Fear

1 Capítulo único


Notas iniciais
Não, essa fic não surgiu enquanto eu estudava. Essa fic surgiu quando eu estava indo dormir às DUAS horas da manhã. Narrado pelo Mello.

Matt estava demorando...

Aonde ele tinha ido afinal?!

Ouvi o barulho de chaves e logo pude ver Matt entrando pela porta do apartamento.

— Onde você esteve o dia todo?! — eu já estava começando a me preocupar, caramba!

Ele demorou um pouco para responder, e quando o fez, não olhava para mim — Você mandou eu ir ao médico.

Médico? Ah, então ele finalmente resolveu me ouvir?

Já fazia um tempo que Matt não estava bem, mas o teimoso nem dava importância. Dizia que logo ia passar. Passar?! Só piorava! Eu fiquei o tempo todo no ouvido dele falando para ele ir ao médico, e só não o levei a força porque ele realmente parecia mal e eu tinha medo de acabar machucando-o.

Mas... Eu não estava gostando daquele jeito dele.

Não estava gostando nem um pouco.

— E então? — perguntei.

Mas ele continuou fitando o chão.

— Matt, e então? — repeti mais enfaticamente. Tá bom, eu estava começando a ficar seriamente preocupado agora.

Ele se inclinou para a frente e se apoiou nos meus ombros.

Podia sentir suas mãos tremendo levemente.

— Eu estou cansado... Podemos falar disso amanhã?

Como é que eu podia negar com ele daquele jeito?!

Eu quase não dormi naquela noite.

Eu estava realmente com medo agora.

... Medo sim, algo contra? Quando alguém volta do médico com uma expressão daquelas, e mais, quando é alguém muito importante para você, o medo invade com tudo.

O que será que ele tinha?...

Algumas vezes durante a noite eu ouvi alguns baixos soluços do meu lado.

Ele... Estava chorando?

Fiz como se estivesse dormindo e envolvi meus braços em volta dele.

O que diabos estava acontecendo?!

Eu descobri na manhã seguinte...

— O... Que?... — não, eu só podia ter ouvido errado... Eu tenho que ter ouvido errado!

— Ainda não está em um estágio terminal, mas já está bem avançado — ele falou muito baixo.

Seus olhos estavam vermelhos.

— A primeira sessão de radioterapia já está marcada para daqui a dois dias.

Cân... Câncer?... O Matt?... Impossível...

...

Espera! Eu tenho que manter o controle aqui. Matt já deve estar suficientemente assustado e não precisa que eu fique entrando em pânico.

A vontade que eu tinha era gritar em frustração, rir esperando que aquilo tudo fosse uma piada de muito mau gosto, deslizar até o chão esperando que fosse apenas um sonho e que logo eu iria acordar, qualquer coisa que negasse o que ele tinha acabado de falar!

Mas ao invés disso eu o abracei e falei o mais docemente que consegui — Ei, vai dar certo.

— Mello, eu... Eu não quero mor...

Não o deixei terminar. Eu não aguentaria ouvir.

— Não vai — falei firme, o abraçando mais forte.

Ele não ia...

Eu sabia que aqueles cigarros dariam problema!!

Droga, eu não podia perdê-lo...

Não era só o fato do câncer ser uma das piores doenças que alguém pode ter, mas é que... Era o Matt...

O tempo que se passou depois disso parece muito vago na minha mente.

As sessões de radioterapia não foram o bastante, e após a quarta semana, o médico mandou Matt fazer quimio; como o pulmão é um dos órgãos mais sensíveis do corpo humano, uma cirurgia estava fora de cogitação.

Eu não aguentava ver Matt daquele jeito...

Deposi de cada sessão de quimio, ele passava mal por dias, e tudo o que eu podia fazer era ficar ao seu lado repetindo que tudo ficaria bem!

Quão inútil eu era?!

Também não demorou para o cabelo dele começar a cair.

Isso foi um choque grande demais para ele.

Matt esteve tentando parecer forte, mas quando um chumaço de seu cabelo ruivo ficou preso em sua mão , ele não conseguiu segurar as lágrimas.

Eu nunca me senti tão impotente em toda a minha vida.

— Matt? — chamei ao chegar certa tarde — Eu trouxe aquele jogo que você queria.

Se bem que nem mesmo isso estava servindo para animá-lo ultimamente.

— Matt? — chamei de novo — Matt!

Corri para o quarto assim que ouvi uma forte sequência de tosse.

Matt estava encolhido na cama e parecia que ele não conseguia nem respirar; toda vez que ele inspirava, voltava a tossir sofrivelmente.

Seu corpo todo tremia.

Ele nunca tinha tido um ataque tão forte assim.

— E-Espere um pouco. Eu vou buscar água.

Mas ele não deixou eu me afastar, me segurando de leve pela blusa. Seus olhos marejados me pediam para não deixá-lo sozinho.

Eu estava assustado.

Mas não tanto quanto ele.

Ele continuava tossindo muito forte, e algumas gotículas de sangue mancharam o lençol.

Entrei rápido na frente dele para impedí-lo de ver.

Não adiantou.

Mais sangue.

...

...

...

...

...

...

...

...

...

...

...

...

...

...

...

...

...

...

...

...

...

...

...

Fiquei um pouco tonto pela velocidade com que eu levantei da cama.

Parecia que ainda podia ouvir Matt tossindo...

Porcaria de pesadelo!

...

Espera... Matt estava tossindo!

Saí rápido do quarto e corri até a cozinha, onde Matt estava apoiado na pia... Tossindo.

— Ai droga — ele reclamou.

Aquele era o Matt mesmo. O Matt com cabelo, o Matt que sorria, o Matt saudável.

— O que... Mello?! — acho que eu o assustei quando o abracei com força pelas costas.

Aquele sonho realmente me perturbou...

— Desculpa, eu te acordei? — ele perguntou surpreso — Eu me engasguei com a água.

— Você vai parar de fumar — falei sério, soltando-o.

— Hã? Espera aí! Mello!!! — ele veio correndo atrás de mim até o quarto, onde eu ajoelhei no chão e comecei a revirar sua gaveta, tirando toda caixa daquele maldito tabaco que eu encontrava.

— O que está fazendo?! — ele tentava me parar.

— Você vai parar de fumar. Use adesivos de nicotina, vá a um grupo de ajuda, sei lá. Mas fumar você não vai mais.

Tava na cara que ele não estava entendendo nada.

Mas eu é que não ia correr o risco daquele sonho se tornar realidade!

...

Agora é torcer para Matt não sonhar que eu tenho diabetes, senão ele vai querer que eu me livre dos meus chocolates.

-x-

— Então, Sr... — a mulher consultou a prancheta — Matt. Pode nos dizer por que resolveu buscar ajuda para parar de fumar?

— Eh... Eu não tenho muita certeza. Tudo o que eu fiz foi tomar água...

Notas finais
Eu gostei muito desse negócio de sonho *----* ( eu ia pôr em itálico, mas aí pensei: ah não, assim vai ficar na cara que é um sonho. Então eu coloquei um monte de reticências para quando o Mello acorda xD ) Mas falando sério, câncer é uma das piores doenças que existe, pelo menos na minha opinião. eu perdi uma tia muito querida no ano passado por causa de câncer... Ela tinha câncer de pulmão, e eu acabei lembrando dela enquanto escrevia. Ahn... Reviews?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!