Fechado Para Reforma!
19 Despedidas.
Notas iniciais
CAPÍTULO 19: Acampamento Meio-Sangue – Despedidas.
Quarto Dia– Parte 1.
Atena fechou a mala enorme e rosa com certo esforço. Como é que Afrodite conseguia carregar tanta coisa desnecessária?
Pelos deuses! Atena já tinha visto alguns conjuntos de roupas que ela jamais usaria em vida no dia em que estivera separando as “Razoáveis” das demais, no entanto, na hora de colocar tudo aquilo na mala para ir embora do Acampamento, parecia uma infinidade de roupas.
Roupas, sapatos, um milhão de bolsas, duzentos conjuntos de lingeries, muitos acessórios e cremes de beleza e nenhum livro. Nem unzinho sequer! Atena precisaria ir urgente a uma livraria quando saísse dali.
Ela arrastou a mala até o corredor e voltou ao quarto para devolver os exemplares que pegara emprestado na minúscula sala de leitura do terceiro andar. Separou as toalhas que havia usado durante sua estadia no Acampamento das limpas e trocou também os lençóis
Obviamente, as Harpias da Limpeza poderiam fazer aquilo mais tarde, porém Atena gostava de organizar as próprias coisas, sem contar que ela tinha muito tempo disponível.
Eram apenas sete e dez da manhã e ela já tinha arrumado absolutamente tudo que precisava para ir embora.
A deusa pensou em tomar café da manhã, mas, infelizmente ainda não estava no horário. Talvez ela pudesse treinar um pouco de arco e flecha, ou assistir a um programa educativo, jogar videogame, ler algum livro entediante sobre mitologia e que ela provavelmente já sabia de cor...
Nada parecia promissor. Atena suspirou e caminhou lentamente até as escadas para o terceiro andar.
Durante os três longos dias que estivera na função de Diretora fora ao terceiro piso apenas duas vezes, se restringindo a estante atulhada de livros. Sem ter mais o que fazer e com a curiosidade pulsando em suas veias, Atena seguiu até os demais cômodos para inspecioná-los.
O longo corredor tinha apenas quatro portas, sendo que a primeira estava aberta e era a da sala de leitura, que a deusa já conhecia muito bem. Apenas uma poltrona e alguns livros mitológicos preenchendo as prateleiras brancas. Atena passou direto pela sala e andou como se pisasse em ovos, com medo de fazer muito barulho e acordar alguém lá embaixo.
A segunda sala estava com a porta levemente encostada e ficava a sua esquerda. A deusa mordiscou a parte interna da bochecha e entrou. Era um cômodo simples, com algumas mesas e cômodas espalhadas, e diversos pacotes alaranjados empilhados por toda parte. Sobre a mesa mais próxima Atena viu uma folha da relação de camisetas do Acampamento e dos Campistas, com suas respectivas numerações e quantidades anotadas e logo concluiu que era algum tipo de depósito.
Ela estava prestes a sair quando seus olhos viram de relance algo que fez com que ela voltasse e se postasse de frente a um quadro ao lado da janela. As contas que eram colocadas nos colares ao final de todos os verões estavam expostas ali, como em uma coleção. Eram muitas mesmo. Atena sorriu ao reconhecer cada uma delas e o evento que tinha sido minuciosamente desenhado, representando um ano. Seus olhos demoraram-se na conta azul com um Tridente e se lembrou do dia em que ficara sabendo que Poseidon reclamara um semideus.
Seu coração ficou pesado ao ver o Empire State Building desenhado e ela torceu os dedos inquietamente ao se lembrar de cada Campista perdido na Batalha Final. Antes que lágrimas começassem a se formar, ela saiu dali.
A terceira porta ficava do mesmo lado da anterior e estava fechada. A deusa pousou a mão na maçaneta, ligeiramente indecisa, e girou-a. A porta fez um barulho desagradável e se abriu. Era um escritório pálido em tons cinzentos. Atena espiou lá dentro e sem conter sua inquietação andou até a maior escrivaninha, cheia de papéis, contas e correspondência. Sistematicamente, a Deusa da Sabedoria os organizou em pilhas por tamanho.
Ela sabia que não deveria mexer nas coisas dos outros, mas Hera vivia dizendo que ela tinha TOC e era melhor não contestar. Atena estava tão concentrada em medir os envelopes que deixou tudo cair no chão ao ouvir uma porta batendo. A deusa recolheu tudo rapidamente e colocou de qualquer jeito sobre o móvel, saindo correndo da sala.
Felizmente, ela percebeu, era alguém no andar de baixo.
