Fazendo Meu Filme 5 - O Casamento Da Fani
26 Capítulo 25
Notas iniciais
Fani
Acordei sentindo a boca seca, a cabeça latejar e uma terrível ânsia. Normalmente eu diria que estava de ressaca, mas esse não era o caso. De qualquer forma, o Leo já estava acostumado com minhas manhãs, então não foi surpresa sentir suas mãos acariciarem minhas costas e prenderem o meu cabelo em um rabo de cavalo enquanto eu vomitava todo o jantar de ontem.
Depois que não tinha mais nada para colocar para fora, escovei os dentes, tentando me lembrar que dia era hoje. Cinco de Dezembro, o que significa que falta uma semana para o casamento da Pri.
Enquanto tentava comer alguma coisa, uma fruta que fosse, relembrei a noite de ontem, quando fizemos a despedida de solteira da minha amiga.
Flashback ON
— Onde você está? – perguntei à Pri, que estava do outro lado da linha.
— Foi mal, amiga. Me atrasei um pouco, mas já estou indo. — respondeu, sua voz soando pelo viva-voz do aparelho celular.
— Se atrasou ou o Rodrigo te atrasou? – perguntou a Gabi.
— Um pouco dos dois...— respondeu, me fazendo rir – Todas já chegaram?
— Sim, estamos todas aqui! – Nat respondeu. Lucas estava na casa do Inácio, já que o Alberto saiu com os meninos e mamãe e papai estão num cruzeiro (bem merecido) pela Europa.
A Ana e a Tracy não puderam vir. A primeira porque os gêmeos estavam meio doentinhos, já a Tracy, estava em Paris com o Christian para alguma premiação de um filme que ele fez por lá. Seríamos, então, a Pri, a Gabi, a Nat, duas amigas da Pri, a Bruna e a Larissa, e eu.
Estávamos todas do lado de fora esperando a noiva, já que eu queria que todas entrassem juntas. Não demorou muito e avistamos o carro da Pri virar a esquina, estacionando no estacionamento privado da boate que eu havia reservado.
Finalmente, entramos no local. Eu já sabia como estava tudo lá dentro, mas queria observar a reação das meninas, que iam de surpresa a animação. Ia ser uma noite e tanto...
Todo o interior estava com uma decoração vermelha e preto, levemente sensual, com um toque divertido. Logo quando entramos, a Pri recebeu de um dos garçons uma tiara com o véu, identificando-a como noiva.
Tratamos logo de nos enfeitarmos, com tiaras engraçadas e plumas. Seguimos para o bar, onde as garotas pediram a primeira dose de tequila, para começar. Depois, nos sentamos no sofá, enquanto a Bruna, que é solteira, flertava com o barman. Ela voltou minutos depois, com um pedaço de papel com o número e o nome do cara, o que nos arrancou várias risadas.
— Eu sou a deusa da sedução. – ela fez graça.
De repente todas as luzes se apagaram, gerando expectativa pelo que estava por vir. Lembrei-me das minhas discussões com o Leo, sobre o que era permitido ou não nas festas de despedida. No final, resolvemos que não havia problema nenhum em ter stripers ou gogo boys, afinal nunca trairíamos mesmo.
As garotas simplesmente enlouqueceram quando o policial gostoso apareceu em cima do palco. Nós somos casadas, não cegas. Uma música bem sensual começou e ele começou a tirar as peças de roupa, nos fazendo gritar feito loucas.
— Lindo!
— Gostoso!
— Oh, lá em casa!
Eu ria muito com as meninas, que por sua vez só faltavam atacar o pobre coitado. Depois que a dança acabou, um garçom passou trazendo alguns petiscos, que prontamente aceitamos. O champanhe veio logo depois, mas tanto eu como a Gabi recusamos, enquanto as meninas pediam mais doses de tequila.
— Por que não vão beber? – perguntou a Natália, nos encarando.
Devolvi o olhar, sorrindo. Ela entendeu.
— Você está grávida! – gritou a Bruna e todas as meninas me abraçaram e me parabenizaram.
