Fearless
12 Capítulo 12 - We don't need them anymore
Notas iniciais
Ashley Brooks. Aquele maldito nome ecoava em minha cabeça, fazendo-a querer explodir em milhões de pedaços. Não era possível. AQUELA VACA. Ela. Ela, era ela de quem Harry estava se referindo. Era por causa dela que ele estava quase chorando. E foi por causa dela que eu sou a insensível que sou hoje. Por causa dela e do Jack. Cretino. Eles realmente se merecem.
– Vo-você a conhece? — Harry passou de uma expressão triste a confusa e preocupada ao mesmo tempo.
Respirei fundo e baixei o olhar até o meu prato que havia chegado e eu não fazia ideia do que se tratava. Parecia ter frango com mais algumas coisas que eu não faço ideia do que sejam. Levantei o olhar e encarei Harry. Ele me encarava.
– O nome dele é Jack. Ele... ele... me trocou pela... Ashley. — falei olhando novamente para o meu prato. Eu não podia chorar. Prometi a mim mesma nunca mais derramar uma lágrima sequer por causa dele.
– Ashley Brooks? Você… está falando sério? – Ele estava surpreso e parecia não acreditar no que acabara de ouvir.
– Exatamente. Ela mesma. Foi há dois meses aproximadamente. – comecei. – Eles já estavam tendo encontros às escondidas.
– Foi exatamente assim. – Harry confirma. – E… quando você ficou…sabendo?
– Na London’s Party 2 years.
– Você está brincando! Foi exatamente lá que eu também soube. – Harry arregala os olhos. – Eu.. eu.. foi horrível.
– Não faz ideia do quanto.
– Ela me falou que não iria a tal festa e que iria dormir, pois havia tido um dia super cansativo. Eu a havia convidado, mas tive que deixar de ir, já que, teoricamente, ela não iria.
– Harry… Foi assim comigo também… — arregalei os olhos.
A mesma história. Os mesmos vilões. O mesmo fim trágico. Isso até está parecendo conto de carochinha…
– Eu havia combinado de ir com Jack a essa festa, mas ele havia me falado que não poderia ir. E a burra aqui acreditou, como sempre. – olhei o cenário ao redor para desopilar um pouco a raiva que eu estava sentido em relembrar tudo aquilo.
Eu havia soltado a mão de Harry, porém ainda estava com ela sobre a mesa. Desta vez foi ele quem esticou a mão para segurar a minha. Ele entrelaçou nossos dedos e olhou fixamente para mim.
– Foi… foi horrível Harry. – falei encarando a mesa e fazendo a maior força do mundo para não chorar.
– Ele não merece que você chore.
– Ela não merece também.
Aquilo tudo ainda estava me bombardeando. Era informação demais para o meu cérebro processar. Foi tudo muito rápido, e mesmo dizendo que eu o esqueci, ele ainda vaga pela minha mente. Todas aquelas risadas que demos juntos, os passeios às cinco da tarde pelo parque, as voltas que demos na London Eye. Tudo. Parece ser tudo muito fácil, mas não passa de algo quase impossível de se apagar.
– Eu… eu acho melhor irmos embora. – Harry fala.
– É, vão acabar achando que estamos bêbados e chorando à toa. – encarei-lhe por dois segundos, porém caímos na risada.
Sem nem perceber, havíamos comido tudo. Até que a comida que eu não fazia ideia do que era estava com um gosto muito agradável.
Harry levantou-se e logo o acompanhei.
– Os garotos não estão em casa hoje. Acho que eles estão em uma inauguração de uma nova boate. – ele começou.
– Quer dormir na minha casa? – ãn? Anne?
O que foi mesmo que eu acabei de falar??? Socorro.
– Quero dizer, se você não quiser ficar só. As meninas já foram para casa. Ah, mas claro que você quer seu apartamento só para você. Eu… — confundi tudo. Alguém me mata, por favor.
– Eu entendi o que quis dizer. Claro que aceito. Odeio dormir sozinho em uma casa. – ele olha para o lado e sorri, enquanto passávamos pelas mesas do lado de dentro do restaurante.
Tenso.
– Confesso que também não gosto, mas o que eu posso fazer? – dei de ombros.
– Você mora sozinha mesmo?
– Sim. Meus pais também moram aqui em Londres, mas eu preferi deixá-los mais à vontade, sabe. Ter o meu espaço onde eu possa bagunçar.
– Te entendo perfeitamente.
– Você sente falta dos seus pais? Quero dizer, você viaja muito, não é?
– Sim. Sinto muita falta dos meus pais e da minha irmã.