Como nada havia sido derrubado no segundo andar, e ela não tinha escutado nenhum grito, supôs que não fosse Rachel. Provavelmente era Quíron, uma vez que Poseidon não acordava tão cedo.
A deusa da Sabedoria tratou de andar até a parede da direita que tinha apenas uma porta e a empurrou, tanto para despistar as evidências de que ela estivera mexendo onde não devia, e também porque não tinha mais o que fazer até que Poseidon acordasse e eles finalmente pudessem ir embora dali.
Atena teve que conter uma exclamação quando seus olhos passaram pelo cômodo. Ela levou a mão até os lábios e sua boca se abriu em um perfeito “o”. Era lindo. Os olhos estupendamente azuis da deusa brilharam de excitação quando ela entrou no estúdio. Era uma sala ampla, talvez do tamanho da sala de estar do primeiro andar e clara. A janela ficava na parede oposta à entrada, e as cortinas ligeiramente abertas deixavam os escassos raios de sol entrar.
Um piano de cauda, completamente preto e magnífico, estava ali coberto de pó e ocupava quase metade do lugar. Alguns pufes estavam espalhados aleatoriamente e em outro canto estava um baixo, duas guitarras, um violão, uma coleção de liras e vários outros instrumentos que ela mal notou.
Sua atenção estava completamente presa ao reluzente piano, tão convidativo. E havia tanto tempo que ela não tocava. Na verdade, parecia haver muito tempo desde que alguém tocara aquele piano já que o pó ameaçava ultrapassar uma escala aceitável de sujeira.
Atena andou até lá e só percebeu quando já estava sentada na banqueta, limpando minuciosamente uma parte para expor a madeira. Ela levantou a tampa e analisou as teclas. Estavam limpas e devidamente polidas. Ela colocou uma mão cuidadosamente sobre a tecla “Dó” e apertou para ver se o piano ainda estava afinado.
O som puro e claro foi como um estímulo, ela estalou os dedos para que a poeira sumisse magicamente e quando a deusa deu por si já tinha as duas mãos apoiadas e prontas para tocar. Ela suspirou, se rendendo.
Atena não precisou pensar em uma música, automaticamente seus dedos começaram a tocar uma melodia suave e que explicava exatamente o que ela estava sentindo naquele momento. As notas fluíram e ela hesitou um segundo antes de cantar, baixinho.
—When you try your best but you don’t succeed. When you get what you want, but not what you need. When you feel so tired but you can’t sleep. Stuck in reverse. – Ela fechou os olhos e deixou que a música a levasse, levantando minimamente o tom de voz. – And tears come streaming down your face, when you lose something you can’t replace. When you love someone, but it goes to waste. Could it be worse?¹
Atena sentiu seu estômago se contorcer ao pensar naquelas palavras.
Ela continuou de olhos fechados e cantou o refrão, se sentindo acolhida nas palavras. Se sentindo em paz e feliz, como não estava desde que... bem, desde que havia beijado Poseidon. Ela tentou controlar os próprios pensamentos, mas sabia que era um esforço em vão, e por isso permitiu-se pensar nele. Sem restrições, mágoas ou algum tipo de raiva.
Quando a deusa percebeu, a música já estava terminando. Ela suspirou enquanto apertava as últimas teclas com pesar.
—Lights will guide you home, and ignite your bones...
—And I will try, to fix you. – Uma voz rouca cantou a última parte, tão baixo que Atena poderia jurar que era apenas uma ilusão da sua mente neurótica.
Mas então ela ouviu as palmas ritmadas e precisas. Não, aquilo não podia ser verdade.
Atena abriu os olhos, assustada. Ela não teve tempo de pensar no que estava acontecendo quando se virou e o viu parado ali, no batente da porta, em uma pose completamente sexy e displicente. Ele deslizou uma mão pelo cabelo e piscou um olho, ainda sonolento.
Poseidon estava vestido com uma calça jeans escura e uma camiseta verde-musgo, que combinava muito bem com seus olhos claros e hipnotizantes, e tinha um daqueles sapatos pretos e ultra-estilosos, que faziam o par perfeito com os óculos Ray Ban pendurado na gola da camisa.
—AAH! Você me assustou!
—Achei que você já estivesse acostumada com minha beleza descomunal.
—Eu tenho muita pena de você, Poseidon. Além de perturbado mentalmente tem problemas de visão.
—Tudo bem, Atena. Eu vou fingir que você não ficou me secando por um longo período de tempo.
—Eu só estava averiguando se era você mesmo que estava parado na porta, seu imbecil. Poderia ser um psicopata. – Ela deu de ombros e baixou o olhar para as teclas pretas e brancas polidas.