— Espera ai, eu estou grávida e por isso não vou beber. Qual a sua desculpa, Gabi?
— Só você pode estar grávida? – ela retrucou, me fazendo arregalar os olhos.
— Você também? – perguntei, e ela acenou com a cabeça — Quanto tempo?
— Um trimestre, e você?
— Entrei para o quarto mês! – respondi.
— Ai meu Deus, isso é muito legal! – a Pri falou.
— Duas melhores amigas grávidas com mais ou menos o mesmo tempo! Qual a probabilidade disso acontecer? – exclamou a Larissa.
Todas nós nos abraçamos e brindamos, eu e a Gabi com suco de laranja.
Depois dessas notícias, a noite foi fantástica! Rimos muito quando o mesmo dançarino entrou, agora como bombeiro, e ofereceu à noiva a chance de tocar na mangueira dele. Só de lembrar o tom de vermelho que o rosto da Pri assumiu já me dá vontade de rir.
A Gabi e eu, como não estávamos bebendo, tivemos que ser juradas nos concursos “Quem bebe mais” e “Quem imita o Silvio Santos melhor”, propostos pela Bruna. As garotas já estavam bêbadas a essa altura, então rolou até dancinha com o dançarino (a Bruna, é claro).
Foi uma noite extremamente divertida. E, para fechar com chave de ouro, quando estávamos já saindo da boate, o gogo boy entregou um papel com o nome dele para a Nat e ainda disse:
— Me liga se estiver afim de uma dança particular.
Bastou ele passar pela porta e já estávamos chorando de tanto rir. Na volta para casa, eu e a Gabi nos dividimos entre o carro da Pri e o meu. As meninas tinham vindo de táxi e eu tinha dado carona para a Nat, então deixamos a noiva, a Bru e a Lari em casa e a Gabi veio com a gente no meu carro.
Quando cheguei em casa, depois de deixar minhas amigas, já eram quase três da manhã. O Leo já havia chegado e dormia tranquilamente na cama do quarto de visitas do apartamento dos meus pais, que estava vazio no momento.
Tomei um banho e deitei ao seu lado, me aconchegando em seus braços. Ele acordou, me abraçando pela cintura e beijando minha cabeça. Adormeci alguns minutos depois, sentindo sua respiração em meus cabelos.
Flashback OFF
— Eu desisto, não dá para comer mais nada! — reclamei, empurrando o potinho de iogurte pela metade.
— Amor, você tem que comer!
— Eu sei, mas o que eu posso fazer se tudo que eu como dá vontade de vomitar? Eu não consigo comer!
— Nem se misturar no cereal? – ele perguntou, me oferecendo uma tigela com cereais e iogurte. Só de olhar para aquela gororoba, meu estômago embrulhou e eu corri para o banheiro, pondo o quase inexistente café-da-manhã para fora do meu estômago.
Depois que eu escovei os dentes e lavei o rosto, vi o Leo me encarando pelo espelho, com os braços cruzados.
— Que foi? – perguntei – Não é minha culpa se o seu filho é chato e não quer comer nada!
Ele sorriu para mim e eu fui em direção ao seu abraço.
— Esses enjoos já deveriam ter passado, não é justo! – murmurei contra seu peito.
— Eu sei amor, mas você acabou de entrar no quarto mês, lembra do que o médico disse? Pode demorar uns dias mas vai melhorar. – ele me tranqu8ilizou, afagando meus cabelos e minhas costas.
Até o enjoo passar e eu conseguir comer alguma coisa sem vomitar depois foi cerca de uma hora, mas não voltei a ter enjoos nem naquele dia, nem nos dias que se seguiram.
Estar grávida é uma coisa maravilhosa, mas devo confessar que esses primeiros meses foram um verdadeiro pesadelo para mim. Eu só espero que as coisas melhorem com o passar do tempo. Enquanto isso não acontece, aproveito os mimos do Leo, que não poupa esforços para me agradar. Eu definitivamente tenho muita sorte!
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