma risadinha e ficou intimamente satisfeito. E quando a deusa chegou mais perto de onde ele estava, as coisas saíram um pouquinho do controle. Porque Poseidon realmente não percebeu o momento em que se levantou e a parou no meio do caminho, passando os braços por cima dos ombros de Atena.
E ele simplesmente a abraçou.
Sem nenhuma intenção, sem nem pensar no que estava fazendo. E nada pareceu mais certo naquele momento.
–X-
Atena não viu direito como aconteceu, mas de repente estava enlaçada nos braços de Poseidon.
E involuntariamente os braços dela se fecharam na cintura dele. Sem parar pra pensar a deusa ficou na ponta dos pés e afundou o rosto na curva do pescoço do deus, seus sentidos captando imediatamente aquele perfume amadeirado misturado com menta, tão incrivelmente bom.
E pela primeira vez na vida nenhum dos dois estavam incomodados com a proximidade.
—Parabéns. – Ele sussurrou no ouvido de Atena, se sentindo um grande imbecil logo em seguida. Porque não tinha necessidade alguma de sussurrar.
Atena se sentiu mais imbecil ainda ao notar um arrepio causado por palavras tão simples.
—Hã... Obrigado.
E eles se separaram a tempo de ver Apolo cruzar os braços emburrado.
–X-
Rachel tapou o rosto com as duas mãos, desistindo de conversar com o Deus do Sol e bufando impacientemente.
—Eu nunca consigo passar aquela música, Apolo!
—E porque você não me disse isso antes? – Ele continuou fazendo birra e Atena quase riu da cena. – Eu achei que você fosse invencível, Rach.
—Eu também. – Poseidon deu de ombros.
—Nhá. Quanta besteira. – A ruiva fez um aceno de desprezo e se sentou no sofá. – Quem vai jogar agora?
—Ninguém. Apolo me deve algumas explicações. – Atena abriu um sorrisinho maquiavélico que fez com que Apolo resmungasse algo inteligível. – E então?
Rachel olhou para os dois e arqueou uma sobrancelha ruiva, mas os dois deuses loiros fingiram não notar e ela resolveu virar-se para Poseidon.
—O que eu perdi?
—Algo relacionado a uma aposta. Eu não sei direito. Mas vou adorar ficar aqui pra ver. – Poseidon abriu seu sorriso mais cínico e se sentou ao lado de Rach.
—Hey, que intimidade é essa? – Apolo empurrou Poseidon pra longe de Rachel, que rolou os olhos tentando ocultar um sorrisinho mínimo.
—Achei que você estivesse chateado comigo.
—Eu estava. – Ele puxou a ruiva e a colocou sentada no seu colo. – Mas você é irresistível.
—Ah, cala a boca, Apolo.
Atena resolveu ignorar aquilo e foi se sentar na poltrona. Apolo começou:
—Bem, eu só contei isso pra Rach até agora, mas como aparentemente não tenho escolha...
—É, você não tem. – A deusa da sabedoria o cortou, para que Apolo parasse de enrolar.
—O problema se resume em uma palavra: Ártemis.
Poseidon abriu a boca para falar algo tremendamente irônico, mas voltou a fechá-la para que o loiro pudesse continuar:
—Eu não sei o que há de errado. Sabe, nós estamos em uma missão conjunta. Deveríamos estar nos falando. Deveríamos parar de brigar por coisas imbecis.
Atena se encolheu levemente, achando a situação bem parecida com a dela e de Poseidon. Bem, isso até ela ouvir as próximas palavras de Apolo:
—Mas isso não está acontecendo, é claro. Ela me trata com mais indiferença do que eu posso suportar. Ártemis é minha irmã gêmea! As coisas não deveriam ser assim. Eu entendo todo esse negócio de “odiar os homens” e o voto que ela fez. Mas eu não sou como qualquer outro cara. – Apolo suspirou pesadamente e correu a mão pelo cabelo. – Na maior parte do tempo ela demonstra que me detesta e eu tento não me importar com isso. Só que o sentimento definitivamente não é mútuo. Eu a amo.
Rachel sorriu e bagunçou os cabelos de Apolo.
—Fofo. – Foi a única declaração que a ruiva fez.
—Ah, claro. – Poseidon soou tão irônico quanto pretendia. Ele entendia perfeitamente como Apolo se sentia. Tirando aquela parte de amar, é claro.
—Ela é sua irmã, Apolo. – Começou Atena. – Ela te ama também. Talvez só tenha medo de demonstrar isso.
Um silêncio pesaroso se formou e Poseidon foi o primeiro a quebrá-lo, parecendo mais pensativo que o normal.
—E porque ela teria medo de demonstrar que o ama?
—Ártemis tem uma política de desprezo a todos os homens. E isso certamente inclui Apolo. Sem contar que ele é muito galinha também.
—Outch. Essa doeu, maninha. – O loiro pôs a mão no peito teatralmente. E então ficou incrivelmente vermelho, antes de completar. – Talvez eu não a ame só como irmão.
Rachel sorriu de orelha a orelha e o queixo de Atena despencou. Poseidon sorriu de lado e Apolo abraçou ainda mais Rachel, para esconder o rosto no cabelo laranja dela.
—Mas isso só torna as coisas piores, Apolo.
—Eu sei. – Ele murmurou, a voz saindo abafada. – Mas eu não consigo agir normalmente perto dela. Isso é tão imbecil. Eu simplesmente não consigo. É como se alguma coisa me fizesse ser mais infantil e implicante perto dela. Pra ver se ela me nota. Mesmo que seja de um jeito ruim, que fará com que Ártemis fique brava comigo, ela ao menos não será tão indiferente. Porque as coisas tem que ser tão complicadas?