—Porque é claro que um maníaco ia ficar vendo você tocar. Faz todo sentido.
Atena sentiu as bochechas ficarem vermelhas e não se atreveu a olhar para ele.
—Há quanto tempo você está aí?
—Hmm. Acho que já estava aqui quando você cantou o primeiro refrão.
—Nunca te disseram que é falta de educação espionar os outros?
—Eu não sabia que você tocava. – Ele retrucou, como se aquela breve observação encerrasse todo o assunto.
—Isso é invasão de privacidade alheia, sabia? – Ela o fitou furiosa, mas logo relaxou e bateu com a ponta da sapatilha ritimadamente no chão. – Apolo me ensinou há alguns séculos.
—E também não sabia que você gostava de Coldplay.
—Há um bilhão de coisas sobre mim que você não sabe, Poseidon.
—Provavelmente. – Ele retorquiu com certo descaso e andou até o pufe mais próximo do piano, se sentando ali. – É uma das minhas bandas favoritas, apesar de ser bem depressiva.
Atena riu baixinho e analisou o deus por uma fração de segundos.
Ele realmente parece ter um bom gosto musical. – Ela concluiu, entrementes, se surpreendendo por nunca ter imaginado aquilo.
—É sério. – Ele colocou as mãos atrás da cabeça e olhou além da janela. – Fix You, por exemplo, é incrivelmente triste e complexa. Você tocou bem.
Atena sentiu o sangue fluindo para o rosto novamente e pôde se imaginar completamente corada.
—Obrigada. – Ela murmurou, voltando seus olhos para o piano e passando uma mão suavemente por sobre as teclas. – O que você está fazendo aqui, afinal de contas?
—Bem, eu tinha acabado de trocar de roupa quando ouvi um barulho aqui em cima e vim ver o que era. Você sabe, poderia ser um mortal tentando roubar as informações sobre os semideuses e a civilização ocidental. – Ele dramatizou, se controlando para não rir.
—Oh, claro. – Ela concordou em sarcasmo. – Mortais nem podem ultrapassar as barreiras mágicas, mas o que você disse faz todo sentido, Senhor Gênio.
—Isso é o que querem que você pense!
Atena riu descontroladamente daquela vez.
—Você é tão idiota.
—Eu sei que você me ama, Atena. Não precisa ficar usando de psicologia reversa o tempo todo pra ressaltar. – Poseidon provocou com o sorriso mais malandro que conseguia àquela hora da manhã. – Quando cheguei ao corredor ouvi o som do piano e entrei aqui.
—O barulho da porta batendo no segundo andar foi você, então? Eu não sabia que você estava acordado tão cedo.
—Yeap. – Ele cruzou os tornozelos e afundou-se ainda mais no pufe, ficando majestosamente confortável. – Estava saindo do banho. As cortinas do meu quarto não prestam para porcaria nenhuma, e como parece que Apolo está mais radiante que o normal, levantei mais cedo... – Ele deu de ombros, sem saber ao certo porque estava se justificando.
—Ah. Entendo.
—Não entende, não.
—Eu sou a deusa da Sabedoria. É claro que entendo. Não me subestime, Poseidon.
—É divertido. – Ele abriu um sorriso torto e lançou um olhar de esguelha aos outros instrumentos pendurados na parede mais próxima do pufe.
—Por Zeus, eu não mereço discutir com você tão cedo.
—Mas você não pode negar que é divertido quando eu te contrario. Ou te irrito.
—Não tem nada de legal nisso. – Ela bufou.
—Tem sim, você que é uma chata maníaca e—
—Poseidon!
—Tudo bem, tudo bem. – Ele rolou os olhos e levantou as mãos em sinal de rendição. – Sem brigas tão cedo.
—Oh, obrigada. – A deusa apertou as têmporas com a ponta dos dedos. Não acreditava que ainda ia passar quatro dias com aquele energúmeno.
—Não me agradeça. É claro que ainda vou fazer questão de te irritar mais tarde. – Ele olhou para ela, genuinamente fascinado com a ideia. – Mas por enquanto, huh, me acompanha?
Poseidon se levantou e foi até a parede, pegando um violão preto com detalhes em prata cromado. Voltou a se ajeitar no pufe, apoiando o instrumento sobre a perna e testando a afinação.
—Hã?
—Acho que deveriam escalar uma nova Deusa da Sabedoria. – Ele provocou, com um indício de irritação na voz, mas que logo sumiu. – Toca comigo?
—Eu? – Ela fez uma pergunta imbecil e retórica, sem crer que Poseidon queria que eles tocassem juntos.
