Fear

1 Prefácio


Notas iniciais
Espero que gostem!!

Acordei com um grito. Olhei em volta irritada, coloquei meus óculos e apanhei uma boa quantia de sal grosso em um saquinho. Não acredito que vou ter que dormir com um círculo de sal aqui também. Os gritos continuavam, acompanhados de sussurros e passos. Típico. Sai da cama e andei pelos corredores sombrios sem medo algum. Os quadros me encaravam maliciosos, mas eu os ignorava, apenas seguia o barulho irritante.

–Tu não deverias estar aqui...– O sussurro voltou atrás de mim.

Virei-me revirando os olhos:

–Você é que não deveria estar aqui... Me enchendo o saco.- Então parei de frente ao espelho que havia por lá. – Vamos pular a parte que você tenta me assustar e ir para o que interessa: dá pra parar de me encher a porra do saco e me deixar dormir?

Então meu reflexo deu um grito mudo, meus olhos começaram a jorrar sangue e meu pescoço se torcia como se não tivesse ossos. Ridículo.

–Olha querido...- Disse novamente bocejando.- Esse truquezinho aí não vai funcionar. Tenho vinte e sete anos de experiência... Vamos negociar com ca...

Repentinamente, antes que completasse a frase, fui empurrada para longe. Senti o impacto da parede em minhas costas e quando me dei conta, estava no chão tossindo sangue e procurando meus óculos que caíram.

–Você que pediu...- Coloquei meus óculos e em seguida, peguei um vaso aleatório e gritei- Eu vou quebrar esta merda aqui e vai ser agora!!!

Assim que senti uma rajada gélida, comecei a correr o máximo que pude com o vaso em mãos. Quando finalmente ganhei tempo, fiz rapidamente um círculo com o sal que pegara, coloquei o vaso no centro e depois, eu. Com apenas uma palavra, todas as velas que havia naquele cômodo se acenderam. Fiz um simples gesto o qual me trouxe uma vela acesa. Concentrei-me em sua chama: era alta, quente, bruxelante... Quanto mais me concentrava, mas a sentia; era parte mim. Repentinamente, tanto a chama quanto minha alma se tremeluziram: a coisa estava aqui.

–Não irei permitir intrusos na minha residência!!

Abri lentamente os olhos e encarei-a: tratava-se de uma forma feminina, já deformada como se estivesse escorrendo lodo... Mas era só sangue mesmo. Usava restos de um vestido da era medieval; seus longos cabelos negros caíam sobre seu rosto, o qual já fora belo em vida. O que quase chegava a ser assustador era seu olhar: A íris era borrada como se fosse uma pintura destruída em aquarela... Como eu disse quase assustador. Havia outros fatores que poderiam ser considerados relevantes; como o grau de inclinação do pescoço... Ou da coluna... Como se fosse uma boneca de pano. Chegava a ser engraçado.

A cópia mal feita de Bloody Mary avançou em minha direção até que todas as chamas daquele cômodo a prenderam como cordas de aço. Comecei a entoar. A criatura se debatia enquanto minhas chamas a engoliam. Ela gritava:

–Receberás minha ira tua imunda!! Não tolero intrusos!!

–Não tenho medo de você. — Então minhas chamas a arrastaram para o vaso no meio do círculo. –Não tenho medo de nada.

E a confinei no vaso enquanto ela gritava pela última vez.

As chamas voltaram ao normal assim como a temperatura. Apaguei-as com outro gesto e só deixei uma acesa. Lentamente fui me levantando, peguei o vaso e a vela com cuidado e voltei a aquele corredor de antes, onde coloquei o vaso onde tinha pegado-o. Com o que restou do sal, fiz outro círculo envolvendo-o. Ia servir de exemplo para os outros que me observavam; que segundo meu reflexo no espelho, havia mais doze atrás de mim. Todos me fuzilando com seu olhar borrado. Ri:

–Boa noite pessoal... — Apanhei a vela e voltei ao meu quarto tranquilamente.

Notas finais
Enfim... Se gostaram ou não... Deixem deus comentários!!