Faça Um Desejo

2 Capítulo 2 - E o pesadelo começa...


_Como está sua mãe? — Perguntou aquela menina morena, de cabelos crespos e olhos esmeralda, que sentava-se ao meu lado.

_Nada bem. — Respondi, desanimada, brincando com o lápis.

_Ainda não sabem o que ela tem?

_Não... O médico achava que era um efeito da luz, mas agora seus olhos começaram a inchar. Ele diz ser uma infecção, mas não tem muita cert... — Logo, fui interrompida pelo olhar cortante que profª.Hamsley nos lançou, parando por alguns instantes seu monótono discurso.

_Creio que você estudasse com a mesma frequencia com que conversa atentamente com a srta.Mourgan, com certeza deveria fechar a prova, em vez de tirar incríveis dois e meio em oito. — Falou a professora, irônicamente, enquanto voltava a sua imúnda escrivaninha de carvalho e anotava alguma coisa na pasta da turma. Permanecemos caladas até o final da aula, mas apenas para dar a língua entre os dentes ao chama-la de vaca velha adoradora de livros no corredor... Enquanto a mesma estava na sala ao lado.

_Não acredito que tive que largar meu posto para ir à sua escola resolver isso! — Berrou papai, enquanto puchava-me pelo braço, a caminho de casa. — Você-tem-sórte-de-não-ter-sido-expulsa! — Continuou, acentuando cada paravra com um chute, impulsionando-me para frente. No quarto, rolei para frente, ralando no chão, mas mesmo assim ele não parou. Uma lágrima silenciosa rolou por meu rosto, mas recusei-me a verdadeiramente chorar, não lhe daria esse gostinho. Continuei caminhando, as feridas recém-abertas latejando ao sol de meio-dia.

_O que aconteceu com você?! — Exclamou mamãe, assustada, quando cheguei em casa. Logo, olhei furtivamente para meu pai, com medo de uma surra eminente caso eu abrisse a boca. Entretanto mamãe entendeu o recado, lançando-lhe um olhar de puro despreso, enquanto envolvia-me em um abraço o qual pretendia ser apertado. Nunca entendi como duas pessoas tão diferentes puderam um dia se apaixonar uma pela outra... Ao que mamãe era meiga e delicada como uma flor, papai era extremamente rude e violento. Porém, ele havia mudado, o amor o transformou. Eis o problema: Havia. Depois que mamãe adoeceu, ele teve uma... Recaída. Voltou a fumar e beber, e com isso vieram as brigas. Uma coisa levou a outra que levou a outra, e foi assim que minha vida se tornou um inferno. Meus pais começaram a brigar, a comida se tornou mais escaça e a colheita atrasou, parecia que meu mundo iria acabar, que a vida não valia mais a pena, a tristesa palpitava em meu peito até mesmo em meu sono, e só aumentava ao constatar que os outros também sentiam o mesmo. Eu realmente não esperava que a situação pudesse piorar, e até hoje não entendo como pude estar tão enganada.

Notas finais
Bem, terminei, espero que tenham gostado. Foi meio corrido, mas creio que não ficou uma porcaria completa, só meia -q