—Oh, não. Não mesmo. A cortina.
—Vá se ferrar, Poseidon. – Atena resmungou antes de se virar novamente para as teclas, fazendo com que seus cachos balançassem lindamente sobre os ombros. Ele sorriu satisfeito.
—Conhece Jason Mraz?
—Mas é claro que sim.
Ele podia imaginá-la rolando os olhos, mas não olhou para conferir. Em vez disso dedilhou o violão e começou a tocar. Atena levantou a cabeça, surpresa.
—I-I w-won’t give up? – Ela perguntou, a voz saindo tremida.
—Yeap. – Poseidon concordou com um aceno de cabeça e um sorriso se formou sem que ele deixasse. —Tudo bem?
—Ahn, claro. – Atena engoliu em seco.
Ela não deveria estar tão nervosa, ainda sim suas mãos também tremeram quando a deusa começou a tocar. O piano entrou em harmonia com o violão e Poseidon começou a cantar. Atena hesitou por um momento. Então cantou o primeiro verso, sua voz entrando em uma sintonia perfeita com a dele.
Poseidon ergueu a cabeça e involuntariamente a observou cantar o refrão. Atena desviou as orbes para os próprios dedos no teclado, mesmo que não precisasse prestar atenção no que estava fazendo.
—I won’t give up on us. Even if the skies get rough. – Ela disse, sentindo o olhar dele sobre si. E foi como se milhares bichinhos voadores saíssem de dentro do estômago e chegassem à corrente sanguínea. Deixando Atena eufórica e confusa.
_I’m giving you all my love. I’m still looking up… No, I won’t give up.²– Ele declarou, não apenas porque era a letra da música. Mas também porque era aquilo que ele estava sentindo.
Mesmo que não fosse admitir tão cedo.
–X-
Poseidon empurrou sua mala escada a baixo, fazendo tanto barulho quanto era possível – o que não era pouca coisa, considerando o tamanho da mala que Afrodite arrumara.
Bem, se ele que era Deus dos Mares e um dos Três Grandes não podia dormir até tarde, não havia a menor necessidade de manter o silêncio, mesmo que Atena tivesse o advertido quanto a isso após saírem do estúdio.
A deusa tinha ido ao segundo andar procurar por Rachel no quarto amarelo e rabiscado, e Quíron estava na sala de estar, aguardando prontamente para se despedir dos dois. Poseidon voltou até a base da escada e esperou alguns segundos, mas não conseguia ver a ruiva nem a loira. Suspirando, ele se jogou na poltrona mais próxima do centauro e da sua cadeira de rodas.
—Tem certeza que não quer se hospedar aqui mais alguns dias, Lorde Poseidon?
—Não. – Ele respondeu rápido de mais. Poseidon coçou a barba por fazer e tentou formular uma resposta mais polida. – Obrigada, Quíron. Eu já tenho para onde ir e de qualquer maneira não sei se minha sanidade mental aguentaria mais tempo com os campistas. Quer dizer eles são umas pestes.
Quíron riu e empurrou o óculos para cima do nariz.
—Eu sei. Você não imagina como é cuidar das crianças por milênios.
—No próximo Conselho Olimpiano vou tratar da sua aposentadoria, ou algo relacionado a Férias Premium.
—Oh, não se preocupe – O centauro sorriu bondosamente. – Eu estou bem. – Quíron descartou a possibilidade com um aceno de mão e voltou à atenção para o livro em seu colo.
Poseidon consultou seu relógio de pulso. Sete e quarenta e dois.
Ele batucou os dedos na almofada ao seu lado até ouvir passos e a voz de Atena soando escada abaixo:
—Rachel não está no quarto. – A deusa suspirou, antes de descer os dois últimos degraus e se postar ao lado das malas. – Eu não faço a menor ideia de onde ela possa estar.
—Rachel é um enigma mais complicado que a Esfinge. Mas é um ótimo Oráculo.
—E tem um talento nato para dizer coisas na hora errada. – Poseidon completou, se pondo de pé e pegando sua bagagem antes de ir até saída para a varanda.
—Vocês tem certeza que não querem esperar pelo café da manhã? – Perguntou o centauro, polidamente, os seguindo até o gramado.
—Se você insis—
—Não, Quíron. – Atena interrompeu a frase de Poseidon, rolando os olhos. – Obrigada. Nós podemos passar em uma padaria.
—Claro, Lady Atena. Então, sinta-se a vontade para voltar ao Acampamento quando desejar. E você também, Lorde Poseidon.
