Notas iniciais
Primeiramente quero agradecer a menina que comentou nos dois outros capítulos. Você é muito importante pra mim, obrigada mesmo. Espero que gostem desse capítulo. Boa leitura!

Acordei animada para começar um novo dia. Eu ia fazer faxina na casa com a minha mãe.
– Hora de trabalhar — Ela disse me entregando uma vassoura.

Trocamos tudo de lugar, mudamos todos os móveis, limpamos tudo. A casa estava mais arrumada que ambas juntas.
Eu estava alegre porque a minha mãe estava finalmente seguindo em frente. Ela teria uma reunião com a presença de policiais com os tais caras que fizeram o acordo com o meu pai. Eu estava simplesmente animada com a ideia que eu ia poder dormir sem me importar com o que iria acontecer no dia seguinte, eu queria viver a minha vida destemidamente, sem medo de seguir em frente. E eu estava conseguindo isso no lugar onde eu sempre sonhei em morar: Londres. Agora eu deveria começar o meu curso de letras e finalmente colocar o meu sonho para funcionar, afinal, se você pode sonhar você pode fazer! Depois de limpar tudo eu resolvi ligar pro Hugo, afinal, estávamos juntos.
– Alô? — Ele atendeu
– Oi amor
– Princesa linda, tenho uma coisa pra te perguntar. Eu já ia te ligar
– Quer sair hoje?
– Sim!

Eu não sei explicar. Hugo realmente conseguiu me pegar desprevenida ontem. Eu aceitei selar um compromisso com ele pois eu cansei de fingir que já o tinha esquecido. Talvez tenha usado Felipe para tentar esquecê-lo. Porém isso não aconteceu, acho que eu seria feliz com ele. Estávamos juntos, mas será que era isso mesmo que ambos queríamos? Não sei explicar, ele me faz me sentir tão... destemida. A gente ia sair hoje, íamos num restaurante e eu queria usar o meu melhor vestido. Eu estava muito bem arrumada, tudo iria sair perfeito. Tinha feito chapinha, feito uma maquiagem perfeita. Nada iria dar errado.

Ele veio me buscar de carro, o pai dele estava dirigindo e ia nos levar. Me despedi da minha mãe e fui com ele. Eu estava bem nervosa, pois não sabia direito como agir. Estava tudo acontecendo tão rápido que eu não tive tempo de pensar, mas aquilo estava bom. Insano, mas bom
– Nada vai atrapalhar a nossa noite meu amor, eu preparei tudo no maior carinho pra minha princesa. — Hugo disse.
Eu sorri e percebi que eu estava toda corada.
– Eu amo o jeito que isso soa. — Eu disse — Você me chamando de sua princesa.
– Minha princesa — Ele disse e me beijou.

Quando o pai dele parou o carro, descemos e paramos na porta pois tinha várias pessoas para entrar. Minhas mãos tremem. Eu normalmente não sou desse jeito. Você me atraiu e isso me fez ser mais valente. Isso se torna um beijo, é perfeito, realmente maravilhoso, é destemido. Quando finalmente a fila anda, Hugo fez um sinal para um homem que trabalhava lá e ele nos levou para uma zona particular. Tinha uma mesa muito bem arrumada, com as minhas flores favoritas — que eram tulipas — e meus tons favoritos também. Estava tudo tão impecável. Hugo puxou a cadeira para eu me sentar e quando nos acomodamos, um relâmpago aconteceu e começou a chover. Eu fiquei meio insegura com aquilo pois meu cabelo iria encolher. Mas tentei não me importar com aquilo e fingir que tudo estava bem.

Quando o garçom chegou com as opções de comida eu logo fiz o meu pedido e Hugo também. A comida demorou um pouco pra chegar, mas estava deliciosa. A noite estava maravilhosa. Hugo dizia sobre um curso de tecnologia que ia começar a fazer, e eu falava sobre o meu curso de letras que eu ia fazer para me ajudar na minha faculdade. Contei também sobre o meu sonho de ser escritora. Ninguém sabia daquilo, era um segredo meu, mas não sei o porquê eu me sentir tão destemida, tão segura de si perto do Hugo. Eu amava aquilo, ele me fazia muito bem. Eu estava apaixonada por ele, simplesmente apaixonada por ele.

Quando o jantar acabou ele quis sair de dentro do restaurante, mas eu estava preocupada com o meu cabelo. Então ele pegou o guarda-chuva e caminhamos pra esperar o pai dele chegar. Eu senti uma coisa estranha, ele me atraiu para me beijar. Mas eu senti um desejo que eu não conseguia explicar. Apenas tirei o guarda-chuva de cima de nós dois e o coloquei no chão. Ele sem entender nada ficou quieto. Eu o puxei para dançar. E dançamos no meio de uma tempestade, e todos olhando e apontando para nós. Mas eu não me importava com aquilo. Se eu estava com ele, eu era destemida.

Porque eu não sei como pode ficar melhor que isso, ele pegava a minha mão e acariciava meu rosto. E eu não sabia o porquê, mas eu estava amando dançar com ele. Em uma tempestade no meu melhor vestido, eu era destemida.

Quando o pai dele chegou, estranhou o porquê que estávamos molhados daquele jeito, eu não consegui explicar e nem o Hugo. Apenas sorrimos e entramos no carro. O meu sogro me deixou na porta da minha casa, me despedi de Hugo com um selinho. Porém, não satisfeito ele me puxou de volta e me beijou mais lentamente. O pai dele buzinou para a gente parar de se beijar e eu saí.
– Obrigada aos dois. Amo você, Hugo. — Eu disse
– Eu também te amo, Destiny.

Eu entrei e suspirei o caminho todo até o meu andar. Estava tudo perfeito. Eu percebi que eu nunca havia o esquecido, nunca mesmo. Ele me fazia bem. De um modo que eu nunca senti com o Pedro. Eu sentia que dessa vez ia dar certo. O modo que ele despertava o melhor de mim era inacreditável. Era perfeito o jeito que ele me atraía para um beijo, era perfeito o beijo dele. Eu podia me sentir única com ele. Eu podia me sentir destemida.