– Qual o nome dela?
– Gemma. – Harry retira o iPhone do bolso e procura por algo. Logo ele me mostra uma foto de sua irmã com uma mulher muito bonita ao lado. Ele aponta e indica Gemma [http://weheartit.com/entry/26296622/via/lorenbenicio]
– Nossa, ela é a sua cara! E esta é a sua mãe?
– Sim. – ele sorri olhando para a foto.
– Nossa, elas são realmente muito lindas. E as duas se parecem com você.
– Todos falam isso. – ele ainda sorri.
– Elas são lindas. Você também. – Alguém pode costurar a minha boca, por favor?
O que está acontecendo comigo?
– Obrigado. – ele sorri de lado. – Eu as amo muito. A minha mãe é a minha rainha. E a Gemma me ensinou muitas coisas, e uma dessas coisas foi como tratar uma mulher.
Que lindo. De verdade, que lindo.
Sorri para ele e continuamos a nossa caminhada até o carro. Na volta foi bem tranquilo, devido ao fato do horário. Nada de Papparazzi ou fãs. O relógio marcava 01:36H.
Ainda havia fãs, para falar a verdade, porém o número destas já era bem menor em relação ao horário em que deixamos o prédio. E para nossa sorte novamente, não notaram que éramos nós no carro.
Subimos o elevador conversando ainda sobre a festa do dia anterior. Pelo visto ele havia gostado bastante. Assim como eu. O elevador se abriu e saímos em direção à minha porta.
– Então, é melhor você dormir aqui, do que eu no seu apartamento. – falo meio atrapalhada.
– Vou tomar um banho e volto logo.
– Ok.
Adentrei meu apartamento e logo fui tomar um banho, para tentar retirar um pouco dessas loucuras que rondavam pela minha mente. Tentar fazer a Ashley e o Jack descerem pelo ralo.
x-x-x-x-x
Vesti meu pijama de panda. O meu pijama preferido. Procurei pelo meu colchão que a Emily tanto adora para que eu pudesse dormir nele. Não deixo visitas dormirem no colchão enquanto eu fico na boa na minha cama maravilhosa.
Não demorou muito até Harry apertar a campainha.
Guiei-o até meu quarto. Ele não parava de olhar para todos os lados. Estava vestindo uma calça bem larga cinza claro com uma blusa com estampa de gato. Achei o máximo e tive vontade de rir ao mesmo tempo.
– Que apartamento mais lindo.
– Eu decorei. – sorri.
– Sério? É muito bonito!
Chegamos ao meu quarto e logo liguei a tevê, só para evitar aqueles momentos silenciosos.
– Você quer comer ou beber alguma coisa?
– Não, obrigado. Estou cheio.
– Ah, você dorme na cama.
– E você?
– No meu colchão.
– Ah, não, de jeito nenhum!
– Harry, por favor…
– De jeito nenhum, Anne! Eu insisto.
– Tudo bem, tudo bem. – sorrio em tom de derrota.
– Ajeitei-me na cama e ele foi logo se aninhando entre o edredom e o colchão, feito um bebê.
Passamos algum tempo em silêncio, assistindo a um episódio de The Big Bang Theory. E eu claro, rindo mais do que nunca. Amo esse seriado. Harry também ria feito eu. Estava bastante divertido. Quando o seriado acabou começou os top vídeos e então decidimos puxar algum assunto antes de pegar no sono.
– Anne?
– Sim.
– Eles não merecem que soframos por eles.
– Não mesmo. Eles merecem ir enxugar gelo.
Harry começou a rir da minha piada idiota e acompanhei-o. Eu estava mais ou menos no meio da cama, então rolei um pouco até a ponta desta para poder vê-lo melhor. Ele olhou para mim, ainda todo coberto apenas com os olhos e o nariz de fora, e sorriu. Pude perceber pelas suas covinhas que ficaram à mostra.
– Eles são perfeitos. – falei.
Harry franziu o cenho sem entender o nexo da minha frase.
– Perfeitos um para o outro. – completo.
Ele ri. Uma risada gostosa de ouvir. Estava sendo divertido passar a noite ali com ele. Sem segundas intenções, óbvio. Apenas… como… amigos? Seria essa a palavra? Afinal de contas, nos conhecemos ontem. Mas ele não parecia ser chato, como eu achei que fosse. Pelo contrário, ele é muito cavalheiro e educado. E legal, é, legal. Senti-me bem por vê-lo feliz e não mais chorando por aquela vaca-leiteira-de-peruca-loira-do-tamanho-de-um-poste.
Conversamos até pegar no sono profundo.
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