—É claro que isso implicaria em milênios. – Poseidon ironizou, com o sorrisinho típico de deboche estampado nos lábios.
Quíron riu e Atena teve vontade de esganar Poseidon por ser tão babaca.
—Desconsidere isso, Quíron. Esse ser asqueroso não está acostumado com a educação de uma sociedade tão desenvolvida como a nossa. Ele basicamente não sabe como ser civilizado.
—O que você chama de ‘atraso mental’, querida Atena, eu chamo de sinceridade. – Poseidon se defendeu.
—Porque você é um exímio energúmeno.
—Exímio energúmeno é um paradoxo, se você quer saber. Não tem como ser as duas coisas ao mesmo tempo, Senhorita Genialidade.
—Eu não quero saber. – Ela deu de ombros, levantando a mala do chão e dando um abraço carinhoso em Quíron. – Quíron, quando vir Rachel diga que eu mandei um beijo e—
—Heeeeeey mamãaaaaaaaaaae!
Atena ouviu o grito agudo e escandaloso antes de ver a pequena Jenny correndo pelo gramado com um vestidinho florido, os olhinhos brilhando de felicidade e os cabelos tão loiros serem balançados pelo vento.
A garotinha pulou no colo de Atena e a deusa a segurou por mero impulso. Jenny colocou os bracinhos ao redor do pescoço da mãe e deu um beijo estralado na bochecha da deusa, antes de sorrir como a criança travessa que era.
—Eu vim te dizer tchau. E para o tio Poseidon também. – Ela lançou um olhar radiante para Poseidon, que bagunçou seu cabelo com as pontas dos dedos. – Mas droga mãe, porque é que você tinha que ir embora tão cedo? – A loirinha coçou o olho com o nó do dedo, sonolenta.
—Jenny, mais respeito, criança.
—Não tem problema, Quíron. É impagável ver Atena ser repreendida por uma cópia exata dela. – Poseidon declarou.
—Mamãe, o Lean e a Lily mandaram um beijo pra você. Claire disse que sentiria saudades. Malcolm mandou dizer que já concluiu o projeto da biga e desejou boa viagem. – Jenny contou nos pequenos dedos o nome dos irmãos de chalé. – E Blaise disse “queijo com brócolis” porque eu não consegui acordá-lo direito.
Atena riu e apertou a filha mais ainda. Sem descer do colo da mãe, Jenny enlaçou o pescoço de Poseidon também, dando um meio abraço nele e ficando no meio dos dois deuses.
—Tio Poseidon! Eu vou sentir tanta saudade de você! Promete que depois vem aqui me ver?
Poseidon não conseguiu negar, não quando a pequena golpista fazia a carinha do gato de botas e um biquinho que daria dó até em Hades.
—Claro que sim, pequena. – Ele respondeu, dando um beijo na testa da loirinha e depois na ponta do nariz.
—Hey, eu também quero aparecer na foto de família. – Eles ouviram uma voz ligeiramente irônica e que se parecia muito com a de Poseidon. Jenny sorriu ao ver Percy parado ao lado de Quíron e depois deu uma piscadela para Rachel, que estava ao lado do semideus.
—Hey, Percy!
—E aí, pai?
—Racheeeeeeeel! – Jenny berrou, descendo do colo de Atena desesperadamente e correndo para sufocar a ruiva em um de seus abraços.
—Atena. –Percy cumprimentou formalmente, um pouquinho tímido.
—Olá, Percy. – Respondeu a deusa, corando.
—Falei com Annabeth ontem à noite e ela pediu que te mandasse um abraço. Disse também que o Olimpo está de acordo com o projeto que você havia estipulado há algum tempo. E que a parte vinte e sete já foi concluída, seja lá o que for isso. – Ele sorriu sem graça e coçou a nuca. – Ela disse que você ia entender.
Atena se sentiu completamente feliz com aquilo e abraçou o genro, se despedindo calorosamente dele também. E quase esquecendo o que ele havia visto no dia anterior.
Dez minutos e duas reclamações de Poseidon depois, Atena se despediu de Rachel e deu outro beijo na filha pequena. O deus dos mares abraçou o filho e as garotas e chegou mais perto das malas e da sua arqui-inimiga.
Sem dizer uma palavra sequer, ele segurou os dedos da deusa entre os seus e acenou um tchau com a cabeça, esperando que ela os teletransportasse dali, para onde quer que fosse.
E foi isso que Atena fez, se sentindo totalmente segura e esquisita ao apertar os dedos dele.
–X-
¹Trecho da música “Fix You” da banda Coldplay.
²Trechos da música “I Won’t Give Up” do artista Jason Mraz.
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