Atena se calou diante daquilo.
—Isso é mesmo coisa de Afrodite. – Poseidon coçou a nuca.
—E é por isso que você resolveu vir aqui? – Atena questionou.
—Achei que essa parte estivesse bem óbvia. – Apolo deu de ombros. – Eu precisava pensar um pouco, ou aliviar a tensão. – Ele sorriu malicioso para Rach. – Outch, Rachel, que mão pesada!
—Seu pervertido! – Ela resmungou olhando a marca do tapa que tinha acabado de dar na perna do loiro.
—Eu sabia que isso era tensão sexual reprimida!
—Poseidon!
—Qual é, Rach.
—Imbecis. – Rachel e Atena disseram ao mesmo tempo.
—É exatamente por isso que Ártemis te ignora, Apolo. Você só dá motivos para que ela tome esse tipo de atitude. – Atena se voltou para ele, extremamente séria e pensativa. – Ela não é como qualquer garota que você já teve. Mas parece que só você não percebe isso. Se houvesse, hipoteticamente, uma chance mínima de vocês dois darem certo você acabaria com tudo.
—Mas, droga, eu sou assim. Sabe, engraçado, pervertido, um pouquinho simpático e muito gostoso. – Apolo resmungou.
—E totalmente humilde. – Rachel rolou os olhos.
—Eu não disse que o problema é você. Talvez o verdadeiro problema sejam as suas atitudes
—Isso é a coisa mais idiota que eu já ouvi.
Atena se virou e viu Poseidon a encarando.
—Apolo não precisa mudar por causa de uma garota. Mesmo que seja Ártemis. Porque ela não pode mudar e começar a ver as coisas boas dele? – Poseidon argumentou.
—Esse é o pensamento mais machista que eu já ouvi! – Atena estreitou os olhos, repentinamente furiosa. – Eu não disse para Apolo que deixasse de ser quem é. Ele só precisa ser menos estúpido para que Ártemis possa ver as qualidades dele. Na verdade, todos vocês deviam deixar de ser tão imbecis.
Poseidon devolveu o olhar raivoso.
—Hã, acho que eu vou indo. – Apolo se levantou e puxou Rachel com ele. – Eu vou tentar, Atena. Talvez... Bem, talvez Ártemis seja mesmo diferente das outras garotas. Tchau, maninha. Até, Poseidon.
E antes que eles saíssem Poseidon pediu que eles o esperassem.
Quando a porta bateu, Atena se voltou para sua pilha de livros, subitamente desinteressada. Ela os carregou até o terceiro andar e se afundou na mini-biblioteca.
Ao menos tinha o resto do dia livre e não precisava ficar perto de um troglodita machista.
Em pensar que eles estavam até se dando bem, alguns minutos atrás...
–X-
Rachel já estava se despedindo de Apolo – que pela primeira vez não tentou roubar nenhum beijo dela – quando Poseidon a lembrou que a ruiva deveria cobrir uma de suas aulas.
—Hey! Já estava quase me esquecendo disso! E então, o que vai ser?
Poseidon só tinha uma aula à tarde. E por causa do trato do dia anterior ele daria aquela aula sozinho. O deus dos mares sorriu satisfeito, antes de responder o óbvio:
—Esgrima.
Se Rachel cobrisse sua aula, ele também teria a tarde livre, o que era uma grande vantagem.
—Ah, ok. – Ela devolveu o sorriso. – Hm, Apolo?
Apolo abaixou os óculos de sol e sorriu.
—Sim, cenourita?
Mas Poseidon não ouviu o resto da conversa. Ele saiu de lá, sem perceber direito aonde ia. Porque ele certamente também precisava aliviar a tensão depois de uma conversa tão controversa e confusa. E por outras coisas também.
Afinal, ele ainda era o deus mais pegador de todo Olimpo.
–X-
As costas de Poseidon estavam prensadas contra uma árvore no meio da floresta.
Ele sorriu malicioso enquanto fazia uma trilha de beijos pelo pescoço da garota e invertia as posições. A garota arranhou levemente a nuca dele, fazendo com que Poseidon arfasse minimamente.
Ela era linda. Talvez uma filha de Afrodite. Os cabelos castanhos eram do mesmo tom dos olhos e ela tinha um corpo muito bem definido. A pele ligeiramente bronzeada ficaria com marcas depois de Poseidon passear com a boca por ali.
E, no momento, ela era tudo que o deus precisava. Precisava distrair a cabeça, esquecer aqueles malditos campistas, os milhares de problemas do oceano e deixar para lá as brigas com Atena.
Esse último nome fez com que algo se remexesse dentro dele, mas Poseidon não estava se importando. O sorriso do deus se alargou visivelmente quando a garota buscou os botões de sua camisa.
—Hm... – Ele falou em meio a um selinho demorado. – Que tal algum lugar mais reservado?
A garota, Caroline Miller, ele se lembrou, sorriu maliciosa.
—Sabe, eu adoraria rolar pela areia. Aposto que você conhece alguma praia deserta.
Poseidon arqueou uma sobrancelha com aquilo, as coisas estavam ficando realmente divertidas.
—Infelizmente hoje eu não posso sair desse maldito acampamento. Mas pelo que eu saiba, meu chalé está vazio.
Caroline Miller não respondeu, apenas o trouxe para mais um beijo que dizia tudo.
–X-
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